. ₊ ⊹ Capítulo 03.2
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 3 – Nova Vida
Pt. 02
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As pálpebras, firmemente fechadas, se abriram silenciosamente, revelando os olhos âmbar. Alguém nascido e criado num país onde o sol nasce tarde sabia que a manhã tinha chegado, mesmo sem a luz entrando.
A chuva parecia ter parado; ao redor estava mais silencioso do que na noite anterior. Como sempre acontecia em dias de chuva, sua consciência despertava intermitentemente com os trovões, mas mesmo assim ele conseguia dormir sem se agitar muito.
Gizel tentou se levantar, mas percebeu um leve peso pressionando seu peito. Ao virar a cabeça, ainda deitado, viu que o homem que dormia deitado reto, um pouco distante ao lado, havia se aproximado bastante sem que ele percebesse. Rensley, com a cabeça apoiada na parte restante do travesseiro que Gizel usava e o braço estendido sobre seu peito, estava numa postura levemente encolhida, como um animal em busca de calor.
Gizel tateou lentamente com a mão dentro das cobertas. A cama ainda não tinha esfriado, mas isso era apenas segundo o padrão do norte; alguém vindo do sul certamente sentiria mais frio do que as pessoas daqui.
Ele puxou um pouco mais o cobertor, cobrindo firmemente os ombros de Rensley. Ao tentar se levantar, retirando com cuidado o braço que estava sobre seu corpo, o hóspede vindo do sul, resmungando de sono, se aproximou ainda mais.
“Que problemático.”
Sem saber o que fazer, Gizel esperou deitado. Como Rensley parecia se mexer bastante enquanto dormia, talvez, se esperasse um pouco, ele mudasse de posição de novo.
Tudo o que estava ao alcance de sua vista era o teto da cama, se ficasse com o rosto reto, ou o rosto do companheiro de cama, se inclinasse a cabeça. Como não tinha fechado direito as cortinas da coluna da cama antes de dormir, a luz da vela, agora menor, ainda se infiltrava suavemente até dentro da cama, mesmo depois de passada a noite.
Gizel observou silenciosamente o rosto do homem deitado ao lado. Mesmo num quarto com pouca luz, a pele lisa e o cabelo loiro claro davam uma estranha sensação de vitalidade. Por baixo dos fios finos de cabelo, transparecia uma testa bem proporcionada, e a luz alaranjada intensa da vela, que se infiltrava de fora da cama, permanecia sobre o nariz reto e o queixo.
Enquanto o olhar de Gizel ficava fixo, os lábios fechados de Rensley se entre abriram levemente. Murmurando algo em sonhos, com a pronúncia embaralhada, ele começou a esfregar a bochecha no peito de Gizel. Não se sabe o que o satisfazia, mas a voz do homem, cujos lábios se curvaram num sorriso, ficou um pouco mais clara.
— Hmm, Marilyn…
Sem intenção de acordá-lo, a mão e a boca se moveram antes da cabeça. Gizel finalmente se levantou, deslizando o braço de Rensley para o lado.
— Lorde Malocen.
— Hã, quem é…
— Lorde Malocen, já é hora de acordar.
Ao inclinar um pouco mais a cabeça e falar perto do ouvido dele, os olhos de Rensley se abriram, entreabertos e sonolentos. Ele piscava lentamente com o rosto enfiado no cobertor, mas, num momento, como se tivesse recobrado os sentidos de repente, se levantou de um salto.
Ele, que estava quase deitado sobre o lugar de Gizel, engoliu em seco e recuou apressadamente para trás. Diante daquele movimento rápido, como uma doninha se escondendo de um cão de caça, Gizel, sem perceber, estendeu o braço e avisou:
— Já chega, saia daí. Se for mais para trás, vai cair.
— Vo-Vossa Alteza. Já acordou? Como tenho um sono agitado, acabei me deitando ousadamente no lugar de Vossa Alteza…
— Está tudo bem, então não se prostre.
Rensley assentiu com a cabeça, inquieto, e se levantou da cama. Só depois lhe ocorreu que não era necessário tê-lo acordado, mas já era tarde demais. Sem outra escolha, Gizel saiu da cama também, assim como ele.
Vestiu a capa e as vestes que tinha tirado, se aproximou da janela e abriu a porta. Parecia que tinham dormido mais do que o esperado; o céu do amanhecer já clareava de azul.
— A chuva parou. Agora é preciso começar mais um dia.
— Vossa Alteza, muito obrigado mesmo por ontem à noite.
— Fiz apenas o que era natural como senhor do castelo. Parece que passar o dia todo aqui dentro é algo difícil para o senhor, então também vou pensar numa solução.
— Não, Vossa Alteza. A culpa foi minha. Não estou em posição de fazer isso, mas fiquei animado como se estivesse em viagem… Não vou repetir uma ação tão imprudente como a de ontem, pode ficar tranquilo.
A expressão abatida era sincera, mas Gizel não respondeu que entendia. Ele ajeitou as vestes e se preparou para deixar o quarto. Então, para Rensley, que ficava rondando sem saber quando deveria se despedir, ele disse:
— O fogo está bem fraco. Vou chamar as criadas para trocarem as velas por novas.
— Ah, se for vela, já tenho bastante guardado aqui. Posso fazer isso eu mesmo.
Rensley se apressou e abriu uma gaveta de madeira num canto do quarto. Enquanto ele remexia na gaveta procurando velas novas, Gizel arrancou uma pequena joia azul-marinho que decorava a gola da capa.
Recitando um breve encantamento, ele a jogou para cima, e, em vez de cair no chão, a joia sumiu no ar.
Voltando-se para Rensley, que trocava com afinco as velas novas nos castiçais, Gizel fez uma breve despedida:
— Então, vou indo.
— Ah, Vossa Alteza! Te-tenha um bom dia.
Gizel respondeu com um aceno de cabeça e abriu a porta. Sem encontrar outra coisa a dizer além daquela saudação sem jeito, Rensley ficou apenas observando distraidamente a ponta da capa preta desaparecer atrás da porta que se fechava.
— “Tenha um bom dia”… Vossa Alteza é seu amigo, é?
Repreendendo-se pela saudação boba que saíra sem pensar, Rensley balançou a cabeça. Enquanto se apoiava no peito dele, olhando o relâmpago e ouvindo a história antiga, sentia que tinham ficado bem mais próximos, mas agora já parecia longínquo, como se a noite passada tivesse sido um sonho.
***
O céu, depois de a chuva ter passado, estava mais límpido do que o normal. Em vez de descer diretamente ao porão, Gizel subiu até seu próprio quarto, tomou banho, trocou de roupa, e então se dirigiu à biblioteca localizada na torre leste do castelo. Hoje estava planejado que vários livros novos chegariam à biblioteca logo pela manhã. Se esperasse, o responsável os levaria até o laboratório, mas Gizel queria folhear os livros novos o quanto antes.
Ele, que não costumava fazer o café da manhã separadamente, pediu a um criado que trouxesse uma xícara de chá e se sentou diante da mesa grande. Abriu um livro teórico recente sobre magia de transformação e avisou aos criados que passavam por perto:
— Não deixem ninguém entrar na biblioteca até a reunião oficial.
Os criados baixaram a cabeça e se retiraram. As estantes se estendiam quase até tocar o teto altíssimo, e as escadas e escadarias que subiam entre elas, como trepadeiras, pareciam intermináveis. Naquela biblioteca ampla, que sem exagero reunia quase todos os livros e documentos antigos do mundo, só restou Gizel Zibedad, sozinho.
A luz do sol da manhã, ainda fraca, entrava pela janela de vidro, e o cheiro de papel e o aroma de chá recém-preparado se espalhavam suavemente. Mesmo para ele, que sempre gostava de se trancar no laboratório subterrâneo, um momento como este não era ruim.
Só havia um problema. O livro que abrira com expectativa, depois de tanto tempo, era mais insosso do que ele imaginava. Só o título era diferente; não passava de uma repetição do conteúdo que o autor já escrevera antes, com apenas algumas novas descrições acrescentadas. Mas, como tinha o hábito de precisar terminar de ler um livro que já tinha aberto, ele não teve escolha a não ser continuar a leitura.
De vez em quando, inclinando a xícara de chá e virando as páginas sem muito entusiasmo, o senhor de Laudken de repente tirou um espelho redondo, como se tivesse se lembrado de algo.
Ao passar a mão pela superfície de vidro, o espelho, que antes refletia o rosto de Gizel, passou a mostrar uma cena que não estava presente ali. Parando por um momento de forçar a concentração no livro tedioso, Gizel baixou o olhar para aquilo.
Aquele objeto, que parecia um espelho comum, estava conectado ao dono por mana, e era um dos artefatos mágicos usados às vezes para observar dentro e fora do castelo. A magia de projetar à distância usando um pertence próprio consumia bastante mana e não podia ser usada facilmente, mas, dentro do castelo principal, não era tão difícil assim.
Dentro do espelho, um jovem de cabelo loiro se movia apressadamente. Ele abriu todas as janelas para que a luz do sol iluminasse o quarto e o vento circulasse. Talvez sentindo frio por causa da ventilação, ele mantinha um casaco acolchoado por cima, mesmo dentro do quarto, enquanto sacudia o cobertor que usara na noite anterior.
Depois de sacudir e arrumar bem o cobertor de volta na cama, ele colocou mais lenha na lareira, limpou o chão, encheu a bacia com água para lavar o rosto e escovar os dentes. Olhou ao redor, como se procurasse mais alguma tarefa, mas, sem encontrar nada em especial, se sentou na cadeira diante da lareira.
Mas foi só por um instante. Ele se levantou de novo de repente e andou de um lado para o outro sobre o tapete, se aproximando da janela, apoiando os cotovelos e olhando para fora.
Rensley Malocen ficou parado na janela por um bom tempo. Então, balançando a cabeça, se afastou e, de repente, se deitou de bruços no chão, começando a fazer flexões como exercício. Continuou assim por um bom tempo. Depois, levantou-se e, pegando o espanador que usava para limpeza, começou a dançar no espaço aberto do quarto.
Não. Gizel logo mudou de ideia. O movimento que a princípio parecera dança na verdade parecia ser movimentos de esgrima. Ele não era alguém que apreciasse artes marciais, mas, como herdeiro do trono de Oldenland, aprendera pelo menos o básico de esgrima e combate, e, como em muitas outras áreas, também tinha um interesse acadêmico por artes marciais.
As artes marciais variam em tipo e características de país para país e de região para região, e as armas usadas também diferem um pouco; observando com atenção, há vários pontos interessantes. Rensley praticava uma esgrima leve e flexível, como água fluindo, diferente daquela de Oldenland ou dos países vizinhos.
“Ele disse que esgrima e equitação eram suas especialidades.”
Gizel relembrou a história que o homem no espelho contara, ajoelhado e prostrado, falando prolixamente naquela ocasião.
— Ah, que tédio.
Depois de se exercitar bastante, ele acabou jogando o espanador para o lado e puxou o cordão da cama. Não demorou muito, e a governanta Samlit entrou.
— Rensley, dormiu bem?
— Eu sempre durmo bem. Ontem o trovão foi tremendo. A senhora ficou bem?
— Eu já estou acostumada. Barulho é só tapar os ouvidos e pronto. As pessoas de Oldenland acham que dias de trovão são seguros, então até dormem mais tranquilas. Quer que eu prepare o café da manhã?
— Sim. Depois de me exercitar de manhã, fiquei com fome.
— De qualquer forma, você tem uma disposição e tanto. Espere um pouquinho.
Samlit parecia estar dando instruções para as pessoas do lado de fora. Ao voltar para o quarto, ela começou a conversar com Rensley.
— A visita de ontem do Grão-Duque, foi tudo bem?
— Sim! Fiquei muito surpreso quando ele apareceu de repente. Foi a primeira vez que o vi depois do casamento. Acho que conversamos bastante também.
— Mas você deixou tanta comida no prato. O chef, que se esforçou tanto porque os dois iam jantar juntos, ficou chateado. O Grão-Duque já é assim mesmo, mas você também é muito seletivo com a comida. Sempre quer comer só algumas coisas que gosta.
— Seletivo… é verdade. É meio isso mesmo… Ah, senhora. Por acaso, o Grão-Duque não repreendeu a senhora por minha causa, repreendeu?
— Eu? Por que ele repreenderia?
Rensley balançou a cabeça, dizendo que não era nada. A senhora Samlit acenou a mão para tranquilizá-lo.
— Não sei do que se trata, mas não se preocupe. Vossa Alteza não costuma se irritar facilmente com os criados que trabalham no castelo.
— Bem… no começo eu tinha medo dele, mas parece ser uma pessoa gentil. Só parece um pouco taciturno por fora…
— Não há o que fazer. Viver como monarca de um país não deve ser algo tão divertido assim, não é? Bem, nós, subalternos como somos, nunca vamos saber ao certo.
— Isso é verdade. Desde que eu vivia em Cornia, nunca entendi por que as pessoas queriam tanto herdar o trono. Nunca vi uma única pessoa que quisesse ser rei ou ocupar o trono parecer feliz, então por que será que todo mundo cobiça tanto isso… Se você se envolve mal numa disputa de sucessão, só sobra assassinato ou envenenamento. Já que continuo vivo assim, em momentos como este, ainda bem que nasci como filho bastardo.
Rensley respondeu rindo. Gizel observava atentamente aquela cena.
— O clima é bem diferente de Cornia, deve ser difícil para você, não é? Mas trovões como o de ontem não são frequentes.
— Está tudo bem. Um trovão não é nada para um homem crescido…
Depois de dizer isso, Rensley ficou com uma expressão um pouco melancólica. Ele começou a falar com cuidado.
— Na verdade, acho que foi por causa da chuva de ontem, mas tive um sonho que me deixou meio incomodado.
— Sonho? Que tipo de sonho?
— Sonhei com meu amigo mais próximo de Cornia. Fico pensando se ele está bem… Sinto saudade, mas também fico preocupado.
— Que pena… Posso imaginar o coração de Rensley, tão longe assim da terra natal.
Marilyn.
Gizel pensou nas três sílabas que tinham saído dos lábios de Rensley. Achando que, dormindo, ele o confundira com outra pessoa, Gizel o acordara às pressas, mas, pensando bem agora, não teria sido necessário acordá-lo; poderia ter saído silenciosamente sem problema.
Houve um breve momento em que ele suspeitara que Rensley Malocen fosse o amante secreto de Yvette Elbanes. Naquele momento, assim como julgara natural que a princesa Yvette tivesse trazido aquele homem até aqui, não seria estranho se ele também tivesse deixado uma amante para trás em Cornia.
Mas, como dissera a governanta, Gizel nunca estivera numa posição semelhante, então era difícil compreender totalmente o coração de Rensley Malocen. Ele apenas escutava a conversa em silêncio.
— Não é em Cornia, é num lugar relativamente próximo de Laudken. Mas, se passar o tempo, talvez ele vá embora… Se eu pudesse sair, poderia ir encontrá-lo, mas seria difícil pedir isso a Vossa Alteza, não é?
— Nossa, é mesmo? Onde essa amiga está morando?
— Eleia vir junto até Oldenland. Mas acho que foi ganância minha. Tinha muita dificuldade com viagens, então tivemos que nos separar numa pousada no caminho. Combinamos de nos encontrar depois, mas acho que provavelmente não vamos mais nos ver. Mesmo que ele viesse, não sei se conseguiria viver bem aqui… Mas gostaria de saber, pelo menos, se está bem.
Os olhos de Gizel se arregalaram um pouco. Será que essa pessoa chamada Marilyn estava nas proximidades de Laudken?
Ele se lembrou de Yvette Elbanes — não, de Rensley Malocen — cobrindo o rosto com o véu roxo-escuro. Ele o encarava com os olhos roxos, escrevendo com o dedo, implorando. Perguntando se não poderia deixá-lo ir, fingindo não saber de nada.
Enquanto o olhar de Gizel permanecia fixo no espelho, uma janela em algum lugar devia estar levemente aberta, pois o vento soprou e as páginas do livro que estava aberto se viraram sozinhas, sem que ninguém as segurasse. A conversa entre os dois, sem saber que havia alguém escutando, continuava normalmente.
— Não seja assim, me conte, Rensley. Mesmo que você mesmo não possa ir, se Vossa Alteza permitir, podemos mandar alguém buscá-lo. Pelo menos podemos pedir para descobrir notícias dele.
— Será que dá?
— Sim. Se realmente não der, eu mesma posso mencionar isso discretamente a Vossa Alteza.
Diante disso, Rensley hesitou, mas primeiro fez um pedido. Disse várias vezes que a senhora não deveria se forçar a falar de jeito nenhum, que se percebesse que Vossa Alteza parecia incomodado, deveria desistir do assunto imediatamente, e só depois de repetir isso várias vezes é que finalmente foi ao ponto.
— O nome dela é Marilyn.
— Ai, meu Deus. É mulher? Será que é uma relação especial?
Na voz da senhora Samlit, a surpresa transbordava. O cenho de Gizel também se franziu levemente. Sim, bem. Rensley respondeu, esfregando a nuca, meio envergonhado.
— Nos conhecemos desde crianças, então devo dizer que é especial, não é? Passamos muitas noites juntos também. Era famosa pela beleza mesmo na capital de Cornia. Quando saíamos juntos, eu ficava até me sentindo orgulhoso.
— Meu Deus, tinha alguém assim, e mesmo assim mandaram você aqui no lugar daquela princesa? Nem sei que palavras de consolo dizer… E eu, sem saber de nada, ainda brincava dizendo que Rensley combinava com o papel de Grã-Duquesa.
O clima solene se transmitiu até para fora do espelho. Os dois ficaram sentados em silêncio por um momento. Foi Rensley Malocen quem retomou a conversa primeiro. Por algum motivo, ele começou a rir alto, “ha ha”.
— Desculpe, senhora. Na verdade, Marilyn é uma égua que cuido desde criança. Quando morava em Cornia, costumava dormir no estábulo em dias de trovão, então acho que por isso sonhei com Marilyn.
— O quê?
A senhora, que perguntou de novo, surpresa, logo soltou uma risada seca. Achei mesmo que você tinha deixado uma amante para trás. A voz de Samlit, repreendendo-o assim, vazou para fora do espelho. Gizel, que estava com o queixo apoiado na ponta do dorso da mão, mudou um pouco de posição, sentando-se.
— Não menti quando disse que era uma amiga próxima. Cuidei dela pessoalmente desde criança, então éramos muito mais próximos do que a maioria das pessoas. Por isso ia tentar levá-la até Oldenland também. Mas, como ela sempre viveu no clima quente de Cornia, acho que teve dificuldade em se adaptar ao clima frio do norte. Se eu insistisse mais, achei que ela realmente ia adoecer, então nos separamos na pousada.
— Ah, a comida chegou. Por aqui. Vamos, coma logo. E me diga onde está a pousada onde deixou Marilyn. Isso eu posso mandar alguém verificar sem precisar da permissão de Vossa Alteza.
— Sério?
Rensley perguntou, o rosto se iluminando. A senhora respondeu animadamente que isso não seria problema algum.
“Não era uma pessoa, era um cavalo?”
Gizel, que espionava a conversa dos dois, se lembrou da imagem de Rensley esfregando o rosto em seu peito ao amanhecer, murmurando “Marilyn” com alegria. Ele tocou o próprio peito com a palma da mão algumas vezes e inclinou a cabeça, intrigado.
— Vossa Alteza, está quase na hora da reunião oficial.
Nesse momento, um criado se aproximou silenciosamente e o avisou. Ao passar a mão sobre o espelho mais uma vez, o vidro com a superfície refletora voltou a mostrar normalmente a cena do outro lado.
Só então ele se deu conta de que não tinha lido nada do livro que escolhera. Havia bastante tempo para ler livros, e nem era tão interessante mesmo, então não fazia diferença… Fechando o livro, cujas páginas tinham se virado sozinhas sem que ele percebesse, Gizel se levantou.
Ao sair da biblioteca e se dirigir ao gabinete na torre principal, Gizel parou por um momento. Anton Sorel, o comandante da ordem dos cavaleiros, que estava justamente organizando seus subordinados em fila, o cumprimentou.
— Vossa Alteza, o Grão-Duque, já acordou?
— Anton, depois do treinamento matinal, venha ao meu gabinete por um momento.
Não sendo situação de emergência, era raro que ele o chamasse num horário tão cedo. Diante do comandante, que o olhava tenso, como se perguntasse se havia algo errado, Gizel deu uma breve explicação adicional:
— Tenho algo a perguntar, então pode vir sem preocupação.
— Entendido.
Gizel continuou seu caminho. As vozes vigorosas dos membros da ordem, que tinham começado o treinamento cedo pela manhã, aqueciam o ar frio do norte.
***
↫─✧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna