Capítulo 01
⁺˚⋆。°✩ Capítulo 01
Era o meio do dia, e o sol escaldante escorria como uma cachoeira. Mesmo parado, o suor lentamente se acumulava em suas costas, e a cada passo era como se as solas dos sapatos grudassem no chão com um som pegajoso. Ao respirar, o ar úmido que enchia seus pulmões era como engolir água sem forma.
— Vou morrer de calor, sério…
Dojin murmurou baixinho, afrouxando e apertando a gravata repetidamente. Havia se candidatado ao bico porque pagava bem, mas se soubesse que teria que andar de terno num dia tão quente, teria sido melhor não ter vindo. Um terno quente num clima que seria sufocante mesmo estando pelado. Para ele, que era sensível ao calor, era a pior condição possível.
— Ei, cuidado com a boca. O jovem mestre vai chegar logo. Se algum dos figurões que estão com ele te ouvir, você vai cair na desgraça deles.
O veterano que havia arrastado Dojin até ali o aconselhou em voz baixa. Estavam parados diante do portão principal da mansão, esperando o “jovem mestre” que deveria chegar em breve. Além de Dojin, outros quatro esperavam na frente, e havia mais duas pessoas guardando o interior da mansão. Para um vilarejo esquecido que ninguém visitaria por vontade própria, era um número excessivo de seguranças.
— Sim, sim, entendi.
Dojin, que não levava muita coisa na vida a sério, deu uma resposta desinteressada ao veterano. Engoliu as palavras de que, de qualquer forma, não precisava causar boa impressão, já que não era um segurança em tempo integral, mas apenas um diarista trazido para preencher uma vaga.
O “jovem mestre”, que deveria ter chegado uma hora atrás, não dava sinal de aparecer. Embora Dojin fosse bom em suportar o tédio, era tão fraco ao calor que só de ficar ali parado sem fazer nada já era terrivelmente difícil.
Huu, ele soltou um suspiro quente e olhou para trás. Uma casa de três andares, do tipo que ele só tinha visto em filmes, se mostrava com elegância no terreno.
Ainda não parece real.
Alguns dias atrás, um veterano da academia onde ele treinava quando era atleta havia oferecido a Dojin um emprego repentino. Era uma posição com boas condições, pagando mais de 300 mil wones por dia, embora ele tivesse que manter tudo o que acontecesse lá dentro em segredo e o trabalho em si fosse duro.
Era suspeito de várias maneiras. Como a maioria das pessoas que trabalhavam com o corpo, Dojin já havia feito trabalhos de segurança particular de vez em quando, e conhecia a paga média. Para alguém sem experiência, podia ser tão baixa quanto 50 mil wones, e, no máximo, um pouco mais de 100 mil wones.
Quando um trabalho que não era diferente de uma diária oferecia tanto dinheiro assim, significava que você estava sendo mobilizado para algo obscuro. Ele não era tão ingênuo a ponto de não saber disso. Na verdade, Dojin era do tipo que sobrevivia lendo o ambiente, então era bastante bom em captar esse tipo de circunstância oculta.
Mas, bem, será que estou em posição de ser exigente? Tenho que fazer o que quer que pague.
Dojin murmurou para si mesmo e olhou ao redor, tentando encontrar uma forma de passar o tempo.
Ele já tinha sentido isso desde que chegou de manhã, mas aquele lugar era mesmo o fim do mundo. Esqueça uma loja de conveniência, o mercadinho local ficava a 15 minutos de carro, e levava uma hora para chegar à cidade mais próxima com alguma estrutura. O tal do ônibus da cidade só passava a cada duas horas, então era justo dizer que o lugar estava praticamente isolado do mundo exterior.
E um jovem mestre, escoltado por guarda-costas, estava vindo para um lugar tão remoto assim. Ele havia se perguntado para quê, afinal, mas pelo pouco que lhe contaram, o jovem mestre estava vindo para se recuperar.
E a missão de Dojin era proteger o jovem mestre durante os três meses de verão. Algo sobre deixar a cidade para ficar aqui só no verão…
Se ele está doente, não deveria estar na região da capital, onde há muitos hospitais? Nos romances e filmes, os filhos ricos sempre vêm para o interior quando adoecem.
Enquanto estava perdido em pensamentos, um bom tempo deve ter passado, porque ele pôde ver uma nuvem de poeira se levantando ao longe. Dois sedãs pretos e reluzentes, que à primeira vista pareciam carros importados, seguiam em direção à mansão.
— Todos, preparem-se!
O homem que havia contratado Dojin e seu veterano bradou uma ordem. O homem, que ficara imóvel o tempo todo em que estiveram ali parados, parecia ser um dos responsáveis por gerenciar a equipe de segurança da mansão.
Todos o chamavam de Gerente Song, ou algo assim. Ele não trabalhava ali, mas era um gerente de nível médio numa empresa de segurança que era mobilizada para os trabalhos conforme surgiam.
Prendendo o walkie-talkie, ele checou o celular mais uma vez e então avisou a mansão. Dojin observava a cena com uma risadinha divertida, como se estivesse assistindo a um filme.
Finalmente, os carros chegaram à mansão. Vamos ver quem é esse desgraçado que nos fez esperar uma hora sob o sol escaldante, pensou Dojin, com os olhos arregalados. Depois que o carro parou sem o menor tremor, o motorista saiu e correu para abrir a porta do banco de trás.
— O jovem mestre chegou.
O homem que havia sussurrado no walkie-talkie foi o primeiro a caminhar até onde o motorista havia aberto a porta. De dentro do carro aberto, a pessoa que eles esperavam finalmente emergiu. Várias pessoas saíram do carro, mas era óbvio que apenas o rapaz era digno de ser chamado de jovem mestre.
Uau… Como um cara pode ser tão bonito?
Esse foi o primeiro e único pensamento que lhe veio à mente ao ver o “jovem mestre”. Naquele momento, ele não conseguiu pensar em mais nada. Parecia que os outros sentiram o mesmo, pois todos os guardas que estavam em posição de sentido inconscientemente fixaram o olhar no rapaz.
Dojin nunca tinha visto uma pessoa tão bela na vida. Sua pele era branca como a de uma boneca de porcelana, e seus cabelos, refletindo sob o sol escaldante, eram castanhos. Fossem tingidos ou naturais, ele tinha os cabelos castanhos e translúcidos desde a raiz, como um estrangeiro.
E como os olhos dele eram bem definidos. Seus cílios eram tão longos, tanto os de cima quanto os de baixo, que embora os olhos em si não parecessem tão grandes, as íris cintilavam. O formato alongado dos olhos, com as dobras palpebrais internas, possuía um estranho poder enfeitiçante.
Seu nariz reto tinha a ponta suave, e o cavalo era moderadamente alto. Do cavalo até as asas do nariz, não havia ângulos afiados, tornando-o tão suave que, se o cabelo dele fosse comprido, alguém facilmente o confundiria com uma garota.
Diante de uma criatura que nunca vira antes na vida, Dojin fez algo tolo por um momento. Enquanto todos os outros forçavam o olhar para longe e corrigiam a postura, apenas ele continuou encarando o jovem mestre.
— Gerente Song, você não consegue controlar seus homens direito?
Um homem de meia-idade que havia saído primeiro do carro parecia ter notado Dojin e baixou a voz. O gerente rapidamente olhou na direção de Dojin e murmurou um palavrão.
“Seu desgraçado, abaixe os olhos!”
Ao mesmo tempo, seu veterano lhe deu uma cotovelada nas costelas, e Dojin apressadamente desviou o olhar. Enquanto abaixava a cabeça com um “Desculpe” murmurado, ouviu estalos de língua vindos de todos os lados.
Ha. Estou ferrado.
Seu coração já estava pesado, certo de que seria chamado à parte e levaria uma bronca. Ele não se importava de ser repreendido, mas estava preocupado que pudesse ser demitido. Ele nunca havia cometido um erro tão idiota antes, e ele mesmo não conseguia entender por que havia agido daquela forma naquele instante.
Enquanto estava de cabeça baixa e com uma expressão completamente perturbada, certo aroma pairou em sua direção. Era um aroma nitidamente diferente dos Feromônios dos Alfas desgraçados ao seu redor. Quando Dojin ergueu levemente a cabeça, viu um par de olhos cor de avelã.
Arf.
O rosto claro que ele vira à distância estava agora bem à sua frente, olhando-o de baixo para cima. Ele havia pensado que o rapaz tinha um corpo esguio, mas agora que estava perto, viu que seus ombros eram surpreendentemente largos e ele tinha um bom porte físico. Sua roupa, uma simples camiseta branca e jeans, era simples para um jovem mestre rico, e os braços revelados abaixo das mangas curtas eram longos e elegantes.
De perto, os traços nitidamente masculinos do rapaz eram evidentes, e ele parecia ter idade de ensino médio. Como sua própria irmã mais nova tinha mais ou menos essa idade, Dojin reconheceu de imediato.
Um Ômega… talvez?
Ligeiramente paralisado, Dojin tentou avaliar se o rapaz era um Ômega. Era claramente diferente dos Feromônios de um Alfa, mas também não era o Feromônio característico de um Ômega. Era uma sensação estranha e ondulante que ele nunca havia experimentado, nitidamente diferente da sensação do Feromônio de um Alfa, que tendia a se misturar de forma familiar.
— Moço.
Nesse instante, o rapaz falou em voz baixa. Era uma voz suave e bela que combinava perfeitamente com seu rosto. Seu sotaque era tão refinado que era óbvio que ele era de Seul.
Então Dojin percebeu tardiamente que havia sido chamado de “moço”. Era um título um tanto injusto para ele, que tinha apenas vinte e três anos, e seus lábios se contraíram enquanto o rapaz o repreendia.
— Não fique deixando seus olhos vagarem desse jeito. É nojento.
Seu tom e sua voz eram tão refinados, mas o conteúdo não era. Enquanto a voz, pingando gelo, o alcançava, um arrepio percorreu seu corpo, que estava derretendo no calor. Estremecendo, Dojin olhou para o rapaz com uma expressão constrangida e disse baixinho:
— Desculpe.
O rapaz passou por ele com um olhar frio e desapareceu. Seguindo-o, os homens de terno que haviam saído do carro entraram em fila. Depois de observá-los partir, assim que o rapaz sumiu, o Gerente Song se aproximou de Dojin e lhe deu um forte tapa no alto da cabeça.
Tec! O som ecoou alto, e sua cabeça latejou. Ele havia apanhado de veteranos muitas vezes, então não foi particularmente humilhante ou doloroso, mas ainda assim foi uma sensação ruim.
— Sua cabeça é oca? Quem fica encarando desse jeito a pessoa que você deveria estar servindo? Quem trouxe esse desgraçado aqui?
— Desculpe, Gerente Song. Esse cara é novo nesse tipo de trabalho, por isso agiu como um idiota. Mas as habilidades dele são de primeira, então, por favor, deixe passar só desta vez.
O veterano que o havia trazido correu, empurrou a cabeça de Dojin para baixo e se desculpou junto com ele. Dojin também gritou em seguida:
— Desculpe! Vou garantir que isso nunca mais aconteça!
O Gerente Song o encarou por um momento, como se não pudesse acreditar, e então balançou a cabeça. Em seguida, deu um aviso severo ao veterano.
— Você, mantenha esse desgraçado na coleira. Se um de nós cair na desgraça deles, estamos todos ferrados.
— Entendido.
— Ugh, esses garotos de hoje em dia…
O Gerente Song estalou a língua, mas felizmente deixou por isso mesmo. Então, as designações de trabalho foram distribuídas.
⁺˚⋆。°✩₊✩°。⋆˚⁺⁺˚⋆。°✩₊✩°。⋆˚⁺
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Bella donna&Faby&Othello