. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 02.4
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 02.4 – Profecia Sinistra
Rensley murmurou, como se quisesse acalmar seus próprios ouvidos. Lá fora, o amanhecer se aproximava, mas dentro era a noite mais profunda. Ele desmontou e segurou firmemente as rédeas. Com a luz da lanterna que o comerciante lhe dera, iluminando o caminho à sua frente, ele caminhou lentamente.
Ele não pretendia entrar fundo. Passaria algum tempo nos arbustos da borda e, quando o sol nascesse completamente, consultaria o mapa e decidiria o destino. Rensley já havia sido mordido por um cachorro selvagem na floresta e sabia dos perigos; ninguém imaginaria que ele se esconderia na floresta.
Até onde ele deveria ir? Seus movimentos, enquanto examinava os arredores, eram cautelosos. Com a mão sempre na adaga na cintura, Rensley avançava com passos furtivos, com todos os sentidos em alerta. Havia muita neve no interior da floresta, exigindo ainda mais cuidado.
Enquanto isso, a luz do amanhecer, como um fio de prata, começava a penetrar entre as densas coníferas. Rensley olhou para trás. Embora tivesse caminhado devagar, já havia entrado bastante; a entrada da floresta, envolta em neblina, já não era visível.
Farfalhar. Enquanto olhava para trás, ouviu passos à sua frente. Rensley virou a cabeça rapidamente e deu alguns passos para trás.
— Hnn.
Um breve suspiro escapou. Na névoa escura, algo como olhos de animal brilhou como uma lanterna.
Rensley cerrou os lábios e sacou a espada. Não podia entrar em pânico. Se fosse apenas um, poderia evitar uma luta.
Grrrr. Depois dos passos, veio um som. Pela voz, não era um monstro, mas um animal selvagem. E ainda não era adulto.
Se fosse jovem, seria melhor. Em vez de atacar primeiro, assumiu uma postura defensiva, observando os movimentos do oponente. Muitos animais selvagens, mesmo mostrando os dentes, acabam recuando e não atacam as pessoas. Rensley era bom em acalmar animais.
Sentiu o burro começar a se agitar. Rensley balançou as rédeas suavemente para acalmar o burro.
— Tudo bem. Não se assuste. Eu resolvo isso.
Mas, contrariando suas expectativas, os olhos brilhantes se aproximavam. A mão de Rensley, que segurava a espada, apertava cada vez mais.
Latindo alto, o dono dos olhos finalmente se lançou sobre ele. Com a cabeça investindo contra seu peito, Rensley cambaleou e caiu de costas.
— Hã?
Uma voz confusa escapou dos lábios de Rensley. O inimigo que se revelou tinha uma aparência completamente diferente do que ele imaginara.
Latidos alegres. Rensley riu. O cachorro selvagem que saltara em seus braços abanava o rabo e lambia seu rosto. Ele segurou a bola de pelos que esfregava a língua e o rosto em seu rosto e olhou nos olhos do cachorro.
— É você, da outra vez, não é?!
O cachorro selvagem de pelo cinzento e macio tinha crescido um pouco, mas era certamente o filhote que mordeu o braço de Rensley em sua primeira inspeção à floresta.
O cachorro que atacara Rensley naquele dia era um filhote pequeno, assustado com o aparecimento dos monstros. Embora tivesse mordido o braço de Rensley, o cachorro também estava ferido, com a pata machucada, como se tivesse pisado numa armadilha.
Percebendo que o filhote estava agressivo por medo e dor, Rensley o acalmou, tratou sua pata com as ervas e ataduras que tinha. Como o filhote devia estar com fome, ele lhe deu um pedaço de carne seca que tinha como suprimento de emergência e o soltou. Na verdade, ele queria levá-lo para o castelo, mas parecia que o filhote tinha uma mãe, então não o fez.
— A pata está boa agora? Hmm, parece que sarou. Mas o que você está fazendo aqui?
Acariciando e brincando com o cachorrinho reencontrado, como se fosse um membro da família, Rensley inclinou a cabeça, confuso.
O lugar onde ele encontrou o cachorro pela primeira vez era na floresta ao lado do Castelo de Roudequen. Tinha descido de carroça por um bom tempo; estava longe de lá. Mesmo que a floresta fosse contínua, era estranho que um filhote tão jovem tivesse vindo até ali.
— Você se perdeu? Ou a matilha mudou?
Latidos, latidos. O cachorrinho continuava latindo, como se quisesse dizer algo, talvez entendendo ou não. Rensley o pegou no colo e se levantou. Mas o filhote não ficou quieto, se contorcendo.
— Quer descer?
Quando o colocou no chão com cuidado, o filhote abanou o rabo com satisfação e ganindo. Ofegante, olhou para ele, como a dizer “siga-me”, e deu alguns passos. Quando Rensley parou depois de alguns passos, o filhote olhou para trás e latiu, abanando o rabo. Claramente, era um sinal para segui-lo.
Rensley riu. Com a chegada inesperada do companheiro, seu medo desapareceu completamente. Se a matilha tivesse mudado, eles conheceriam a floresta muito melhor do que ele; o fato de se moverem com confiança significava que havia pouca probabilidade de encontrar animais selvagens ou monstros perigosos por perto.
Claro, ele não podia confiar cegamente, pois no dia em que se encontraram, o filhote claramente estava sozinho e tinha encontrado monstros. Mas era muito mais seguro do que vaguear sozinho, então Rensley não hesitou em seguir o cachorro.
Com a guarda baixa, a paisagem da floresta, que antes era assustadora, agora se revelava com sua própria majestade. Embora ainda estivesse escuro, a escuridão total do início havia diminuído.
Ao contrário das florestas de Cornia, não havia luz solar dourada ou canto de pássaros, mas o som da neve azulada caindo dos galhos ao amanhecer e os passos de pequenos animais do frio correndo pelas árvores e pelo chão ocasionalmente chamavam sua atenção. Como Oldenlant, que se dizia um ermo, era na verdade um país onde pessoas comuns viviam, a floresta também não era um lugar apenas assustador.
Quanto tempo ele caminhou? O som da água corrente começou a se aproximar. Talvez houvesse um riacho ou um vale nas proximidades.
Seguindo o filhote, Rensley continuou andando.
— Uau…
Diante da paisagem que surgiu, Rensley soltou uma exclamação involuntária. No fundo da floresta, corria um rio bastante grande.
Talvez fizesse parte do Rio Wals, que o grão-duque Gizel mencionará. Ainda não estava completamente claro, e a cor da água não era visível, mas seu tamanho era perceptível a olho nu. Pelo som da correnteza, a velocidade era considerável.
O som da água o acalmou. Mas… Rensley sorriu e olhou para o filhote ao seu lado.
— Aqui não dá para atravessar, não é?
O rio corria no fundo de um penhasco íngreme, e não havia ponte nem balsa à vista. Se fosse dia, ele poderia tentar encontrar um caminho para descer, mas ainda estava escuro, e pelo som da água, não era um lugar para nadar.
“Se eu tivesse vagado sozinho até aqui, poderia ter perdido o equilíbrio e caído…”
Ao pensar nisso, um arrepio percorreu sua espinha.
Latido! O cachorro latiu mais uma vez. De repente, o filhote, que continuava a abanar o rabo, pulou para o penhasco. Assustado, Rensley estendeu o braço para segurá-lo.
— Cachorrinho!
Mas foi tarde. Com o movimento em falso, seu corpo se desequilibrou. Prestes a cair do penhasco num piscar de olhos, Rensley gritou e se recuperou.
Foi apenas um breve instante, mas o medo da morte o fez suar frio. Ofegante, Rensley piscou.
Mas antes que o medo passasse, uma cena surreal se apresentou diante de seus olhos.
O filhote que pulou do penhasco não caiu. Ele claramente saltou para o abismo. Mas…
— …Você por acaso é um monstro?
Rensley murmurou, perplexo. O filhote estava flutuando no ar do outro lado do penhasco. Por mais que esfregasse os olhos, a cena irreal não desaparecia.
Por mais que olhasse, o filhote era apenas um filhote, não um pássaro nem um monstro. Um cachorro sem asas flutuava tranquilamente no ar, entre os penhascos, como se estivesse no chão.
“Será que caí do penhasco e já morri? Ou estou sob o feitiço de algum monstro da floresta, vendo coisas?”
Agora que pensava, era estranho ter encontrado aquele cachorro ali. Talvez não fosse um cachorro, mas um monstro vindo para levá-lo para o outro mundo?
Rensley, com um calafrio, deu um passo para trás. O cachorro, então, latiu mais alto e continuou correndo de um lado para o outro.
— Você quer que eu siga você? Quer dizer que eu pule do penhasco?
Depois de hesitar por um longo tempo, Rensley soltou as rédeas que segurava como se fossem sua linha de vida.
— Fique aqui. Vou primeiro.
Com determinação, Rensley se aproximou da beira do penhasco. Se ele andasse com confiança, talvez merecesse ser chamado de corajoso, mas não havia platéia para elogiá-lo, e ainda assim era assustador. Ele sentou-se na beira do penhasco. Esticou as pernas e balançou os pés no ar.
— Hã…?
A surpresa se espalhou pelo rosto de Rensley como ondas, e sua testa franzida se contraiu. Ele se levantou lentamente e, de pé, esticou o pé esquerdo.
O que seus olhos viam era o ar, mas seus pés sentiam o chão. Rensley arregalou os olhos. Era como se houvesse um vidro transparente sob o penhasco.
Hmm. Ainda assim, o medo não desapareceu completamente. Gemendo, ele arrastou o pé direito e, com dificuldade, colocou-o sobre o vazio. Quando finalmente colocou os dois pés no ar, a expressão de Rensley se desfez completamente.
Como o filhote de antes, ele andou no lugar. Embora estivesse claramente flutuando, o chão sob seus pés era firme e inabalável. Mesmo que estivesse morto ou vendo coisas, agora a curiosidade e o fascínio superaram a ansiedade e o medo.
Quando puxou as rédeas, o burro, vendo o homem e o cachorro na sua frente, seguiu Rensley sem grande resistência. Convencido de que Rensley o seguia, o filhote acelerou na frente.
Quanto tempo eles caminharam? Uma luz brilhante se derramou sobre o rosto de Rensley. Seus olhos violetas, que estavam escuros, recuperaram a cor e tremularam transparentemente diante da nova paisagem.
— Como isso é possível…?
Será que ele realmente estava no outro mundo?
Rensley, de boca aberta, olhou lentamente ao redor. De repente, toda a paisagem que o cercava havia mudado.
A floresta de inverno escura e fria havia desaparecido, e um céu azul com nuvens finas e um sol caloroso o recebiam. As folhas verdes que pendiam abundantemente de cada galho e as flores coloridas e perfumadas não eram plantas de Oldenlant em nenhum aspecto. Pequenos coelhos e esquilos, animais selvagens, circulavam pacificamente entre a grama verde exuberante, onde flores silvestres balançavam.
Uma brisa quente, como um véu fino e macio, acariciava seu rosto. O canto dos pássaros, como sininhos, ecoava alegremente ao redor. Rensley tirou o chapéu grosso e o cachecol. O frio, que parecia feito de gelo evaporado, desapareceu completamente, e apenas um calor agradável envolvia seu corpo.
Um pássaro, que cantava, voou e pousou no ombro dele. Não parecia ter medo de pessoas. Esquecendo-se da surpresa por um momento, Rensley estendeu a mão. O pássaro de penas coloridas subiu em sua mão e bicou seus dedos com seu bico pequeno. A sensação do bico ainda macio cutucando seus dedos o fez rir.
[Você é o humano que ajudou meu filhote.]
Uma voz com um eco peculiar foi ouvida.
[Seja bem-vindo à minha floresta.]
Antes que pudesse responder, uma sombra escura como uma nuvem baixa passou sobre seu rosto.
Era gigante. Um lobo branco, que parecia uma versão ampliada do filhote de cachorro, dezenas de vezes maior, olhava para Rensley.
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— Alteza, não podemos ir mais longe.
Ao ouvir a voz do líder da equipe de busca que corria ao seu lado, Gizel parou seu cavalo. Era a primeira vez em muito tempo que ele saía tão longe do castelo antes da primavera. Com um olhar que media uma fronteira inexistente, ele encarou o vazio escuro.
Embora quisesse expandir o alcance para localizar Rensley Malocen, isso não deveria ser muito maior do que o que ele já percorrera. Se ele tivesse se separado do comerciante na planície, ainda estaria viajando por terra.
Gizel, ainda montado, abriu o medalhão que trazia no pescoço. O que saiu dele foi um fio de cabelo loiro. Larcov, o comandante dos magos, que havia sido convocado no meio da noite para galopar ao lado de Gizel, percebeu sua intenção e baixou a voz:
— Grão-duque, mesmo que seja uma magia menor, usar partes do corpo como mediador é próximo da magia negra e perigoso.
— Em situações de emergência, não há escolha.
Quando Gizel recitou o encantamento, o fio de cabelo flutuou levemente sobre sua palma e girou lentamente como uma bússola. Depois de oscilar por um momento, o fio parou e se fixou. Gizel olhou para uma direção. A sombra escura da grande floresta entrou em seus olhos. Sua testa se franziu ligeiramente.
Rensley já tinha se machucado na floresta à noite. Ele também havia sido alertado sobre os perigos. E mesmo assim, ele entraria na floresta escura?
Mas Gizel confiou mais no resultado da magia do que em seu próprio julgamento. Rensley Malocen nunca fora alguém que ele pudesse prever facilmente.
Felizmente, ele não parecia ter ido muito longe. A aura mágica indicava que o alvo estava próximo. Fizera bem em sair do castelo o suficiente para ativar a magia. Havia várias entradas para a floresta, mas não foi difícil encontrar por onde Rensley havia entrado.
— Parece que ele entrou na floresta. Espalhem-se e procurem. Com as árvores densas, não será fácil encontrar uma pessoa.
— Entendido.
Os agentes de busca acharam estranho que o próprio grão-duque estivesse procurando um cavaleiro aprendiz, mas, como agentes reais, ninguém questionou o motivo. Provavelmente imaginavam que Rensley Malocen tinha feito algo grave ou que a grã-duquesa tinha pedido.
Assim que os agentes começaram a vasculhar a floresta, Gizel também entrou. As tochas dos agentes e a luz mágica criada pelo próprio iluminavam a floresta escura como se fosse dia.
— Há pegadas. Parece que não faz muito tempo que passaram.
Ao ouvir a voz do agente à frente, Gizel desmontou e examinou as pegadas no chão. Embora não tivesse treinamento em rastreamento, ele tinha certeza. Quem mais estaria andando na floresta escura a essa hora?
O tamanho das pegadas ao lado das marcas de cascos era quase o mesmo que o do homem que ele via todos os dias. Ele, que raramente se agitava, sentia seu coração acelerar, difícil de controlar.
“Antes mesmo do amanhecer, sozinho na floresta. Mesmo que quisesse fugir do castelo, não precisava correr um risco tão grande.”
Nesse estado, quando se encontrassem, ele temia ficar com raiva de Rensley. Era difícil controlar a emoção que transbordava e se derramava, uma sensação tão estranha quanto o era controlar. Gizel, suprimindo a raiva que subia, acelerou o passo.
As pegadas de Rensley seguiam quase em linha reta pela trilha da floresta. Não havia nenhuma tentativa de despistar. Continuando, eles ouviram um som diferente. Era o som da água.
— Alteza…
O agente à frente virou-se com uma expressão embaraçada. Ele chamou o rei, mas não disse nada, e Gizel também, sem responder, apenas olhou para a frente.
Um rio largo, impossível de atravessar sem um barco, corria com uma correnteza rápida.
Gizel, em silêncio, encarou a frente e desmontou. A luz iluminou o chão e as pegadas. As pegadas, que seguiam em fila, pararam abruptamente na beira do penhasco.
↫─✧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna