Capítulo 06
Capítulo 06 。 ₊°༺❤︎༻°₊ 。
— “Suspiro.”
O corpo de Yeoul enrijeceu. Encontrar Eun Sajun assim, justo quando pensara que jamais o veria novamente… Por que diabos ele estava aqui? Era como se a paz que havia conquistado com tanto esforço estivesse desmoronando. Eun Sajun também pareceu surpreso, com os olhos bem abertos.
— Por que você está aqui…
O coração de Yeoul batia tão forte que parecia que ia explodir. Tendo fugido levando apenas o anel, logo antes de assinar o contrato, encontrava-se numa situação constrangedora. A tensão tomou conta de todo o seu corpo e ele recuou lentamente. Eun Sajun, talvez percebendo o movimento, reduziu a distância entre eles.
— Você faz ideia de como fiquei surpreso quando desapareceu de repente da última vez? Não tem noção do quanto fiquei preocupado por não conseguir falar com você durante uma semana inteira.
— Ah… Ah…
Como havia fugido fornecendo informações falsas, era natural que o contato tivesse sido interrompido.
— Fico feliz em nos encontrarmos assim. O que traz você até aqui?
— Não… Bem…
Yeoul ficou sem saber o que responder. A boca estava seca e a língua parecia áspera. A única coisa que dominava sua mente era o desejo de evitar Eun Sajun e fugir.
“E se eu simplesmente cegar os olhos dele e correr?”
Um brilho estranho voltou a cintilar nos olhos de Yeoul. Ao mesmo tempo, ele reuniu força nos dedos indicador e médio.
— Senhor Diretor.
Nesse instante, um homem que parecia ser secretário, vestido com um terno impecável, aproximou-se de Eun Sajun. Ao mesmo tempo, a loucura que brilhava nos olhos de Yeoul se esvaneceu por completo. E sentiu remorso no mesmo instante. Perguntou-se o que estava pensando. Sacudiu a cabeça com ansiedade, como quem volta a si.
Enquanto isso, Eun Sajun conversava com o homem que acabara de chegar. Naturalmente, sua atenção se afastou de Yeoul. Vendo a oportunidade, Yeoul recuou devagar e correu em direção oposta, pelo saguão. Com medo de que ele o seguisse, correu sem olhar para trás, correndo sem parar.
Assim, Yeoul deixou rapidamente o hospital e chegou ao ponto de ônibus. Nesse momento, o transporte que precisava estava chegando; ele embarcou depressa e o ônibus partiu em seguida.
— Hã… hã…
Recuperou o fôlego e acomodou-se num assento nos fundos. As mãos e os pés ainda tremiam. Não esperava encontrá-lo ali. Pensou que Seul fosse maior do que parecia.
“Com certeza isso não vai acontecer de novo.” Soltou um suspiro de desalento.
— Olá. Sou Geum Yeoul.
Fez uma reverência ao homem de meia-idade. O homem que o recebia sorriu e respondeu da mesma forma.
— Sou o gerente Kim Jinhwan. Primeiro, vista o uniforme de trabalho. O vestiário fica aqui.
Yeoul seguiu até o local. Ficou impressionado com o ambiente luxuoso; parecia o cenário de um conto de fadas.
Seu novo emprego era auxiliar de limpeza num restaurante francês. Suas funções incluíam limpar as dependências e recolher resíduos, e a remuneração era bastante boa. Sentia-se confiante, pois já havia feito trabalhos semelhantes.
Embora tivesse quitado as dívidas, ainda precisava trabalhar para se manter. Pretendia aceitar mais serviços no futuro. Quando as coisas se estabilizassem, planejava voltar a estudar, começando pelo exame de conclusão do ensino médio. Tivera que abandonar os estudos por questões familiares, mas guardava grande apreço pelo aprendizado.
Após vestir o uniforme azul-marinho e receber instruções do gerente, parou diante do depósito. Havia outros três rapazes; todos pareciam ser betas e tinham idade próxima à sua. Ao conversar com eles, soube que também eram novatos.
O gerente abriu a porta do depósito.
— No momento, há um caminhão de mercadorias na porta dos fundos. Transfiram tudo para dentro.
— Sim, senhor.
Yeoul ajudou a descarregar as caixas. O dia estava frio e o vento era forte. O uniforme era leve demais, mas o esforço o fazia suar.
Em pouco tempo, o depósito ficou tomado por suprimentos, como se fossem muralhas erguidas.
Por fim, conferiu se as quantidades batiam com a lista que recebera. Os nomes, porém, vinham acompanhados de códigos numéricos estranhos: 35544, 55322, 55677. Não havia ordem nem sequência lógica e não compreendeu o porquê.
Quando terminou, já era noite e a jornada estava concluída. Dirigiu-se ao vestiário com os colegas e pôde ver o salão elegante por onde passara antes.
— Hã?
Não acreditou no que via. Cabelos negros, porte elegante e imponente. Era Eun Sajun, sentado à mesa.
“Credo… O que ele faz aqui?”
Ficou confuso com aquela coincidência absurda. Além disso, jantava acompanhado de um homem de traços refinados — à primeira vista, um Ômega Dominante de classe superior. Por que jantava com alguém assim?
Sentiu o peito apertar sem motivo, mas conseguiu se acalmar. Saiu depressa dali, com medo de ser visto novamente, como acontecera no hospital.
— Hã?
Os olhos de Yeoul se arregalaram ao chegar ao ponto de ônibus. A lista de mercadorias estava na bolsa. Teria colocado ali sem perceber ao trocar de roupa? Ficou sem entender.
— Ai… Isso não pode…
Pensou em devolver no dia seguinte, mas lembrou que o gerente faria uma nova conferência à noite. Voltou correndo ao restaurante.
Como o movimento era grande, preferiu não atrapalhar os colegas. Entrou pela porta dos fundos e foi direto ao depósito. Iria deixar a lista sobre a mesa e sair sem ser visto, quando…
Toc, toc.
Passos soaram acompanhados de uma presença. Pensou que fosse o gerente e ia sair para cumprimentar, mas o corpo paralisou. Era Eun Sajun que vinha em sua direção. Escondido entre as pilhas de caixas, prendeu a respiração.
“Por que… Por que ele vem justo aqui?”
Aquele reencontro o arrepiava. Além disso, só funcionários podiam estar ali. Decidiu se esconder num canto, custasse o que custasse.
— É tudo o que deu entrada hoje?
— Sim, Capitão.
O gerente respondia à pergunta. Yeoul enrijeceu ainda mais. Por que um gerente tratava alguém assim como “Capitão”?
Os passos se aproximavam. Espiou pelas frestas entre as caixas. Eun Sajun vinha cada vez mais perto. O coração disparou e ele encolheu-se no chão, feito uma bola.
A caixa à sua frente mexeu-se levemente. Engoliu a seco. A tampa foi aberta e uma mão branca e larga retirou uma maçã vermelha.
— Estão de excelente qualidade.
Deu uma mordida com elegância. O som foi nítido.
— Muito doce.
— Como é do agrado do senhor Capitão, cuidei pessoalmente da escolha.
— De fato…
Virou-se lentamente para o gerente. Havia um brilho incomum nos olhos azuis.
— Sabe de uma coisa?
— Pois não?
— “As maçãs verdadeiramente saborosas são venenosas.”
O gerente franziu o cenho, confuso. Yeoul também pensou que fosse alguma loucura.
— Segundo o livro de Gênesis, Adão e Eva adquiriram o conhecimento ao provarem o fruto proibido. Deixaram-se envolver pelo veneno que nele habitava.
— Sim…
— Há cinco anos, encontrei minha maçã. Tentei atraí-la por brincadeira, mas não cedeu. No entanto, não conseguia tirá-la da cabeça; dominava meus pensamentos dia e noite, atormentando-me. Enquanto buscava entender o que sentia, tomei uma decisão.
Sorriu de forma sutil. Havia algo de perturbador em seu olhar, como uma tempestade prestes a irromper.
— Posso perguntar qual foi?
Quando ia responder…
Vibr, vibr.
O som do celular cortou o silêncio. Atendeu e o semblante, antes animado, tornou-se frio, embora a voz fosse afetuosa.
— Sim… Entendido. Encontro-me com você amanhã.
Ao desligar, o olhar tornou-se sombrio. O gerente manteve-se atento, tenso.
— Quem era?
— Baek Cheonhui. Aquele que jantou comigo.
— Ah… O Ômega Extremamente Dominante?
O coração de Yeoul pesou.
Lembrou-se do homem que estivera à mesa. Imaginava que fosse um Ômega pela aparência delicada, mas não sabia de sua classificação.
— Parece que firmaremos um contrato. Meu pai quer um herdeiro o quanto antes, e é cansativo.
Pelas entrelinhas, percebeu que a pressão vinha da família.
— Por que não casam?
— Não me atrai. Não tenho confiança de dedicar a vida inteira a uma única pessoa.
Sorriu com desdém e voltou o olhar à caixa de maçãs. Por um instante, Yeoul sentiu que o fitava e baixou a cabeça depressa.
— Levem esta caixa. Combina com o meu humor.
— Sim, senhor.
O gerente pegou a caixa e os dois saíram.
Sozinho, Yeoul relaxou. Sentia alívio por ele ter encontrado um parceiro para o contrato, mas ao mesmo tempo uma ponta de amargura. Algo, porém, não fazia sentido: se fazia questão de ter um herdeiro, por que lhe disseram que nunca havia firmado contrato? Ficou confuso.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Gabby.