Episódio 99
Capítulo 99 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Havia vários motivos. Antes de tudo, andar por cidades grandes como Seul em estágio avançado de gravidez aumentaria as chances de ser notado. Um Ômega masculino com gravidez avançada em si não era comum. Principalmente com a perna ruim.
E o Templo Nuvem Carmesim era o último lugar onde Chahyun e as pessoas ao redor dele esperariam que ele estivesse. Até o próprio Yeonwoo só tinha ido lá uma vez, no ensino fundamental.
Chahyun provavelmente presumiria que ele fora para Seul ou alguma outra província distante. Não esperaria que ele ainda estivesse em Gangwon.
De qualquer forma, não havia muitas opções que ele pudesse escolher com o corpo grávido. O objetivo de Yeonwoo era se esconder dos olhos de Chahyun por enquanto e dar à luz Saebyeok em segurança, sozinho.
Depois que registrasse Saebyeok no seu registro familiar após o parto, seria difícil para Chahyun obter a guarda. Foi o que ele descobriu.
Yeonwoo acreditava que, à medida que Chahyun se acostumasse com a vida de casado depois do casamento, aos poucos o esqueceria. Eles tinham estado próximos demais ultimamente, então Chahyun não tivera chance de pensar racionalmente.
A julgar pelo fato de que só uma pequena parte de sua memória tinha voltado, ele talvez estivesse obcecado por hábito, por causa dos sentimentos que restavam de antes.
Ele sabia que Saebyeok era filho de outro Alfa, então seu apego não seria tão grande nem duraria muito. Se vivessem separados, talvez ele não conseguisse encontrar um motivo para gastar tempo e emoções com um Ômega grávido do filho de outro Alfa.
Yeonwoo esperava que esse dia chegasse logo.
— Haa, haa.
Depois de trocar de ônibus várias vezes, Yeonwoo chegou à entrada do Templo Nuvem Carmesim e deu passos lentos.
Tinha trocado por roupas novas, compradas num centro comercial que vira ao trocar de ônibus, e cobria a barriga com uma bolsa carregada na frente.
A menos que alguém chegasse perto e olhasse seu corpo em detalhes, não saberia que ele estava grávido, mas era melhor não ser visto pelas pessoas o máximo possível, então escolheu ir por onde havia menos gente.
Como o templo ficava na encosta da montanha e ele tinha a barriga pesada e mancava, levou o dobro do tempo.
— Com licença, quer um pouco de água?
Os trilheiros que ele encontrava de vez em quando se aproximavam de Yeonwoo, que ofegava pesadamente, e lhe ofereciam água por gentileza, mas cada vez Yeonwoo abaixava a cabeça e recusava brevemente.
— Estou bem.
Então eles não diziam mais nada.
Depois de conferir de vez em quando o mapa do Templo Nuvem Carmesim salvo no celular, ele finalmente chegou ao destino depois de uma longa subida.
A paisagem tranquila e aconchegante, não muito diferente de sua memória, surgiu à vista. Yeonwoo ficou tão aliviado que quase desabou ali mesmo sem perceber.
Mal conseguindo se manter, mancou para dentro. O templo estava silencioso. Alguns budistas rezavam diante da estátua de Buda ou estavam sentados num banco descansando um pouco, e não pareciam ter nenhum interesse em Yeonwoo, que acabara de entrar.
Ele recusara a água no caminho porque estava nervoso demais, mas, ao chegar ao Templo Nuvem Carmesim, finalmente sentiu uma sede ardente.
Yeonwoo ajeitou a bolsa que cobria a barriga e olhou ao redor. Então avistou uma budista passando por ele e se aproximou.
— Com licença, eu poderia incomodá-la pedindo um copo d’água?
A mulher em vestes budistas se surpreendeu brevemente ao ver Yeonwoo suando em bicas, mas logo assentiu.
— Venha por aqui.
Ela levou Yeonwoo para dentro do prédio e pegou uma garrafa de água mineral. Yeonwoo abaixou a cabeça e agradeceu antes de beber a água em grandes goles.
— Ai, meu Deus, o senhor devia estar com muita sede. Quer outra?
— Não. Agora estou bem. Obrigado.
Yeonwoo disse, limpando a água da boca. Depois olhou para ela.
A budista sorriu gentilmente para Yeonwoo e saiu do prédio de novo. Yeonwoo tentou chamá-la de volta, mas não conseguiu dizer nada e desistiu. Não tinha coragem de pedir, do nada, que o deixassem ficar ali.
No fim, Yeonwoo saiu do prédio sem nenhum ganho e andou pelo templo como se passeasse. Mas logo desistiu, porque estava exausto.
Sentou-se num banco, pensando em como começar, e olhou de relance para as pessoas que passavam, e várias horas se foram num piscar de olhos.
De repente, perdeu a confiança. E se recusassem quando ele pedisse para ficar? O que faria então?
— Haa.
Ele não tinha pensado tão longe. Assim que saísse da casa de campo e chegasse em segurança ao Templo Nuvem Carmesim, ficaria ali por um tempo. Seu plano era só isso.
Depois de ficar sentado distraído por muito tempo, um monge se aproximou, sem conseguir mais assistir àquilo.
— Fiel. O senhor parece ter preocupações profundas, mas infelizmente não há cerimônia budista hoje.
Yeonwoo, que estava meio fora de si, se surpreendeu e virou a cabeça. Ele parecia bem mais jovem do que os monges em que as pessoas geralmente pensavam. Talvez fosse até mais novo que ele.
— Não vim para a cerimônia.
Yeonwoo abriu a boca com dificuldade.
— É mesmo? Perguntei porque o senhor está aqui há um tempo e parecia ter uma história.
— …Monge.
Como se finalmente se decidisse, Yeonwoo abriu os lábios antes que o outro fosse embora.
— Desculpe vir aqui assim de repente e pedir este favor… mas eu poderia ficar aqui por um tempo?
— Como?
— Eu, eu vou pagar a hospedagem durante minha estadia, claro.
O monge encarou Yeonwoo em silêncio por um momento.
— O senhor deseja deixar a vida secular e se tornar monge?
— …Não. Não é isso, só preciso de um lugar para ficar por um tempo.
Yeonwoo disse desesperadamente. Mas o monge balançou a cabeça imediatamente.
— Não aceitamos mais pessoas aqui.
— ……
— Mas o senhor é sempre bem-vindo para visitar o Templo Nuvem Carmesim quando tiver preocupações.
Ele recusou o pedido num tom gentil, juntou as mãos e se virou.
— O senhor não mora aqui desde criança?
Yeonwoo chamou o outro desesperadamente, agarrando-se a qualquer coisa. Então o monge, que ia embora, parou de andar.
Yeonwoo continuou, sem conseguir esconder a impaciência.
— Mi-minha mãe era budista aqui, então vim algumas vezes quando era pequeno. Acho que vi o senhor quando era monge mirim.
O pensamento de que o monge parecia particularmente jovem fez sua boca se mover sozinha. Era uma mistura de mentira e verdade, mas Yeonwoo não estava em posição de distinguir o certo do errado.
Era um cálculo momentâneo: se o monge mirim daquela época tivesse continuado crescendo ali, teria mais ou menos a idade da pessoa diante dele agora.
Depois de um momento de silêncio, o monge assentiu.
— …É verdade.
Ele pareceu um pouco desconcertado com as palavras de Yeonwoo de que o reconhecia como monge mirim.
— Já tínhamos um vínculo profundo, mas eu não consegui reconhecê-lo.
— Eu, eu não sou alguém que cometeu crime ou fez algo ruim. Só preciso de um lugar para ficar por um tempo. Vou ajudar com o trabalho, mesmo que não seja o bastante. Se pedirem para eu provar minha identidade…!
— Quanto tempo pretende ficar?
— Como? Ah…. Uns dois meses.
— ……
— Tudo bem?
O monge assentiu depois de um momento de silêncio. Depois começou a andar na frente sem dizer nada.
Yeonwoo olhou para a figura dele se afastando e o seguiu alguns segundos depois.
O monge, que guiou Yeonwoo até o prédio de hospedagem dentro do templo, deu-lhe um quarto pequeno, mas bem arrumado.
— Pode usar este quarto.
— Obrigado…, obrigado.
Ele ficou tão aliviado que perdeu as forças. Quando Yeonwoo se sentou lentamente no quarto, a bolsa que pendurara no ombro escorregou. Ao mesmo tempo, a barriga saliente de Yeonwoo ficou à mostra.
Yeonwoo reajustou tardiamente a bolsa à sua frente, mas o monge já tinha notado. O olhar dele chegou à barriga de Yeonwoo e à perna engessada.
— Não vai ser fácil ir ao hospital daqui…
— Estou bem.
Yeonwoo respondeu rapidamente, com medo de que ele mudasse de ideia sobre o quarto. De qualquer forma, estando montanha abaixo ou ali, ele não poderia ir ao hospital se quisesse evitar os olhos de Chahyun.
Yeonwoo planejava descer a montanha quando estivesse prestes a dar à luz. Seria uma tarefa difícil em muitos sentidos, mas não havia outro jeito.
— …O senhor deve estar cansado, então, por favor, descanse à vontade por enquanto. Explico as regras de convivência daqui depois.
— Sim, obrigado.
Assim que o monge saiu do quarto, Yeonwoo esticou completamente os braços e as pernas no chão. À medida que o medo e a pressão que pesavam sobre todo o seu corpo desapareciam, a dor começou a subir por todo o corpo junto com o cansaço que o invadia.
Mas Yeonwoo, cansado demais da longa jornada, adormeceu sem sentir a dor por muito tempo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna