Capítulo 01
ᥫ᭡. Capítulo 01
Era o meio do dia, e o sol escaldante despejava-se como uma cachoeira. Mesmo parado, o suor se acumulava lentamente em suas costas, e a cada passo era como se as solas dos sapatos grudassem no chão, emitindo um som pegajoso. Ao respirar, o ar úmido que enchia seus pulmões era como engolir água sem forma.
— Vou morrer de calor, sério… — Dojin murmurou baixinho, afrouxando e apertando a gravata repetidamente.
Havia se candidatado ao bico porque o pagamento era bom, mas, se soubesse que teria de andar de terno num dia tão quente, teria sido melhor não ter vindo. Um terno duro num clima que seria sufocante, mesmo estando pelado. Para ele, que era sensível ao calor, aquela era a pior condição possível.
— Ei, cuidado com a boca. O jovem senhor vai chegar logo. Se algum dos figurões que estão com ele te ouvir, você vai cair na desgraça deles.
O veterano que havia arrastado Dojin até ali o aconselhou em voz baixa. Estavam parados diante do portão principal da mansão, esperando o “jovem senhor”, que deveria chegar em breve. Além de Dojin, outros quatro aguardavam na frente, e havia mais duas pessoas aguardando no interior da mansão. Para um vilarejo esquecido, que ninguém visitaria por vontade própria, era um número excessivo de seguranças.
— Sim, sim, entendi.
Dojin, que não levava muita coisa na vida a sério, deu uma resposta desinteressada ao veterano. Engoliu as palavras de que, de qualquer forma, não precisava causar boa impressão, já que não era um segurança em tempo integral, mas apenas um diarista trazido para preencher uma vaga.
O “jovem senhor”, que deveria ter chegado uma hora atrás, não dava sinal de que iria aparecer. Embora Dojin fosse bom em suportar o tédio, era tão fraco ao calor que, só de ficar ali parado, sem fazer nada, já era terrivelmente difícil.
Haa, ele suspirou e olhou para trás. Uma casa de três andares, do tipo que ele só tinha visto em filmes, erguia-se com elegância no terreno.
Ainda não parecia real.
Alguns dias atrás, um veterano da academia onde Dojin treinava quando era atleta havia lhe oferecido um emprego repentino. Era uma posição com boas condições, pagando mais de 300 mil wones por dia, embora ele tivesse que manter tudo o que acontecesse lá dentro em segredo e o trabalho em si fosse duro.
Era suspeito de várias maneiras. Como a maioria das pessoas que trabalhavam com o corpo, Dojin já havia feito trabalhos de segurança particular de vez em quando e conhecia o pagamento médio. Para alguém sem experiência, podia ser tão baixo quanto 50 mil wones ou, no máximo, um pouco mais de 100 mil wones.
Quando um trabalho, que não era diferente de uma diária, oferecia tanto dinheiro assim, significava que você estava sendo mobilizado para algo obscuro. Ele não era tão ingênuo a ponto de não saber disso. Na verdade, Dojin era do tipo que sobrevivia lendo o ambiente, então era muito bom em captar esse tipo de circunstância oculta.
— Mas, bem, será que estou em posição de ser exigente? Tenho que fazer o que quer que pague.
Dojin murmurou para si mesmo e olhou ao redor, tentando encontrar uma forma de passar o tempo.
Ele já havia sentido isso desde que chegara de manhã, mas aquele lugar era mesmo o fim do mundo. Esqueça uma loja de conveniência; o mercadinho local ficava a 15 minutos de carro, e levava uma hora para chegar à cidade mais próxima, que tinha alguma estrutura. O tal ônibus da cidade só passava a cada duas horas, então era justo dizer que o lugar estava praticamente isolado do mundo exterior.
E um jovem senhor, escoltado por guarda-costas, estava vindo para um lugar tão remoto assim. Dojin se perguntou para quê, afinal, mas, pelo pouco que lhe contaram, o jovem senhor estava vindo para se recuperar.
A missão de Dojin era protegê-lo durante os três meses de verão. Algo sobre deixar a cidade para ficar ali só no verão…
“Se ele está doente, não deveria estar na região da capital, onde há muitos hospitais? Nos romances e filmes, os filhos ricos sempre vêm para o interior quando adoecem.”
Enquanto estava perdido em pensamentos, um bom tempo deve ter se passado, pois ele pôde ver uma nuvem de poeira se levantando ao longe. Dois sedãs pretos e reluzentes, que à primeira vista pareciam carros importados, seguiam em direção à mansão.
— Todos, preparem-se!
Bradou o homem que havia contratado Dojin e seu veterano. Ele, que ficara imóvel o tempo todo em que estiveram ali, parecia ser um dos responsáveis pela equipe de segurança da mansão.
Todos o chamavam de Gerente Song, ou algo assim. Ele não trabalhava ali, mas era um gerente de nível médio numa empresa de segurança mobilizada para os trabalhos conforme surgiam.
Prendendo o walkie-talkie, ele checou o celular mais uma vez e então avisou a mansão. Dojin observava a cena com uma risadinha divertida, como se estivesse assistindo a um filme.
Finalmente, os carros chegaram à mansão. “Vamos ver quem é esse desgraçado que nos fez esperar uma hora sob o sol escaldante”, pensou Dojin, com os olhos arregalados. Após o carro parar sem o menor tremor, o motorista saiu e correu para abrir a porta do banco de trás.
— O jovem senhor chegou.
O homem que havia sussurrado no walkie-talkie foi o primeiro a caminhar até onde o motorista havia aberto a porta. Dentro do carro aberto, a pessoa que eles esperavam finalmente emergiu. Várias pessoas saíram do carro, mas era óbvio que apenas o rapaz era digno do título de jovem senhor.
“Uau… Como um cara pode ser tão bonito?”
Esse foi o primeiro e único pensamento que lhe veio à mente ao ver o “jovem senhor”. Naquele momento, ele não conseguiu pensar em mais nada. Parecia que os outros sentiram o mesmo, pois todos os guardas, inconscientemente, fixaram o olhar no rapaz.
Dojin nunca tinha visto uma pessoa tão bela. Sua pele era branca como a de uma boneca, e seus cabelos castanhos brilhavam sob o sol escaldante. Fossem tingidos ou naturais, seus cabelos eram castanhos e translúcidos desde a raiz, como um estrangeiro.
E como os olhos dele eram bem definidos! Seus cílios eram tão longos, tanto os de cima quanto os de baixo, e suas íris cintilavam, embora os olhos em si não parecessem tão grandes. O formato alongado dos olhos, com as dobras da pálpebra interna, possuía um estranho poder enfeitiçante.
Seu nariz reto tinha a ponta suave, e o dorso era moderadamente alto. Do dorso até as abas, não havia ângulos afiados, o que o tornava tão suave que, se o cabelo dele fosse comprido, alguém facilmente o confundiria com uma garota.
Diante de uma criatura que nunca vira antes na vida, Dojin fez algo tolo por um momento. Enquanto todos os outros desviavam o olhar e corrigiam a postura, apenas ele continuou encarando o jovem senhor.
— Gerente Song, você não consegue controlar seus homens direito?
Um homem de meia-idade, que havia saído primeiro do carro, pareceu notar Dojin e baixou a voz. O gerente olhou rapidamente na direção de Dojin e murmurou um palavrão.
— Seu desgraçado, abaixe os olhos!
Ao mesmo tempo, seu veterano lhe deu uma cotovelada nas costelas, e Dojin desviou rapidamente o olhar. Enquanto abaixava a cabeça e murmurava um “desculpe”, ouviu estalos de língua vindos de todos os lados.
“Ah, estou ferrado.”
Seu coração já estava pesado, certo de que seria chamado à parte e levaria uma bronca. Ele não se importava em ser repreendido, mas estava preocupado que pudesse ser demitido. Nunca havia cometido um erro tão idiota antes, e ele mesmo não conseguia entender por que havia agido daquela forma naquele instante.
Enquanto permanecia de cabeça baixa, com uma expressão completamente perturbada, um certo aroma pairou em sua direção. Era nitidamente diferente dos Feromônios dos Alfas desgraçados ao seu redor. Ao erguer levemente a cabeça, Dojin viu um par de olhos cor de avelã.
Arf.
O rosto claro que ele vira à distância estava agora bem à sua frente, olhando-o de baixo para cima. Dojin havia pensado que o rapaz tinha um corpo esguio, mas, agora que estava perto, viu que seus ombros eram surpreendentemente largos e tinha um bom porte físico. Sua roupa, uma simples camiseta branca e jeans, era modesta para um jovem senhor rico, e os braços revelados abaixo das mangas curtas eram longos e elegantes.
De perto, os traços nitidamente masculinos do rapaz eram evidentes, e ele parecia ter idade de ensino médio. Como sua própria irmã mais nova tinha mais ou menos essa idade, Dojin reconheceu de imediato.
“Um Ômega… talvez?”
Ligeiramente paralisado, Dojin tentou avaliar se o rapaz era um Ômega. A sensação era claramente diferente do Feromônio de um Alfa, mas também não se assemelhava ao cheiro característico de um Ômega. Era uma sensação estranha e ondulante, que ele nunca havia experimentado antes e que era nitidamente diferente da sensação do Feromônio de um Alfa, que tendia a se misturar de forma familiar.
— Moço. — Disse o rapaz em voz baixa.
Era uma voz suave e bela, que combinava perfeitamente com seu rosto. Seu sotaque era tão refinado que era óbvio que ele era de Seul.
Dojin então percebeu tardiamente que havia sido chamado de “moço”. Era um título um tanto injusto para alguém com apenas vinte e três anos, e seus lábios se contraíram enquanto o rapaz o repreendia.
— Não fique deixando seus olhos vagarem desse jeito. É nojento.
Seu tom e sua voz eram tão refinados, mas suas palavras não eram. Enquanto a voz, pingando gelo, o alcançava, um arrepio percorreu seu corpo, que estava derretendo no calor. Estremecendo, Dojin olhou para o rapaz com uma expressão constrangida e disse baixinho:
— Desculpe.
O rapaz passou por ele com um olhar frio e desapareceu. Seguindo-o, os homens de terno que haviam saído do carro entraram em fila. Depois de observá-los partir, assim que o rapaz sumiu, o gerente Song se aproximou de Dojin e lhe deu um forte tapa no alto da cabeça.
Tec! O som ecoou alto, e sua cabeça latejou. Ele já havia apanhado de veteranos muitas vezes, então não foi particularmente humilhante ou doloroso, mas ainda assim foi uma sensação ruim.
— Sua cabeça é oca? Quem fica encarando desse jeito a pessoa que você deveria estar servindo? Quem trouxe esse desgraçado aqui?
— Desculpe, gerente Song. Esse cara é novo nesse tipo de trabalho e agiu como um idiota por isso. Mas ele é competente, então, por favor, deixe passar só desta vez.
O veterano que o trouxe correu, empurrou a cabeça de Dojin para baixo e se desculpou junto com ele. Dojin também gritou em seguida:
— Desculpe! Vou garantir que isso nunca mais aconteça!
O gerente Song o encarou por um momento, como se não pudesse acreditar, e então balançou a cabeça. Em seguida, deu um aviso severo ao veterano.
— Você, mantenha esse desgraçado na coleira. Se um de nós cair na desgraça deles, estamos todos ferrados.
— Entendido.
— Ugh, esses garotos de hoje em dia…
O gerente Song estalou a língua, mas, felizmente, deixou por isso mesmo. Então, as designações de trabalho foram distribuídas.
Como punição por sua tolice, Dojin foi designado para o portão principal. Ele foi encarregado do terrível serviço de guarda do lado de fora da mansão, sofrendo com o sol quente. Como uma questão de responsabilidade conjunta, seu veterano foi colocado em dupla com ele.
— Jin Dojin, o que foi aquilo agora há pouco? Não é como se fosse a primeira vez que você faz esse tipo de trabalho, então por que ficou aéreo? Quem fica encarando o rosto do empregador desse jeito? Eu sei que você é um tarado, mas aquilo passou dos limites.
Assim que ficaram a sós, o veterano começou a repreendê-lo. Cha Sang-hyun, três anos mais velho que ele, já havia sido selecionado para a seleção nacional, mas se aposentou após se machucar gravemente numa questão pessoal. Pelo que ouviu, Sang-hyun se envolveu num incidente violento porque tinha muita gente de má índole ao seu redor.
Talvez por isso, ele já estivesse nesse ramo há um bom tempo e frequentemente arranjasse trabalhos para calouros como Dojin. Embora se conhecessem há muito tempo e fosse grato a ele, era difícil dizer que eram particularmente próximos.
Sabe aquele tipo de relação em que você parece nunca conseguir diminuir a distância? Sang-hyun era exatamente esse tipo.
Ou talvez fosse porque Dojin passava a impressão de ser tão desapegado que todos mantinham distância.
— Desculpe. Ele é tão bonito, acho que perdi a cabeça por um segundo. Não vai acontecer de novo.
Quando ele sorriu abertamente, com os olhos curvando-se, Sang-hyun estalou a língua, como quem diz que ele não tinha jeito.
— Caras como você sempre fazem jus à cara bonita.
Não era intencional, mas Dojin era frequentemente mal interpretado como um cara desapegado. Ômegas, tanto homens quanto mulheres, tendiam a se aglomerar ao seu redor e, como ele não levava a vida muito a sério e sorria bastante, todos presumiam que era um Alfa que se divertia sem cuidado.
Na realidade, Dojin havia namorado vários Ômegas. Ele não costumava recusar ninguém que se declarasse e fosse do seu tipo; portanto, o número de pessoas com quem havia namorado desde os tempos de escola até agora, provavelmente, chegava à casa das dezenas.
No entanto, para ser preciso, sua filosofia era “se é bom, então é bom”, não que ele fosse um tarado. Apenas deixava as coisas fluírem e, sem perceber, havia se tornado uma pessoa que passava uma impressão leve como uma pluma.
Do seu ponto de vista, não via necessidade de corrigir o mal-entendido. As pessoas acreditariam no que quisessem acreditar de qualquer forma.
Já estava sobrecarregado só com o esforço de economizar dinheiro. Para mandar sua única e adorável irmã mais nova para a faculdade, ele não podia se dar ao luxo de se perder em pensamentos fúteis.
— Bom, ele era bonito, isso eu admito. Deve ser um Ômega, né? É melhor que a maioria das garotas.
Quando Dojin mudou de assunto com naturalidade, o humor de Sang-hyun pareceu melhorar, e ele concordou rapidamente.
— Você também não sabe o gênero secundário dele, veterano? Normalmente não te dão os dados pessoais da pessoa que você vai proteger?
Normalmente, era possível distinguir pelo Feromônio, mas a tecnologia havia avançado a ponto de se poder ocultá-los tomando medicamentos. Uma certa empresa farmacêutica descobriu que os Supressores, originalmente tomados durante o ciclo de Cio ou a temporada de Rut, tinham o efeito de ocultar o gênero secundário quando tomados regularmente. Desde então, qualquer um que quisesse podia esconder seu gênero secundário.
Esse remédio foi comercializado quando Dojin estava no ensino médio, e desde então vinha vendendo como água. Mais gente do que se esperava não queria revelar o gênero secundário, e o clima geral estava mudando para o não divulgar.
Era completamente compreensível. Embora a sociedade tenha se desenvolvido e houvesse menos pessoas que menosprezassem abertamente os outros com base no gênero secundário, ainda há certas imagens impostas a cada um. Assim como o que ele mesmo estava pensando agora há pouco.
— Nem sempre. Não há razão para dar informações importantes a reles subordinados como nós. E dessa vez estão sendo especialmente cautelosos. Não nos falaram nem o nome nem a idade dele. Tudo o que sei é que essa família é figura importante, então temos que tomar cuidado, entendeu? Um passo em falso e podemos acabar mortos de verdade.
O aviso de Sang-hyun era brincalhão, mas difícil de ignorar. A atmosfera já era muito mais ameaçadora do que qualquer trabalho que ele já havia feito. Dojin deu um sorriso constrangido para Sang-hyun, que fazia um gesto de cortar a garganta, e assentiu.
Depois disso, os dois patrulharam a área, batendo papo. Começaram do lado de fora do muro, deram uma volta na mansão e, então, guardaram o portão principal até o pôr do sol. Ele teria preferido estar ocupado, se movimentando e correndo de um lado para o outro. Ficar preso num só lugar era tão tedioso que ele sentia que ia enlouquecer.
Os dias eram tão longos quanto quentes. Todos estavam exaustos com o calor úmido, que fazia com que se sentissem presos numa panela de vapor, e todos os funcionários que ele encontrava ocasionalmente pareciam cansados.
Só quando o longo turno terminou e a equipe da noite chegou é que Dojin foi finalmente libertado. O alojamento fornecido para os seguranças ficava a cinco minutos de caminhada da mansão e, por ser uma família rica, até os aposentos dos funcionários eram limpos. Luxuosamente, eles até tinham quartos individuais.
Tirando o clima, o trabalho é honestamente super fácil. O ambiente também é bom.
Ele havia caído na desgraça de alguém logo no primeiro dia, mas as pessoas estavam de boa por enquanto e o trabalho era incrivelmente fácil. O tempo passava terrivelmente devagar, mas não havia esforço mental ou físico. Se ele trabalhasse assim por três meses, economizaria uma quantia considerável de dinheiro.
Doyeon não precisaria se preocupar com a mensalidade. Ao pensar em sua única irmã, Dojin sorriu. Sua bondosa, fofa e adorável irmã mais nova, que sempre tentava cuidar dele.
Ela é sua razão de viver, sua felicidade. Para garantir que a irmã mais nova, que será universitária no ano seguinte, possa ter uma vida sem passar por privações, Dojin trabalhou em todo tipo de emprego para economizar dinheiro desde que se tornou adulto.
Seu pai faleceu há quatro anos. Foi quando ele largou o treino para ser atleta. Os irmãos, que já haviam perdido a mãe antes do falecimento do pai, ficaram órfãos.
Ainda era algo triste e seria assim para sempre, mas Dojin teve sorte. Seus tios, que não tinham filhos, os acolheram e criaram com amor; então, eles não acabaram na rua. Ainda assim, não podia depender deles para sempre, por isso vinha economizando dinheiro constantemente para que ele e a irmã se tornassem independentes.
Depois de chegar ao alojamento, pensou em tomar um banho logo e ligar para a irmã, mas foi abordado pelos seguranças veteranos.
— Ei, novato, faça um favorzinho pra gente.
Ele olhou ao redor, mas era o único que podia ser chamado de novato. Tsc. Tinha um pressentimento de que o dia estava terminando fácil demais. Uma breve reclamação passou por sua mente, mas não havia como recusar, então Dojin se aproximou com um sorriso radiante.
— Sim, é só me dar a ordem.
— Vá até o mercadinho e compre uns petiscos pra gente. Já que vai, pega uma latinha de cerveja pra cada um.
— Pega umas castanhas assadas, se tiverem.
Sang-hyun, que havia entrado com ele, não o ajudou e, ainda por cima, aumentou o pedido. Era uma ocorrência comum.
— Entendido.
Ele respondeu animadamente, estendendo as mãos em concha. Ao entender o que ele queria dizer, Sang-hyun riu, incrédulo. A pessoa que havia dado a ordem, por sua vez, ergueu as sobrancelhas.
— O que é isso?
— Só trouxe o suficiente para a passagem de ônibus. Ouvi dizer que casa e comida estavam inclusas, então só trouxe mesmo o meu cartão de transporte.
Isso não era mentira. Depois de anos vivendo em alojamentos, Dojin havia aprendido que, se você não tivesse nada para começar, nada poderia ser tirado de você.
— Ora, essa é boa. Você tem uma cara de pau e tanto.
— Esse desgraçado realmente não tem dinheiro. Ele é famoso por ser pão-duro.
Como se ouvissem o comentário sarcástico de Sang-hyun, as pessoas que já estavam descansando no alojamento gritaram em direção à entrada.
— Ei, deixa pra lá. Só dê o dinheiro e mande ele ir.
No fim das contas, três notas de 10 mil wones foram colocadas na palma da mão de Dojin. Uma, duas, três, quatro… Uma contagem rápida mostrou que havia cerca de oito pessoas; portanto, era pouco, mas melhor do que nada.
— Já volto. Vou correndo, então descansem à vontade.
Ele fingiu correr enquanto falava, e o som de risadas o seguiu. Homens, especialmente Alfas, eram criaturas simples. Bastava um pouco de bajulação e uma demonstração de respeito para conquistá-los. Estalando a língua imperceptivelmente, Dojin saiu justo quando o entardecer começava a cair e caminhou lentamente pela estrada.
O vilarejo do interior era notavelmente silencioso à noite. De um lado, uma larga divisa de arrozal se estendia; do outro, tinha uma fileira de árvores. As casas, velhas e espalhadas, e as montanhas arredondadas que cercavam a área, davam uma sensação acolhedora. O cheiro de esterco de vaca que vinha de um pequeno estábulo espetou seu nariz, exatamente como a casa da sua avó materna na infância.
Ele deve ter caminhado por uns trinta minutos. “O mercadinho deve estar logo mais adiante”, pensou Dojin, varrendo o caminho com os olhos, quando alguém entrou em seu campo de visão.
— Hã?
Um rapaz de pele clara, que à primeira vista não parecia ter crescido num vilarejo do interior, podia ser visto mais adiante. Um pressentimento ruim tomou conta de Dojin, e ele caminhou em direção ao rapaz, abafando os passos. “Provavelmente é só alguma outra criança visitando a avó”, pensou. Porém, conforme se aproximava lentamente, ele conseguiu ver claramente o rosto do rapaz.
— … Sayoon-nim?
Ele pensou: “De jeito nenhum, não pode ser”, mas ali, parado e imóvel numa bifurcação da estrada, estava o jovem senhor que ele vira durante o dia. O rapaz, que antes olhava para a frente com o olhar vazio, como uma criança perdida, agora tinha uma expressão cautelosa no rosto. Ao virar a cabeça bruscamente e ver Dojin em seu terno, ele franziu a testa e saiu correndo.
Dojin ficou momentaneamente perplexo com a situação inesperada. Ele nem devia falar com o rapaz sem permissão, então se perguntou se tinha o direito de persegui-lo. No entanto, era óbvio que o rapaz havia fugido de casa. Uma dor de cabeça já começava a surgir enquanto ele se perguntava como diabos ele havia conseguido escapar de uma segurança tão rígida. Afinal, seriam eles a levar a bronca.
Mas esse era um problema à parte.
— Sayoon-nim, espere um momento!
Dojin também começou a correr, com o pressentimento de que estaria completamente ferrado se o perdesse de vista. O esporte que praticava era bem diferente de corrida, mas Dojin era do tipo mais leve e naturalmente rápido com os pés. Ele até havia sido convidado para entrar no time de atletismo, então diminuir a distância foi coisa rápida.
O jovem senhor era um corredor muito bom. Embora fosse menor que ele, era bastante alto, com pernas longas, então sua velocidade era surpreendentemente decente.
Mas não era páreo para Dojin. Conforme ele chegava perto o suficiente para ser pego, o rapaz não parava de olhar para trás com um rosto ansioso. Ao persegui-lo, os olhos de Dojin se arregalaram.
— Espere! Na frente, olhe para a frente!
𑣲⋆ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Flower
☰ ⌀ ⌀ ⌀ NOTA AQUI ⌀ ⌀ ⌀ ☰
Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais.
𖹭ּ ֶָ֢. Gostou do capítulo? Apoie a autora na plataforma oficial para demonstrar o seu carinho!
Para melhor entendimento da história:
》…《 Flashback
「…」 TV ou matérias na internet
[…] Telefone