Capítulo 20
⁺˚⋆。°✩ Capítulo 20
Dojin observou a mulher partir, a testa profundamente franzida. Ele sentia que ia enlouquecer de frustração e pena por Yoonyoung, que não conseguia sequer proferir uma única palavra de ressentimento em relação à mulher até o último instante.
Assim que a mulher desapareceu, o Feromônio de Yoonyoung, que havia enchido o ar, se concentrou em Dojin. Como que tentando checá-lo.
No momento em que sentiu aquela sensação, Dojin apressadamente se aproximou de Yoonyoung. Ele estendeu a mão para Yoonyoung, que estava parado feito um poste e encarava a escada por onde a mulher havia desaparecido, e começou a checar seu corpo.
— Sa Yoon-nim, você está machucado?
Embora tivesse bloqueado o máximo que pôde com o corpo, a preocupação o inundou. Ele havia sido atingido na cabeça antes, e havia a possibilidade de que Yoonyoung tivesse sido machucado pelas coisas arremessadas indiscriminadamente.
Segurando o imóvel Yoonyoung, Dojin o examinou de um lado a outro. Com suas mãos grandes, ele tocou seus ombros e braços, e escaneou toda a sua roupa.
Por fim, ele meticulosamente checou o rosto de Yoonyoung. Ele nem conseguia começar a imaginar os ferimentos que aquela criança tinha que suportar agora, então era um ato de tentar encontrar qualquer pista que pudesse.
Havia a situação violenta de antes, mas o estado de seu coração depois de expulsar a própria mãe com suas próprias palavras… isso era algo que Dojin nunca poderia saber. Com um coração tão ansioso, ele encontrou os olhos de Yoonyoung, e as sobrancelhas de Yoonyoung se franziram.
— Você pode ter ferimentos que não são visíveis, então vou chamar um médico primeiro.
É claro que ele não estaria bem, então Dojin mudou de assunto para evitar cutucar suas feridas. Yoonyoung havia parecido envergonhado quando olhou para Dojin antes, então tocar a criança despreparada podia ferir profundamente seu orgulho.
Assim, Dojin sussurrou da forma mais gentil possível. Diante disso, a boca de Yoonyoung se abriu sem som. Então, seus belos olhos castanhos instantaneamente se encheram de umidade, e lágrimas caíram silenciosamente, pingando pelas bochechas de Yoonyoung.
— Quem… quase se machucou… foi você.
Como um aguaceiro repentino, as bochechas de Yoonyoung ficaram instantaneamente manchadas de lágrimas. De seus olhos avermelhados, as lágrimas não paravam, pingando, pingando para baixo.
Até seu choro era quieto, assim como Yoonyoung. Lembrava ele, que ficava apenas no quarto, prendendo a respiração. As lágrimas que fluíam silenciosamente formavam gotas em seu queixo esguio e escorriam por seu pescoço.
— Então por que você está dizendo isso… pra mim…? Por minha causa… você quase se machucou…
Como que incapaz de lidar com a tristeza, a voz de Yoonyoung começou a tremer cada vez mais. Mesmo depois de passar por todo aquele caos, Yoonyoung de alguma forma tentava se segurar. O som dele engolindo à força um soluço era doloroso.
Quando Doyeon ficava com raiva, ela fazia bico, e se não conseguisse se segurar, ela caía no choro. Não chorar silenciosamente, mas chorar aos berros, hwaaang, era a forma de Doyeon expressar tristeza.
Então Dojin abraçava a irmã, e em seus braços, Doyeon chorava os olhos e o nariz, despejando as razões de sua angústia. Depois de um bom e longo choro, ela sorria sem graça com um rosto muito mais claro.
Dojin gostava desse lado da irmã. Talvez porque o próprio Dojin não tivesse vivido a vida se expressando livremente, havia momentos em que ele sentia uma sensação de alívio quando Doyeon chorava como se o mundo inteiro fosse se lavar. Ele tinha orgulho e era grato por Doyeon, que havia crescido sabendo se expressar apesar de viver uma vida difícil.
Mas Yoonyoung não conseguia fazer isso. Ele tinha a mesma idade de Doyeon, mas era tão gritantemente diferente.
Hoje, Dojin viu um mundo fora daquele que ele conhecia. O amor e o afeto que naturalmente vinham à mente com a palavra “pai” não eram um dado para todos. Para Yoonyoung, era algo que ele tinha que implorar, e mesmo isso estava longe da verdade.
A criança que crescera em tamanho lodo nem sabia o que haviam feito com ela. Ele era quem havia sido verbalmente abusado e apanhado, e ainda assim se preocupava com Dojin.
E eu estava afastando um garoto desses.
O que diabos Yoonyoung havia feito? Ele só quisera esperar e brincar junto, ele só desejara passar um pouco de tempo com ele, e ainda assim ele havia feito algo tão terrível com aquela criança.
Ele havia erguido uma parede e o afastado, só porque sentira que o garoto poderia cruzar as fronteiras que ele guardava. Ele podia até ter pensado que a dor e a solidão que o garoto experimentava eram as reclamações de um privilegiado.
Eu… nunca imaginei uma vida de crescer ouvindo tais palavras da minha mãe. Não vivi uma vida em que todos ao meu redor zombavam de mim. Nunca experimentei não conseguir descansar nem em casa, não ter onde ficar, uma vida de estar sozinho num quarto sem ninguém com quem falar.
Meu estômago às vezes ficava vazio, mas meu coração era feliz. É porque passei por aquele período que consigo suportar o presente.
— Sa Yoon-nim.
Dojin chamou Yoonyoung numa voz levemente trêmula. Yoonyoung, cujos lábios tremiam como se ele quisesse dizer algo, cerrou o maxilar e ficou em silêncio quando um soluço escapou de sua garganta. Ele conseguia vê-lo baixando a cabeça, evitando seu olhar e cerrando os punhos. A visão de seu esforço tão intenso em suportar era ainda mais devastadora.
Dojin hesitou, ponderando, e por fim escolheu o método que usava com Doyeon.
— Está tudo bem só chorar.
Ele gentilmente puxou Yoonyoung para mais perto. Ele suavemente segurou a nuca da cabeça baixa dele, e então, cheio de desculpas e afeto, o abraçou. Com uma mão, ele ternamente afagou seu cabelo, e com a outra, deu tapinhas em suas costas. Segurando-o com força, Dojin sussurrou para Yoonyoung.
— Quando algo assim tão perturbador acontece, você chora. É assim que o seu coração se sente melhor.
Ele não lhe disse para não chorar. Segurar lágrimas transbordantes não ajuda em nada. Ele não queria lhe dar nenhuma culpa ou fardo. Em vez disso, ele queria que Yoonyoung mostrasse sua tristeza.
— Se, eu chorar, é… patético. Um garoto crescido, um Alfa, como eu posso… chorar.
Mesmo já chorando, Yoonyoung sussurrou numa voz trêmula. Dojin apertou o abraço e o acalmou.
— O que idade, Traço ou gênero têm a ver com chorar? O que há de tão errado em chorar?
— Ela disse… que se eu chorasse… ela ia enlouquecer.
Ele conseguia adivinhar quem havia dito aquilo. Dojin lentamente afagou as costas largas, iguais às suas, e balançou a cabeça.
— Isso é só o que aquela pessoa pensa. Não é que você esteja errado, é só que ela é o tipo de pessoa que pensa daquela forma. Você está bem exatamente do jeito que é, Sa Yoon-nim.
Diante disso, Yoonyoung ergueu a cabeça. Seus olhos, vermelhos de tanto chorar, olharam para Dojin com pesar. Vendo o ressentimento e a mágoa que os enchiam, Dojin lhe disse com os olhos que estava tudo bem falar.
No momento em que viu aquele olhar, Yoonyoung explodiu numa voz soluçante.
— Não minta pra mim.
— Não estou mentindo.
— Se eu estivesse bem, então… então não haveria razão pra você me evitar.
Aquele fato pareceu deixar Yoonyoung incrivelmente triste e assustado. Suas belas sobrancelhas castanhas se arquearam com pesar.
— Moço, por que você fica brincando com o coração das pessoas? Por que agora, de repente, você está cuidando de mim de novo? Você disse que estava ao meu lado pelo dinheiro, igualzinho a todo mundo. Então você não devia se importar se eu apanho ou o que acontece comigo…
A tristeza das últimas semanas estava completamente dissolvida em seu sussurro angustiado. Sem desculpa alguma a oferecer, Dojin só conseguia escutar. Yoonyoung tinha todo o direito de xingá-lo de desgraçado, mas ele não conseguia se levar a ressenti-lo dessa forma.
— Por que você está fazendo coisas que eu não consigo entender, como hoje…
Como se o choro pesaroso fosse demais para ele, Yoonyoung parou de falar ali. Seu rosto bonito era uma bagunça de lágrimas. Uma dor se espalhou pelo interior de seu coração, e uma onda de angústia o varreu, como se ele estivesse olhando para um animal ferido.
— Eu estava errado. Desculpe.
Eu deveria enxugá-las. Se fosse Doyeon, ele teria enxugado o rosto dela grosseiramente com a própria roupa e a provocado de propósito, mas ele queria tratar Yoonyoung com o máximo de cuidado. Ao menos por ora, ele tinha que fazer isso. As palavras que haviam dilacerado Yoonyoung eram tão violentas que ele temia que seu próprio toque pudesse machucá-lo ainda mais.
— Eu mantive distância porque pensei que você ficaria bem sem alguém como eu, Sa Yoon-nim. Vou pra outro trabalho quando o verão acabar de qualquer forma, e achei que não devia me envolver demais.
Ele não estava pronto para revelar todo o seu coração ou contar sua própria história. Portanto, Dojin ofereceu o melhor que pôde naquele momento.
Yoonyoung escutou sem ficar com raiva. Dojin, olhando de relance para ele com cautela, lentamente estendeu a mão e gentilmente enxugou a bochecha ensopada de lágrimas. Sua palma era áspera, então ele esfregou com uma gentileza nada característica, como que temendo arranhar a pele fina. A umidade que enchia sua mão era quente de calor.
Yoonyoung estremeceu no momento em que Dojin enxugou suas lágrimas. Esquecendo até de chorar, ele observou, congelado, enquanto Dojin o tocava, então lentamente corou e fechou a boca.
Enquanto engolia as emoções que surgiam, Yoonyoung não desviou do toque de Dojin. Ele costumava estremecer se alguém apenas roçasse seus olhos, mas parecia que ele precisava do calor naquele momento.
Dojin ficou ali e gentilmente acalmou Yoonyoung até ele parar de chorar. Yoonyoung, que vinha silenciosamente aceitando o toque de Dojin, pareceu finalmente ter se recomposto depois que algum tempo passou. Ele evitou o olhar de Dojin e sussurrou suavemente.
— Você já pode soltar…
Ele poderia ter se afastado sozinho, mas Yoonyoung deixou seu pequeno rosto descansando quietamente na mão de Dojin e falou numa voz mal audível. A cena era fofa. Era também, finalmente, um alívio.
— Você está com uma cara que diz que vai ficar triste se eu soltar?
— Quem, eu? Quando foi que eu…!
Vendo-o corar de espanto, Dojin conseguia sentir que Yoonyoung finalmente havia se acalmado. Que alívio. Sorrindo tranquilizado, Dojin deliberadamente sussurrou de perto.
— Você está bem quietinho pra alguém que costumava dar pulos se eu apenas roçasse seus olhos.
Yoonyoung estremeceu como se tivesse sido atingido onde doía. Mas ele ainda não se afastou de Dojin. Justo quando Dojin estava prestes a se arrepender de provocar o garoto que acabara de se acalmar, Yoonyoung sussurrou suavemente.
— …Eu não me importo quando é você que me toca, Moço.
Ah…?
Parecia um comentário irrefletido, mas Dojin ficou momentaneamente surpreso. O pensamento de que era uma afirmação que podia ser mal interpretada cruzou sua mente. Mas era uma suposição absurda, então ele balançou a cabeça para si mesmo. Para começar, tanto Yoonyoung quanto ele eram Alfas, e além disso, a relação deles não era desse tipo.
— Mas você parece desconfortável de estar comigo… então eu só estava dizendo que você não precisa se forçar.
— O trabalho pelo qual sou pago é ser o seu guarda-costas, Sa Yoon-nim, não tocar o seu rosto e te consolar. Não estou me forçando. Estou fazendo isso porque é digno de pena e de partir o coração te ver chorar.
— …Sério?
— Chorar em si está tudo bem, mas você está chorando porque está triste, então como eu poderia ficar tranquilo?
Diante disso, o rosto de Yoonyoung gradualmente se iluminou. Dojin havia se preocupado que a tirada cruel da mulher fosse deixá-lo abatido, mas felizmente, ele parecia ter encontrado grande conforto nas palavras de Dojin.
Ainda deixando o rosto na mão de Dojin, Yoonyoung se remexeu e sussurrou suavemente.
— Então… você vai brincar comigo de novo agora?
— Contanto que você estude direito, Sa Yoon-nim. Você é veterano do ensino médio. Não pode ficar só brincando o tempo todo, pode?
— Hum… Sim.
Mesmo depois de responder, como se ainda não pudesse acreditar, Yoonyoung hesitou antes de lentamente erguer a mão. Então ele ergueu o dedo mindinho. Como que envergonhado de suas próprias ações, ele corou profundamente e fez uma carranca. Cobrindo levemente o rosto com a mão erguida, Yoonyoung pediu.
— …Promete.
Meu Deus, como um garoto de dezenove anos pode ser tão fofo assim?
Dojin apertou os olhos e acabou rindo. O lado rígido, conservador e, ao mesmo tempo, puro de Yoonyoung não era mais um fardo, apenas fofo.
— Sim. Eu prometo.
Dojin prontamente ergueu a mão e estendeu o mindinho para que Yoonyoung pudesse vê-lo claramente. Embora tivessem a mesma altura e porte, os dedos de Yoonyoung eram brancos e elegantes, enquanto os de Dojin eram de ossos robustos e levemente bronzeados. Enquanto entrelaçavam os dedos sem hesitação para selar a promessa, Yoonyoung disse rapidamente.
— …Vá no favor do mercadinho comigo também.
— É claro, Sa Yoon-nim.
— …Obrigado.
Um sorriso apareceu no rosto de Dojin. Não era o sorriso moderadamente fabricado que ele vinha exibindo até então, mas um natural do qual ele mesmo nem estava consciente.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello