Capítulo 10
⁺˚⋆。°✩ Capítulo 10
A sala do terceiro andar, talvez por causa do frágil Yoonyoung, tinha uma parede inteira feita de uma enorme janela panorâmica. Graças a ela, a luz do sol jorrava com tamanha intensidade que, mesmo com o ar-condicionado ligado, fazia bastante calor.
A ausência sequer de uma cortina era um sinal claro de que aquela não era uma casa em que as pessoas viviam. Empoleirado no sofá, Dojin sutilmente se sentou no lado mais próximo da janela para bloquear a luz para Yoonyoung, que não parecia lidar bem com o calor.
Mas, mesmo sem a luz do sol ardente jorrando sobre ele, Yoonyoung estava franzindo a testa. Ele vinha fazendo aquela cara havia cerca de três horas e, assim que Dojin marcou o gol final, ele fechou a boca e largou o joystick.
— Ora, ora. Parece que ganhei de novo. Minhas desculpas.
Dojin falou da forma mais humilde possível, escondendo o sorriso. Na larga TV de 75 polegadas, um famoso jogador de futebol corria com um sorriso radiante.
Os dois vinham grudados no jogo de futebol, um obrigatório sempre que os caras se reúnem, por quase meio dia. Infelizmente, Yoonyoung não havia conseguido vencer Dojin uma única vez.
— Quer jogar de novo?
Diante da pergunta gentil de Dojin, Yoonyoung apertou o botão de ligar/desligar no controle remoto da TV como se estivesse fazendo birra. Depois de desligar a tela impiedosamente, Yoonyoung se esforçou ao máximo para não parecer ressentido e perguntou.
— …Você não está trabalhando pra mim?
— Bem, na prática, sim.
— Então por que você não me deixou ganhar nem uma vez? Um adulto, e ainda por cima mais velho?
— Uma vitória conseguida assim não vale nada, Sa Yoon-nim. Isso é coisa que se faz para crianças pequenas.
Você tem que desligar o PlayStation direito para não estragar. Deixá-lo no modo de repouso faz ele quebrar facilmente.
Mesmo pensando isso, Dojin manteve a boca fechada, não querendo provocar Yoonyoung, que se esforçava para conter a frustração. De qualquer forma, não era a máquina dele, e para uma família rica, comprar outro console não seria nada demais.
— Você só comia e jogava videogame o tempo todo?
— Quando os caras se juntam, o que mais tem pra fazer além de beber ou jogar videogame?
Contanto que não houvesse grandes consequências, Dojin não era do tipo de recusar nada de graça, então ele era frequentemente chamado aqui e ali durante seus tempos de escola. Já que passava muitos dias jogando videogame com os outros, ele sabia jogar a maioria dos jogos famosos.
— Não vou jogar mais. Não é divertido.
Verdadeiramente emburrado, Yoonyoung recostou-se no sofá e pegou o celular. Tendo perdido por três horas seguidas, era compreensível que estivesse chateado. Na verdade, foi um testemunho de sua natureza branda o fato de ter parado por aí.
Antes do jogo de futebol, Dojin havia jogado dois famosos jogos de luta, e havia derrotado Yoonyoung completamente naqueles também. Se tivessem jogado um jogo de AOS ou FPS, aquilo não teria acontecido, mas infelizmente, a única coisa que podiam jogar juntos era o console. A menos que houvesse outro desktop naquela casa, não havia outro jeito.
Dojin sabia, de longa experiência, que jogar a sério, em vez de pegar leve com alguém, era o que acendia seu espírito competitivo. Ele havia tentado manter num nível razoável, mas parecia que Yoonyoung simplesmente não era muito bom de jogo.
Refletindo sobre o tempo que havia passado, uma sensação tardia de constrangimento floresceu. Como Yoonyoung dissera, ele sentiu um arrependimento tardio, se perguntando se realmente havia precisado ganhar de um garoto.
— Sa Yoon-nim, você está com raiva?
— Não. Só é que eu normalmente não jogo videogame, então acabou ficando chato.
Quando Dojin assentiu com uma expressão benevolente, Yoonyoung jogou o celular para baixo com força. Seus olhos castanhos, cheios de ressentimento, encararam Dojin.
— Eu estava jogando todos aqueles pela primeira vez hoje.
— Ah… é mesmo? Você devia ter dito. Como você sabia os controles?
Vendo seu rosto genuinamente mortificado, aquilo parecia ser verdade. A julgar pela personalidade que ele havia visto nos últimos dois dias, Yoonyoung não parecia o tipo de mentir, e Dojin começou a se sentir cada vez mais culpado.
— Como eu podia dizer isso? É constrangedor.
— Por que é constrangedor?
— Achei que fosse ser melhor que você, Moço, já que sou mais novo.
— Ei, qualquer um pensaria que há uma diferença de idade enorme entre nós. Estou na casa dos vinte e poucos, sabia?
— Dizem que você já está na casa dos vinte e cinco assim que sua idade tem uma consoante “shi-ot”.
Dojin ficou sem palavras diante da réplica de Yoonyoung com alguma curiosidade inútil que ele havia escutado em algum lugar. Ele estava lentamente se acostumando com o título “Moço”, mas ser chamado de meados dos vinte pegou um pouco pesado.
— Deve ser bom, Sa Yoon-nim. Ser um garotinho vigoroso e promissor.
— Já sou quase adulto.
— Quantos anos você tem?
— Sou veterano do ensino médio.
Diante da idade que Yoonyoung lançou, Dojin soltou um suspiro satisfeito. Ele havia pensado que ele podia ter mais ou menos a idade de Doyeon, e descobriu que eram da mesma idade.
— Sa Yoon-nim, você tem a mesma idade da minha irmã mais nova.
— …Você tem uma irmã?
Yoonyoung perguntou, então continuou de forma emburrada, como se tivesse percebido algo.
— Faz sentido. Então é por isso que você fica me tratando como criança.
— Não, mas você é uma criança, Sa Yoon-nim.
Diante da palavra “criança”, Yoonyoung franziu a testa como se tivesse ouvido algo horrível. Seus lóbulos das orelhas ficaram vermelhos, igualzinho a quando Dojin havia tocado a área de seu olho antes e, parecendo extremamente atrapalhado, ele de repente se deslocou para a ponta mais distante do sofá.
— Eu já disse, vou ser adulto logo.
— Eu sei. Mas eu sou um moço, sabe. Da perspectiva de um moço, você é uma criança.
Enquanto Dojin sorria abertamente, virando o título de que acabara de reclamar contra ele, Yoonyoung estremeceu. Como se não pudesse acreditar no que acabara de ouvir, ele cobriu as orelhas avermelhadas e pegou o celular de novo, fingindo olhar a tela.
Sua aparência envergonhada era bem fofa, e um impulso travesso surgiu em Dojin. Ele se perguntou se era certo agir daquela forma com alguém que era praticamente seu empregador, mas sentindo que Yoonyoung estava deixando-o se safar em vez de afastá-lo com uma aspereza afiada como no dia anterior, seu lado brincalhão continuava a aflorar.
— Você está ocupado demais mandando mensagem para a namorada pra ouvir este velho moço?
— Você soa que nem um coroa. Pare com isso.
— Agora sou um Ahjussie um coroa… Estou conquistando muita coisa aos vinte e três, eu.
Quando Dojin, longe de recuar, se aproximou astutamente, Yoonyoung rapidamente escondeu o celular. Então, parecendo enojado, ergueu a voz.
— Se afasta de mim, coroa.
— Sinceramente, se estamos falando de mentalidades flexíveis, você é o mais conservador, Sa Yoon-nim. Eu, por outro lado, tenho uma alma bem jovem, você poderia dizer. Você está envergonhado porque eu mencionei sua namorada? Você deveria confidenciar sua vida amorosa aos seus irmãos mais velhos.
— Eu não tenho namorada…!
Dojin finalmente caiu na gargalhada. No dia anterior, ele havia parecido alguém de um mundo distante, até assustador, mas naquele momento, Yoonyoung era um estudante do ensino médio dos pés à cabeça.
Então é por isso que as pessoas namoram caras mais novos. Eles têm um lado fofo.
O pensamento fugaz fez Dojin se sentir desajeitado. Ele ouvira dizer que, na faculdade, os veteranos estavam sempre dando em cima dos calouros, e ele sentiu que havia se tornado um deles. Ele merecia ser chamado de coroa.
Tendo tomado para si a tarefa de se arrepender, Dojin pigarreou com um “hhm, hhm”, e Yoonyoung, com uma expressão terrivelmente injustiçada, estendeu o celular. Nele, havia gatos sentados numa varanda de madeira, balançando os rabinhos.
Era um jogo com gráficos fofos que Dojin já havia visto uma vez. Era um dos jogos que sua irmã havia lhe mostrado quando estava baixando todo tipo de coisa, dizendo que queria criar um bichinho de estimação.
— Isso é o que eu estava fazendo.
— Uau, você joga jogos bem fofos, Sa Yoon-nim. Você gosta de gatos?
Esperando ser provocado, Yoonyoung piscou os cílios diante da reação genuinamente curiosa de Dojin. Os gatos que se moviam na tela eram bem fofos, então Dojin examinou o celular com um sorriso, e Yoonyoung, observando-o em silêncio, murmurou.
— Não é que eu goste particularmente de gatos…
— Você é meio parecido com um gato, Sa Yoon-nim.
— Isso é um insulto?
— Ainda não criei coragem para insultar meu chefe. Falo como um elogio. Que você é fofo.
É claro, o significado de “fofo” omitia a parte de como, quando você se aproxima, eles levantam o rabo, bufam, e até arrepiam o pelo. Mas também era verdade que ele era fofo, então ele não estava mentindo.
— …Você também se parece com uma coisa, Moço.
— O que é? Uma celebridade? Afinal, eu sou bonito.
— Que insuportável…
Yoonyoung arrancou o celular de volta. Dojin deu de ombros.
— Eu sei que sou bonito, não posso mentir sobre isso.
Então Yoonyoung estudou Dojin com um olhar estranho antes de soltar uma única frase.
— Você deve viver da beleza.
— Bom, ouço isso bastante.
Na realidade, ele nunca havia ficado sem uma Ômega, então não podia negar. Ele também nunca havia amado de verdade ninguém. Então suas ações de dar apenas o corpo em vez do coração não eram exatamente morais.
Mas, desde que os Traços se manifestaram, relações como parceiros de sexo haviam se tornado mais aceitas na Coreia. Conforme a sociedade se tornava mais aberta, as pessoas não condenavam mais abertamente isso.
— Você deve ter namorado muitas pessoas, Moço.
— Um bocado. Você também namorou bastante, né, Sa Yoon-nim?
Diante disso, Yoonyoung o encarou com um olhar de genuína incredulidade.
— Você não ouviu o que eu disse antes? Não vou namorar ninguém a menos que eu vá me casar com a pessoa.
— Uau… Não percebi que isso significava que você nunca teve um parceiro antes. Os garotos de hoje em dia não são rápidos? Ouvi dizer que muitos deles até têm o Rut antes de virarem adultos.
Diante da menção da palavra Rut, os lóbulos das orelhas de Yoonyoung ficaram vermelhos de novo. Ele se levantou de um pulo como se tivesse ouvido algo indecente.
— Não quero falar sobre isso.
— Ah, entendi. Desculpe.
Quando voltou a si, Dojin percebeu que estava tratando Yoonyoung como se tivessem se conhecido num ambiente privado. Porque Yoonyoung havia sido mais receptivo do que o esperado, Dojin havia ultrapassado um limite sem perceber. Ele não devia estar fazendo aquilo.
Por que eu fico fazendo isso? Não havia necessidade de fazer esse tipo de pergunta.
Repreendendo-se rapidamente, Dojin apressou-se atrás de Yoonyoung, quebrando a cabeça em busca de algo que pudesse despertar seu interesse.
Ele tentou pensar em atividades que pudessem fazer juntos, além de coisas como videogames que exigiam um alto nível de habilidade. Se estivessem na cidade, poderiam tentar uma variedade de coisas, mas não havia muito o que fazer num vilarejo esquecido.
Enquanto ele ponderava, o som de passos subindo a escada ecoou. Logo, a Madame Ju, que havia guiado Dojin naquela manhã, viu os dois e falou gentilmente.
— Vocês dois, é hora do almoço. Vocês devem estar se divertindo tanto que perderam a hora da refeição.
— …Não tenho apetite.
Yoonyoung, com o rosto desprovido de qualquer apetite, recusou a oferta da Madame Ju, mas Dojin o persuadiu.
— Sa Yoon-nim, você ainda não está em fase de crescimento? Você tem que comer bem nessa idade para crescer.
— Ai, meu Deus.
Aparentemente não desgostando do atrevimento de Dojin, a Madame Ju deu uma risadinha, ho ho. Yoonyoung, que estava prestes a entrar no quarto, mais uma vez encarou Dojin com uma expressão atônita.
No dia anterior, ele teria pensado que aquilo era simplesmente grosseria, mas hoje parecia completamente diferente. Ele até começava a achar aquilo fofo, então Dojin apenas sorriu. Quando ofereceu seu sorriso publicamente aclamado e refrescante, Yoonyoung finalmente mudou de rumo.
Não achei que ele realmente fosse seguir um comentário que joguei de brincadeira. Acho que ele é consciente da altura. Ele tem mais de 1,80 m, o que não é baixo, mas deve querer crescer mais, pensou Dojin, sorrindo gentilmente. A inexplicável sensação de decepção de antes pareceu diminuir um pouco.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello