. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 03.2
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 03.2 – Ensopado para um Fugitivo
A voz da garota não era alta, mas foi suficiente para aguçar a audição das pessoas reunidas com um único propósito.
Enquanto o silêncio caía sobre o restaurante, como se água fria tivesse sido derramada, e olhares afiados como flechas o atingiam como um alvo, Rensley compreendeu profundamente o significado de “medo extremo”. Nem mesmo quando foi amarrado a uma árvore no jardim durante uma tempestade, quando criança, ele se sentira tão assustado. No entanto, o silêncio no restaurante, que ameaçava se transformar em motim, não se quebrou facilmente, e durante esse tempo, Rensley conseguiu recuperar alguma compostura. Ninguém se movia facilmente, todos se observavam. Numa arena de caça apertada, havia uma presa, mas muitos caçadores. No silêncio tenso, Rensley respirou fundo e rapidamente avaliou o número de pessoas no local. O restaurante estava lotado, com cerca de vinte pessoas. Era uma briga de cães.
Eles provavelmente não foram instruídos a trazer um cadáver, então tentariam capturá-lo vivo, e ele também não queria ferir ninguém. A luta mais difícil é aquela em que ninguém se machuca…
“Será que consigo sair ileso?”
Enquanto Rensley, em alerta máximo, examinava os arredores, ouviu uma tosse curta ao seu lado. Era o homem de meia-idade que estava resmungando que partiria no dia seguinte.
Ele colocou a caneca de cerveja de lado e tirou lentamente um panfleto do bolso. No silêncio que persistia, ele alternou o olhar entre Rensley e o retrato falado e perguntou, com fingida polidez:
— O senhor é realmente Rensley Malocen?
—…Se eu disser que não, o senhor vai acreditar?
— Hmm… Não.
— Se já tem uma resposta, não faça perguntas. Não acha que deixa o outro se sentindo um idiota?
— Você é mais teimoso do que parece.
— Também não gosto de provocar os outros, mas entenda. Até uma pessoa sem caráter ficaria assim agora.
Assim que terminou de falar, Rensley destravou a guarda da adaga na cintura. A lâmina prateada, saindo da bainha, revelou uma forma de meia-lua.
Quando Rensley se levantou e colocou as costas contra a parede, todos os clientes do restaurante se levantaram ao mesmo tempo, como se estivessem esperando. O pequeno restaurante, cheio de pessoas armadas, ficou tenso como se fosse pegar fogo. Rensley também franziu a testa e cuspiu as palavras:
— Não tenho intenção de ser pego facilmente, então estejam preparados.
Ele viu o cozinheiro e os garçons se refugiarem na cozinha. Mesmo com sua vida em risco, o ensopado que ele mal provara chamava sua atenção, e seu estômago roncou, afirmando estar vivo. Rensley franziu a testa. Meu ensopado.
— Esperem, esperem, esperem!
O homem que havia falado primeiro com Rensley ergueu a voz novamente. Ele agitou o panfleto com o braço erguido.
— Todos se acalmem! Os boatos são muitos, mas nada foi provado! Se este homem realmente conspirou uma rebelião, se traiu a grã duquesa, se envenenou o grão duque, se trocou uma relíquia da família real por uma falsa e fugiu, se espalhou o boato de que o grão duque é impotente… Nenhum desses boatos foi confirmado!
…O boato de que o grão duque é impotente agora se espalhou por todo o continente? E eu sou a fonte do boato? Os olhos de Rensley tremeram com o último crime mencionado pelo homem. Mas, ignorando a confusão de Rensley, o discurso continuou.
— Qualquer que seja a verdadeira intenção da família real de Oldenlant, esta busca é, estritamente falando, uma busca por um desaparecido! Acho que todos estão confundindo as coisas, correndo atrás de criminosos; é uma busca por alguém perdido, não por um fugitivo! Nossa missão é levar este jovem bonito de volta ao castelo são e salvo, sem tocar num fio de cabelo.
— Então, o que você quer dizer?
Outro cliente, cansado da longa introdução, reclamou.
— Um, dois, três… Cerca de vinte pessoas. Mesmo dividindo a recompensa entre vinte, ainda é mais do que uma recompensa individual. Que tal, em vez de brigarmos entre nós por um homem, dividirmos a recompensa de forma justa e segura para nós e para ele? Se fizermos barulho, os de fora também vão perceber e vir correndo.
A proposta foi bem recebida, e um murmúrio se espalhou pelo restaurante. A única pessoa que se tornava cada vez mais pálida era Rensley. Uma briga de cães teria sido melhor; a situação estava piorando. Numa luta de todos contra todos, ele poderia escapar ou vencer, mas contra caçadores de recompensas unidos, ele não tinha certeza de que conseguiria vencer sozinho.
“Não, não se desespere. Pessoas gananciosas que só correm atrás de dinheiro não fariam uma escolha tão racional.”
Por favor, que dê confusão! Rensley orou com fervor, segurando a adaga com força.
— Faz sentido. Parece uma boa ideia…
No entanto, a situação traiu suas orações e seguia pacificamente.
— Ele já sacou a faca antes mesmo de falarmos direito, se tentarmos subjugá-lo e ele se ferir, vamos perder o dinheiro e ainda ser responsabilizados, não é?
— Vamos agir em silêncio. Lá fora também há muitos de olho nele. Ei, sr. Malocen. Vamos levá-lo sem machucá-lo, então não resista e considere-se com sorte. Num mundo cheio de brutos, não seria um bom resultado para ambos? Dono! Pendure a placa de “fechado”. Daremos uma compensação ao dono também.
— Ah, sim, sim!
O cozinheiro, que observava a situação de fora, saiu apressado. Rensley, seguindo com olhar ansioso as costas do homem que ia fechar a porta, tomou sua decisão.
Ele ajustou a adaga e, num impulso, correu. Os caçadores de recompensas, que estavam relaxados por terem a vantagem numérica e terem chegado a um acordo, se assustaram com a ação repentina de Rensley e gritaram.
— O que ele está fazendo?!
— Peguem-no!
Rensley confiava em sua habilidade com a espada e a equitação. Mas, mais do que isso, seu ponto forte era a agilidade. Nunca perdera uma corrida, e era rápido para subir em árvores ou muros, a ponto de Ivet às vezes o chamar de macaco.
Desta vez também, seus pés eram mais rápidos do que os de qualquer um. Antes que a fechadura da porta fosse acionada, ele escapou do restaurante. Rensley jogou o cachecol de lado e gritou:
— Sou Rensley Malocen!
Os movimentos das pessoas que passeavam pararam. Seus cabelos loiros brilhavam sob a luz do sol nublado. Cada passo do jovem que corria atraía olhares. Os caçadores de recompensas, com seus corpos grandes, saíram do restaurante como se tivessem arrombado a porta. Já bem à frente, Rensley gritou novamente:
— Rensley Malocen está aqui! Sou eu! Rensley Malocen!
— Peguem-no! Peguem aquele homem!
As pessoas, que estavam paralisadas com a situação repentina, começaram a recobrar os sentidos e a perseguir Rensley. Enquanto isso, ele pulou o muro de uma casa e depois subiu no telhado. Ele saltava de prédio em prédio, subindo cada vez mais alto, e os caçadores o perseguiam com persistência.
— Usem arcos!
— Não! Se errarmos, adeus recompensa!
Um arqueiro estava prestes a esticar a corda do arco, mas foi impedido por um espadachim que corria ao lado. Rensley, que olhou para trás, viu um mago apontar seu cajado e recitar um encantamento.
Rensley não sabia que magia era, mas lembrou-se da humilhação de ter sido paralisado pelo grão-duque Gizel e de ter sido tratado; ele estava prestes a empalidecer. Embora pudesse evitar ataques físicos, ele não sabia como se esquivar da magia.
— Não posso deixar que outro o pegue!
— Ahh!
O mago, que estava recitando o encantamento, foi atacado por outro caçador de recompensas com um martelo. Rensley não desperdiçou o tempo que ele ganhou e acelerou.
Escondendo-se atrás de uma chaminé, ele observou a cena que se desenrolava, exatamente como ele havia previsto. Uma briga de cães gigantesca, com os caçadores se mordendo para ficar com a única presa. Rensley balançou a cabeça com uma expressão séria.
— Assim é melhor.
Os humanos são criaturas tolas que perdem coisas maiores por causa da ganância imediata, não são? Rensley murmurou com ironia e rapidamente correu pelo telhado.
De qualquer forma, a notícia de que Rensley Malocen havia aparecido se espalharia, e havia limites para continuar fugindo; ele precisava se esconder bem.
Ao lado de um grande infortúnio, sempre há uma pequena sorte, então ainda não era hora de desistir. Agachado no telhado, Rensley viu uma carroça prestes a partir da vila.
Uma carroça de madeira cheia de palha seca, com um cocheiro de aparência simples e bondosa, que não parecia ter nada a ver com as palavras agressivas como “caçador de recompensas”.
— Vamos!
Rensley pulou para a carroça bem no momento em que o cocheiro estava prestes a partir. A palha macia, que transbordava da carroça, amortecera seu peso com um som leve. Rensley se enterrou na palha e se escondeu completamente.
Salvo, ele suspirou aliviado, e então refletiu sobre seu destino. Não havia como escapar do destino das carroças.
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↫─✧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna