Capítulo 05
⁺˚⋆。°✩ Capítulo 05
Enquanto trocavam algumas palavras, um mercadinho entrou em seu campo de visão. O mercadinho, com “Mercado Balsamina” escrito em uma caligrafia antiquada, devia estar naquele local há muito tempo, pois sua placa estava enferrujada.
Um rápido olhar mostrou que, felizmente, ainda estava aberto. Um grupo de idosos que jogava cartas num banco de madeira em frente à loja voltou o olhar para os dois rapazes que haviam aparecido de repente. Entre eles, uma velhinha que se abanava bateu palmas e se levantou do banco.
— Ora, ora, vocês parecem muito distintos. O que traz vocês por aqui?
— Nesse calor dos infernos, todos vestidos de preto… Não estão com calor?
— Ai, meu Deus, o que aconteceu? Você caiu num arrozal e rolou? Santo Deus.
Enquanto as pessoas instantaneamente ficavam agitadas, Yoonyoung, parecendo desconfortável, deu um passo para trás, como que para se esconder atrás das costas de Dojin. Ele parecia ser tímido com estranhos. A atitude, tão contrária à forma como ele vinha rebatendo tão asperamente, era um pouquinho, só um pouquinho, fofa. Um sorrisinho escapou dele sem querer, e ele deliberadamente endireitou ainda mais a postura.
— Olá, senhores. Gostaríamos de comprar algumas coisas, tudo bem?
— Mas que bobagem é essa? Comprem à vontade, viu.
— Os corações de vocês são tão adoráveis quanto os rostos. Obrigado.
Dojin queria comprar logo o que precisava e voltar, então foi direto para dentro do mercadinho. Yoonyoung, não querendo ser deixado para trás, seguiu-o rapidamente e foi visto olhando ao redor de forma desajeitada. A cabeça que balançava por perto era cerca de uma falange de dedo mais baixa que a de Dojin.
Agora que olho com atenção, ele realmente parece um Alfa.
Era só que Dojin era do tipo mais alto; Yoonyoung também não era baixo. Como ele mesmo tinha por volta de 1,88 m, Yoonyoung devia ter mais de 1,80 m também, e ele havia pensado desde o primeiro olhar que ele tinha um bom porte. Se alguém prestasse menos atenção ao rosto dele, ele poderia facilmente ser visto como bastante viril. Não que definir esse tipo de coisa tivesse algum sentido.
Ele olhou de relance para ele e seus olhos se encontraram. Os olhos de Yoonyoung, quando não estava com raiva, eram calmos e adoráveis. Tinham um formato que as pessoas costumavam chamar de raposino, com as pontas viradas para cima, dando à sua expressão básica um ar sorridente. No momento em que Dojin fez uma pausa, surpreso com a peculiar sensação de pressão que as pessoas belas exalam, Yoonyoung perguntou.
— O que você vai comprar?
— Ãh…
Dojin olhou ao redor do interior do mercadinho. Ele varreu preguiçosamente os petiscos nas prateleiras de ferro enferrujadas, os produtos deixados em caixas no chão e o expositor de bebidas manchado de mãos, procurando onde ficava o álcool.
— Vim comprar uma bebida de adulto. Crianças não devem olhar.
Ele falou com sinceridade, mas naquele momento, Yoonyoung soltou um muxoxo. Foi a primeira vez que Dojin o viu rir, tendo visto apenas seu lado espinhoso, e seus belos olhos se suavizaram e seu rosto se iluminou como se uma flor tivesse desabrochado. E isso foi apenas por um muxoxo.
A cena era tão bonita que Dojin deixou escapar, sem pensar:
— Você é incrivelmente bonito quando sorri.
Diante disso, a expressão de Yoonyoung ficou instantaneamente fria. Retraindo o sorriso que mal havia mostrado, ele repreendeu Dojin.
— Eu não sorri. Não fique dizendo o que der na telha.
— Você acabou de sorrir.
Quando ele imitou o muxoxo, Yoonyoung comprimiu os lábios com firmeza. Ele poderia simplesmente ter ignorado, mas depois de alguns segundos de silêncio, Yoonyoung se deu ao trabalho de responder.
— Foi porque fiquei pasmo. Você podia só ter dito que veio comprar bebida, qual é a dessa de “bebida de adulto”? Você provavelmente também está na casa dos vinte, não está, moço? Qualquer um que te ouvisse pensaria que você é um adulto de verdade.
Yoonyoung caminhou até o expositor no lugar de Dojin. Dojin o seguiu, ficando ao seu lado enquanto ele abria a geladeira para olhar as bebidas, e perguntou em voz baixa.
— Que idade eu aparento?
— Perguntar desse jeito te faz parecer velho.
— É por isso que você me chamou de moço? Eu pareço mesmo um moço?
Dojin estava genuinamente preocupado, e Yoonyoung, que estava dando batidinhas nas garrafas de bebida, disse baixinho.
— Não, você é bonito, então não parece.
Dojin conseguiu captar a voz murmurada. Satisfeito com o elogio do garoto espinhoso, Dojin astutamente enfiou o rosto na frente dele enquanto ele escolhia a bebida. Olhando para ele de cima com um sorriso, Dojin disse numa voz brincalhona.
— Você achou que eu era bonito?
Provocar garotos era sempre divertido, e Dojin estava genuinamente se divertindo. Ele também estava contente por o encargo de guarda-costas, que parecia não passar de um pirralho, ser um estudante mais fofo do que ele havia imaginado. Yoonyoung, que estivera encarando o Dojin sorridente, virou a cabeça bruscamente e deu um passo para trás.
— Não fique agindo com toda essa intimidade, se afasta de mim.
— Sim, sim, Sa Yoon-nim.
Assim que Yoonyoung deu um passo para trás, Dojin astutamente se moveu para a frente dele, bloqueando as bebidas. Então ele pegou aleatoriamente uma braçada de latas de cerveja e fechou a porta. Yoonyoung, observando a cena, o repreendeu.
— Vivemos num mundo onde até estudantes do primário bebem hoje em dia, qual é o motivo de todo esse alarde. Você provavelmente também começou a beber no ensino médio, moço.
Ele acertou na mosca. A primeira coisa que os atletas faziam depois do treino intensivo era seguir os veteranos para beber, então Dojin também havia sido arrastado para esse tipo de reunião desde uma idade bem jovem. Ainda assim, Dojin sabia que o que fazia era ilegal e não era algo do que se orgulhar. Não era algo para se gabar.
— Ainda assim, o que é errado é errado.
Dojin espiou para fora. Mesmo com um cliente lá dentro, a velhinha olhava tranquilamente suas cartas no banco.
O som de gargalhadas ecoou de fora, e uma brisa suave entrou pela porta aberta. O sol havia se posto completamente a essa altura, e os arredores estavam escuros. O calor escaldante do dia havia dado lugar a uma noite tão fresca como se tudo aquilo tivesse sido mentira.
Imerso na atmosfera tranquila, Dojin esqueceu de se apressar e tirou um momento para absorver a cena. Yoonyoung, também, parecia fascinado pelo mercadinho, a cabeça baixa enquanto olhava diligentemente ao redor. A nuca de seu pescoço branco, absorto na observação, era tão clara quanto a de alguém que nunca havia visto o sol.
— Vinte e seis.
— Hã?
— Sua idade. Não são vinte e seis?
As palavras vieram inesperadamente de Yoonyoung, cujo olhar estava fixo nos petiscos.
Hmm. Vinte e seis. Então é por isso que ele me chamou de moço.
Dojin ficou levemente magoado com o título bem fundamentado. Não era a primeira vez que alguém o achava mais velho do que sua idade real, mas ainda assim, a diferença entre vinte e três e vinte e seis era significativa. Sentindo uma autopiedade, Dojin murmurou para si mesmo.
— Eu pareço tão velho assim?
— …Quantos anos você tem?
— Vinte e três.
Talvez mais novo do que ele havia imaginado, Yoonyoung, que estivera olhando os petiscos, teve um sobressalto e se virou de volta para observá-lo. A forma como ele estudava a expressão de Dojin não parecia a de um jovem mestre rico que havia crescido arrogante. Mas, novamente, se ele fosse esse tipo de garoto, teria tentado dar ordens a um guarda-costas como eu em vez de ser influenciado por um.
— Aquilo…
O olhar de Yoonyoung caiu sobre seus sapatos enquanto ele murmurava.
— Eu estava errado. Desculpe.
A ponta de seu tênis manchado de terra raspou o chão de forma desajeitada. Como Yoonyoung não havia demonstrado o menor sinal de se desculpar por todos os incidentes anteriores, Dojin foi quem ficou mais surpreso.
Ele é surpreendentemente mole de formas inesperadas.
Sua irmã mais nova, Doyeon, também agia de forma espinhosa, mas ficava atrapalhada se fosse provocada só um pouquinho. A imagem de sua irmã agarrada a ele, chamando-o de “Oppa”, se sobrepôs a Yoonyoung.
— Então, em vez de moço, você não pode me chamar de hyung?
Talvez porque tivesse visto Doyeon nele por um breve momento, o coração de Dojin amoleceu um pouco. Independentemente de tudo, ser chamado de Ahjussi aos vinte e três era bem desagradável, então Dojin perguntou a Yoonyoung de forma brincalhona.
Mas ele não esperava que ele realmente fosse fazê-lo. Eles não iam se ver com frequência, e Yoonyoung não parecia sociável o suficiente para isso.
Yoonyoung ficou em silêncio por um momento. Encarando o chão, ergueu levemente a cabeça e estudou Dojin, como uma criança testando o terreno. Seu rosto, que estivera avaliando se aquilo era brincadeira ou sério, se iluminou levemente.
Dojin, que havia esperado que ele recusasse com desgosto, ficou atrapalhado com a mudança em sua expressão. No momento em que pensava, surpreso, “Não pode ser?”, os lábios cor de flor de pêssego se entreabriram levemente.
— Não quero. Por que você seria meu hyung? Nossa diferença de idade nem é tão grande.
Mas, ao contrário de sua expressão, Yoonyoung acabou erguendo uma barreira. O toque de gentileza que ele havia demonstrado desapareceu, e ele imediatamente criou distância enquanto se virava com um bufo.
— A diferença entre um estudante do ensino médio e alguém da minha idade não é tipo céu e terra?
— Não vou te chamar de hyung.
— Então você vai continuar me chamando de moço?
— Sim.
Nada fácil, nada fácil mesmo. Dojin murmurou deliberadamente de forma exagerada para descontrair o clima.
Mas por dentro, ele estava aliviado. Ele estava feliz por ter evitado a situação constrangedora de sua brincadeira ser levada a sério. Voltando a si, Dojin se lembrou de que era realmente hora de ir.
Ele colocou as cervejas que havia escolhido no balcão. Em seguida, procurou e pegou as castanhas assadas que Sang-hyun havia pedido. Enquanto se perguntava que outros petiscos pegar, ele fez uma sugestão a Yoonyoung. Era também sua própria forma de se desculpar. Ele se sentia mal por ter feito Yoonyoung considerar sua sugestão anterior de forma tão séria.
— Então me ajude a escolher uns petiscos. Não sou muito de comer petiscos, então não sei o que é bom.
O comentário de Sang-hyun sobre ele ser pão-duro não era mentira. Dojin nunca abria a carteira primeiro a menos que fosse absolutamente necessário.
Ele considerava comer petiscos um ato desnecessário e não conseguia se lembrar de alguma vez ter comprado petiscos com o próprio dinheiro. Sua família não tinha sido abastada nem mesmo quando o pai era vivo, e depois disso, ele estava na posição de viver às custas dos outros, então, para Dojin, aquilo não passava de desperdício.
Ainda assim, nunca vivi endividado. Ele não vivia às custas dos outros, nem gastava desnecessariamente, então não vivia incomodando ninguém. Dojin não se envergonhava dessa vida sua.
Yoonyoung não pareceu desgostar dessa sugestão, pois começou a examinar os petiscos. O garoto já quieto ficou em silêncio, escolhendo os petiscos com tanto cuidado como se lhe tivessem confiado um dever importante. A cena era um espetáculo e tanto, e capturou sua atenção.
Depois de algum tempo, Yoonyoung escolheu um petisco. O petisco que ele havia escolhido após longa deliberação foi Ppongiyo, um salgadinho de milho estufado com uma imagem de milho frito na embalagem.
Diante da escolha nada infantil, Dojin mal conseguiu conter o riso. Justo quando ele ouviu o som de ar escapando e o rosto de Yoonyoung estava prestes a ficar espinhoso, a moça do mercadinho felizmente entrou. Ela devia ter ficado curiosa, já que estavam demorando tanto.
— Oi, escolheram tudo? O clima tá dos infernos, então é melhor vocês irem logo. Vocês são daquela casa grande ali, né? A estrada pra lá não tem poste de luz, então é escuro. Não voltem muito tarde, viu.
A moça misturava dialeto com o coreano padrão. Embora sua fala tivesse um sotaque carregado, não era tão forte quanto o dos idosos no banco. Parecia que ela não havia morado ali a vida toda.
— Ah, já está tão tarde assim? Acabamos de terminar de escolher tudo.
Pegando o petisco de Yoonyoung, Dojin terminou de pagar. Os preços do interior eram de fato baratos, pois ele recebeu 3 mil wones de troco.
Com as sacolas cheias de petiscos e álcool, os dois saíram do mercadinho. Os idosos no banco, satisfeitos de ver a rara cena de jovens rapazes, pararam Yoonyoung na saída e enfiaram vários petiscos em suas mãos. Yoonyoung, que de repente teve as mãos cheias de yakgwa e biscoitos de arroz estufado, seguiu Dojin de forma desajeitada.
— Agora vejo que você tem o gosto de um vovô, Sa Yoon-nim. Pegando arroz estufado e yakgwa também.
Yoonyoung não caiu na provocação facilmente. Ele não se deixou levar pelas brincadeiras de Dojin e apenas examinou o que tinha nas mãos. Dojin, que sorria enquanto o observava como uma criança que havia descoberto algo fascinante, de repente se lembrou de algo que havia esquecido.
— Você não disse que estava doente, Sa Yoon-nim? É seguro para você andar tudo isso? Você pode subir nas minhas costas de novo, então é só me dizer sem cerimônia.
A distância da casa de campo até o mercadinho era de aproximadamente uma hora ida e volta. Ele ouvira que Yoonyoung estava ali para se recuperar, então caminhar por tanto tempo provavelmente não era bom para sua saúde.
— Fiquei em casa tempo o bastante para enjoar, então caminhar tudo isso está de boa. Vou acabar trancado no meu quarto de qualquer forma quando voltar.
Aquela voz seca de novo. Dojin se sentiu desconfortável com o tom, tingido de exasperação como se explicasse uma questão cansativa, mas ao mesmo tempo tão familiar que era desprovido de emoção. Era estranho ver uma atitude tão cínica, geralmente vista em adultos, num garoto tão jovem.
— E eu provavelmente tenho mais resistência que você, moço.
Yoonyoung acrescentou secamente. Mesmo depois de dizer aquilo, ele pareceu não querer mais falar sobre o assunto, então Dojin seguiu sua deixa.
— Isso pode ser um pouco difícil. Entre os Alfas, sou considerado excepcional tanto em força quanto em resistência.
Embora existissem inúmeros atletas talentosos por aí, Dojin realmente tinha um dom. Ele só havia desistido de se preparar para ser atleta porque não podia mais arcar com o custo de aprender o esporte depois que o pai faleceu, mas houve uma época em que ele tinha confiança de que podia alcançar um certo nível de sucesso.
— …Ainda assim, eu sou mais forte. Me disseram que seria assim.
— Como?
— …Não é nada.
Yoonyoung disse algo incompreensível e então encerrou a conversa. Seu rosto estava profundamente pensativo e sério, então Dojin não insistiu mais e apenas apressou o passo.
Como a moça do mercadinho havia dito, a estrada estava bem escura, então eles caminhavam com as lanternas dos celulares acesas quando faróis brilharam ao longe.
— Ah, acho que vieram nos procurar.
Dojin ergueu o celular e o balançou. Ele não tinha certeza se devia dizer que estavam atrasados, ou se devia ficar contente por terem ao menos notado. Reprimindo um pressentimento ruim que surgia tardiamente, ele fez o que tinha que fazer.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello