. ₊ ⊹ Capítulo 04.4
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 04 – Prova de Admissão
Pt. 04
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Ele pensou que não conseguiria dormir à noite, já que havia dormido o dia todo, mas, ao voltar para o quarto, Rensley adormeceu profundamente novamente.
— Eu devia estar realmente muito cansado durante a semana passada.
Rensley pensou vagamente ao abrir os olhos, já com o dia claro. Fazia pouco tempo que chegara a Oldenland, mas novas situações surgiam sem parar, dando-lhe a sensação de que já se passara muito tempo.
Ele estava de bom humor. Esticou o corpo sob as cobertas quentes e se espreguiçou. Por ter dormido tanto, sua mente estava especialmente clara hoje.
Levantou-se lentamente, prendeu o cabelo que já estava na altura dos ombros e lavou o rosto. Embora não tivesse planos de sair, trocou de roupa. O grão-duque havia dito algo no dia anterior, então um aviso poderia chegar a qualquer momento.
— Rensley, dormiu bem?
A sempre animada camareira-mor Samlit trouxe o café da manhã. Rensley mostrou a ela o bilhete que ela havia deixado.
— A senhora também. Este aqui, só vi muito tarde. Obrigado por se preocupar.
— Espero que não tenha aguentado a fome para não me incomodar, não é? Cuidar da sua vida também faz parte do meu trabalho, então não pense nisso e me chame sempre que precisar.
— Não, não foi isso. Estava dormindo tão profundamente que nem senti fome.
A mentira bem-intencionada fez a senhora sorrir bondosamente. Ela colocou a bandeja sobre a mesa.
— Como você ficou sem jantar, hoje trouxe uma porção extra. Você está com apetite, não é? Coma bastante e recupere as forças.
— Sim, obrigado…
Rensley, que já conhecia bem o sabor da comida espalhada pela mesa, não conseguiu agradecer com muita sinceridade. Mesmo assim, para ter energia durante o treino, precisava se alimentar bem. Enquanto untava manteiga no pão, perguntou a ela:
— Senhora, a senhora também come sempre da cozinha do grão-duque?
— Nem sempre. Às vezes saio do castelo principal e encontro pessoas. Também cozinho para mim mesma com frequência.
— O sabor da comida do castelo é muito diferente da comida de fora?
Os olhos e a boca da senhora Samlit se contraíram lentamente, até que finalmente fizeram uma expressão sutil. Ela olhou em volta, como se verificasse se havia alguém por perto, e se aproximou de Rensley, baixando a voz:
— Na verdade… a personalidade do chefe de cozinha, Reina, é tão difícil que não posso dizer abertamente, mas… acho a comida do mercado mais saborosa. Mas isso deve ser porque meu paladar é vulgar, não é? O sabor da comida refinada só pode ser apreciado por quem nasceu na realeza ou na nobreza. Tive a sorte de me tornar camareira-mor, mas não sou de origem nobre. Então, talvez eu não consiga apreciar o sabor da comida sofisticada dos cozinheiros reais…
— Não, não é nada disso!
Rensley gritou silenciosamente. Ficou claro que, para todos, a comida do castelo principal não era saborosa. Não era possível que os habitantes de Oldenland tivessem paladares tão diferentes.
Talvez fosse melhor mesmo se tornar cozinheiro, para o bem do grão-duque e de Oldenland. Enquanto Rensley ponderava seriamente, a senhora Samlit serviu o chá.
— Vossa Alteza pediu para lhe dizer que virá buscá-lo hoje às treze horas.
— Obrigado. Mas a que horas são treze?
A senhora riu e foi até o relógio. Ela apontou para o mostrador e explicou:
— Quando este ponteiro longo estiver apontando para cima, e este ponteiro curto estiver aqui, é uma hora. Virei mais cedo para ajudar você a se vestir.
— Não precisa. Agora já consigo me vestir sozinho.
Ele já havia se vestido sozinho e saído do quarto várias vezes. A senhora Samlit poderia reclamar se visse a bagunça, mas como ele só usava o vestido por um curto período ao andar pelo corredor, não queria se incomodar com roupas formais a cada vez.
Já estava cansado dessa situação de confinamento, só por causa das roupas. Toda vez que saía, precisava vestir camadas extras e cobrir o rosto com o véu, uma vida cada vez mais sufocante.
— Senhora, tenho uma pergunta…
— Sim, pode perguntar qualquer coisa.
— A senhora se lembra daquela coisa que disse que iria investigar? Que enviaria alguém para descobrir o que aconteceu com o cavalo que eu tinha quando criança.
— Ah, a Marilyn?
Uma expressão de dificuldade se formou no rosto da senhora Samlit. Rensley se arrependeu de ter perguntado, mas já tinha começado. Esperou a resposta dela.
— Como sabia que isso te deixaria triste, pensei em não falar, caso você tivesse esquecido… Mas parece que alguém a comprou há pouco tempo. Disseram que, se tivéssemos ido um pouco mais cedo, talvez tivéssemos conseguido trazê-la de volta. É uma pena.
— Ah, entendo… Mas, se ela encontrou um novo dono, significa que está saudável, não é?
— Felizmente, parece que ela se recuperou completamente. Disseram que era uma égua muito forte e boa, não é? Por isso, pagaram um bom preço.
— Então está tudo bem. Se alguém pagou um preço alto, com certeza vai cuidar bem dela.
Já tinha aceitado a despedida. Se ela encontrou um bom dono, é o melhor que poderia acontecer. Rensley sorriu, e a senhora Samlit também sorriu, desejando-lhe que terminasse a refeição calmamente. Depois que ela saiu do quarto, Rensley se levantou da mesa e foi até o relógio.
Quando o ponteiro longo está para cima e o curto no canto superior direito, é uma hora. Agora, o ponteiro curto ainda apontava para o canto inferior esquerdo. Sabia quanto tempo levava para o ponteiro dar uma volta… Ainda faltava um bom tempo.
Será que o grão-duque já estava tomando café da manhã? Depois de provar a comida de Cornia ontem, talvez hoje ele ache a comida especialmente sem graça. Que pena. Ainda há tantas comidas deliciosas que nem se comparam àquela sopa de legumes…
Se eu falhar na prova de cavaleiro, pedirei para trabalhar na cozinha. Rensley fez essa resolução enquanto comia o resto da comida com esforço, e, com a ajuda da senhora Samlit, vestiu o vestido com antecedência. No tempo restante, leu um romance de aventura que trouxera da biblioteca.
E, exatamente à uma hora, uma batida na porta. Ele se apressou em abrir, e lá estava o comandante da ordem de cavaleiros, com sua expressão severa de sempre.
— Boa tarde, comandante.
— Boa tarde. Por ordem de Vossa Alteza, vim buscá-lo. Vamos juntos.
Anton, assim que terminou de falar, virou-se e saiu andando à frente. Rensley, que ainda não tinha ouvido o resultado da prova escrita, estava muito curioso, mas já haviam chegado a uma área movimentada, então não era hora de conversar.
“Provavelmente vou treinar porque passei na primeira prova, não é?”
Imaginando isso, seguiu Anton obedientemente. Ele se dirigiu para o corredor norte do castelo principal, que Rensley ainda não conhecia, e avançou para um pátio tranquilo. Atravessando o pátio, entraram em outro palácio anexo, onde havia apenas uma pessoa em pé, e nenhum criado. Era um silêncio absoluto.
Rensley, tirando o véu, passou pelo comandante da ordem em passos rápidos e se dirigiu ao dono do castelo.
— Mais uma vez, agradeço sua consideração, Vossa Alteza.
— Não há de quê. Dormiu bem?
— Sim. Não esperava, mas assim que cheguei ao quarto, apaguei completamente.
— Você se esforçou muito nos estudos, devia estar cansado.
Enquanto conversavam, ouviram um pigarro à sua frente e se viraram.
O comandante da ordem estava parado, olhando para ele. Havia uma certa arrogância no ar, e Rensley, um pouco tenso, apenas trocou olhares com ele. Anton, com uma voz grave e monótona, anunciou:
— Agora que os dois estão aqui, vou informar o resultado da prova escrita.
Sua expressão impassível não deixava adivinhar se Rensley havia passado ou não. Apesar de sua confiança no resultado, o fato de ele não ter dito imediatamente fez o coração dele bater cada vez mais rápido.
— O senhor Rensley Malocen foi aprovado na primeira prova.
— Uau!
Mesmo tendo certeza de que havia acertado todas as respostas, ao receber a aprovação oficial, sua voz se elevou.
Ao contrário dele, radiante de alegria, os olhos de Anton continuavam secos e frios. Rensley, sem notar sua reação, se aproximou de Gizel. Sua voz, agora mais alta, ecoou levemente no alto teto.
— Tudo graças a Vossa Alteza! No começo, nem sonhava que poderia passar em uma semana. Milagres acontecem quando se reza de coração.
— Não é uma oração, é o resultado do esforço diligente do senhor Malocen. Então, Anton, quando é a prova prática de combate?
Anton balançou a cabeça e começou a explicar:
— Considerando a situação do senhor Malocen, que veio de fora, demos a ele o tempo que desejasse para se preparar para a prova escrita, mas a prova prática é diferente. Ouvi dizer que você tem orgulho de sua esgrima e equitação… Ao contrário dos estudos, a habilidade marcial não melhora de repente com o aumento da carga de treino em um curto período. Metade de uma semana, quatro dias, seria suficiente?
Quatro dias? Rensley revirou os olhos levemente.
Embora seu corpo estivesse um pouco enferrujado por não poder se mover livremente ultimamente, as palavras do comandante estavam corretas. Assim como o treino intenso não melhora a habilidade de repente, um breve período de descanso também não faz a habilidade desaparecer completamente. Se recuperasse a sensação, teria chances. Rensley concordou sem hesitar.
— Quatro dias, está bem.
Anton ergueu levemente o queixo e baixou os olhos.
— Parece que está confiante. Bem, você é o senhor Malocen, que memorizou uma grande quantidade de livros em apenas uma semana. Entendo as palavras de Vossa Alteza, que disse que não se pode deixar um talento desses se perder.
— São elogios demais.
Rensley sorriu e passou a mão na nuca. O fato de ter sido reconhecido pelo comandante Sorel, que antes o desprezava, tornou sua aprovação ainda mais alegre.
— Mas, então.
O olhar de Anton desviou de Rensley, que sorria alegremente, para o soberano, que permanecia com expressão impassível. Seu tom se tornou mais firme:
— Devido às circunstâncias do senhor Malocen, a prova escrita foi realizada em particular, mas isso não pode se repetir na segunda etapa. A prova de admissão para a ordem de cavaleiros reais sempre foi realizada publicamente no campo de treinamento. Para garantir a justiça, gostaria que esta também fosse uma prova pública.
— Faça como desejar.
Gizel concordou facilmente, mas a história de Anton ainda não havia terminado.
— Se for assim, o senhor Malocen terá que aparecer oficialmente diante do povo de Laudken. Isso significa que ele não poderá mais viver como uma pessoa que existe, mas não é vista, como agora. Mesmo que ele seja reprovado na prova, não se pode fazer desaparecer uma pessoa que já se revelou ao mundo. Portanto, a posição do senhor Malocen também se tornará muito difícil.
— Ah, nessa altura, como cozinheiro…
Rensley tentou explicar, mas Anton não lhe deu tempo. Uma expressão educada e sorridente se formou no rosto do comandante da ordem.
— Se for reprovado na segunda etapa, posso fornecer uma carta de recomendação para que trabalhe em outras propriedades nobres. É claro, depois que os assuntos relacionados à Grã-duquesa forem resolvidos. Ouvi dizer que a família do barão von Petersbern está recrutando cavaleiros. Fica ao sul de Oldenland, o clima é mais ameno do que aqui, e eles se concentram em proteger contra invasões do interior do continente, em vez da muralha norte. Pode ser uma posição mais adequada para o senhor Malocen, que é de fora.
Os olhos e a boca de Rensley se abriram ligeiramente. À primeira vista, parecia uma consideração pela situação dele, mas, no fundo, soava como um édito de que ele não poderia mais permanecer em Laudken se fosse reprovado na segunda prova. Inconscientemente, ele olhou para Gizel.
Como era de se esperar, ele parecia prestes a dizer algo, pois não gostara da sugestão do comandante.
— Está bem.
A resposta antecipada de Rensley fez Gizel virar a cabeça. Os olhos de Anton se estreitaram levemente.
— É uma prova de admissão especial aberta apenas para mim, então também tenho que fazer a minha parte. Ah, mas o senhor disse que me daria uma carta de recomendação, então “fazer a minha parte” não é a expressão mais adequada. Entenda isso como uma promessa de não ser teimoso e seguir o que o comandante deseja.
Rensley também sorriu. Apenas Gizel, que estava ao lado, franziu ligeiramente a testa e contestou:
— Não há necessidade disso. Mesmo que seja reprovado na prova, há muitos lugares para você.
— Não, Vossa Alteza. O lugar que desejo é apenas na ordem de cavaleiros do castelo principal, e o comandante também só quer alguém preparado para esse lugar.
Foi um alívio que Anton tivesse interrompido sua ideia de trabalhar como cozinheiro. Se tivesse dito isso, não poderia ter feito esse blefe. Rensley manteve um sorriso sereno, mas, por dentro, suspirou aliviado.
— Agradeço por entender. Então, senhor Malocen, desejo-lhe bons treinos.
Quando Anton estava prestes a se virar, Rensley o chamou:
— Comandante.
— Sim.
— Uma coisa: qual foi a minha nota na prova escrita?
Pareceu que uma veia fina perto da sobrancelha de Anton se contraiu levemente. Ele respondeu brevemente:
— Nota máxima.
As costas de sua capa vermelha se afastaram. Só depois que ele saiu completamente do palácio anexo é que Gizel suspirou levemente.
— Não precisava ir tão longe.
— Não se preocupe. Só aceitei porque tenho certeza de que vou passar. O comandante é quem está fazendo uma aposta.
Gizel olhou para Rensley por um momento e, finalmente, balançou a cabeça, como se não fosse importante.
— Tudo bem. Mesmo que dois façam a aposta, a decisão final é minha.
— Vossa Alteza, não é isso que quero dizer.
— Vamos fazer o que temos que fazer. Tire o vestido. Não vai treinar com essa roupa, vai?
— Sim!
Rensley tirou o vestido rapidamente. Como já estava usando uma camisa e calças confortáveis por baixo do vestido, não precisou se trocar.
Enquanto Rensley se despia, Gizel também se moveu. Ele tirou a capa preta, bordada com o brasão da família real, e as ombreiras que sempre usava, e também o casaco que vestia por baixo.
Depois de dobrar o vestido e se levantar, Rensley piscou os olhos rapidamente. Da parede leste do palácio anexo ao chão, várias armas estavam penduradas como peças de exposição, e Gizel estava em frente a elas.
— Que arma você vai usar?
— Ah, armas. É verdade, tenho que escolher uma arma. Qual será melhor…
Embora estivesse escolhendo uma arma, Rensley não conseguia tirar os olhos de Gizel Zibedad, o grão-duque, que havia tirado a capa e o casaco.
Os habitantes de Oldenland, tanto homens quanto mulheres, eram geralmente altos, e o grão-duque era um dos mais altos. Embora sempre vestisse túnicas e capas longas e grossas, não era preciso vê-lo sem roupa para imaginar que ele tinha um bom porte físico.
Mas o corpo de Gizel, sem as roupas exteriores, não era apenas grande. A camisa preta que cobria até o pescoço revelava os contornos por baixo, com músculos firmes e definidos, como um escudo, que até mesmo um lutador profissional teria dificuldade em obter.
As ombreiras pesadas e a capa longa bordada são roupas que os soberanos costumam usar para impor autoridade e enfatizar a dignidade. Mas, por alguma razão, Gizel Zibedad parecia muito mais imponente sem elas.
“ Que ombros são aqueles? E as costas? Dá até para jogar cartas nas costas do grão-duque. Não, como pode um corpo que só fica sentado diante da lareira lendo livros ter essa forma…?”
— Isso também é magia?
— Magia?
Gizel perguntou de volta, como se não entendesse nada. Rensley reuniu seus pensamentos dispersos e perguntou com cautela:
— Costuma treinar condicionamento físico ou artes marciais…?
— Para herdar o trono de Oldenland, é um requisito essencial. Embora não goste muito, faço isso todos os dias. Não me ofereceria como parceiro de treino do senhor Malocen sem ter o mínimo de preparo.
Afinal, Rensley passava muito pouco tempo com o grão-duque durante o dia, e na última semana, por ser uma situação excepcional, ele havia dedicado seu tempo para ajudá-lo nos estudos. Era natural que ele conhecesse muito mais do grão-duque que desconhecia do que o que conhecia.
O homem, que não fazia ideia do que Rensley estava pensando, passou a mão pelos cabelos, prendendo os fios negros que caíam soltos. Depois de vestir uma armadura leve para proteger o coração, ele a entregou também a Rensley. Com uma expressão indiferente, examinou as armas e pegou uma espada longa, de lâmina comprida e aparência pesada.
— Os cavaleiros do castelo principal usam esta espada com mais frequência, então vou usá-la.
— Ah, então eu vou com esta.
Ainda um tanto atordoado por ter caído em uma armadilha, Rensley se aproximou da parede e escolheu sua arma. Era um punhal e uma espada lateral, com lâminas relativamente curtas.
— Você usa o estilo de duas espadas.
— Nem sempre, mas hoje sim.
Era uma ideia simples, mas diante do corpo do grão-duque, que parecia revestido de aço, ele queria se concentrar mais na defesa. Contra um oponente de peso semelhante, uma espada seria suficiente, mas hoje não era o caso.
Rensley segurou as duas espadas, uma em cada mão. Examinando-as de perto, pareciam ter sido feitas para treino, com as lâminas e pontas embotadas. No centro do amplo salão, eles se posicionaram a uma certa distância um do outro. Com uma nova dificuldade, diferente da que sentiu logo depois que o grão-duque se ofereceu para ser seu parceiro de treino, Rensley apertou com força a mão que segurava a espada.
Ontem, ele se preocupava em como treinar “levemente” com o grão-duque; hoje, sua dificuldade era não ter certeza se realmente conseguiria vencê-lo. Se queria entrar para a ordem de cavaleiros que o protegeria, deveria ser capaz de vencer seu protegido, não?
— Ataque primeiro.
Rensley curvou-se ligeiramente em saudação e, assumindo uma posição inicial, moveu-se imediatamente. Seus pés, que corriam rapidamente, em determinado momento, bateram no chão e o lançaram para o alto. O corpo dele subiu alto, como se voasse. É vantajoso atacar de cima para baixo com força. Como era mais baixo que Gizel, Rensley precisava usar o impulso do salto. Clang! Com um som metálico vibrante, a espada lateral desceu com força, mas, como esperado, foi facilmente bloqueada pela espada de Gizel.
Ao aterrissar levemente, Rensley tentou um golpe de estocada sem dar brecha, mas o contra-ataque de Gizel foi mais rápido. Depois de desviar a espada de Rensley, Gizel brandiu a espada longa em um movimento diagonal, e Rensley ergueu apressadamente o punhal para bloqueá-la. Era realmente uma espada poderosa. Apenas ao bloqueá-la uma vez, sua mão segurando o punhal vibrou intensamente.
Ele visou a cintura sem intervalo. No entanto, Gizel desviou-se do ataque de Rensley com apenas alguns passos. Depois de tentar algumas vezes mais, sem conseguir um golpe eficaz, Rensley rapidamente deu uma cambalhota no ar e se afastou.
Recuperando o fôlego, observou o grão-duque à sua frente. Treinar com um oponente de peso diferente tem suas vantagens e desvantagens. O grão-duque o superava em força, mas Rensley conseguia encontrar suas brechas com mais facilidade.
No entanto, ele ainda não tinha certeza. Corpos maiores têm um alcance maior, mas também são mais propensos a movimentos desnecessários; seus movimentos, no entanto, eram limpos e sem desperdício. Como o próprio espadachim.
Com tantos estudos, como é possível? Rensley sentiu uma admiração sincera.
— O mundo é realmente vasto. Existem pessoas tão perfeitas como Vossa Alteza.
— Desta vez, eu ataco primeiro.
O homem, que sempre se movia em silêncio, como água corrente, correu em sua direção com passos rápidos. Sentindo a pressão se aproximando, Rensley sentiu mais um arrepio do que medo. Um leve arrepio percorreu sua nuca, e seus lábios se curvaram para cima.
Cling, o som das lâminas se chocando. O intervalo entre os sons do ferro se raspando diminuía cada vez mais. Com os impactos quase faiscantes, o frio do norte já havia recuado há muito tempo. Um leve suor começou a brotar na testa de Rensley.
Seu mestre de esgrima, Pedro, o dono da taverna no mercado de Celestine, que perdeu o braço direito no campo de batalha e atacava e defendia apenas com a mão esquerda, enfatizava acima de tudo a técnica de controlar a força do inimigo quando as espadas estavam ligadas, em uma posição de “binding”.
Saudades das reclamações daquele bêbado que vivia gritando e se irritando. Dance como se estivesse abraçando uma dama! Um vagabundo como você, que dança a noite toda até gastar a sola das botas, não pode fazer isso? Às vezes, resista, puxe quando ele empurrar, dê um passo em círculo enquanto mantém o contato. Isso mesmo, a força que tenta te cortar, você a conduz!
Os dois corpos se aproximaram. As duas espadas, unidas, deslizavam continuamente uma sobre a outra, sem se separar.
Em um combate corpo a corpo, onde um único erro não é permitido, não se pode desviar o olhar por um instante. Os olhos violeta escuros perseguiam tenazmente o rosto do homem à sua frente. Os olhos cor de âmbar do homem, por sua vez, não evitavam o desafio de Rensley, encarando-o de volta. Procurando as brechas um do outro, os dois giravam no mesmo lugar, como se dançassem. O som das espadas e o roçar das roupas substituíam a música.
No meio do duelo silencioso e prolongado, assim que o grão-duque tentou mudar de direção, Rensley cruzou o punhal e a espada lateral, prendendo a espada longa entre eles. Imediatamente, tentou torcer o braço para o lado para desarmá-lo.
— Ugh.
Rensley franziu a testa. A tentativa foi boa, mas, devido à diferença de força, não foi fácil.
Em vez de recuar, Gizel, com a arma presa, avançou contra ele, empurrando-o. Enquanto recuava e tentava bloquear o contra-ataque, as costas de Rensley tocaram a parede.
Rangendo, um som desagradável rasgou os tímpanos entre a espada que pressionava com força e a que resistia para bloquear. Gizel disse em voz baixa:
— Você se rende?
— N… não.
Rensley respondeu com um sorriso, e Gizel recuou a espada rapidamente. Rensley desviou da estocada seguinte por um triz e finalmente encontrou uma brecha. Se eu me abaixar e chutar o tornozelo do grão-duque, e, com ele desequilibrado, erguer a espada para cortar…
— …Senhor Malocen?
No entanto, o fluxo do intenso combate foi interrompido ali.
Gizel baixou a espada, com a ponta apontando para o chão. Rensley Malocen estava agachado, imóvel. Sem atacar nem defender, Gizel, que permanecia em pé, logo se curvou também.
— Senhor Malocen, está bem?
Ele se abaixou para encontrar o olhar de Rensley, que estava sentado. Vendo-o de perto, seu rosto estava vermelho e seus olhos, baixos. Suspeitou que ele pudesse ter se machucado, mas não parecia estar com dor, o que era um alívio. Rensley se apoiou na ponta da espada lateral e se levantou.
— Estou bem.
— O que aconteceu de repente?
A expressão de Rensley, que antes insistia que não se renderia, agora parecia encolhida, como outra pessoa. O combate estava correndo bem, então Gizel não conseguia entender.
— …Acho que não posso treinar com Vossa Alteza.
— Há algum problema?
— Agora… vi uma brecha na sua postura e ia chutar seu tornozelo.
Rensley franziu a testa e olhou para Gizel.
— Não consegui chutar o tornozelo de Vossa Alteza. Não posso continuar o treino assim.
Gizel piscou os olhos encontrando os dele. Um pouco confuso, ele só pôde dar uma resposta padrão:
— Pode chutar.
— Sabia que diria isso.
— …Poderia pedir a outra pessoa para treinar com você, mas… para chamar os mestres de artes marciais reais, teria que explicar muitas coisas, começando por esta prova de admissão especial.
Então, ele mesmo assumir o papel de parceiro de treino seria o menos trabalhoso. Rensley entendeu suas palavras e sabia que não estava em posição de escolher seu oponente.
Ciente de que estava falando bobagens, seu rosto corou, mas como controlar seus membros que haviam parado reflexivamente? Gizel, que estava pensando, levantou a cabeça como se tivesse uma boa ideia.
— Se eu parecer outra pessoa, fica mais fácil para você?
— Hã?
— Vou usar um pouco de magia para que, aos seus olhos, eu pareça um parceiro de treino com quem se sinta à vontade. Vou colocar uma condição: o feitiço será desfeito quando o senhor Malocen obtiver a vitória.
— Isso é possível?
— Existem magias que induzem alucinações ou ilusões de ótica. Não precisa se preocupar com efeitos colaterais, como com as poções.
Gizel traçou um símbolo no ar com um gesto da mão. Uma luz tênue surgiu e se dissipou onde sua mão se movia, e Rensley, que acompanhava o padrão com os olhos, sentiu uma sensação estranha, como se um calor invisível tivesse perfurado seu corpo.
O efeito foi imediato. Gizel perguntou a Rensley, que estava parado, olhando para o vazio:
— Como está? Com quem eu pareço?
Tudo era ilusão, mas sua voz também havia mudado perfeitamente. O tom educado do grão-duque com aquela voz aguda e alegre combinava muito mal. Rensley soltou uma risada. Era um riso ambíguo, entre o choro e o riso, mas, mesmo sabendo que era uma ilusão, ele se sentiu feliz.
— Com a pessoa que me trouxe para cá.
— O rei de Cornia?
— Não. Com a Yvette, que fugiu antes do casamento. Como aprendemos esgrima juntos, consigo ver ela.
Ele gostaria de perguntar como ela estava, mas seria tolice. Sabia muito bem que a pessoa à sua frente não era sua meia-irmã, que ele não via há muito tempo, mas o grão-duque Zibedad.
Os cinco sentidos humanos são realmente frágeis e fáceis de enganar. Mesmo sabendo que não é real, ao ver uma pessoa querida à sua frente, dá vontade de cumprimentá-la. Abraçá-la e perguntar como ela está, como ele está, trocar notícias. Foi como receber um presente inesperado. Esfregando o nariz, que ficou um pouco dolorido diante do engano tão realista, com seus cabelos ruivos esvoaçantes e olhos cinzentos, Rensley reajustou a pegada na espada. Gizel também girou a espada e a ergueu novamente.
— Vamos começar. Quando você se acostumar a atacar, desfaço a magia.
— Sim.
O soberano de Oldenland era, mais uma vez, um mago talentoso. O olhar de Rensley se endureceu. Ainda havia muito tempo que Gizel Zibedad havia reservado para o treino.
***
↫─✧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna