Capítulo 17
⁺˚⋆。°✩ Capítulo 17
O tempo voou justo como ele havia pensado. Ele ia até a mansão de manhã, guardava a área perto do quarto de Yoonyoung até a tarde, e à noite voltava ao alojamento, fazia um jantar simples e ou falava com Doyeon ao telefone ou saía com os veteranos.
Ele frequentemente dava caminhadas e tirava fotos da paisagem do interior para mostrar à irmã, e quando meio mês havia passado, ele já tinha aprendido bastante sobre aquele lugar.
Bongari, localizada numa montanha na província de Jeonnam, era um vilarejo onde viviam menos de vinte famílias. Era um lugar tão obscuro que nada aparecia quando se pesquisava por ele, e pouquíssimas pessoas sabiam que ele existia. Dado que a população inteira de Saengil-myeon, o município ao qual pertencia, mal ultrapassava 800 pessoas, talvez fosse de se esperar.
Ele ouvira que a razão pela qual uma mansão fora construída num lugar tão remoto e sem acontecimentos era que ela servia como uma espécie de esconderijo. Parecia ser usada como residência quando havia perigo, quando alguém precisava ser escondido, ou quando precisavam evitar a atenção pública.
Durante esse tempo, Dojin também havia aprendido uma certa quantidade sobre o Grupo Samyeong ao qual Yoonyoung pertencia.
Quem lhe dera a informação fora o Gerente Song. Depois que Dojin foi colocado ao lado de Yoonyoung, o Gerente Park aparentemente havia dado ao Gerente Song uma recompensa polpuda, com uma quantia adicional pela confidencialidade. Dizendo que havia ganhado uma grana graças a ele, o Gerente Song havia abordado Dojin primeiro, e os dois haviam começado a conversar.
Suas primeiras impressões um do outro não haviam sido boas, mas o Gerente Song também havia tentado salvar Dojin naquela noite, e como ele tinha mais ou menos a idade de seu tio, Dojin rapidamente ficou à vontade com ele. Não era que ele tivesse se afeiçoado particularmente a ele, mas eles haviam estabelecido rapport suficiente para trocar alguma conversa.
O Grupo Samyeong havia começado como uma organização de gângsteres. Só pessoas do ramo sabiam disso, e como era de duas gerações atrás, era um fato de que apenas uns poucos herdeiros de chaebol tinham conhecimento agora.
Eles originalmente haviam expandido seu poder fazendo o trabalho sujo para grandes corporações, e começaram um negócio de logística para lavar o dinheiro que haviam acumulado. O avô de Yoonyoung aparentemente era um Alfa Dominante. O homem, que parecia ser bom apenas em dar socos, surpreendentemente mostrou um talento natural para os negócios também, e a Logística Samyeong se expandiu para a construção, estabelecendo-se como um grande conglomerado.
Seu rápido crescimento fora graças a uma relação simbiótica secreta com uma grande corporação com a qual vinham cooperando desde os tempos de seus ancestrais. Para empresas que não eram concorrentes, a família Sa continuava firmemente seu antigo negócio original. O pai de Yoonyoung, que era um empresário elegante por fora, aparentemente também vinha levando uma vida dupla há muito tempo.
Naturalmente, eles queriam que o próximo sucessor fosse um Alfa forte que pudesse gerenciar esses assuntos sujos e, às vezes, intervir pessoalmente. O meio-irmão de Yoonyoung, o mais velho, Sa Jun-seok, era originalmente o homem certo para o trabalho.
Como ele havia aprendido acidentalmente quando Kim Seok-ju estava falando, Yoonyoung era um filho nascido fora do casamento. Sua própria origem era vergonhosa, e ainda por cima, ele era frágil, ao contrário de um filho da família Sa, então havia caído em desgraça desde o início. Ele continuou doentio conforme crescia, e por causa de sua aparência delicada e bonita, dizia-se que Yoonyoung havia sido um espinho no lado deles a vida toda. Aquilo era o máximo que o Gerente Song sabia.
Ouvindo a explicação do Gerente Song, Dojin pensou da forma mais fria possível. A história era lamentável, mas de agora em diante, Yoonyoung só seria bem tratado, então não havia razão para preocupação. Dojin não estava ocioso o suficiente para sentir pena de alguém que seria apenas um conhecido de passagem.
E, embora ele não soubesse se devia chamar aquilo de alívio, Yoonyoung não havia chamado especificamente por Dojin desde aquele dia. Ele não esperava mais por ele de manhã cedo como antes.
Eles até faziam as refeições juntos, mas não havia uma única palavra de conversa, e havia muitos dias em que Yoonyoung pulava as refeições. Quando Yoonyoung não comia, Dojin tentava recusar também, mas a Madame Ju garantia que ele comesse toda vez, então ele não tinha escolha a não ser fazer suas refeições na mansão.
Fora isso, eles não se cruzavam. Yoonyoung ficava trancado no quarto e não fazia exigências a Dojin. Ocasionalmente, ele sentia como se o garoto estivesse olhando para ele e virava a cabeça, mas seus olhos nunca se encontravam.
Yoonyoung tratava Dojin como se ele não existisse, assim como no comecinho. Parecia que ele havia claramente percebido que Dojin, também, não era diferente dos outros, movido apenas pelo dinheiro.
Graças a isso, Dojin passou seus dias pacificamente por mais de quinze dias, comendo bem e descansando bem. Felizmente, nada de particular havia acontecido com Doyeon desde sua última visita ao hospital. O coração de Dojin estava muito mais tranquilo. Se ele só conseguisse aguentar mais uns dois meses, se despediria daquele lugar.
— Ufa, Sr. Dojin, desculpe, mas você poderia fazer um favor pra mim hoje?
No meio desses dias pacíficos, a Madame Ju veio até ele com um pedido por volta da hora do almoço.
— Sim, claro. Do que a senhora precisa?
— O caminhão de entrega que vem toda madrugada sofreu um acidente, então estou com falta de ingredientes para o preparo de hoje. Você poderia ir à mercearia do vilarejo comprar algumas coisas pra mim?
— Claro.
Dojin pegou o papel que a Madame Ju estendia. Ele esperava algo significativo, mas o que estava escrito era surpreendentemente simples. Um ou dois temperos e uma abóbora era tudo.
— Tem menos pra comprar do que eu pensei. O que a senhora está planejando fazer com a abóbora?
— Bom, o jovem Sa Yoon-nim tem praticamente se matado de fome ultimamente, então eu ia fazer um mingau. Por menor que seja o apetite dele, ele sempre comeu bem o mingau de abóbora.
Dojin teve um sobressalto diante da menção do nome de Yoonyoung. Seria porque ele vinha intencionalmente evitando o assunto? Fazia muito tempo que ele não falava sobre Yoonyoung. Mesmo ele sendo a pessoa que ele deveria estar protegendo.
Eles haviam se evitado tanto que a memória de Dojin do rosto dele estava ficando embaçada. A última vez que haviam comido juntos fora dez dias atrás. Até isso havia parado depois de se verem apenas uma vez a cada dois dias.
Dojin havia feito tão pouco nos últimos quinze dias que sentia ter tido mais o que fazer na época em que brincava com Yoonyoung. Ele só ficava vagando pelo corredor em frente ao quarto de Yoonyoung.
— Ah, entendi.
Ele deveria ter simplesmente deixado passar com um “entendi”, mas sua boca ficou seca. Parecia ser culpa sua que Yoonyoung não estivesse comendo direito.
Você tem algum senso, não tem? É óbvio que o Yoonyoung está deliberadamente me evitando. É tudo por minha causa que ele não está comendo.
— Ele não está doente nem nada, está?
— Não. Ele sempre foi de comer pouco. Na verdade, para alguém assim, é impressionante como ele vem mudando e ficando mais saudável dia após dia ultimamente.
A Madame Ju exibiu uma expressão ambígua ao falar. Ela parecia ao mesmo tempo feliz e preocupada. Dojin deliberadamente fingiu não notar e assentiu.
— Bom, que alívio.
— No começo do mês, ele estava comendo bem com você, Sr. Dojin, e tinha uma expressão tão radiante, mas acho que ele enjoou rápido. Ele nunca gostou muito de pessoas, então ele pode ser bem inconstante.
…Acho que não é isso.
Era estranho que alguém como a Madame Ju, que observava Yoonyoung há tanto tempo, fizesse tal julgamento. Até ele, que só o vira por alguns dias, podia ter certeza de uma coisa: o garoto entregava seu afeto com bastante facilidade.
Dizendo a si mesmo que não era da sua conta, Dojin estava prestes a sair quando ouviu uma porta abrir no terceiro andar. Só havia uma pessoa morando lá, então o corpo de Dojin enrijeceu com um sobressalto.
Uma sensação desajeitada surgiu, e ao mesmo tempo, um impulso desconhecido se agitou dentro dele. Seria porque fazia dez dias que ele não via o rosto de Yoonyoung? Ele queria vê-lo, nem que fosse uma vez.
Ele não ia entregar seu afeto, mas não havia razão para se dar ao trabalho de evitá-lo. Ele era seu superior, afinal, então ver seu rosto era natural.
Ao contrário de outros garotos, os passos de Yoonyoung eram leves e suaves. Quanto mais baixos seus passos ecoavam pelo corredor, mais nervoso Dojin ficava. Sua boca ficou seca sem motivo, e sua garganta pareceu ressecada.
Ele queria se virar, mas uma sensação desconhecida de pressão o pesava desde o momento em que Yoonyoung abriu a porta. É por causa dos feromônios dele? ele se perguntou, mas os feromônios de Yoonyoung não estavam investindo contra ele como da última vez.
Finalmente recuperando o fôlego, Dojin lentamente se virou. Como esperado, Yoonyoung estava ali. Dojin encarou-o atônito, olhando para cima enquanto ele descia com o rosto vazio.
A visão de Yoonyoung se aproximando lentamente, o rosto igualzinho ao que Dojin se lembrava, de alguma forma parecia diferente.
Para ser preciso, deveria dizer que ele parecia mais masculino? A beleza andrógina que a princípio havia capturado seu olhar havia se transformado em algo mais jovem e viril. Podia ser porque ele havia perdido um pouco de peso, ou talvez porque seu maxilar havia se tornado mais anguloso que antes.
Enquanto ele absorvia as mudanças sem perceber, seus olhos se encontraram. Ainda olhando para frente com um rosto frio e inexpressivo, Yoonyoung silenciosamente desceu o último lance de escada. Então, seus níveis de olhar se encontraram, e algo estava um pouco diferente. Ou seja…
Ele ficou mais alto?
Surpreso, Dojin piscou e escrutinou Yoonyoung de novo. Estou enganado porque faz tempo? ele se perguntou, mas não importava quantas vezes fechasse e abrisse os olhos, a mudança não desaparecia. O nível do olhar de Yoonyoung estava diferente. Bastante, na verdade.
Em que medida? Dojin e… ele agora tinham a mesma altura.
Não era engano. Os olhos dele e de Yoonyoung estavam exatamente no mesmo nível. Quando se conheceram, fora natural para Dojin olhar para baixo, mas agora ele não precisava inclinar a cabeça nem um pouco. Ele já havia provocado Yoonyoung de brincadeira uma vez sobre precisar crescer, mas não havia pensado que ele realmente cresceria mais, já que as placas de crescimento geralmente se fecham por volta dos dezenove anos.
Sa Yoon-nim, você ficou mais alto, não ficou?
Dojin se forçou a engolir as palavras que surgiram em sua cabeça. Yoonyoung mudar ou não não tinha nada a ver com os deveres de Dojin. Não havia razão para fazer conversa desnecessária, então ele manteve a boca firmemente fechada.
Mas, ao contrário de seus pensamentos, seu interior estava em polvorosa. Assim como daquela vez em que ele conheceu Yoonyoung e seu olhar fora atraído para ele contra a própria vontade, sua atenção estava mais uma vez gravitando em direção a Yoonyoung.
— Sa Yoon-nim, você saiu para uma pausa rápida? O Gerente Park estava dizendo que você anda estudando bastante ultimamente.
— …Sim.
Depois de dar uma resposta seca à Madame Ju, Yoonyoung encarou Dojin intensamente. Eles nem tinham feito contato visual por um tempo, então Dojin esqueceu de sorrir como fazia normalmente e exibiu uma expressão tensa. Ele havia mantido distância, mas para evitar parecer que estava deliberadamente evitando-o, ele sempre fazia questão de sorrir sempre que se cruzavam. Mas porque ele vinha atrapalhado desde agora há pouco, ele cometeu um erro.
O rosto de Yoonyoung, que estivera encarando Dojin, finalmente mostrou um lampejo de emoção. Sua testa lisa se franziu levemente. Seus lábios se entreabriram como que para dizer algo, mas então, como sempre fazia, Yoonyoung escondeu os sentimentos de novo.
Seu rosto claro empalideceu enquanto ele abaixava a cabeça. O silêncio pesou sobre seus ombros.
Eu estive enganado esse tempo todo.
Dojin congelou no lugar, como se tivesse levado uma pancada. Ele não conseguia nem falar.
Yoonyoung estava desesperado em silêncio. Ele havia pensado que, como o garoto era tão guardado, ele naturalmente teria se desapegado. Ele havia acreditado que, como só havia brincado com ele por uns três dias, ele rapidamente o esqueceria depois de tanto tempo passado. Eles não haviam se cruzado, e ele não o havia importunado, então ele havia, natural e convenientemente, pensado consigo mesmo que o garoto havia seguido em frente.
Um senso de derrota o varreu. Ele se sentiu tão sem-vergonha. Ele havia meramente interpretado as ações de Yoonyoung como bem quisera para aliviar seu próprio fardo, mas havia se iludido pensando que tudo estava resolvido.
Um comentário passageiro do Gerente Song lampejou pela mente de Dojin. Ele não havia dito que conseguira aquela indicação de trabalho porque alguém que ele conhecia trabalhava como criado na casa da família Sa?
Até a governanta que arranjara o trabalho havia ignorado e zombado de Yoonyoung tanto que o Gerente Song havia pensado que o trabalho seria moleza.
Ele dissera que a pessoa que ele deveria proteger era do tipo quieto e, embora tivesse uma personalidade espinhosa, nunca uma vez ficava com raiva mesmo quando os outros xingavam e riam dele bem ao seu lado. Só de ouvir a história, era óbvio o quão fácil e ridículo o garoto que não resistia ao bullying devia ter parecido.
Não era como se ele estivesse em posição de ter pena dos outros, e a preocupação de Dojin não mudaria a vida que aquele garoto vivera, mas o fato de que o desespero de Yoonyoung tinha origem nele abalou Dojin até o âmago.
Ele mesmo não sabia por que estava tão agitado. Ele não era uma pessoa particularmente gentil ou moral. Mesmo que ele lembrasse Doyeon, ele não era sua irmã. Que razão diabos Dojin tinha para se importar com Yoonyoung, que nem era da família…
Como se o silêncio que caíra sobre a cozinha fosse desajeitado, a Madame Ju pigarreou com uma tosse. A tosse seca que quebrou a quietude finalmente trouxe Dojin de volta a si. Seus pensamentos estavam tão emaranhados que seu estômago revirava, mas ele não podia mudar de atitude agora. Tentar agir como se se importasse com um garoto que ele já havia magoado só seria um engodo.
— Sa Yoon-nim… ãh, a Madame me pediu para fazer um favor, então vou sair por um momento. Vou pedir para outra pessoa vir e cobrir o posto.
Limpando a garganta pesada, Dojin conseguiu se reportar a Yoonyoung. Yoonyoung, com o olhar fixo no chão, não respondeu. Como ele tinha que esperar por sua permissão, Dojin fechou a boca e esperou.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello