Capítulo 29
Capítulo 2 – Parte 2 。°✩°。⌒♡*:・
Mas a voz era familiar. Ao ouvir o tom suave, gentil e grave, algo brotou no coração de Dojin. Era saudade.
— Sa-yoonnim?
É o Yoonyoung. Essa voz é do Yoonyoung.
— Sim.
— Quando você chegou? Senti sua falta…
Murmurando o que lhe vinha à mente, Dojin choramingou. Ele percebeu agora que estava deitado com a cabeça na coxa de alguém, e o calor corporal aconchegante e a textura firme eram bons. Ele pensou: Eu fiquei checando a janela do quarto do Sa Yoonyoung, e agora finalmente estou sonhando com ele.
— …Sentiu minha falta?
— Claro… Achei que ia enlouquecer de tédio sem poder ver sua carinha fofa.
Murmurando, Dojin se remexeu, depois desabotoou a gola abafada da camisa. Ele não estava usando o paletó do terno, mas as únicas roupas que trouxera eram camisas sociais, e o botão apertando ao redor do pescoço parecia sufocante.
— Está quente…
— Senhor, o que você está fazendo agora.
Junto com a voz urgente de Yoonyoung, a mão que desabotoava sua camisa foi detida. Dojin choramingou com uma voz cheia de sono, depois começou a resmungar pedindo água.
Enquanto ele choramingava, “Quero água…”, as pernas que o apoiavam se moveram. Quando o calor agradável estava prestes a desaparecer, Dojin balançou a cabeça.
— Não vá.
— Você disse que queria água.
— Não… Eu não quero que você vá.
Ele estava com sede, mas não queria que o calor que sentia agora desaparecesse. Dojin enterrou o rosto na coxa e sussurrou. A coxa firme se enrijeceu, e então seu movimento finalmente parou.
Esfregando a bochecha contra a coxa que havia se sentado de volta como que em resignação, Dojin sorriu satisfeito. Então caiu no sono novamente.
Enquanto dormia, alguém acariciou gentilmente seu cabelo. Foi o sonho mais agradável que ele tivera em anos.
* * *
Dojin acordou com uma ressaca terrível. A luz do sol brilhante inundava a janela. A luz solar, atravessando uma fresta das cortinas azul-marinho, cravava-se em suas pálpebras, e Dojin gemeu antes de se levantar de repente. Ele estava com tanta sede que já não aguentava mais.
Enquanto Dojin tateava para sair da cama, um copo de água foi estendido à sua frente. Incapaz de abrir direito os olhos irritados, ele seguiu seus instintos e pegou o copo.
Sentindo-se aliviado pela temperatura fria que se espalhava por sua mão, Dojin bebeu a água de um só gole. Ele bebeu tão freneticamente que uma gota d’água escorreu por seu pomo de adão. Só então ele finalmente caiu em si.
— Nossa, me sinto vivo. Obrigado, Sa-yoon…
Dojin murmurou o que lhe saiu antes de fechar a boca de súbito. Por que eu disse Sa-yoonnim? Sa-yoonnim? Por que o Yoonyoung estaria…?
Diante da percepção arrepiante, Dojin lentamente ergueu a cabeça. Yoonyoung estava realmente ali de pé. Vestido com uma impecável camisa branca de algodão e jeans, Yoonyoung parecia imaculado, como se estivesse acordado há um tempo. Incapaz de entender a situação, Dojin apenas o encarou com uma expressão aturdida.
— O que foi. Está com vergonha agora que ficou sóbrio?
— Por que o Sa-yoonnim está no meu quarto…
Diante de suas palavras “meu quarto”, Yoonyoung ergueu uma sobrancelha como se achasse aquilo patético. Seguindo um mau pressentimento, Dojin apressadamente olhou ao redor.
Diferente do alojamento externo, com apenas uma cama de solteiro, a cama em que Dojin estava sentado era tão grande que ele não cairia nem se rolasse por ela, e o chão com suas tábuas de madeira maciça era infinitamente espaçoso. O espaço, com duas estantes de livros bem arrumadas, uma escrivaninha, um computador e um monitor, era ao mesmo tempo desconhecido e familiar.
— Por que eu estou no quarto do Sa-yoonnim?
Quando Dojin perguntou de novo, perplexo, Yoonyoung estendeu a mão como que pedindo o copo de água. Enquanto Dojin devolvia o copo, atordoado, Yoonyoung explicou com indiferença.
— Você estava bêbado e fazendo birra, então eu te trouxe pra cá e te coloquei na cama.
— O quê? Eu estava? Não. Eu estava no sofá ontem…
Dojin foi perdendo a voz quando uma súbita compreensão o atingiu, e ele ergueu a cabeça.
— Não me diga que aquilo ontem não foi um sonho?
Yoonyoung olhou para ele com uma expressão incrédula. Talvez porque o nível de seus olhos já tivesse ficado mais alto que o dele antes de partir, olhando para cima de uma posição sentada, era exagero dizer que seu pescoço doía. Podia ser imaginação dele, mas parecia que ele havia crescido um pouco mais naquele curto período.
— …Você achou que foi um sonho? Depois de fazer aquela birra toda?
— Bem, como o Sa-yoonnim estava em Seul, eu naturalmente achei que fosse um sonho. Quando diabos você voltou? Você veio sem nenhum aviso.
— Voltei antes do pôr do sol de ontem. Me seguraram lá à toa quando nem tinha nada importante…
Yoonyoung murmurou, passando a mão pelo cabelo como se a lembrança o irritasse. Ele, que estivera falando sozinho, de repente olhou para baixo, para Dojin, e acrescentou.
— E como é que eu ia te avisar? Eu não tenho seu contato.
— Ah. É verdade.
Aquilo era algo de que Dojin também havia se arrependido. Foi só depois de ficar completamente incomunicável com Yoonyoung nos últimos dias que ele desejara que ao menos tivessem trocado números para saber um do outro.
Mesmo quando ele estava tentando manter distância de Yoonyoung, houve dias em que não conseguia vê-lo, mas ele podia ao menos ouvir sua voz de longe. E a presença de Yoonyoung estivera lá, também.
Mas essa foi a primeira vez que ele não conseguiu vê-lo mesmo querendo. Por causa disso, Dojin ficara ansioso. O fato de que o dia em que se separariam estava se aproximando em pouco mais de um mês ficava rodando em sua cabeça.
— …Hum.
Dojin hesitou por um momento, depois deu uma olhada em Yoonyoung, que o encarava atentamente.
Como se fosse a especialidade de Yoonyoung mudar enquanto ele não estava olhando, o Yoonyoung que ele viu depois de um tempo havia perdido ainda mais de seu ar juvenil. Claro, sua pele macia, sua tez clara e seu ar jovem ainda estavam lá, mas agora ele tinha a aparência inconfundível de um homem. Seu pescoço havia engrossado, e o osso da sobrancelha estava mais proeminente. As mudanças que haviam ocorrido em um período tão curto eram inacreditáveis.
— A gente precisa mesmo ter o número um do outro para emergências. Quer que eu vá pedir permissão ao Gerente Park-nim?
Yoonyoung estendeu o celular em vez de responder. Dojin hesitou antes de pegá-lo e digitar seu número. Depois de preencher o teclado com dígitos, ele o devolveu, e Yoonyoung anotou algo com o rosto sério. Provavelmente estava salvando nos contatos.
— Você me salvou como o quê?
— Você não precisa saber.
— Então eu também não vou te contar.
— Você ainda não sabe meu número.
— É verdade…
Dojin coçou a cabeça, parecendo encabulado. Observando-o, Yoonyoung fez um gesto com o queixo em direção a outra porta no quarto.
— Tem uma toalha e roupas pra você lá dentro, então vá se lavar. Você cheira a álcool.
— Uau, como é que eu vou me lavar aqui? Vou me lavar no meu alojamento.
— É uma ordem do seu superior.
Dojin estava prestes a contestar o termo “superior”, mas acabou aceitando e se levantou. Era incrivelmente constrangedor e incômodo, mas considerando o que havia feito na noite anterior, ele não estava em posição de recusar. Agora era hora de ser cuidadoso, então ele se dirigiu ao banheiro por ora.
Dojin, que havia aberto a porta e estava prestes a entrar, colocou a cabeça para fora e falou com Yoonyoung, que mexia no celular.
— Sa-yoonnim, seu colo de travesseiro foi ótimo. Você deveria fazer isso sempre pra pessoa com quem vai se casar e pro seu primeiro amor. Foi tão quentinho que dormi facilmente.
Os olhos de Yoonyoung ficaram venenosos. Virando a cabeça bruscamente, ele encarou Dojin e disse com frieza, numa voz que soava um tanto irritada.
— Para de falar bobagem e vá se lavar logo.
E, com isso, ele saiu abruptamente do quarto. Era impossível decifrá-lo. Dojin resmungou enquanto fechava a porta do banheiro.
O banheiro, tão espaçoso quanto o quarto, tinha um design suave, de base amadeirada, que lembrava Yoonyoung. Olhando para a toalha cuidadosamente colocada e as roupas confortáveis dobradas, Dojin sentiu um desejo impulsivo de preservar o momento.
Era porque, apesar de todo o tempo que passara com Yoonyoung, ele não tinha uma única foto para mostrar.
Alguns dias atrás, enquanto se perguntava o que Yoonyoung estaria fazendo de volta a Seul, Dojin estivera passando o dedo pelo celular quando percebeu que não havia capturado um único quadro das memórias que haviam construído.
As memórias, por mais que a pessoa tentasse, cruelmente se dispersariam e desapareceriam. Com o tempo, até uma voz não podia ser recordada com precisão. Restaria apenas uma vaga noção da atmosfera e do cheiro, e por fim, o rosto também desapareceria.
Era por isso que Dojin gostava de fazer vídeos e fotos de Do-yeon. Do-yeon era igual. Os irmãos cuidavam um do outro como que para compensar as memórias com os pais que não haviam conseguido guardar o suficiente.
O desejo de capturar seu cotidiano com Yoonyoung em um álbum de fotos havia crescido muito nos últimos dias. Uma vez que o verão acabasse, eles provavelmente nunca mais se veriam, então ele queria registrar o rosto bonito de Yoonyoung ou os momentos em que se divertiram. Assim, ele poderia olhá-los por muito, muito tempo…
Enquanto Dojin tirava o celular do bolso da calça para tirar uma foto, ele parou diante da notificação de mensagem na tela. Uma mensagem, claramente de Yoonyoung, havia chegado.
[Te salvei como Dojin.]
Dojin soltou uma risada seca diante do nome, que desconsiderava completamente a devida ordem de senioridade. Ele rapidamente salvou o número. Então, tirou um print e o enviou de volta como mensagem de texto.
[✉ Bonitinho]
[Te salvei como Dojin.]
No instante em que o print mostrando o nome salvo como “Bonitinho” foi enviado, a confirmação de leitura apareceu. Ele devia ter saído pisando duro de raiva, mas ainda estava com o celular na mão.
[Está de brincadeira comigo?]
[Sim.]
[Muda isso, agora.]
[Eu mudo se você fizer algo bonitinho, Sa-yoonnim.]
[O que é algo bonitinho?]
[Sei lá. Pense nisso. É minha liberdade escolher o nome do contato, então você não vai conseguir mudar do jeito que quiser.]
[Você vai se arrepender disso.]
Dojin acabou dando um sorriso largo, como se pudesse ouvir a voz indignada de Yoonyoung. Seu coração disparava como se o tédio e o vazio dos últimos dias tivessem sido uma mentira, e ele achou aquele momento trivial tão divertido que mal conseguia se conter.
Enquanto Dojin relia a curta troca de mensagens várias vezes, o sorriso foi desaparecendo gradualmente de seu rosto.
Esse tipo de conexão passageira… O Yoonyoung provavelmente vai esquecer num piscar de olhos.
Relacionamentos sem ver o rosto um do outro eram difíceis de manter, e Yoonyoung e Dojin não tinham nada em comum. Se eles se separassem assim, as chances de se encontrarem de novo eram remotas.
Yoonyoung cada vez mais se misturaria com mais e mais pessoas incríveis, mas Dojin não tinha nenhum desejo de se envolver em assuntos tão perigosos. O trabalho de guarda-costas não era exatamente seguro, mas ele não queria fazer parte do meio de pessoas como Kim Seok-ju ou o Gerente Park.
Apagando à força seus sentimentos remanescentes, Dojin ligou a água fria para clarear a mente e começou a tomar banho, rezando para que os apegos que se agarravam a ele fossem lavados, como a terra do jardim levada pela chuva dos últimos dias.
* * *
Depois que ele se lavou e saiu, um evento inesperado havia sido agendado. O passeio ao vale que ele mencionara à Madame Ju no dia anterior havia sido confirmado para hoje. Eles não haviam marcado uma data para quando ir, mas assim que se sentaram à mesa de jantar, a Madame Ju falou animada.
— Dizem que vai fazer um calor escaldante hoje. Então pensei que seria bom se todos nós fôssemos ao vale por volta da hora do almoço. O que acham?
— Hoje? Como choveu até ontem, o nível da água não estaria ainda alto?
Dojin falou defensivamente antes que Yoonyoung pudesse responder. Acidentes no verão aconteciam com mais frequência no mar ou em vales. Além disso, o quão perigoso não seria logo depois de ter chovido?
Yoonyoung estava escutando quieta e adoravelmente o que Dojin dizia. A Madame Ju, parecendo perceber que precisava convencer Dojin para obter a permissão de Yoonyoung, começou a persuadi-lo.
— A gente simplesmente não entra na água. Acidentes são mais prováveis de acontecer no vale, então acho que seria bom só ir ver. O Sa-yoonnim também acabou de descer de Seul. Ele só viu prédios chatos, então vamos só molhar os pés perto do vale e grelhar uma carne.
Parece mesmo que o Yoonyoung ficou entediado em Seul. Contanto que a gente não entre na água, não deve haver perigo específico…
⁺˚⋆。°✩₊✩°。⋆˚⁺⁺˚⋆。°✩₊✩°。⋆˚⁺
Continua… ⌒♡*:・..
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello