Capítulo 24
⁺˚⋆。°✩ Capítulo 24
Sentado no banco sob a grande árvore, ele finalmente conseguiu respirar. Mesmo sem uma brisa, a sombra era larga e agradável, tanto que ele sentiu que poderia tirar uma soneca ali mesmo.
Uma feliz sensação de nostalgia o varreu. Não havia momento tão pacífico quanto adormecer num banco de madeira à sombra de uma árvore, num quintal cheio do cheiro de grama e terra. Sentindo-se bem, o rosto de Dojin ficou muito mais relaxado que o normal.
Yoonyoung, que acabou se sentando de frente para Dojin, parecia descontente com algo. Para os outros, era uma expressão vazia, mas o leve vinco em sua testa branca revelava seu humor.
Eles haviam sido sentados de ambos os lados das garotas para facilitar que todos comessem melancia juntos. Fosse por desígnio da moça ou não, Yoonyoung acabou sentando ao lado da garota chamada Yunae.
Yoonyoung, que vinha esperando quieto como se esperasse que Dojin sentasse ao lado dele, arregalou os olhos quando Dojin plantou o traseiro ao lado da outra garota. Então ele começou a fazer aquela cara.
Ai, ai, ele deve estar de mau humor porque estamos sentados separados e ele é tímido.
Achando a visão infinitamente fofa, Dojin deliberadamente não foi para o lado de Yoonyoung. Diante disso, Yoonyoung estremeceu como se fosse se levantar e vir para o lado dele a qualquer momento. Notando isso, Dojin falou com ele gentilmente.
— Senta e vamos comer primeiro, Yoonyoung. A melancia vai esquentar.
Melancia era melhor comida gelada, não era? Melancia morna era a pior, como abacaxi quente.
Yoonyoung, que estava prestes a se levantar do banco, de repente abaixou a cabeça ao som do próprio nome. Enquanto Dojin observava Yoonyoung, que havia congelado enquanto fuzilava o prato de melancia, ele primeiro agradeceu à moça.
— Obrigado por oferecer. Vamos aproveitar.
— Ah, imagina. Minhas filhas são tão exigentes com comida, elas só ficavam beliscando a melancia que eu me dei ao trabalho de preparar. Isso é ótimo. A gente é castigado por desperdiçar comida.
— Ah, as duas são suas filhas? Achei que fossem todas irmãs. A senhora parece tão jovem.
Lidar com adultos era uma das coisas em que Dojin era muito bom, e agir despreocupado com estranhos era sua especialidade. Diante da lábia de Dojin, a moça corou e soltou um suspiro de pura alegria.
— Meu rapaz, você deve fazer muitas mulheres chorarem. Como alguém tão bonito pode falar tão bem? Hã?
— Ai, que é isso. Eu as trato muito bem.
— Você é um Alfa, né? Meu marido e eu somos os dois Betas, então não entendo muito de Alfas ou Ômegas. Mas só de olhar pra você, parece que é um.
— Sim, é isso mesmo.
Ele queria comer a melancia, mas a conversa não terminava, então Dojin se resignou a lidar com ela por ora.
Nesse meio-tempo, Yoonyoung, depois de fuzilar o prato de melancia por um longo tempo, finalmente ergueu a cabeça. Seu rosto estava mais vermelho que antes, mesmo não estando quente, o que deixou Dojin preocupado. As pessoas podiam ter insolação tardiamente, então ele quis checar Yoonyoung.
— Depois de ver uma fera peluda que nem meu marido, olhar pra você é tão bom pros olhos. Nossa, eu digo pra aquele homem raspar o pelo da perna, mas ele nunca escuta…
Enquanto ele diligentemente escutava as reclamações da moça, a moça do mercadinho reapareceu. Ela havia sumido antes que ele pudesse perguntar sobre a lista de ingredientes, mas agora emergia carregando duas tigelas de comida numa pequena bandeja.
— Rapazes, comam um pouco de frango.
— Como?
Um pesado ‘baque!’ conforme a bandeja foi colocada firmemente diante do surpreso Dojin. Ele olhou para ver o que era e descobriu que era samgyetang, com duas grandes coxas de frango em cada tigela.
— Vocês comeram?
— Não, a gente ia comer quando voltasse.
— Aqui, comam logo.
Dojin conteve o riso enquanto ela empurrava as tigelas de samgyetang em direção a eles como se fosse a coisa mais natural comerem. A hospitalidade do interior era, por natureza, mesquinha quando precisava ser e infinitamente generosa quando decidia dar. Parecia que a moça do mercadinho, tendo ficado familiarizada com eles, só queria cuidar deles.
— Mana, por que você fica alternando entre usar dialeto e não usar?
— Você não tá vendo que eu tô me esforçando à beça porque esses moços de Seul não me entendem?
— Escolhe um só.
— Ei, cuida da sua vida. Você chama eles pra comer melancia e depois fica falando desse jeito, como é que eles vão comer?
Diante da bronca da moça do mercadinho, a outra moça deu uma risada sem graça.
— Verdade. Desculpa, meu rapaz. Você disse que seu nome era Dojin? Come logo. Nossas crianças já comeram, então não liguem pra elas.
— Então a gente come com gratidão. Estamos sendo tratados como realeza graças à senhora.
Antes de comer, Dojin escaneou seus arredores mais uma vez. Ele pretendia checar Yoonyoung, mas acabou fazendo contato visual com uma das garotas.
— Oi. Qual é o seu nome? Ouvi o nome da Yunae ao seu lado, mas acho que não ouvi o seu.
— Ah, sou a Miju. Tenho a mesma idade da Yunae. Somos gêmeas bivitelinas.
A garota ao lado de Yoonyoung parecia tímida, os olhos desviando, mas Miju mostrava curiosidade e não desviava o olhar.
— Sou Jin Dojin. Fica à vontade pra falar informalmente.
— Então vou te chamar de oppa.
— Claro. Quantos anos você tem?
— Dezenove.
— Vocês têm todas a mesma idade do Yoonyoung.
A moça, que vinha escutando a conversa de Dojin e Miju com um olhar expectante, rapidamente interveio.
— É tão bom vocês conhecerem gente da mesma idade. Minhas crianças estavam entediadas porque não tinham ninguém pra sair. Não tem jovem por aqui além da família Yang que mora perto do vale.
— Entendi. Deve ser entediante quando vêm visitar.
— Ei, Miju. Vai buscar uma água pro seu oppa. Não, traz o sikhye que eu fiz.
— Tá, Mãe.
Miju, respondendo animadamente, deu uma piscadela brincalhona a Dojin e rapidamente saltou do banco. São todas da idade da Doyeon. Garotas dessa idade são fofas mesmo.
Enquanto Dojin observava Miju partir com um sorriso carinhoso, um par de pernas longas de repente apareceu diante dele. “Hã?”, pensou ele, erguendo o olhar para ver Yoonyoung silenciosamente se plantar no lugar agora vazio de Miju.
— …Sa-yoon, não, Yoonyoung?
Era boa hora, já que ele vinha querendo checar se Yoonyoung tinha insolação. Assim que Yoonyoung sentou, ele tentou tocar seu rosto, mas conseguia sentir uma sensação de desagrado em seu perfil.
— Tem algo errado? Por que você está de mau humor?
O que deu nele? Ele parecia bem agora há pouco. Uma onda de preocupação varreu Dojin, e ele rapidamente aproximou o rosto e sussurrou no ouvido dele.
— Nada está errado.
Apesar de agir como se fosse manter a boca fechada e não dizer nada, Yoonyoung respondeu à pergunta prontamente. Vendo seus lábios se contraírem, parecia que ele tinha mais a dizer.
— Não acho que seja isso. Você está doente? Você pode ter tido insolação no caminho pra cá.
Ele é tão acostumado a suportar as coisas que pode estar escondendo que está com dor. Dojin hesitou por um momento, então estendeu a mão. Com uma temperatura corporal que havia esfriado na sombra, ele cuidadosamente pousou a mão na testa de Yoonyoung. A pele sob sua palma parecia quente.
A carranca na testa de Yoonyoung, que estivera tensa, gradualmente se suavizou assim que Dojin o tocou. Ele conseguia sentir vividamente suas sobrancelhas castanho-escuras se contraírem. Vendo os olhos sobressaltados que o encaravam de volta, sua palma começou a formigar.
— Hmm, não consigo saber direito assim. Se você está doente, a gente devia voltar pra casa? Podemos chamar alguém e voltar de carro.
— …Não. Não é isso, eu não estou, não estou doente.
Os cílios de Yoonyoung esvoaçaram, e ele perguntou numa voz mal audível.
— Por que você não sentou ao meu lado? Fiquei de mau humor por causa disso. Fala comigo. Não brinca com pessoas que você não conhece…
Diante das palavras honestas de Yoonyoung, Dojin não conseguiu deixar de rir. Igualzinho a uma criancinha, ele havia ficado emburrado porque a atenção de Dojin estava em outro lugar.
Meu Deus, ele é mesmo um bebê.
Então é por isso que meus veteranos namoram caras mais novos sem vergonha. Eles diziam que dá muito trabalho, mas ser como o Yoonyoung não parece dar trabalho nenhum. É óbvio o quão bem eu o trataria se estivéssemos namorando.
Alheio aos próprios pensamentos, Dojin rapidamente esfregou sua testa. A expressão de Yoonyoung estava relaxando em tempo real. Se você desse atenção e contato físico, ele se animava na hora; ao contrário de sua aparência, Yoonyoung não era um garoto difícil.
— Só sentei onde fui guiado, mas isso foi um erro meu. Desculpe.
— Eu sou quem você deveria estar protegendo.
— Na verdade eu estava torcendo pra você se divertir com uma garota da sua idade, então meio que te mandei pra lá.
Yoonyoung parecia completamente enojado.
— Por que os adultos sempre tentam juntar as pessoas só porque têm a mesma idade? Elas provavelmente nem estão interessadas na gente.
— …Isso não é algo que você só vai saber depois de tentar?
— Nós dois somos Alfas. Você sabe disso também.
Bom… ele tivera uma ideia mais ou menos desde o momento em que se sentaram no banco. Ele havia se perguntado porque a garota chamada Yunae era tão tímida, mas surpreendentemente, seu Feromônio era forte apesar da personalidade. Ele ouvira que pais Betas às vezes podiam ter filhos Alfas ou Ômegas, e parecia que aquelas duas eram um caso assim.
— E daí que são Alfas? Você não disse que não se importa com coisas como Traços, Sa Yoon-nim?
— Não me importo, mas geralmente, Alfas não se interessam um pelo outro.
— Isso é verdade.
Yoonyoung estremeceu quando Dojin concordou tão facilmente que foi quase insosso. Com um rosto de repente sério, Yoonyoung perguntou.
— Ahjussi, você odeia Alfas…?
Era difícil acompanhar suas emoções que mudavam rapidamente. Ele já passou da idade da puberdade, mas talvez esteja começando agora que ele tem alguém que lhe dá atenção… Pensando isso, ele ainda respondeu fielmente.
— Acho que diria que nunca pensei muito em namorar um. Só namorei Ômegas.
Por algum motivo, Yoonyoung pareceu abatido. Entendi, ele murmurou para si mesmo e ficou perdido em pensamentos.
Enquanto Dojin se perguntava o que fazer com ele, Miju voltou com o sikhye. Vendo Yoonyoung ocupando seu lugar, Miju deu um sorrisinho e se sentou ao lado de Yunae.
— Bebam isto com a comida.
— Ei, Miju, você serve pra eles.
— Ai, Mãe. Para com essas sugestões antiquadas. Você pode parar de dizer coisas desnecessariamente desconfortáveis e ir brincar com a titia lá dentro?
Embora usasse linguagem educada, Miju dizia o que queria sem filtro. Nossa, que pirralha. A moça fuzilou Miju, mas talvez consciente de Yoonyoung e Dojin, se levantou do banco.
— Acho que fui sem tato. Vou ficar no mercadinho, então vocês dois comam com calma. Voltem pra visitar.
— Obrigado. Da próxima vez a gente traz alguma coisa.
— Nossa, você realmente fala de um jeito tão bonitinho.
Depois de encarar Miju mais uma vez, a senhora entrou no supermercado. Deixada com pessoas de idade semelhante, Miju soltou um suspiro como se sua vida dependesse disso.
— Oppa, a gente provavelmente vai te deixar desconfortável, então eu e a Yunae vamos colher algumas flores de bálsamo.
— Flores de bálsamo?
— É. Para fazer tinta de bálsamo. Você quer tentar também?
— Nossa, faz tempo que não ouço falar disso. Bálsamo-de-jardim cresce por aqui também?
— Este bairro se chama Bump porque é coberto de bálsamos-de-jardim. Também significa “broto”, mas é principalmente porque tem muitas flores de bálsamo.
Então era por isso. Lembrando-se de como Doyeon e sua mãe costumavam fazer tinta de bálsamo quando ele era jovem, o interesse de Dojin despertou. Ele queria mostrar isso para Yoonyoung, mais do que fazer ele mesmo.
— Eu gostaria de tentar. Se não se importar, poderia colher algumas para mim também?
— Claro. Ei, Cha Yunae. Vamos.
— Tá bom.
Yunae se levantou rapidamente ao chamado de Miju. Vendo-a calçar os chinelos às pressas e sair, parecia que ela estava passando por um momento difícil por causa de sua timidez.
Exatamente como Yoonyoung havia dito, quando as crianças se encontram, elas apenas passam o tempo juntas; tentar juntá-las era apenas um desejo egoísta de um adulto. Não importava como ele olhasse, Yunae não parecia particularmente interessada em Yoonyoung.
Ele ficou aliviado, de certa forma… mas também foi um pouco decepcionante que ela não tenha se comovido mesmo depois de ver Yoonyoung. O nosso garoto é tão lindo, sabe.
— Então, aproveitem a refeição.
— Tomem cuidado.
Miju curvou a cabeça e saiu correndo, segurando a mão de Yunae. Dojin as observou com carinho, uma mão segurando um envelope enquanto ela apressava a outra, antes de puxar a tabela para mais perto. Samgyetang não ficava gostoso depois que esfriava, então ele pretendia desossar a carne rapidamente e dá-la na boca de Yoonyoung.
— Sa Yoon-nim, parece que fizeram samgyetang porque hoje é joongbok. Nada é tão delicioso quanto samgyetang do interior, então vamos comer tudo.
— …Tá bom.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello