Capítulo 06
⁺˚⋆。°✩ Capítulo 06
O carro, que vinha avançando ferozmente em direção a eles, foi gradualmente desacelerando ao avistar a luz. O som dos pneus na estrada de terra rangeu, e então o carro parou diante deles.
— Sa Yoon-nim!
Assim que o carro parou, pessoas se precipitaram para fora. Do banco do motorista, o homem chamado Gerente Song, e do banco de trás, o homem que havia vindo com Yoonyoung durante o dia. O rosto pálido de Yoonyoung, refletido nos faróis, contorceu-se de desconforto.
— Você está bem? Por que diabos você saiu de casa, é perigoso!
O homem que saiu do banco de trás correu direto para Yoonyoung e o repreendeu. O Gerente Song, com o rosto mortalmente pálido, franziu a testa ao ver Dojin parado ao lado dele. Justo quando estava prestes a abrir a boca, a porta do carona se abriu com força e um homem grande saiu disparado.
Ah. Aquela pessoa. Eu o vi de manhã assim que cheguei à propriedade. Ele não havia ouvido o nome, mas o Gerente Song lhe dissera que ele era um guarda-costas trazido pela família de Yoonyoung. Ele não era um funcionário como Dojin ou o Gerente Song, então havia ficado dentro da propriedade, e portanto não houvera chance de vê-lo direito.
Ele estava prestes a cumprimentá-lo rapidamente, mas um Feromônio raivoso investiu contra ele de forma ameaçadora. Foi uma ação inesperada, mas Dojin parou por ora. O homem que se aproximava agarrou Dojin pelo colarinho sem uma palavra.
— Você, seu desgraçado. Foi você que tirou o Sa Yoon-nim daqui?
O desprazer engasgou em sua garganta. Sorrir numa situação como aquela só seria uma provocação, então Dojin acalmou a expressão e abriu a boca.
— Não, eu esbarrei com ele enquanto estava fora fazendo um favor.
— O quê? Você acha que fez algo certo, respondendo assim pra mim? Se você o encontrou, então devia tê-lo trazido de volta imediatamente, seu filho da mãe!
A sacola caiu no chão enquanto o homem o sacudia pelo colarinho. Dojin, que deu uma olhada nos petiscos rolando pelo chão, sentiu uma onda de raiva. Para ser honesto, a culpa não era dele, mas deles.
— Nossa missão é o patrulhamento externo, e a proteção do Sa Yoon-nim não era trabalho da equipe de dentro da propriedade? Você devia estar bravo com a equipe que nem sabia que um estudante do ensino médio havia escapado, não entendo por que está fazendo isso comigo.
O rosto do Gerente Song, que estava observando, ficou branco. O homem ficou em silêncio por alguns segundos depois de ouvir a resposta de Dojin, e então finalmente gritou, os olhos revirando até mostrar o branco.
— Seu filho da puta.
A mão no colarinho recuou. Dojin, pressentindo um mau agouro, debatia se devia dar um passo para trás, mas sem lhe dar chance, uma mão como uma tampa de caldeirão estapeou sua bochecha.
Tapa!
Uma força pesada e concentrada atingiu o rosto de Dojin. Sua visão vacilou por um momento, e seu corpo cambaleou. O interior de sua boca devia ter se rompido, pois ele sentiu o gosto azedo de sangue na ponta da língua. Ele não caiu, tendo meio que antecipado o golpe, mas a força do impacto foi tão grande que ele pensou que seu nariz também estava sangrando.
Ha…
Dojin piscou por um momento e recuperou o fôlego. Ele tivera o pressentimento de que poderia apanhar, mas independentemente de sua previsão, a sensação foi horrível. Ele mesmo trouxera aquilo para si por não simplesmente ter ficado de boca fechada, o que teria sido o meio-termo.
Sinceramente, aquilo não era nada dele. Tudo o que aconteceu naquele dia foi assim. Ele normalmente era do tipo que deixava as coisas fluírem como bem entendessem, e sabia muito bem que numa sociedade hierárquica como aquela, manter a boca fechada era o jeito de ganhar dinheiro.
Mas ele estava de mau humor. Era porque a situação mostrava claramente o quão pouco interesse eles tinham em Yoonyoung, a ponto de nem saberem que ele havia saído da propriedade. Era ainda mais assim depois de ouvir aquele garoto dizer com a própria boca que ninguém se preocupava com ele. Se eles eram a equipe de guarda-costas que veio com ele, significava que eram os que originalmente serviam a Yoonyoung, mas o fato de só terem descoberto que ele havia sumido depois de uma hora ter passado…
Os arredores mergulharam num silêncio momentâneo na atmosfera que se intensificava rapidamente. Dojin cuspiu sangue e deu uma olhada em direção a Yoonyoung. O rosto iluminado pelos faróis estava mortalmente pálido. Não era uma boa cena para um garoto ver, então Dojin decidiu parar por ali. Sua posição não era nada, de qualquer forma.
— Desculpe. Eu falei o que não devia.
Orgulho não ajuda em nada na vida. Dojin endireitou a postura e se desculpou. Mas, como era de se esperar, o homem grande não pareceu querer deixá-lo ir assim tão fácil.
— Seu filho da puta, você acha que dizer “desculpe” agora resolve tudo? Hã? Você acha que pode simplesmente abrir a boca e se safar? Ei, você. Você trouxe esse desgraçado pra cá, não foi? Você trouxe esse tipo de cara? Você está fora de si?
O fogo agora se voltava para o Gerente Song.
— Desculpe. Vou mandá-lo de volta imediatamente.
— Porra, vocês todos acham que um simples “desculpe” conserta tudo. Esse cara, aquele cara, vocês todos levam a vida numa boa danada.
Como se tentasse aproveitar aquela oportunidade para descarregar sua raiva, o homem grande continuava a fazer um escândalo. O homem de meia-idade parado ao lado de Yoonyoung, que claramente havia contratado todos eles, observava a situação com olhos indiferentes. Normalmente, alguém já teria intervindo para parar aquilo a esta altura, mas o fato de ele estar deixando acontecer provava que, exatamente como o veterano Sang-hyun havia dito, aquele não era um lugar normal.
— Eu agi por conta própria. O Gerente Song não tem nada a ver com isso.
Diante disso, o olhar que havia se voltado para o Gerente Song disparou de volta para Dojin, assassino. Os olhos do homem faiscaram. Não era só que ele era teimoso e tinha uma personalidade de merda; aqueles eram os olhos de um homem que havia espancado pessoas inúmeras vezes, e talvez feito coisas ainda piores.
— Um desgraçado que sabe tanto.
O homem ergueu a mão novamente. Dojin observou a palma se aproximar e, por um breve momento, se perguntou se não devia simplesmente revidar, já que estava demitido de qualquer forma.
Tapa!
— Aonde diabos você pensa que vai, botando a culpa nos outros, seu pedaço de merda? O quê? Não é culpa sua, é culpa nossa?
Tec, tec, os sons ecoavam um após o outro. Seu crânio zumbia, e sua cabeça latejava como se seu cérebro estivesse rolando lá dentro. Mais do que dor, a sensação em sua pele desaparecia, sua visão lampejava branca, e o gosto azedo da raiva enchia sua boca.
Quanto mais ele apanhava, mais frio ficava seu coração. Justo quando os punhos de Dojin começavam a se cerrar com força, um grito, como um berro, ressoou.
— Pare com isso! Eu disse, pare!
Yoonyoung gritou enquanto corria até eles. Seu rosto estava pálido, como se a cena baixa e movida a instinto tivesse assustado o rapaz.
O homem que vinha batendo em Dojin fez uma pausa por um momento, como se não esperasse que ele fosse intervir. Mas não demonstrou nenhum sinal de concordância. Em vez disso, olhou para Yoonyoung de cima como se ele fosse um inseto irritante. O olhar de cima para baixo era condescendente.
— Sa Yoon-nim, o senhor deveria ficar fora disso. Não, que Sa Yoon-nim que nada. Ei, você é quem tornou isso um transtorno para todo mundo ao sair de casa. Isso não é da sua conta pra você se meter, então fique quietinho. Antes que eu conte ao Presidente.
O homem de meia-idade que estava parado ao lado de Yoonyoung também pareceu concordar, caminhando lentamente para deter o rapaz.
— Sa Yoon-nim, vamos agora. Nós cuidamos das coisas por aqui.
— Fui eu que saí, então por que outra pessoa está apanhando? Aquela pessoa não fez nada de errado. Não há necessidade de ir tão longe só porque eu saí de casa por um pouco!
— Espera, Sa Yoon-nim.
O homem de meia-idade o chamou baixinho. Sua voz severa não continha preocupação, mas intimidação. Ao ouvir aquilo, o homem grande, achando que a situação estava mais ou menos sob controle, afastou a mão de Yoonyoung com um tapa e agarrou Dojin pelo colarinho. Percebendo que estava prestes a ser arrastado para a trilha isolada da floresta, o Gerente Song o seguiu apressadamente.
— Senhor Kim Seok-ju, me desculpe. Mas ele ainda é jovem e cometeu um erro, então não pode deixar passar só desta vez? Vou garantir que segure a rédea curta nos caras que sobraram para que isso nunca mais aconteça. Então se o senhor pudesse deixar por isso mesmo…
— Cala a boca se não quiser morrer.
A paciência de Dojin acabou ali. Qual era o sentido de aguentar aquilo como um idiota se ele já estava demitido? Com tantos olhos observando, será que eles realmente iriam matá-lo? Por mais que fossem uma turma de bandidos, matar alguém por algo tão trivial faria deles verdadeiros imbecis. Não era como nos velhos tempos, em que as coisas podiam ser facilmente encobertas.
— Uau, ainda bem que tive a previdência de falar com a senhora do mercadinho mais cedo.
De qualquer forma, seria difícil escapar de um vilarejo esquecido como aquele, então Dojin decidiu usar a cabeça primeiro. Diante de suas palavras afiadas, o homem grande desviou a atenção do Gerente Song. Não importava como se olhasse, ele era só um idiota esquentado.
— O que você acabou de dizer?
— Não pensei que vocês fossem espancar alguém assim por causa de uma coisa dessas. Mas, por via das dúvidas, disse a ela para avisar a polícia se eu não aparecesse amanhã e dei minhas informações pessoais.
Era uma mentira completa, mas Dojin blefou com toda a força. Felizmente, sua mentira funcionou. O homem de meia-idade, que estivera espectador o tempo todo, suspirou irritado e deteve o homem chamado Kim Seok-ju.
— Seok-ju, já basta. Não cause problema desnecessário, vamos só embora.
— Não, Chefe. Esse desgraçado está nos olhando de cima como se fôssemos nada. As pessoas que moram aqui são só uns poucos velhos, e o senhor está me dizendo para recuar porque tem medo disso?
O homem grande não demonstrou nenhum sinal de recuar, aparentemente enfurecido por ter sido contrariado. Quando Dojin tentou soltar a mão dele, Kim Seok-ju soltou um grito convulsivo e o jogou no chão com força brutal. Dizem que não há uma única pessoa sã entre os que dão socos, e aquele homem parecia ser o exemplo perfeito.
Como esperado, o homem grande ergueu o pé. O pé enorme mirou direto em sua cabeça, como que para não lhe dar tempo de desviar.
Vendo o movimento sem hesitação, ele sabia que poderia estar em apuros de verdade se fosse atingido. Ele podia levar uma surra razoável e deixar as coisas se acalmarem, mas não podia simplesmente ficar deitado ali e se machucar seriamente. Sua única e amada irmãzinha estava esperando por ele; não valia a pena arruinar sua vida por uma diária de 300 mil wones.
No fim das contas, Dojin decidiu agir. Ele apressadamente bloqueou o pé que voava em direção à sua cabeça com o antebraço. Ignorando a dor que atravessou seu músculo e chegou até o osso, ele agarrou o pé que descia pisoteando novamente. Enquanto Seok-ju, que murmurava “Porra”, perdia o equilíbrio, Dojin torceu o corpo para desviar, então instantaneamente se levantou e jogou o corpo contra ele.
— Eu disse pra parar!
Dizem que não há como vencer contra um grupo, mas como tanto o Gerente Song quanto o homem de meia-idade pareciam estar só observando, Dojin julgou que era melhor conter a situação e correr.
Empurrado com força por Dojin, Seok-ju cambaleou para trás. Dojin foi atrás, golpeando o queixo de Seok-ju com um punho carregado. Tec, o som de carne colidindo ressoou alto enquanto ele caía. Como se nunca esperasse um contra-ataque, Kim Seok-ju gritou: “Você, seu maluco.”
Dojin se lançou para subjugar o berrante Seok-ju. Como um golpe de imobilização, ele prendeu com força o braço e o pescoço de Seok-ju com ambos os braços. Enquanto Dojin pressionava impiedosamente para garantir que seu braço não pudesse escapar, o corpo grosso de Seok-ju se contorcia. Gorgolejando, Seok-ju, que claramente não vinha brigando à toa, resistia com todo o corpo, tentando se libertar.
Mas os golpes de imobilização de Dojin eram famosos até entre lutadores profissionais. Sua força tenaz e agarradora era formidável, e ele não abria mão de sua posição facilmente, nem mesmo com uma diferença de categoria de peso.
Só nocauteá-lo e correr. Por ora, correr e pensar depois.
Enquanto Dojin calculava com olhos frios o tempo que levaria para estrangulá-lo até a inconsciência, algo frio tocou a nuca de seu pescoço. Sobressaltado, ele estremeceu e deu uma olhada no pescoço para ver um pedaço de metal. A lâmina, reluzindo em azul, parecia ameaçadora o suficiente para perfurar carne facilmente à primeira vista. Definitivamente não era algo que uma pessoa comum carregaria.
— Rapaz, você deveria ter parado quando eu estava sendo tolerante.
Tão perto que o menor movimento perfuraria sua garganta, Dojin apenas revirou os olhos para olhar a pessoa que falava. O homem de meia-idade que estivera observando ao lado de Yoonyoung estava agora parado ao seu lado com um sorriso.
— Gerente Song, limpar essa bagunça é sua responsabilidade.
— Ch-Chefe…
O rosto do Gerente Song estava branco, como se ele não pudesse imaginar que algo assim fosse acontecer. Era óbvio que ele queria sair dali imediatamente. Dojin sentia o mesmo. Ele queria se afastar daqueles malucos desgraçados. Sério, uma faca numa briga de socos!
Aproveitando a pausa de Dojin, Seok-ju xingou e o empurrou para longe. A lâmina roçou o pescoço de Dojin com uma ferroada gélida, deixando uma linha vermelha. Uma dor aguda raspou pela nuca de seu pescoço.
— Esse desgraçado é louco de verdade!
Seok-ju, incapaz de suportar o fato de ter sido subjugado, avançou num frenesi. Decidindo que não podia mais ficar ali, Dojin se impulsionou do chão para correr, mas Seok-ju agarrou seu tornozelo como um fantasma vingativo.
Perdendo o equilíbrio, Dojin rolou na terra. Os Feromônios de Seok-ju, que se erguia ferozmente, o inundaram primeiro, e ao mesmo tempo, uma sombra violenta caiu sobre ele. Um pé pesado estava diante de seu rosto num instante.
Ah, que droga.
Ele teve o pressentimento visceral de que estava prestes a se machucar seriamente. Achando que não podia evitá-lo, ele instintivamente cobriu a cabeça, mas de repente, um arrepio gélido percorreu sua espinha. Era uma sensação alienígena demais para ser apenas medo do que estava por vir, e os olhos de Dojin se arregalaram. Uma voz desolada ecoou acima de sua cabeça.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello