Capítulo 12
⁺˚⋆。°✩ Capítulo 12
Antes de sair para procurar o celular, Dojin passou pelo alojamento por via das dúvidas.
Assim que saiu da mansão, ele deu de cara com os guardas posicionados perto da entrada. Mesmo vendo-o sair pela porta principal, os homens lhe deram uma breve olhada indiferente antes de silenciosamente manter suas posições. Eles estavam tão imóveis que nem se contraíam.
Embora usassem o mesmo uniforme, a atmosfera entre ele, que estava sob a agência de despacho do Gerente Song, e eles, que eram originalmente vinculados àquele lugar, era nitidamente diferente. Depois de sua experiência com Kim Seok-ju, ele conseguia sentir que cada um deles era intimamente familiarizado com a violência.
A sensação desajeitada de estar num lugar ao qual ele não pertencia o envolveu. Ele se afastou como quem é perseguido, atravessou o jardim deslumbrante e cuidadosamente abriu o portão principal. Originalmente, ele e Sang-hyun deveriam estar no patrulhamento externo, então ele estava preocupado se ele estava bem. Felizmente, ele o viu assim que saiu.
— Veterano.
Eles não eram particularmente próximos, mas depois de tudo o que havia acontecido, Sang-hyun era uma visão bem-vinda. Dojin o chamou baixinho com uma sensação de alívio, e Sang-hyun, que estivera olhando para frente, deu uma olhada em sua direção.
Os olhos de Sang-hyun se arregalaram quando ele avistou Dojin. O homem ao lado de Sang-hyun, que parecia estar substituindo Dojin, também pareceu surpreso.
— Ei, você está vivo? Os rumores eram verdade.
— É ele?
— É. Você não estava aqui quando o mandaram fazer um favor?
— Não, eu estava de plantão.
Depois de uma breve conversa sussurrada, Sang-hyun fez um gesto para ele. Enquanto ele se aproximava com cautela, a expressão de Sang-hyun ficou séria.
— Que diabos aconteceu com você? Os outros caras receberam uma ligação e saíram à noite, então voltaram carregando o chefe de segurança daqui, dizendo que algo havia acontecido. A expressão do Gerente Song também estava super séria.
— Ah.
Parecia ser sobre Kim Seok-ju. Dojin perguntou primeiro o que estava curioso.
— Aquela pessoa não se machucou, né?
— Não sei. Mandaram ele pro hospital, mas ele não parecia ter nenhum ferimento externo. Foi você que fez isso?
— Não. Eu que apanhei feito cachorro.
Quando Dojin bateu na própria bochecha, Sang-hyun examinou seu rosto e assentiu.
— Bom trabalho. Você não sabe em que tipo de encrenca ia se meter se abrisse a boca. Eu te avisei. Essa família é figura importante.
— Ouvi dizer que são gângsteres.
O colega veterano que estava ouvindo a conversa interveio.
Gângsteres… Aquilo parecia provável. Não importava como se olhasse, aquela não era uma turma normal. Enquanto Dojin franzia a testa, a expressão de Sang-hyun ficou séria.
— Você sabe de alguma coisa?
— Eu também não sei. Só saí pra fazer um favor e me envolvi em algo estranho… Te aviso se eu descobrir alguma coisa.
— Você tem que cuidar da sua boca aqui. Não há necessidade de ficar por aí falando, só cuide de você mesmo. Sinceramente, eu estava esperando que você largasse e voltasse.
— Mas aí todo mundo ia ficar numa situação difícil.
— Não sei. Só me dá uma sensação inquietante. Eu sabia no que estava me metendo quando vim, mas ouvindo o que os outros estão dizendo, vai ser uma dor de cabeça quando aquele tal de Kim Seok-ju acordar.
Sang-hyun suspirou. O pensamento dele deixou o humor de Dojin azedo também. Que tipo de merda ele aprontaria quando voltasse e o visse?
Mesmo pensando que o Gerente Park provavelmente o deteria, a sensação inquietante não sumia. Depender do poder de outra pessoa para salvar a própria pele estava longe do caráter de Dojin. Era desconfortável não conseguir proteger e defender a si mesmo como bem entendesse.
— Me avisa se você ouvir alguma coisa mais tarde. Ah, é mesmo. Os caras que foram chamados ontem têm alguma bagagem que trouxeram de volta? Acho que perdi meu celular.
— Ah é, um dos caras que saiu pegou um celular enquanto juntava as sacolas de petisco e álcool. Achei que fosse seu, então guardei. Deixei no seu quarto no alojamento.
— Ha, obrigado. Eu estava surtando achando que tinha perdido.
— Que golpe seria pra um pão-duro como você perder o celular? Me paga uma bebida depois.
— Sim, claro.
— Então, a gente se vê no alojamento depois? Quer tomar uma bebida hoje à noite?
Diante da pergunta de Sang-hyun, Dojin deu um sorriso desajeitado.
— Eu gostaria, mas não sei quando vou conseguir sair de novo. Talvez eu tenha que ir se o Sa Yoon-nim me chamar.
— Uau, você venceu na vida.
O colega que estava ouvindo interveio de novo, invejoso, mas Sang-hyun ainda parecia inquieto. Assentindo para si mesmo, ele deu um último conselho.
— Não sei o que está acontecendo, mas não se envolva demais. A gente é, literalmente, só gente de passagem.
— Sim, obrigado.
Ele não havia pensado que Sang-hyun fosse uma pessoa tão cautelosa, então o viu sob uma nova luz. Você realmente não pode julgar uma pessoa pelo que vê. Assim como Yoonyoung, ao contrário de sua primeira impressão, tinha cada vez mais lados fascinantes conforme você o conhecia.
Enquanto pisava sob o sol escaldante, o calor úmido o envolveu instantaneamente. Ele havia caminhado apenas um minuto ou dois, mas já começava a suar. Era uma temperatura cansativa e enjoativa, mas ao mesmo tempo, era familiar, e Dojin se perguntou se ficar naquela mansão era realmente a coisa certa. Especialmente depois de ouvir o conselho de Sang-hyun.
Mas…
Quando pensava em Yoonyoung, isolado sem ninguém da sua idade, sua hesitação perdia o rumo. Essa hesitação logo diminuiu quando ele pensou no dinheiro que viria, e quando imaginou o futuro de Doyeon esperando por ele em casa, tornou-se esperança.
Sacudindo as preocupações inúteis, Dojin se dirigiu aos aposentos. Ao entrar em seu quarto, onde havia deixado a bagagem, seu celular chamou sua atenção. Ele foi até a cama e rapidamente o ligou. Exatamente como havia esperado, havia mais de dez chamadas perdidas da irmã.
Ele checou apressadamente, e seu KakaoTalk e suas mensagens de texto estavam cheios de um tom preocupado e choroso. Como irmãos que se contatavam toda noite para se atualizar, a preocupação de Doyeon era natural.
Ele rapidamente fez uma ligação, e Doyeon atendeu antes mesmo do primeiro toque terminar. Ele estava prestes a cumprimentá-la quando uma voz inesperada veio do outro lado.
─Dojin, é você, Dojin?
Um pressentimento o invadiu diante do tom urgente de sua tia.
— Sim, tia. O que houve? Cadê a Doyeon?
─Ai, graças a Deus. Pensei que algo terrível tinha acontecido. Você está bem, né?
— Sim, sim.
─Então não se assuste e escute com atenção. Não é nada sério, mas a Doyeon se sentiu tonta ontem à noite, então viemos para o hospital. Estou te contando porque você deveria saber, mas absolutamente nada está errado. Entendeu?
Conforme sua tia continuava a falar, suas mãos e pés esfriaram.
Ao contrário do pai saudável, Doyeon havia puxado à mãe, que falecera de uma doença, e tinha uma constituição fraca. Talvez por isso, ela havia sofrido de leucemia linfoblástica aguda quando criança. Felizmente, a sorte estava do lado dela e ela agora estava declarada completamente curada, mas os custos do tratamento haviam colocado a família em dificuldades financeiras.
A razão trivial pela qual Dojin havia aprendido a lutar era que ele queria espantar todas as crianças que zombavam de sua irmãzinha doente. Ele encontrou sua aptidão no judô, que começou daquela forma, e seus pais, talvez se sentindo mal por só darem atenção a Doyeon, o haviam apoiado apesar do aperto. Naturalmente, Dojin acabou se preparando para se tornar um atleta profissional.
Ainda assim, aqueles haviam sido tempos felizes. Seus pais faziam o melhor para viver suas vidas enquanto cobriam os irmãos de amor. Embora tivesse crescido na pobreza, ele havia recebido mais que o suficiente de amor em troca, então Dojin, herdando o coração dos pais, sempre havia querido proteger Doyeon. Aquele era seu papel como irmão mais velho.
— …Tia, não é uma recidiva, é?
─Não, não é. Vamos fazer exames, é claro, mas o prognóstico não é esse. Além disso, recidiva depois de uma recuperação completa não é comum, você sabe. A Doyeon tem estado tão saudável ultimamente. Acho que ela só perdeu as energias se preocupando porque não conseguia entrar em contato com você ontem. Você estava muito ocupado, né?
— Sim, me desculpe muito. Se a Doyeon estiver aí, você poderia passar pra ela?
─Claro.
Assim que ele ouviu a voz da tia dizer “Doyeon, é o seu irmão”, a voz tagarela de Doyeon ressoou. À primeira vista, ela soava alegre, e o sangue finalmente começou a circular em seu coração, que estava congelado feito pedra. Soltando um suspiro trêmulo, Dojin esperou ansiosamente que o telefone fosse passado, e logo, Doyeon chamou seu nome.
─Oppa!
— Doyeon.
No momento em que ele ouviu a voz radiante dela, a ponta do nariz ardeu. Ele quis ir até ela e abraçá-la naquele instante.
─Por que eu não consegui te ligar ontem? Fiquei tão preocupada. Você nunca tinha feito isso, então fiquei com muito medo de que algo tivesse acontecido com você. Você está bem?
— Sim, desculpe. As coisas estavam um pouco corridas aqui, então não consegui checar meu celular ontem. Desculpe. Você está bem?
─Fiquei tonta e desmaiei de tanto me preocupar com você. Assuma a responsabilidade!
Então ela deu uma risadinha, e Dojin, com o rosto numa mistura de choro e riso, sussurrou afetuosamente.
— Sim, faço qualquer coisa por você. Eu devia pagar um preço alto por deixar a nossa Doyeon doente. Compro qualquer coisa que você quiser.
─Lá vem você exagerando de novo. Eu estava preocupada, é verdade, mas você está ocupado com o trabalho. Sei que tudo é difícil pra você por minha causa. Não estou realmente doente em lugar nenhum, e só fiquei tonta por um momento ontem, então não fique deprimido à toa. Entendeu, Jin Dojin?
— Pode apostar.
Acompanhando o tom brincalhão de Doyeon, Dojin fez uma voz, mas não estava tranquilo.
— Ainda assim, a partir de hoje, não esconda como você está se sentindo. Me conta tudo. Se você estiver nem que seja um pouquinho doente, eu subo na hora.
─Seu trabalho não é de três meses? Não se preocupe com coisas inúteis. Eu tenho a tia e o tio, então não há nada pra você fazer mesmo que venha. Em vez disso, me conta do seu trabalho. Como está? É difícil?
Doyeon tinha razão. Por ora, ela estava dizendo que estava bem, e mesmo que ele subisse até lá imediatamente, não havia nada que ele, não sendo médico, pudesse fazer. Pensando racionalmente, fazia muito mais sentido ganhar dinheiro ali e se preparar para quaisquer circunstâncias imprevistas.
A leve hesitação que havia permanecido até um momento atrás desapareceu naquele instante. Ele tinha que, absolutamente tinha que ficar ali.
— O trabalho está bem. É entediante e quente, mas sinceramente, é fácil. Vou ganhar muito dinheiro aqui, então vamos comer algo gostoso quando eu voltar. Também tenho dois dias de folga todo mês, então subo nessa época.
─Tá, as pessoas aí são de boa?
Uma imagem de Yoonyoung lampejou em sua mente. Yoonyoung, que aparentemente estava doente há muito tempo, e Doyeon eram coincidentemente da mesma idade, e a sobreposição momentânea de suas situações revirou seu estômago. O fato de crianças tão jovens estarem doentes atormentava Dojin.
— Como sempre, tem alguns caras idiotas, mas a pessoa que estou protegendo é super fofa. É um garoto da sua idade.
─Ele tem a minha idade e tem guarda-costas? Ahaha, ele deve ser um filhinho de rico. É bonito?
— É. Absurdamente bonito. Muito bonito. É o seu tipo.
─Então me apresenta. Você sabe que tenho uma queda por garotos bonitos, né?
— Isso é um pouco demais, Doyeon. Ele não é alguém de quem um plebeu como a gente pode se aproximar.
Doyeon deu um muxoxo. Era obviamente uma brincadeira, pois ela riu e disse num tom leve, “Eu também quero viver uma vida de luxo”, antes de continuar com suas perguntas.
─Me mostra uma foto depois. Pra você dizer que ele é bonito, ele deve ser mais bonito que a maioria das celebridades. Geralmente, por mais bonita que seja uma pessoa, você só diz que ela é “de boa” e pronto.
— Isso é porque, aos meus olhos, a Doyeon é a mais bonita.
─Então eu sou mais bonita que ele?
Normalmente, ele teria dito “Claro”, mas uma hesitação bem breve tremeluziu por ele. A aparência de Yoonyoung tinha, como diria, uma qualidade como a de uma bela escultura. Era uma aparência tão suave e perfeitamente cinzelada que, uma vez que você olhava, era difícil desgrudar os olhos.
— Você está perguntando o óbvio.
─Oppa, você hesitou por um segundo. Vou lembrar disso.
Infelizmente, a conversa trivial e agradável com Doyeon não durou muito. Ele ouviu vagamente uma enfermeira chamando, e Doyeon falou com um toque de desapontamento.
─Desculpa, tenho que ir fazer um exame. Te mando mensagem quando terminar, então você trabalha bastante também, oppa. Força!
— Tá, Doyeon. Eu te amo.
─Eu também te amo, meu irmão preocupado.
A ligação terminou abruptamente. Parado atônito no quarto silencioso, Dojin encarou o celular por um longo tempo.
Seria mentira dizer que ele nunca havia se preocupado nem uma vez que uma situação como aquela poderia surgir. Mas Dojin, mesmo que deliberadamente, escolhia acreditar que Doyeon viveria uma vida feliz sem adoecer. Pensando dessa forma, ele havia dedicado a vida inteira a Doyeon.
Porque, para Dojin, Doyeon era a única coisa que lhe restava.
⁺˚⋆。°✩₊✩°。⋆˚⁺⁺˚⋆。°✩₊✩°。⋆˚⁺
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello