Capítulo 14
⁺˚⋆。°✩ Capítulo 14
Se perguntando o que fazer, ele decidiu voltar cedo para a mansão e procurar alguns jogos para jogar com Yoonyoung. Eram 6 da manhã, então ainda havia algum tempo até o café da manhã.
Depois de se lavar em silêncio para não acordar os outros, Dojin caminhou lentamente em direção à mansão.
O sol estava apenas nascendo. Ele encarou distraidamente o céu azul misturado com uma luz vermelha e límpida, então olhou para frente conforme se aproximava da mansão. De longe, ele sentiu algo, como os Feromônios de alguém oscilando. Olhando com atenção, um rapaz em roupas casuais encostado no portão principal entrou em seu campo de visão.
— Sa Yoon-nim?
Não esperando vê-lo a uma hora tão cedo, Dojin correu até ele, atrapalhado. Não, por que ele está aqui fora sozinho? Cadê todo mundo? Não me diga que ele saiu escondido para fugir de novo?
Por causa de seu histórico, Dojin rapidamente se posicionou diante dele, como que para bloquear seu caminho. Yoonyoung, que estivera chutando o chão de cabeça baixa, ergueu a cabeça bruscamente assim que viu Dojin.
— Você estava tentando fugir de novo? Você é um delinquente e tanto.
Enquanto absorvia a visão de Dojin, os olhos que vinham cintilando como os de um garoto da sua idade se apagaram diante das palavras que ele ouviu.
— Que besteira você está dizendo assim que me vê.
— É porque você está aqui fora sozinho sem ninguém por perto.
— É troca de turno, então todos estão dentro da mansão por um momento fazendo a passagem. Os homens sabem que estou aqui.
— Por que você acordou tão cedo?
Quando Dojin perguntou preocupado, Yoonyoung o encarou de volta. Seu rosto, que parecia meio sem energia, lentamente caiu, e ele sussurrou baixinho.
— Eu estava entediado, então estava checando se você ia se atrasar.
Um leve senso de espera estava furtivamente escondido na voz seca que fingia indiferença.
Era uma emoção minúscula que alguém poderia ter deixado passar se não estivesse prestando atenção, mas Dojin conseguia senti-la com uma estranha clareza. A pequena expectativa que ele havia testemunhado sem querer era, na verdade, tão trivial quanto um mato e poderia ter sido ignorada, mas capturou significativamente sua atenção.
Desde quando você estava esperando por mim?
Dojin olhou para Yoonyoung, sentindo-se como se tivesse levado uma leve pancada na cabeça. Talvez sentindo-se desajeitado com o silêncio de Dojin, Yoonyoung piscou seus bonitos cílios.
Essa cena parecia tão desconhecida. O fato de que alguém estava esperando por ele. Não por trabalho, mas simplesmente esperando por ele como uma pessoa.
Sempre fora o trabalho de Dojin esperar pelos outros numa casa vazia, então a cena de alguém chamando por ele quando abria a porta era estranha. Era algo de tão tempo atrás que ele nem conseguia se lembrar.
— Moço?
Quando não houve resposta por um momento, Yoonyoung o chamou. Dojin fez “Ah”, balançou a cabeça e sorriu. Ao menos, ele achou que havia feito questão de sorrir. Ele não tinha certeza de que expressão havia feito.
— Sa Yoon-nim, você estava esperando por mim?
— Não, na verdade não.
Como que incomodado por sua negação imediata, Yoonyoung acrescentou numa voz pequena.
— Eu realmente acordei cedo… Estava entediado, então vim ficar de olho em você.
— Você pensou em mim assim que abriu os olhos?
Ele estava jorrando bobagem como de costume, mas mesmo enquanto dizia aquilo, seu próprio coração se agitou.
— Como a conversa chegou nesse ponto?
— É que eu estava pensando em você, Sa Yoon-nim.
Diante das palavras de Dojin, os lóbulos das orelhas de Yoonyoung, e desta vez até as bochechas, ficaram levemente vermelhos. Dojin pensou que ele fosse disparar de volta como de costume, mas Yoonyoung disse algo inesperado.
— Não foi entediante brincar comigo? Achei… que fosse tedioso pra você.
— O quê? Por que diabos? Não foi você que ficou emburrado porque eu não peguei leve quando jogamos videogame?
— Sinceramente, foi meio patético você estar tão determinado a ganhar na sua idade.
Dojin soltou uma risada seca diante da réplica atrevida. Independentemente disso, Yoonyoung continuou a tagarelar.
— Ainda assim, você estava me acompanhando. Eu… não tenho muitas memórias de brincar com os outros. Por isso pensei que a pessoa brincando comigo podia estar entediada.
Por quê?
Por que um garoto gentil e fofo como você não teria memórias de brincar com os outros?
Muitas perguntas lampejaram por sua mente, mas em vez de bisbilhotar, Dojin sorriu como faria com Doyeon. Ele não queria remexer em algo sobre o qual o outro estava relutante em falar. Ele tranquilizou Yoonyoung de forma simples e clara.
— Foi divertido. Acho que eu estava me divertindo tanto que talvez você é que tenha ficado entediado, Sa Yoon-nim. Vamos jogar outra coisa hoje.
— Sério?
A expressão de Yoonyoung se iluminou. Por impulso, Dojin estendeu a mão para a cabeça de Yoonyoung, assim como faria com Doyeon. Era porque vê-lo tão feliz fazia seu próprio coração transbordar de emoção.
— Sim, sério.
Falando de forma informal e indelicada, Dojin afagou o cabelo de Yoonyoung. Os fios castanhos que se enrolaram em seus dedos eram surpreendentemente macios. Ele nunca havia tocado seda, mas se perguntou se seria assim — uma textura elástica e suave.
Ops.
Yoonyoung era do tipo que fazia escândalo mesmo quando ele só tocava o canto de seu olho, então ele tardiamente retirou a mão. Ele pensou que Yoonyoung fosse fazer uma carranca e se afastar bem longe como antes, mas ele ficou imóvel. Conforme seu rosto, que havia sido brevemente coberto pela mão, era revelado, Dojin viu os olhos de Yoonyoung cintilando como se ele estivesse prestes a chorar. Foi só por um breve momento.
Uma pessoa que é jovem, fraca, e que parece que pode se quebrar.
Conforme aquilo se sobrepunha a uma parte dele à qual Dojin era extremamente vulnerável, ele se sentiu perdido pela primeira vez em muito tempo. Incapaz de descobrir qual de suas ações havia tocado uma corda em Yoonyoung, Dojin o observou em silêncio.
Yoonyoung olhava para a mão que se retirava de Dojin com olhos pesarosos. Não parecia que ele estivesse com raiva ou que seu orgulho estivesse ferido. Incapaz de encontrar uma razão adequada, Dojin decidiu mudar o clima.
— Vamos comer, Sa Yoon-nim?
Felizmente, Yoonyoung seguiu bem a intenção de Dojin. Arrancando o olhar da mão, Yoonyoung o repreendeu.
— Você é um comilão completo, moço.
— Sim, meu apelido é Fantasma da Carne.
— Você vai engordar se continuar assim.
— Eu já fui maior que isso. Eu era atleta de judô.
Yoonyoung ouviu as palavras de Dojin em silêncio, então perguntou.
— Você tem uma foto daquela época?
— Te mostro se você comer bem hoje, Sa Yoon-nim.
— …Isso é ridículo.
Mas o fato de ele não ter negado era, no fim das contas, um sinal de afirmação, e Dojin finalmente sorriu confortavelmente. Uma sutil sensação de estabilidade se instalou em seu coração, que estivera ansioso desde que ele havia se preocupado com Doyeon na noite anterior.
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Naquela manhã, a Madame Ju havia chamado Dojin de amuleto da sorte. Ela ficou tão encantada, dizendo que fazia anos que o Sa Yoon-nim não terminava uma tigela inteira de arroz. A mesa do café da manhã era tão magnífica que o fez se perguntar se ele merecia tanto luxo, e ele experimentou algo chamado Mingau de Leite pela primeira vez.
Além disso, um banquete estava posto, incluindo omeletes enrolados com ovas de pollack, peixe-espada grelhado e polvo salgado. O café da manhã, que era relativamente leve mas limpo no sabor, era uma refeição difícil de encontrar na casa de sua tia.
Seus tios haviam tentado criar os irmãos com o mínimo de privações possível, mas não fora tão fácil quanto desejavam. Para começar, eram um casal que trabalhava e saía cedo de manhã, e suas finanças não eram abundantes. A renda deles mal bastava para se sustentarem, e ainda tinham dívidas de terem ajudado o pai dele no passado.
Não querendo ser um fardo para as pessoas que cuidavam dele com tanto esmero, Dojin geralmente se contentava com arroz simples e kimchi. Ocasionalmente, sua tia via aquilo e se sentia mal, fazendo bulgogi ou outros acompanhamentos para ele, mas a culpa de drenar o dinheiro deles era maior do que a alegria da comida deliciosa.
O preço de um único copo de café americano gelado, que os outros compravam facilmente, era um peso para Dojin. Ele havia se contentado em ser apenas um órfão que não passava fome e tinha um lugar para pousar a cabeça, então sua experiência com várias comidas era extremamente limitada. Também não era comum que ele fosse presenteado com refeições por outros.
Depois de terminar o café da manhã, Dojin levou Yoonyoung e vagou pela mansão procurando algo para brincar. E, milagrosamente, ele recebeu um conjunto de gongi da Madame Ju, um jogo que ele só havia jogado quando era um pirralho ranhento. Era algo em que Dojin não era bom, e por ser um jogo físico simples, Yoonyoung conseguiria aprender facilmente.
— Você é um veterano, moço?
Enquanto espalhava as pedras de gongi no carpete do quarto, Yoonyoung perguntou baixinho. É por isso que não dá com os mais novos. Eles ficam te fazendo de velho por uma diferença de três ou quatro anos.
— Não, sou quatro anos mais velho que você, Sa Yoon-nim. Nascemos numa era parecida.
— Então como você sabe disso?
— Joguei quando era pequeno. Minha irmã mais nova era doente, então enquanto meus pais cuidavam da Doyeon, eu era criado pela minha avó materna no interior.
Diante da palavra “doente”, Yoonyoung olhou para Dojin. Dojin, que vinha espalhando os gongi e tentando lembrar como se jogava, sentiu o olhar e ergueu os olhos.
— Ah, ela está bem agora. Foi há muito tempo.
— Sim, tá.
Ainda assim, como se aquilo ainda o incomodasse, Yoonyoung sussurrou fracamente, como que para si mesmo.
— Você acha que eu me pareço com a sua irmã? Porque você disse que ela era doente?
— Hmm, não. Para começar, minha irmã é uma garota e uma Beta, então ela está bem longe de você, Sa Yoon-nim. A personalidade também é diferente. É só que…
— Então por que você está sendo gentil comigo? É estranho você se dar ao trabalho de encontrar uma coisa dessas, em vez de só jogar videogame como você estava.
Yoonyoung sempre vinha para cima dele de forma inesperada assim. Os olhos que o encaravam se esforçavam para entender algo incompreensível.
Ele é um garoto muito guardado, então faz sentido. Dojin se lembrou de como no dia anterior, também, Yoonyoung havia tentado confirmar a razão pela qual ele continuava ficando ao seu lado.
— Eu te disse ontem. É meu trabalho ser gentil com você, Sa Yoon-nim. Além disso, me pagam bem.
— Esta casa está cheia de gente assim, mas ninguém age como você, moço.
— E a Madame Ju? Ela pareceu incrivelmente gentil. Ela ficou tão feliz que você estava comendo bem, também.
O rosto de Yoonyoung ficou frio. Com olhos complexos e sutis, ele pareceu perder o interesse no jogo, endireitando o tronco e gradualmente apagando a expressão.
— Não. Ela cuida de mim porque é desvantajoso pra ela se eu passar fome ou adoecer. Até quando estávamos descendo pra cá desta vez, ela estava lamentando que tivesse que se separar do jovem mestre mais velho.
Yoonyoung parecia mais farto do que particularmente magoado. A opinião, que conflitava com a impressão de aparência gentil dela, atingiu Dojin como algo estranho. Depois de um momento de reflexão, ele perguntou.
— Sa Yoon-nim?
— Sim. Meu meio-irmão. Não me é permitido chamá-lo de “hyung”.
Era uma declaração bizarra. O termo “meio-irmão” era bastante desconhecido, mas o fato de que ele não tinha permissão para chamá-lo de “hyung” era especialmente estranha.
De repente, os acontecimentos de dois dias atrás lampejaram pela mente de Dojin. A reação severa de Yoonyoung quando lhe disseram para tentar chamá-lo de “hyung” estava relacionada ao que ele acabara de ouvir?
— Que história é essa, o Conto de Hong Gildong? Quem já ouviu falar de uma coisa dessas.
Diante das palavras incrédulas de Dojin, a expressão de Yoonyoung mudou levemente. O rosto seco, como se contasse uma história cansativa, relaxou levemente.
— Você está falando de hobuhyeong?
— Você até sabe expressões idiomáticas de quatro caracteres, Sa Yoon-nim, você é muito inteligente. Dizem que todos os Alfas Dominantes são inteligentes.
— Qual é o problema de uma expressão de quatro caracteres como esta…
Yoonyoung o repreendeu, então observou Dojin com um olhar levemente preocupado.
— Você pesquisou sobre Alfas Dominantes?
— Achei que devia saber sobre eles para te servir bem, então pesquisei na internet, mas não encontrei muita coisa. Pareceu que a maioria das pessoas não acreditava nisso.
Yoonyoung inclinou o tronco na diagonal e começou a dar batidinhas nas pedras de gongi. Seu rosto, encharcado de tédio, era desapegado além de sua idade.
— Teria sido mais fácil se essa porcaria não existisse. É um Traço que é quase inexistente na Coreia, e disseram que sou um caso peculiar entre eles. Meus Feromônios eram tão fortes que meu corpo não conseguia lidar com eles, mas comecei a me adaptar conforme me aproximava da vida adulta.
Não tendo nenhuma resposta particular para as palavras de Yoonyoung, Dojin ouviu em silêncio. Entendi. Então o que eu pesquisei era mesmo verdade.
— Em outros países, o Alfa Dominante em si está na amostra do teste de Traço, então dá pra saber desde o nascimento, mas como nosso país não tem essa amostra, todos só achavam que eu era um Alfa. Meus Feromônios eram mal detectáveis, então havia mais gente como você, moço, que achava que eu era um Ômega.
Não parecia que Yoonyoung trouxera aquilo à tona para culpá-lo, mas Dojin se sentiu mal de novo.
Se havia uma coisa que ele havia aprendido conforme ficava mais velho, era que só porque algo parecia bom pelos seus padrões não significava que fosse uma coisa agradável para a pessoa envolvida. Para Yoonyoung, um elogio como “bonito” era provavelmente um gatilho que se conectava a esse tipo de comentário, então era compreensível que ele desgostasse de alguém como Dojin.
— Faz sentido que você tivesse desgostado de mim desde o começo, Sa Yoon-nim. Eu agi feito um tolo, afinal.
Vendo Dojin refletir sobre aquilo de novo, Yoonyoung balançou a cabeça. Tendo juntado todas as cinco pedras de gongi, ele rolou as pedras coloridas na palma. O som de chocalhar ecoou no quarto.
— Você é honesto, moço. É por isso que eu não desgosto de você. Você é muito melhor que as pessoas que fingem que não estão aqui pelo dinheiro quando estão.
As palavras de Yoonyoung mexeram com algo dentro dele por razões que ele não conseguia explicar.
Isso mesmo. É pelo dinheiro. Eu disse isso ontem, também. Enquanto afirmava aquilo por dentro, uma estranha hesitação surgiu ao se lembrar de Yoonyoung esperando por ele de madrugada.
É realmente tudo sobre o dinheiro…?
Dojin perguntou a si mesmo. Para alguém assim, sua própria atitude tinha alguns aspectos ambíguos. A forma como ele se preocupava que Yoonyoung pudesse tomar uma decisão errada, e a forma como se sentira desapontado quando Yoonyoung concordara que ele estava ficando pelo dinheiro.
Ele desgostava de comportamento indeciso, então era desconfortável se ver agindo tão aéreo. Para se recompor, Dojin murmurou para si mesmo.
Mesmo que haja outra razão, não pense demais nisso. É só mais uma conexão passageira que vai se desvanecer como no passado. Não vamos injetar emoções incertas numa relação material que tem um fim.
— Que alívio.
Isso. Vamos só dizer que estamos conectados apenas pelo dinheiro. É mais confortável para nós dois. Não tenha pensamentos inúteis. Assim como sempre, foque apenas no que é certo e no que vai permanecer.
Sussurrando as palavras que ele sempre repetia para si mesmo sempre que estava prestes a desenvolver um apego persistente, como que se autolavando o cérebro, Dojin sorriu. Como de costume, moderadamente, moderadamente.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello