Capítulo 05
Capítulo 05 。 ₊°༺❤︎༻°₊ 。
— Hic… Hic…
Yeoul correu como um louco. As meias que usava ficaram molhadas e imundas, e o vento de inverno fazia sua pele arder e doer, mas ele estava tomado pela obsessão de escapar do espaço de Eun Sajun.
Ao entrar em um beco, Yeoul se encolheu o máximo possível em um canto e apoiou as costas contra a parede.
— Haa… Haa…
Depois de correr uma distância considerável, estava bastante ofegante. Após recuperar o fôlego por um momento, pegou o celular e ligou para o tio.
— Yeoul? Você está seguro? O que aconteceu?
A voz do tio estava cheia de preocupação, como se tivesse passado a noite inteira preocupado com Yeoul.
— Sim, estou seguro. E trouxe o anel comigo.
Yeoul apalpou o bolso da calça como se quisesse conferir mais uma vez se o anel estava ali.
— Uau! Você conseguiu. Que alívio. Onde está agora?
— Estou em um beco perto da casa de Eun Sajun.
— Perfeito. Estou na estação Yeongdeungpo agora. Vou até você.
— É perto daqui mesmo. Eu vou até você.
Yeoul, que queria encontrar o tio o mais rápido possível, saiu novamente do beco. A quantidade de neve caindo aumentava e estava frio, mas talvez por causa da satisfação de estar livre de uma noite que parecera durar um mês, ele não sentia frio algum. Agora que pensava estar livre tanto da armadilha das dívidas quanto da violência de Shin Taeon, estava realmente feliz.
Enquanto caminhava com passos leves, sentiu uma sensação perfurar a parte de trás de sua cabeça. Parecia que alguém o observava. Será que Eun Sajun o havia seguido? Sentindo medo, Yeoul olhou rapidamente para trás. Mas não havia ninguém.
— O quê… Será que é apenas impressão minha?
Yeoul saiu novamente do beco por onde caminhava. Naquele momento, um sedã preto apareceu diante de seus olhos. Sua aparência era incompatível com um beco tão isolado. Parecia que peças de quebra-cabeça completamente diferentes haviam sido forçadas a se encaixar, mas ele não deu importância e deixou o sedã para trás.
Ao chegar à estação Yeongdeungpo, Yeoul olhou ao redor procurando pelo tio.
Embora fosse uma tarde de dia útil, talvez por ser período de férias, havia várias famílias com estudantes jovens, além de grupos que pareciam ser universitários.
— Yeoul! Aqui!
Ao ouvir alguém chamá-lo, Yeoul olhou naquela direção. Viu seu tio colocando a mão para fora da janela do carro e acenando. Yeoul se aproximou rapidamente, abriu a porta e sentou-se no banco do passageiro.
— Hic! Yeoul. Em que estado você está? Não está com frio?
Diante da condição de Yeoul, seu tio ficou extremamente aflito e aumentou o aquecedor.
— Onde estão seus sapatos? E seu casaco?
— Ah, eu estava com tanta pressa para sair que nem consegui pensar em pegar minhas coisas.
— Você passou por muita coisa.
Seu tio olhou para Yeoul com pena e continuou:
— Onde está aquele anel?
— Está aqui.
Yeoul tirou o anel do bolso da calça. O anel brilhava intensamente, como se guardasse luz dentro de si.
Seu tio rapidamente segurou o anel. Seu rosto se iluminou como o de um minerador que havia encontrado uma pedra preciosa há muito esperada.
— Você realmente se esforçou, Yeoul.
O tio acariciou gentilmente os cabelos castanhos de Yeoul. Yeoul sentia o mesmo que ele, então um sorriso surgiu em seus lábios.
— Meus chinelos estão no porta-malas. Use-os depois.
— Sim. Entendo.
— Então você fugiu?
— Sim…
— Não deixou nada para trás que pudesse revelar sua identidade, deixou?
— Não. Não levei minha carteira e trouxe meu celular.
Como havia se infiltrado no lugar de Yeojin desde o início, não levara a carteira com seu documento de identidade. Em vez disso, levara dinheiro em espécie para emergências, mas era uma quantia que praticamente não existia.
— Ufa… Que alívio.
O tio franziu a testa como se estivesse tonto e bateu no próprio peito.
— A propósito, como está Yeojin? O estado dele não piorou de novo, certo?
— Não se preocupe. Ele está melhor do que ontem. Vamos primeiro ao hospital.
— Sim.
Yeoul sentiu-se aliviado. Felizmente, as coisas haviam corrido de maneira mais tranquila do que o esperado. Como aquela identidade era falsa, ele nunca mais precisaria encontrar Eun Sajun.
— Yeojin! Você está bem?
Ao entrar no quarto do hospital, Yeoul encontrou Yeojin deitado na cama. Ambas as pernas estavam engessadas, mas sua aparência estava muito melhor do que haviam imaginado.
— Sim. Minhas pernas estão um pouco dormentes, mas estou bem.
— Yeojin! Yeoul conseguiu!
O tio sorriu amplamente e colocou sobre a mesa ao lado da cama o anel que Yeoul havia encontrado.
— Uau!
Os olhos de Yeojin se arregalaram enquanto ele se sentava abruptamente.
— É verdadeiro. Que alívio.
Por trás da admiração de Yeojin, havia também uma névoa sombria. Porém, Yeoul não percebeu aquela sensação e tocou timidamente a nuca.
— Eu tive sorte.
— Sorte ou não, é um alívio. Por acaso você fez um contrato de gravidez com Eun Sajun?
— Não. Eu fugi daquela casa enquanto estávamos redigindo o contrato, então não fiz.
— O quê? Você fugiu?
— Sim…
Yeoul assentiu cuidadosamente. Ao mesmo tempo, a expressão de Yeojin ficou sombria e ele começou a roer a unha do polegar. Era um comportamento que surgia quando estava ansioso. Por isso, Yeoul se sentiu ainda mais intimidado, pensando que havia cometido um erro.
— Eu agi de forma precipitada demais?
Ele havia feito aquilo porque não podia mais permanecer ali, já que estava prestes a assinar, mas temia ter causado um grande problema.
Não havia pensado nisso antes porque a situação era urgente, mas, refletindo agora, mesmo que o nome fosse falso, eles não haviam enviado fotos durante as entrevistas para a vaga de governanta? Se o rastreassem por aquele rosto, seria problemático.
— Não, não. Você fez bem. Nosso objetivo era o anel e, como nunca mencionamos um contrato de gravidez antes, não há necessidade de fazer um contrato. Além disso, como você entrou usando uma identidade falsa e o currículo que temos agora não tem foto, não haverá como rastreá-lo.
— O quê? Não tem foto?
— Sim.
— Mas você fez uma entrevista. Não achariam estranho não haver foto?
— Depois da entrevista, troquei o currículo por um sem foto antes de sair. Mesmo usando uma identidade falsa, não queria que meu rosto fosse exposto.
— Mas eles poderiam ter pedido uma foto, dizendo que estava faltando.
— Nesse caso, eu inventaria várias desculpas para não entregar uma foto. De qualquer forma, eles não têm nossos rostos.
— Ah…
Yeoul sentiu suas preocupações desaparecerem e ficou aliviado. Além disso, como não havia tirado nenhuma foto naquele lugar, era esperado que não houvesse grandes problemas. Mesmo que houvesse câmeras de segurança, elas não mostrariam os rostos com clareza.
— Mas qual é a relação de Shin Taeon com Eun Sajun? Eles parecem se conhecer bem.
— Bem, ouvi dizer que eles pertenciam à mesma unidade antes, mas também não sei dos detalhes.
— Hã? Unidade?
— Disseram que os dois eram das forças especiais.
— O quê?
As pupilas de Yeoul se dilataram. Era a primeira vez que ouvia aquilo. Ao mesmo tempo, os ombros largos e a parte superior imponente do corpo de Eun Sajun passaram diante de seus olhos. Ele havia pensado que era um corpo diferente do de uma pessoa comum, e saber que ele era um soldado das forças especiais tornava tudo completamente compreensível.
— Mas por que soldados administrariam empresas entre civis e ainda seriam agiotas?
— Não sei muito sobre isso. Só descobri porque Shin Taeon mencionou de passagem. E também não quero saber profundamente. Desde que consiga escapar daquele desgraçado, não me importo com mais nada.
Yeojin franziu a testa como se estivesse farto daquilo.
— A propósito, você encontrou o anel rapidamente. Pensei que levaria alguns dias. Aquela casa não era enorme? Como conseguiu procurá-la?
— Na verdade, Eun Sajun me deu este anel.
— O quê?
— Yeoul, é sério?
O tio e Yeojin ficaram de boca aberta. Yeoul assentiu sem jeito.
— Como exatamente você conseguiu o anel?
— Ele simplesmente me deu quando eu disse que era bonito.
Ao ouvir a resposta de Yeoul, os olhos de Yeojin ficaram ainda mais incrédulos.
— Hã? Assim, tão facilmente? Pelo jeito como Shin Taeon falou, parecia ser um objeto com uma história…
— Tem uma história?
Não parecia nem um pouco, então Yeoul ficou confuso. O tio também inclinou a cabeça, achando estranho.
— Sim. Ele não explicou em detalhes, mas foi essa a impressão que tive. Bem… no fim, isso foi uma sorte para nós. Preciso encontrar Shin Taeon imediatamente.
O tio pegou rapidamente o celular e entrou na sala de descanso. Como a porta não era à prova de som, a conversa podia ser ouvida claramente.
— Hmm.
Yeojin examinou Yeoul dos pés à cabeça. Parecia um escultor diante de uma obra importante.
— Como Eun Sajun foi gentil com você?
— Hã?
— Essa pessoa é famosa por ter uma personalidade difícil. Eu também tive dificuldade para lidar com ele porque era muito grosseiro.
— O quê? Eu não tive essa impressão.
Embora sentisse que ele não era normal, Eun Sajun havia cuidado dele e chamado um médico particular. Nesse aspecto, parecia ser uma pessoa gentil.
Além disso, por algum motivo, o rosto de Yeojin estava ficando cada vez mais sombrio. Será que seu estado havia piorado novamente? Yeoul ficou preocupado.
— Por quê? Está sentindo alguma coisa?
— Não. Estou bem.
A expressão de Yeojin, que havia ficado sombria por um instante, voltou ao normal. Logo, a porta da sala de descanso se abriu e o tio saiu. Seu rosto brilhava como se flores tivessem desabrochado.
— Shin Taeon. Combinamos de nos encontrar agora. Quando disse que encontramos o anel, ele mandou que eu fosse imediatamente ao escritório.
— Uau, sério?
— Sim. Vou resolver tudo direitinho e voltar, então esperem. Vamos fazer uma festa hoje!
— Vamos fazer isso da próxima vez, quando Yeojin estiver totalmente recuperado.
Como ele havia acordado apenas no dia anterior e mal estava se estabilizando, descansar era a prioridade naquele momento.
— Isso mesmo. Entendi. Então esperem, certo?
— Sim.
— Voltarei em breve.
Logo, o tio saiu. O olhar de Yeojin começou a examinar novamente o rosto de Yeoul. Havia algo afiado como uma lâmina nele. Confuso, Yeoul passou a mão pela bochecha.
— Tem alguma coisa no meu rosto?
— Não. Não é nada.
Yeojin virou a cabeça e ficou olhando pela janela. A neve continuava caindo intensamente.
— Quando eu receber alta desta vez, vamos juntos ao ossuário.
— Hã?
— Precisamos contar aos nossos pais que pagamos a dívida.
— Certo. Faz muito tempo que não prestamos nossas homenagens.
Eles não tinham conseguido visitá-los porque Yeoul estava trabalhando em qualquer emprego que conseguisse.
Na verdade, para Yeoul, seus pais eram como feridas. Durante a vida, seus pais gostavam mais de Yeojin, que era um Ômega extremamente Dominante, e lhe davam tratamento especial.
Isso também era natural.
Os Ômegas extremamente Dominantes tinham gestações e partos mais fáceis do que os demais tipos, e sua segunda geração manifestaria características extremamente Dominantes sem exceção.
Por isso, independentemente de sua origem humilde, empresários bem-sucedidos, celebridades e até pessoas da política os desejavam.
Em contraste, Ômegas extremamente Recessivos como Yeoul eram inférteis. Não tinham ciclos de cio e a gravidez em si era impossível.
Por isso, quando irmãos extremamente Dominantes e extremamente Recessivos existiam na mesma família, o extremamente Recessivo naturalmente se sacrificava para proteger as características do extremamente Dominante. Um exemplo disso era Yeojin frequentar a universidade enquanto Yeoul ganhava dinheiro para pagar sua mensalidade e suas despesas de vida.
Esse estranho sacrifício também era um costume perverso que existia desde a Dinastia Joseon. Naquela época, indivíduos extremamente Recessivos dedicavam toda a vida aos parentes de sangue extremamente Dominantes e, às vezes, até encontravam a morte no lugar deles. Isso acontecia porque a sobrevivência e o prestígio da família eram considerados mais importantes do que o indivíduo.
Talvez tudo aquilo fosse uma providência determinada pela natureza. Desde a infância, Yeoul possuía um forte sentimento altruísta de que precisava proteger Yeojin instintivamente.
Talvez, mesmo que Yeojin não tivesse se ferido, Yeoul acabasse sendo aquele que se infiltraria na casa de Eun Sajun.
Porque Yeojin não podia ser colocado em perigo.
Porque o trabalho perigoso sempre cabia a ele.
Uma semana havia se passado.
Yeoul inclinou a cabeça e olhou para o celular. Isso porque não conseguia falar com seu tio havia vários dias.
— Estranho…
Logo depois de se encontrar com Shin Taeon pela última vez, seu tio havia ligado.
[Yeoul. A dívida foi toda perdoada agora.]
“De verdade?”
[Sim, sim!]
“Então venha logo ao hospital. Vamos comer alguma coisa gostosa hoje.”
[Bem… Yeoul, os pais do meu amigo Jongpal faleceram, então estou indo para Busan agora.]
“O quê? Sério?”
[Sim. Então voltarei em alguns dias.]
“Sim. Entendo…”
Depois de encerrar a ligação daquele jeito, o tio havia ficado completamente incomunicável.
Porém, fosse qual fosse o resultado da conversa com Shin Taeon, agora não havia mais ligações ameaçadoras, nem mesmo ligações banais.
— O tio ainda não entrou em contato com você?
Yeojin, que estava deitado na cama, olhou para Yeoul com preocupação.
— Sim…
— Talvez alguma coisa realmente tenha acontecido.
— Acho que devemos registrar um desaparecimento.
— Vamos esperar mais um dia e então decidir. Esse amigo, Jongpal, é amigo do tio há 30 anos. Talvez esteja ocupado demais consolando-o para conseguir pensar direito.
Yeoul assentiu diante da opinião de Yeojin. Conseguia entender, pois também havia passado pela morte dos pais.
— Entendi. Ah!
Os olhos de Yeoul se arregalaram e ele olhou apressadamente para o relógio na parede. Eram pouco mais de 11 horas da manhã.
— Está na hora de ir para o meu trabalho de meio período.
— É mesmo. Você disse que começaria um novo trabalho hoje.
— Sim. Vejo você à noite.
Yeoul pegou o casaco e o vestiu, depois saiu do quarto do hospital. Passou pelo corredor, desceu pelo elevador e chegou ao saguão. Talvez por ser horário de visitas, o local estava cheio de pessoas.
Então…
— Oh? Senhor Geum Haneul?
Ao ouvir aquela voz familiar, o corpo de Yeoul congelou.
Quando virou a cabeça, Eun Sajun estava bem diante dele.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Gabby.