. ₊ ⊹ Capítulo 04.3
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 04 – Prova de Admissão
Pt. 3
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A consciência, que se apagou num instante como se caísse de um penhasco, também voltou abruptamente.
Os olhos de Rensley se abriram, nítidos. Ele se levantou sem se virar uma única vez debaixo das cobertas.
Como havia dormido sem fechar adequadamente as cortinas dos pilares da cama, a visão do quarto se descortinava diante dele. O quarto, que estava iluminado pela luz do sol quando ele adormeceu, agora estava escuro, iluminado apenas pela luz de velas.
Rensley prendeu a respiração e saiu da cama apressadamente. Ele só queria tirar uma soneca, mas já era noite. Olhou para o relógio: o ponteiro pequeno apontava para o canto superior esquerdo. Isso significava que era meia-noite.
Mesmo que tivesse dormido o dia todo, não havia ninguém para culpar em sua situação de confinamento, mas a prova prática de combate estava chegando. O que fazer se os horários de sono irregulares tivessem um efeito negativo? Enquanto Rensley pensava se seria melhor dormir de novo, encontrou um pequeno bilhete sobre a mesa.
<Pensei que você poderia estar com fome, então vim mais cedo, mas você estava dormindo tão profundamente que não quis acordá-lo. Se precisar de comida, chame-me.>
Era um bilhete deixado pela senhora Samlit. Rensley franziu ligeiramente a testa. Assim que viu a palavra “comida”, a fome adormecida pelo sono começou a doer em seu estômago. O ronco era alto no silêncio.
Mas era muito tarde para chamar a senhora. Ela certamente viria se ele chamasse, mas poderia estar dormindo. Seria muito incômodo fazê-la servi-lo a esta hora da noite.
Rensley ficou andando no mesmo lugar, hesitante, e então tomou uma decisão. Vestiu um vestido por cima da roupa que usava. Desde o dia em que o grão-duque havia amarrado seu cinto, ele pediu à senhora Samlit que lhe preparasse algumas roupas que pudessem ser fechadas pela frente. Com um casaco por cima, o vestido simples até que parecia decente.
Ao sair no corredor com o véu, os dois guardas de plantão o interceptaram novamente. Mas, ao contrário da primeira vez, eles não pareciam tão surpresos e escoltaram sua escapada noturna. Como da outra vez, ao chegar em frente ao laboratório e fazer um gesto com a mão, os guardas, com a mesma expressão constrangida, se retiraram.
No entanto, hoje Rensley não bateu à porta do laboratório. Em vez disso, subiu as escadas novamente para verificar se os guardas realmente haviam se afastado.
O saguão escuro do primeiro andar não tinha o menor sinal de vida. Rensley prendeu a respiração e o atravessou furtivamente como um ladrão. Graças às suas saídas recentes, ele já conhecia um pouco da estrutura do castelo, embora oficialmente nunca tivesse sido guiado por lá. Lembrava-se especialmente da localização da cozinha, onde havia trabalhado como ajudante no dia seguinte à sua chegada a Oldenland.
Ele havia se tornado mais próximo dos rapazes com quem conversara naquele dia, encontrando-os algumas vezes depois. Ultimamente, porém, não os via, pois estava cumprindo sua promessa ao grão-duque e se mantendo quieto. Como havia desaparecido de repente, eles poderiam estar curiosos sobre como ele estava.
Rensley se esgueirou para a cozinha. Estava vazia, mas o calor do forno a mantinha aquecida. Depois de tirar o véu, o casaco e o vestido, dobrando-os cuidadosamente em um canto, Rensley se tornou um verdadeiro ladrão, vasculhando a cozinha à luz de uma pequena lamparina.
Encontrou chalotas, cenouras, feijões, batatas e um caldo de frango preparado em grande quantidade. Embora pensasse em não ser ganancioso, já que estava furtando, decidiu que um pouco de carne seria bom e cortou algumas fatias de bacon. Com os ingredientes prontos, Rensley hesitou. Precisava de tomate… O tomate, que em Cornia era um ingrediente comum, parecia ser raro naquele lugar frio; ele não encontrou nenhum. Talvez nem fosse usado em Oldenland.
Como a fome estava tão intensa que ele quase não tinha mais forças para se mover, Rensley desistiu de procurar tomates e acendeu o fogo no forno. Quando a chama cresceu, a cozinha escura se iluminou em tons avermelhados.
Ouvindo atentamente para ver se alguém notaria a invasão, Rensley logo começou a cozinhar. Colocou óleo em uma panela de ferro sobre o fogo e fritou o bacon picado. Em seguida, refogou as chalotas, algumas ervas para aroma, cenouras, batatas e feijões.
Ao polvilhar sal, um aroma doce e tostado dos legumes refogados encheu a cozinha. Rensley, que estava sorrindo de felicidade só com o cheiro, de repente percebeu que poderia ser descoberto por outra pessoa.
Seria bom refogar os legumes por mais tempo, mas agora ele era um ladrão de comida. Apressadamente, despejou o caldo e, quando ferveu, tirou a panela do fogo. Segurando uma grande colher de madeira, provou a sopa ainda quente, soprando para esfriar.
— Uau!
Esquecendo-se de ficar em silêncio, Rensley exclamou, estremecendo.
— Quanto tempo faz?
Uma comoção inesperada fez seus olhos se umedecerem. Parecia que fazia anos, em termos de percepção, desde que ele havia colocado algo gostoso na boca.
Ele pensava que já estava acostumado com a culinária de Oldenland e que não precisava mais se forçar a comer como no início, mas tudo não passava de um esforço para sobreviver. Não importa o quanto se esteja com fome, o gosto ruim continua sendo ruim.
Rensley serviu uma grande quantidade de sopa em uma tigela funda. Sentou-se num banquinho baixo usado para acender o fogo e comeu vorazmente. Se tivesse tomate, teria ficado muito mais perto do sabor de Cornia, mas, dentro do possível, não estava ruim.
Depois de comer às pressas na cozinha escura, ele começou a se sentir mais tranquilo. Desta vez, enquanto pensava em saborear o resto da sopa lentamente, Rensley se pegou pensando em algo inesperado:
— Será que Vossa Alteza está no laboratório hoje também?
Pelo que observara até agora, o grão-duque passava muitas noites sozinho no laboratório, estudando ou pensando. Talvez ele ainda não tivesse subido para o quarto.
Se tivesse a oportunidade, gostaria de lhe dar uma amostra da comida de Cornia. Embora fosse apenas uma sopa de legumes e não pudesse retribuir sua gentileza, ainda assim, até mesmo uma sopa simples era diferente da comida de Oldenland; talvez fosse uma experiência nova para ele também.
Sua hesitação não durou muito. Rensley preparou uma nova tigela e colher, e colocou toda a sopa restante nela. Colocou a tigela em uma bandeja e, silenciosamente, voltou pelo caminho por onde viera.
Em frente ao porão, encostou o rosto na porta. Por mais que escutasse, estava silencioso do lado de dentro. Mas o grão-duque sempre fora uma pessoa quieta; quando estava sozinho, quase não se ouvia nenhum som. Parecia certo que não havia mais ninguém ali.
Toc, toc. Ele bateu na porta com cuidado, mas não houve resposta. Meio desistindo, mas ainda com uma ponta de esperança, Rensley puxou a maçaneta. A porta não estava trancada.
— Vossa Alteza…?
Rensley sussurrou enquanto se esgueirava pela fresta.
Hoje também, a lenha queimava na lareira. Ao caminhar mais alguns passos, viu o grão-duque sentado na poltrona à sua frente. Uma cena familiar, como uma imagem já gravada em seus olhos.
No entanto, Rensley não se aproximou mais e calou-se. O laboratório parecia o mesmo de sempre, mas havia um pequeno detalhe diferente. Rensley, sem deixar a bandeja ou estendê-la ao grão-duque, permaneceu parado em silêncio.
Gizel Zibedad estava dormindo. Parecia que era verdade que ele dormia bem mesmo diante da lareira; inclinara levemente a cabeça para o lado, e seus longos cílios pairavam sobre as bochechas.
Seus cabelos longos e negros como ébano e os cílios escuros pareciam suaves e macios como folhas de grama, mas também duros como galhos de árvores em um local sem vento. Talvez por causa do nariz alto ou da linha do queixo bem definida, mesmo com os olhos fechados, a impressão de uma escultura esculpida sem concessões por um artista obstinado não se dissipava.
— Que estranho. Por que, quando fico olhando para o rosto de Vossa Alteza, me dá vontade de beber?
Rensley, que estava fitando Gezell distraidamente, de repente se recompôs e, silenciosamente, colocou a tigela de sopa sobre a mesa ao lado. Aproximou-se da poltrona e desviou o olhar para o livro sobre seus joelhos. Ele era tão bom assim? Por apenas um dia, exatamente no dia do casamento, Rensley passou a noite no quarto do grão-duque. Tendo aberto a janela como um tolo e esfriado todas as cobertas, a cama estava fria, mas ainda assim era grande, macia e confortável. Era difícil entender por que ele preferia a poltrona do porão ou uma cama improvisada a uma cama tão luxuosa.
Rensley inclinou a cabeça para olhar o livro que ele estava lendo. Ignorando os diagramas incompreensíveis, seus olhos percorriam as letras uma a uma.
<…Assim, desejo negar os princípios de geração e operação dos elementos que têm sido aceitos entre os filósofos até agora, pois eles sempre afirmaram que a matéria é controlada pela mente humana. No entanto, a fonte da causalidade que opera a energia mágica não é o espírito ou a mente humana, e a matéria é apenas matéria. Devemos agora examinar a magia e a ontologia separadamente…>
Ele conseguia ler as letras, mas não entendia o significado. Achou que, agora que se tornara um gênio, entenderia tudo rapidamente, mas será que só sua memória melhorou?
— …Quando você chegou?
— Ah!
Rensley, que estava agachado ao lado dele, distraído com o livro, se assustou com a voz repentina e soltou um grito. Evitou cair de bunda por pouco e levantou a cabeça. Olhos cor de âmbar, ainda com um pouco de sonolência de quem acabara de acordar, olhavam para ele. Ele se levantou rapidamente e deu alguns passos para trás.
— Desculpe. Fiquei curioso para saber que livro estava lendo… Pensei que, como agora sou mais inteligente, poderia entender esse tipo de livro rapidamente, mas ainda não é o caso. Não entendi nada.
— Livro…? Você desceu para ler?
— Ah, não. Não é isso.
Lembrando-se do propósito de sua visita, Rensley foi até a mesa. Não se esqueceu de perguntar primeiro:
— Por acaso, está com fome?
— Nem tanto. Jantei há muito tempo e não costumo comer à noite.
— Hmm. Achei que fosse dizer isso… Mas, pelo menos, quer provar? Se Vossa Alteza não comer, eu como.
A sopa ainda exalava um vapor quente. Gizel perguntou com o olhar o que era aquilo.
— Na verdade, acordei agora há pouco, depois de dormir durante o dia, e perdi a refeição. Estava com muita fome. Como era tarde, não quis chamar a senhora Samlit e, embora saiba que é arriscado, usei a cozinha escondido. Não fui visto por ninguém, pode ficar tranquilo. É uma sopa de legumes ao estilo de Cornia, que eu mesmo fiz, e ficou bem gostosa. Não é um grande prato, mas achei que Vossa Alteza também não deve ter experimentado muitas comidas de outros países. Se não se importar, gostaria que provasse, por isso trouxe.
Quando Rensley estendeu a bandeja, ele olhou para a tigela com olhos que não escondiam a relutância.
Se ele tivesse feito a sopa pensando em oferecê-la ao grão-duque, seria diferente, mas como a trouxe para dividir o que havia feito para si mesmo, Rensley não se ofendeu com sua atitude indiferente.
— Obrigado. Então vou provar um pouco.
Não se sabe se ele percebia que sua expressão já revelava seus pensamentos, mas Gizel cumprimentou educadamente e pegou a tigela e a colher. Mesmo sem tomate, a sopa, com as batatas parcialmente desfeitas, tinha uma aparência apetitosa. Quando Gizel levou a colher à boca, Rensley observou, sem piscar, a comida que ele fizera desaparecer na boca do outro.
— …O que achou?
Esperando por um elogio ou uma opinião, Rensley acabou perguntando primeiro.
Depois de provar a sopa, Gizel ficou em silêncio, segurando a colher vazia. Embora não tivesse trazido para ser elogiado, ainda assim gostaria de saber se ele gostou ou não, e qual era o sabor. Pelo menos um breve comentário seria bom.
— Espere um momento.
Gizel disse isso e provou mais uma colherada. Se não tivesse gostado, teria largado a colher imediatamente, então pelo menos não era intragável. Sua expressão, no entanto, não era de quem come algo gostoso, mas sim de quem suspeita de algo. Depois de mais algumas colheradas, Gizel como se não aguentasse mais, olhou para Rensley.
— Você usou magia?
— Hã?
Rensley arregalou os olhos com a pergunta, mas logo entendeu que era uma piada e riu.
— Não sou mago, nem sei usar magia. Vossa Alteza gostou?
— Não é uma questão de gostar ou não.
O sorriso de Rensley desapareceu lentamente. Ele riu pensando que era uma piada, mas Gizel continuava sério.
Sua expressão, que até pouco antes mostrava abertamente que não tinha apetite, agora refletia surpresa e questionamento. Mas, na verdade, era apenas uma expressão impassível de tédio que se tornara uma expressão impassível de surpresa…
Rensley riu consigo mesmo. No início, quando estava tenso e com medo, a expressão dele parecia sempre a mesma linha reta, mas agora não via mais assim. Como os seres humanos são propensos a mal-entendidos. Sabendo disso ou não, Gizel disse com firmeza:
— Nunca comi nada parecido.
— É que é ao estilo de Cornia, diferente da comida de Oldenland. Aqui não consigo encontrar todos os ingredientes, então não posso dizer que é uma sopa de Cornia perfeita.
— Então todas as outras comidas de Cornia são tão diferentes assim?
Rensley hesitou em responder. Claro que são. Para ser preciso, Rensley nem tinha certeza se a comida que havia comido desde que chegou a Laudken era realmente “comida de Oldenland”. Apenas parecia uma culinária real antiquada. Fora do castelo de Laudken, nos mercados ou restaurantes frequentados pelo povo comum, talvez se comesse coisas com sabores completamente diferentes. A comida das hospedarias por onde passou em Oldenland não era exatamente deliciosa, mas também não era desagradável. Rensley se aproximou um pouco mais dele e perguntou:
— Quer dizer que está gostoso?
— Gostoso.
Gizel repetiu a palavra de Rensley como uma criança aprendendo um termo novo. Franziu ligeiramente a testa e fez uma expressão que parecia um sorriso amargo.
— Parece que sim. Não, é realmente gostoso.
— Vossa Alteza.
Desta vez, foi Rensley quem franziu a testa. Oldenland estava localizada em uma terra árida e era um país relativamente isolado do sistema central do império, mas era famoso por seu vasto território e por não ficar para trás em poder militar e econômico.
Isso não fazia sentido. Como poderia o soberano de uma nação tão grande ter vivido até essa idade sem saber o que era comida gostosa?
Se não se pode comer bem, beber, cantar ou dançar, de que adianta ter tanto poder? Será que a culinária da família real de Oldenland sempre foi assim?
— Vossa Alteza, vou fazer outras comidas para o senhor! Ainda sei fazer muitas outras coisas. Sei que minha imagem é ruim por sempre insultar a família real, mas o problema são as pessoas da realeza; Cornia é um bom lugar para se viver. O clima é bom, e a comida e a bebida são famosas por serem deliciosas. As pessoas são afetuosas e cheias de energia, há muitas festas e muitos lugares para se divertir até tarde da noite. Então, mais tarde…
A empolgação de Rensley, que se estendia, foi interrompida no meio, como se ele tivesse esquecido o resto da história.
— Não é como se pudéssemos ir juntos algum dia.
Rensley não podia mais voltar a Cornia, era como um exilado. Mesmo que, milagrosamente, pudesse voltar, não havia motivo para o grão-duque o acompanhar até aquele país tão distante no sul.
— Mais tarde, se ficar entediado, posso lhe contar algumas histórias sobre Cornia.
Pouco depois de consertar a história interrompida, a tigela de sopa já estava vazia. Era a cena mais incomum desde que conhecera Gizel Zibedad.
Embora não tivessem comido juntos muitas vezes, ele nunca o vira comer com interesse, então sempre achara que ele tinha pouco apetite. Era compreensível que seu apetite não fosse grande, já que passava o tempo todo no laboratório, onde a luz do sol mal entrava, estudando.
Mas o grão-duque também era humano. Não pode haver ninguém que não goste de comida saborosa. Há quanto tempo a cozinha deste palácio estava nesse estado? Diante da tigela vazia, Rensley sentiu uma pequena decepção. Sem saber dos sentimentos de Rensley, o grão-duque falou satisfeito:
— O senhor Malocen poderia ser um bom cozinheiro.
— Cozinheiro?
— Se, por algum acaso, falhar na prova de cavaleiro, poderia trabalhar como cozinheiro no castelo principal. Assim, poderia me preparar essas comidas todos os dias.
Com essas palavras, Rensley esqueceu suas preocupações por um instante e sorriu amplamente.
— Mesmo que me torne cavaleiro, posso cozinhar para o senhor sempre que quiser.
Ele já teria ficado feliz se ele apenas fingisse comer, mas o elogio, muito maior do que esperava, fez seu coração bater mais forte.
Isso só aumentou seu entusiasmo pela prova de cavaleiro. Queria provar que não era apenas bom na cozinha. Rensley não negava que era tagarela, mas tinha orgulho de não ser apenas um boca aberta.
— Onde aprendeu a cozinhar?
— Na cozinha, claro. Cresci mais próximo dos criados do que dos membros da família real. Como não podia comer com aquelas pessoas nobres, costumava comer na cozinha, e assim os cozinheiros e ajudantes brincavam muito comigo. É engraçado, não é? Os nobres pensam que comem o melhor, mas, na verdade, na maioria das vezes, os cozinheiros guardavam as melhores partes para mim. Quando o chefe de cozinha pegava, levava uma bronca, mas, na verdade, aquele velho também gostava de mim. Senão, teria me denunciado aos supervisores para me dar uma lição, mas nunca fez isso. Enfim, enquanto ficava na cozinha, acabei aprendendo a cozinhar naturalmente.
— Devemos agradecer a eles.
Gizel fez um gesto para que ele se aproximasse. Rensley, que estava guardando a tigela e a colher, aproximou-se rapidamente. Seu rosto, iluminado pela luz da lareira, parecia ainda mais suave do que quando estava dormindo.
— Sobre o que falamos durante o dia.
— Sobre o que falamos durante o dia?
— Para se preparar para a prova prática de combate, você precisa de um lugar e de um oponente para treinar. A partir de amanhã, vou providenciar isso.
Os olhos de Rensley se arregalaram.
— Vai me ajudar até com os treinos? Mas, para treinar, preciso de um oponente…
No castelo principal, apenas três pessoas sabiam da identidade de Rensley: o comandante da ordem de cavaleiros Anton, a camareira-mor Samlit, e o grão-mago Larkov.
Mesmo que ele ficasse de cabeça para baixo, não parecia que Anton, que não gostava dele, seria seu parceiro de treino. Larkov era mago, não espadachim ou lutador. Então, talvez…
— A senhora Samlit é uma lutadora habilidosa disfarçada?
— O que está dizendo?
Gizel fechou o livro sobre seus joelhos e o colocou na mesinha.
— Eu serei o parceiro de treino do senhor Malocen.
— Hã?
A voz de Rensley se elevou reflexivamente. Gizel apenas o encarou, como se perguntasse se havia algum problema.
Rensley engoliu em seco. Milhares de palavras surgiram, mas ele as conteve com todas as forças.
Vossa Alteza, o senhor é certamente mais alto e mais corpulento que eu. Mas esgrima ou combate não são coisas que se vencem apenas por ser mais alto. Se fosse assim, todos os reis não encheriam seus exércitos e ordens de cavaleiros com gigantes?
Como poderia Vossa Alteza, que passa o dia sentado aqui lendo e se dedicando ao estudo, treinar com alguém que deseja seriamente se tornar cavaleiro? Não, mesmo que pudesse, como eu poderia usar minha espada com toda a força e me empenhar ao máximo contra Vossa Alteza?
Se Vossa Alteza se ferir por minha mão, me sentirei um criminoso condenado à morte e me tornarei uma estátua viva que não ousará mover um dedo na sua presença. Por favor, retire o que disse.
…Como posso dizer isso de forma educada para recusar o treino sem magoar o grão-duque?
Enquanto Rensley permanecia em silêncio, Gizel, achando que a conversa havia terminado, falou primeiro:
— Então, volte para o quarto e descanse. Você precisa descansar bem para começar o treino amanhã.
— …Entendido.
— Não precisa guardar a tigela vazia. Amanhã peço aos atendentes que a recolham.
No final, Rensley não conseguiu dizer nada e voltou para o quarto.
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↫─✧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna