Capítulo 19
⁺˚⋆。°✩ Capítulo 19
Independentemente disso, Dojin decidiu cumprir seu dever. Ele era quem tinha que proteger Yoonyoung. Ele não podia mais ficar parado assistindo a uma criança que estava claramente sendo abusada.
— Desculpe, mas a senhora vai ter que ir embora. Deixei passar porque a senhora é mãe do Sa Yoon-nim, mas meu dever é proteger o Sa Yoon-nim. Já que a senhora recorreu à violência, não posso mais fazer vista grossa.
— Eu sou a mãe dele. Não sou alguém em quem um brutamontes como você possa encostar. Saiba o seu lugar antes de se meter, seu filho da puta.
Ignorando a torrente de palavrões, Dojin se aproximou da mulher. Talvez sua aproximação com um rosto endurecido fosse ameaçadora, pois a mulher agarrou uma almofada de encosto e a arremessou em Dojin.
Yoonyoung, que estava ao lado dele, estremeceu. Num instante, a cozinha virou uma bagunça caótica. A mulher gritava a plenos pulmões, arremessando indiscriminadamente o que quer que conseguisse pegar. Naturalmente, não havia como Dojin não conseguir desviar delas.
— Ei! Sa Yoonyoung! Você não vai deter esse desgraçado?
Sua fúria então se despejou sobre Yoonyoung. Como que enlouquecida ao ver Yoonyoung parado ali feito um poste, a mulher pegou uma cadeira de jantar e a arremessou na criança.
Longe de desviar, Yoonyoung apenas ficou ali, observando. Como se fosse familiar. Como se fosse apenas natural para ele apanhar.
Esse, esse garoto tolo.
Dojin finalmente puxou Yoonyoung para dentro de seus braços. Ele bloqueou a cadeira que voava com as costas, abraçando Yoonyoung ao mesmo tempo.
Tec. Um som surdo, e uma dor pesada se espalhou por suas costas. A quina da perna da cadeira devia ter acertado em cheio, pois doeu bastante.
As sobrancelhas de Dojin se franziram diante do impacto mais forte do que o esperado. Não foi por causa da dor, mas por causa do pensamento de que se Yoonyoung tivesse sido atingido por aquela cadeira, ele poderia ter se machucado seriamente.
— Moço…?
Enquanto Dojin fazia uma careta, uma vozinha veio de dentro de seus braços. Ele havia instintivamente coberto a cabeça de Yoonyoung e o enterrado em seus braços, então Yoonyoung estava completamente envolto. Sentindo pena do corpo que tremia finamente, Dojin rapidamente respondeu.
— Sa Yoon-nim, vamos sair daqui. Vamos. Se você realmente quiser falar com a sua mãe de novo, por favor, faça isso depois que ela se acalmar. Não agora. Você pode se machucar.
Yoonyoung, como que incapaz de compreender a situação, ergueu a cabeça atônito e olhou para Dojin. Seus olhos castanhos piscantes estavam cheios de perguntas. Ele aparentemente havia presumido que seria ele a apanhar. Mesmo com seu guarda-costas, bem ao seu lado.
— Por que… você fez isso? A cadeira, agora há pouco…
Yoonyoung, que vinha divagando, apressadamente olhou para trás de Dojin. Vendo a cadeira estatelada no chão, Yoonyoung empalideceu e agarrou o braço de Dojin.
— Você foi atingido? Você está bem? Por que você levou esse golpe…!
Yoonyoung era verdadeiramente estranho. Como se o que havia acontecido com ele não fosse nada, ele estava, em vez disso, excessivamente chocado que Dojin tivesse se envolvido naquela situação.
— Eu sou o seu guarda-costas, Sa Yoon-nim.
Era constrangedor dizer aquilo ele mesmo, já que ele vinha abertamente mantendo distância por um tempo, mas o fato de que ele era um guarda-costas não mudava. Um cara grande como ele acabaria no máximo com um hematoma de algo assim, mas Yoonyoung ainda era um garoto de dezenove anos.
Mesmo que ele tivesse crescido um pouco, deixar um menor apanhar não era normal. Especialmente para alguém como Dojin que sabia lutar.
E ainda assim, os olhos de Yoonyoung vacilaram como se ele não pudesse acreditar nas palavras de Dojin. Ele conseguia sentir a mão que agarrava seu braço tremendo levemente. O garoto que havia permanecido imóvel durante o abuso verbal e físico anterior de sua mãe estava agora chocado que Dojin tivesse sido atingido.
— Vamos, Sa Yoon-nim.
Dojin julgou que era melhor tirar Yoonyoung dali do que subjugar a mulher. Era sua regra de ferro não encostar em mulheres ou Ômegas a menos que estivessem empunhando uma arma.
Além disso, o alvo era a mãe de Yoonyoung; por mais desumana que ela agisse, ele não podia lhe dar um tratamento duro na frente do próprio filho.
— Eu te deixei em paz e olha só você!
A mulher, que havia parado por um momento depois que Dojin levou o golpe por Yoonyoung, logo confirmou que ele estava bem e ergueu a voz de novo. Na verdade, ver que ele estava ileso pareceu alimentar sua raiva ainda mais do que antes, e ela começou a arremessar coisas de forma ainda mais indiscriminada. A primeira coisa a voar foram talheres, que acertaram as costas de Dojin.
Isso é um chiqueiro. Eu, eu não consigo fingir que não vejo isso.
A vida de Dojin havia sido dura e pobre, mas nunca havia sido horrível dessa forma. Ele havia recebido castigos corporais durante seu treino atlético e vira todo tipo de coisa fazendo trabalho braçal, mas o ambiente em que ele mesmo crescera sempre havia sido cheio do amor de seus pais.
Mesmo quando brigavam, nunca usavam violência com a intenção de ferir. As mágoas que guardavam um do outro todas nasciam do afeto. Não como o desejo unilateral que cercava Yoonyoung.
Ignorando todo tipo de tranqueira que voava em suas costas, Dojin se moveu, ainda segurando Yoonyoung em seus braços. Ele estava preparado para jogá-lo sobre o ombro e carregá-lo para fora se ele resistisse, mas Yoonyoung o seguiu docilmente. Na verdade, ele se agarrou ao braço de Dojin com força, como quem se agarra a uma tábua de salvação.
— Sa Yoonyoung! Volta aqui agora mesmo. Seu desgraçado, eu mandei voltar!
Dojin queria tirar Yoonyoung daquele inferno o mais rápido possível. Para longe das pessoas que o ignoravam e negligenciavam, para longe daqueles que o desprezavam e olhavam para baixo.
Não me importo se é só pena patética e um senso de justiça. Estou fazendo isso por mim mesmo. Como ser humano, não posso simplesmente ficar parado assistindo a isso.
— Você é quem me deixou assim! Eu me esforcei tanto pra me livrar de você, mas você se agarrou à minha barriga e saiu! Então você deveria assumir a responsabilidade pela minha vida!
Para bloquear as palavras horríveis, Dojin protegeu mais o rosto de Yoonyoung com o braço. Segurando o garoto que tremia finamente, Dojin se dirigiu rapidamente à escada. A mulher gritou diante de seu total desprezo por ela.
— Quem diabos você pensa que é pra levar o que é meu!
Junto com o grito cheio de ódio, crash, o som agudo de vidro se estilhaçando ressoou. Ele checou apressadamente e viu cacos de um prato espalhados pelo chão. No momento em que Dojin olhou para trás, a mulher, como se estivesse esperando, arremessou um copo de vidro.
— Pare aí mesmo. Eu disse pare.
Dojin soltou o braço de Yoonyoung e o moveu para trás de suas costas. Ela parecia estar fora de si, mas aquilo estava indo longe demais.
— Vamos parar aqui antes que alguém se machuque seriamente. Você fica culpando o Sa Yoon-nim, mas no fim das contas, foi você quem tomou a decisão. Não existe isso de “por causa de alguém”. No fim, você fez a escolha. Se foi uma gravidez indesejada, culpe o seu marido. Não culpe seu filho inocente.
As pessoas criam razões para se proteger a todo custo. Sacrifício é a melhor razão para chantagear alguém, e Dojin leu que a mulher era do tipo que acreditava que sua vida fora arruinada por causa do filho.
Fosse porque ela nunca ouvira tais palavras na vida ou porque ele havia tocado num ponto sensível, os olhos da mulher se arregalaram. Seus lábios que tremiam finamente mostravam que seu orgulho havia sido profundamente ferido. De novo, ele percebeu que havia dito algo presunçoso, assim como com Kim Seok-ju, mas hoje, ele sentia mais desafio do que arrependimento.
— Como você ousa… um cara que não sabe nada sobre como uma Ômega vive, como você ousa agir tão cheio de si…?
Sua voz, impregnada de fúria, tremia. A mulher, com olhos enlouquecidos, olhou para o chão, então rapidamente se abaixou e agarrou um pedaço do prato quebrado. Mostrando os dentes, a mulher empurrou para frente a mão que segurava o caco.
— Quem é você… Quem é você pra falar da minha vida? Você sabe quanto eu sacrifiquei por causa daquela criança? Por causa daquela coisa nojenta que insistiu em rastejar pra fora da minha barriga, a minha vida foi arruinada!
Dojin fez o possível para proteger Yoonyoung, que agarrava seu braço com força por trás. Ele estava ansioso por não conseguir cobri-lo completamente, já que tinham a mesma altura e portes semelhantes. Mesmo sendo um caco de porcelana, um corte feio podia ser grave, e a tensão inundou seu corpo.
— Você, some. Se você não sumir e deixar aquele desgraçado, eu te mato primeiro.
Por que não há uma única pessoa normal ao redor desse garoto?
Ele estava tentando encarar aquilo de forma leve de propósito, mas a situação era séria. Um passo em falso, e era claro que ou ele ou a mulher se machucaria. Subjugá-la não era difícil em si, mas o problema era que ele não queria machucar a mulher. Porque ela ainda era a mãe de Yoonyoung.
Enquanto Dojin deliberava, a mulher se aproximou com o caco afiado. Ele conseguia ver a força começando a entrar em sua mão, que a princípio tremia. Dojin decidiu que se chegasse a esse ponto, teria que oferecer o braço ou as costas e tirar a mulher dali.
Vendo Dojin assumir uma postura de confronto sem um pingo de medo, a mulher arfava como se fosse avançar a qualquer momento. O caco de prato branco e afiado se refletia nos olhos de Dojin.
— Mãe.
Naquele momento, a voz de Yoonyoung ressoou suavemente.
— Pare com isso.
Uma voz baixa e quieta. Assim que as palavras caíram, uma estranha pressão opressiva varreu todo o seu corpo. O ar que ele inalava ficou pesado, e todos os seus músculos começaram a enrijecer. Era o mesmo fenômeno daquela noite em que Kim Seok-ju havia armado o barraco.
— Pare com isso e vá embora agora. Agora mesmo.
Embora fosse uma voz pequena, as palavras de Yoonyoung estavam claramente gravadas nos ouvidos de todos. A mulher, que havia congelado com o caco de prato quebrado na mão, começou a ficar mortalmente pálida.
Hic, hhhic, soluços aterrorizados escaparam da mulher. Logo depois, com o braço tremendo, a mulher soltou o caco. Clang, o fragmento de porcelana tombou no chão de madeira e se estilhaçou em pedaços afiados.
— Se você não for embora agora, algo terrível vai acontecer, Mãe.
Yoonyoung sussurrou numa voz monótona. Dojin queria se virar e ver que tipo de expressão Yoonyoung estava fazendo, mas seu corpo estava congelado e ele não conseguia.
O Feromônio de Yoonyoung se espalhava pelo ar como uma força intangível, oprimindo-os fisicamente. Era um poder que induzia até um medo instintivo, mas não era tão aterrorizante quanto daquela vez. Mesmo que o poder em si parecesse muito mais forte.
A situação de seu corpo não se mover conforme sua vontade era assustadora, era verdade, mas por algum motivo, Dojin sentia como se o Feromônio de Yoonyoung estivesse protetoramente o cercando. Assim como ele havia abraçado Yoonyoung com força um momento atrás.
— Yoo, Yoon, Yoonyoung-ah…
— Se você não for embora, você vai morrer, Mãe.
O desespero que estivera na voz de Yoonyoung antes havia sumido. Com uma voz seca que não continha apego persistente, ele deu seu aviso final.
— Como você disse, Mãe, eu sou burro, então não sei como controlar esse poder. Não vou conseguir comprar as marcas de luxo que você gosta, ou ir a hotéis… Se você não quer morrer, vá embora.
O tom de Yoonyoung era gentil e calmo. A mulher, arfando, assentiu freneticamente com a cabeça e começou a se mover apressadamente.
Movendo-se o mais próximo possível da parede para evitar Yoonyoung perto da escada, a mulher cambaleou em direção ao andar de baixo. Justo antes de descer completamente ao primeiro andar, a mulher olhou para trás, seus olhos se contorcendo, e Yoonyoung falou suavemente.
— Não vamos nos ver de novo, Mãe. Vou te mandar dinheiro.
Um leve alívio tremeluziu por seu rosto aterrorizado, e então, sem deixar uma única palavra para o filho, a mulher fugiu.
Assim, acabou. Não houve nem uma despedida.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello