Episódio 100
Capítulo 100 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Pouco depois. Depois que o assistente e a administradora saíram, Chahyun ficou sozinho na casa de campo. Ergueu os olhos secos e examinou o interior vazio.
A casa de campo, agora que Yeonwoo tinha ido embora, parecia absurdamente grande. O piso de madeira aconchegante e os sofás macios já não davam a mesma sensação de antes.
— Hum, chefe, com licença um instante.
Justo nesse momento, o administrador responsável pelo conserto das várias instalações da casa de campo abriu a porta da frente e entrou.
— O técnico de instalação das câmeras ligou dizendo que precisa saber a estrutura aproximada do interior antes de vir. Vou só tirar algumas fotos da sala.
O homem de roupa de trabalho olhou de relance para Chahyun, parado na sala. Chahyun não disse nada, mas também não impediu o administrador.
Ele tirou fotos dos ângulos pedidos pelo técnico e se virou para sair rapidamente da casa de campo. Então Chahyun, que estivera em silêncio por um tempo, abriu a boca.
— Deixe aberta.
— Como?
— Eu disse para deixar a porta aberta.
O administrador, que estava prestes a sair, parou sem jeito.
— O senhor quer dizer, não trancar?
— Não feche, deixe escancarada. O Yeonwoo pode voltar mais tarde.
Chahyun murmurou em voz baixa, como um suspiro. Era uma voz muito diferente daquela que mal continha as emoções fervilhantes poucos minutos antes.
O administrador, que entendeu as palavras com atraso, assentiu.
— Ah, sim, sim! Entendi.
Ele parecia perplexo, mas deixou a porta da frente aberta e baixou o calço para fixá-la no lugar.
Chahyun olhou por um momento a paisagem do lado de fora da porta aberta, onde as luzes externas da casa de campo e o portão eram claramente visíveis, e então deu novas instruções.
— Já que está aqui, abra também a varanda e as janelas. Acenda todas as luzes da casa.
Era um tom tão monótono, como se mandasse deixar o carro pronto para seu deslocamento habitual, que o administrador só percebeu depois de alguns segundos que o pedido era de algum modo estranho.
— …Vou abrir tudo agora mesmo.
Mas o administrador não estava em posição de apontar a estranheza. Seu trabalho era se mover rapidamente pela casa de campo, abrindo portas e acendendo luzes como lhe fora ordenado.
Chahyun, observando o administrador se movimentar diligentemente, sentiu como se finalmente conseguisse respirar quando o vento começou a entrar.
Alguém poderia rir se ouvisse, mas talvez ele estivesse pensando na possibilidade de Yeonwoo voltar por conta própria. Sofrendo muito com o corpo fraco e se perdendo, talvez mudasse de ideia pelo bem de Saebyeok e voltasse para a casa confortável. Ele enchia a cabeça com fantasias absurdas assim.
O administrador saiu depois de escancarar todas as portas da casa de campo, e Chahyun ficou sozinho de novo.
Um vento seco e fresco de outono soprou para dentro. Chahyun foi até o sofá da sala e se sentou. O lugar onde estivera deitado com Yeonwoo já tinha esfriado havia muito tempo e estava gelado.
* * *
No dia seguinte. O administrador, que saiu do alojamento de manhã cedo e foi trabalhar na casa de campo, estremeceu diante da cena à sua frente. A porta da frente ainda estava aberta.
Ele entrou às pressas. Chahyun foi a primeira coisa que viu. Chahyun não tinha trocado de roupa e estava sentado no sofá com o mesmo rosto de quando deixara a casa de campo ontem. Parecia não ter dormido nada.
— Chefe de departamento…?
— Alguma notícia?
A voz de Chahyun estava rouca. O interior da casa de campo, com todas as portas abertas, estava gelado, e folhas secas trazidas de fora rolavam pelo chão.
O administrador ficou tão desconcertado que os lábios tremeram.
— Ah… Ah, ainda não há notícias do patrão…
— ……
Não houve resposta de Chahyun. O administrador se aproximou cautelosamente de onde ele estava sentado.
Embora fizesse bastante calor quando o sol saía durante o dia, já era outono e as noites eram frias. Especialmente com tantas montanhas ao redor, a casa de campo era ainda mais fria.
— Vamos fechar a porta agora? Vão entrar insetos se deixarmos aberta mais tempo…
— Deixe aberta.
Chahyun disse obstinadamente. Conferiu o horário uma vez e foi para o quarto vestir o paletó para ir trabalhar, como de costume.
Justo nesse momento, a administradora que trabalhava na cozinha entrou na casa de campo. Notou a casa gelada e encarou o administrador, surpresa, como se perguntasse o que estava acontecendo.
Enquanto os dois trocavam olhares, Chahyun, que terminara de se arrumar para o trabalho, saiu do quarto.
— Enquanto eu estiver no trabalho, se o Yeonwoo voltar para casa, não o incomodem com perguntas irritantes e deixem-no descansar em paz.
— Ah, sim.
— Me avisem imediatamente.
— Entendido.
Depois de dizer isso, Chahyun foi até o estacionamento e entrou no banco do motorista.
Como tanto o assistente quanto o secretário estavam investigando o paradeiro de Yeonwoo, ele mesmo dirigiria para Seul por enquanto.
Chahyun, que deu a partida e agarrou o volante, sentiu de repente uma sensação desagradável apertando o pescoço e afrouxou a gravata.
Nos meses recentes, desde a mudança para Gangwon, sua aversão à sensação de algo tocando o pescoço tinha diminuído consideravelmente. Mas uma inquietação nauseante voltava a se insinuar.
— Hoo.
Mesmo com o nó da gravata afrouxado, ele ainda se sentia estrangulado. Chahyun abriu a janela, frustrado.
Quando o vento frio roçou seu rosto, a sensação de sufocamento diminuiu um pouco.
Não era difícil trazer Yeonwoo de volta diante dele. Mesmo que levasse tempo, ele acabaria sendo pego. Ele sabia disso racionalmente, mas não sabia por que estava tão ansioso.
Se o pegasse desta vez, nunca mais o deixaria ir. Chahyun pensou especificamente em como fazer isso.
Primeiro, instalaria câmeras em todos os cômodos da casa de campo para eliminar pontos cegos e fazê-lo viver só dentro do seu campo de visão. Quando dormisse, quando comesse, quando amamentasse Saebyeok, ele conferiria cada movimento com os próprios olhos.
Saídas só seriam permitidas muito ocasionalmente, apenas quando ele estivesse ao seu lado. Assim, Yeonwoo o esperaria na casa de campo.
Enquanto fazia planos cuidadosamente, ainda não estava satisfeito. Sem conseguir suportar a sensação de as entranhas secarem constantemente, Chahyun enfiou a mão no bolso para procurar um cigarro, como fazia no passado.
Então pegou o celular. Era o de Yeonwoo. Olhou fixamente para o celular desligado por um momento, depois o guardou de volta no bolso e agarrou o volante.
Sua concentração continuava se dispersando. Percebeu que os métodos que vinha repetindo na mente, sobre como confinar Yeonwoo de forma mais completa, não passavam de planos inúteis por ora, e tudo pareceu sem sentido.
Devia ter simplesmente dado o celular a ele. Era difícil suportar porque não conseguia contatá-lo.
Logo, pensamentos realistas invadiram sua mente.
Devia ser um longo caminho da casa de campo até o ponto de ônibus. Era isso o mais preocupante. Ele ficava sem fôlego e ofegava fácil mesmo com pouco movimento, então como poderia….
Se tivesse andado tanto, as pernas dele não poderiam estar em boas condições agora.
Chahyun franziu a testa por hábito, tocando o pescoço. Justo nesse momento, recebeu uma ligação do assistente.
— Encontraram o Hong Yeonwoo?
Ele perguntou assim que atendeu.
—Ainda não. Estamos rastreando os movimentos da mãe do sr. Hong Yeonwoo e de outras pessoas próximas, mas até agora não confirmamos nenhuma circunstância em que tenham feito contato ou se encontrado.
O assistente devia ter ligado para um relatório parcial, mas, do ponto de vista de Chahyun, era óbvio demais. Se não quisesse ser pego, ele nem entraria em contato com conhecidos por enquanto.
— Verifiquem os hospitais também. Procurem no país inteiro. Ele vai precisar ir a uma consulta em breve.
—Estávamos focando nas grandes cidades, mas vamos expandir a área o máximo possível.
— E a agência de detetives?
—Já fizemos o pedido. Compartilharemos qualquer notícia assim que chegar.
Assim que terminou a ligação sem resultados, Chahyun teve que parar o carro por causa de um semáforo.
Os carros estavam espremidos na frente e atrás, fazendo-o se sentir preso numa prisão. Ele se recostou fundo no banco e olhou para o teto. Depois pressionou as mãos com força sobre os olhos.
* * *
Depois disso, as notícias que chegavam não eram boas. Nada era claro.
Uma testemunha apareceu dizendo ter visto de manhã alguém que se presumia ser Yeonwoo, mas, quanto mais perguntavam, mais os depoimentos divergiam. Como resultado, não foi útil o bastante para descobrir para onde ele seguia.
Também havia poucas câmeras, então havia um limite para a busca nas imagens. O fato de um celular que antigos funcionários usavam ter sido encontrado no segundo andar da casa de campo não ajudou muito a descobrir o paradeiro de Yeonwoo.
No entanto, quando Chahyun, que tinha saído do trabalho alguns dias antes, voltou à casa de campo, descobriu por que Yeonwoo estava na sala dos funcionários no segundo andar. Yeonwoo provavelmente estava vasculhando o cômodo para encontrar o celular.
— Vou tirar daqui todas as coisas dessas pessoas.
— Me chamaram de seu amante. Estavam reunidos no segundo andar dizendo coisas assim.
Quando Chahyun lhe perguntou o que fazia ali, ele claramente estremeceu, como se surpreso, mas depois mudou de atitude e ficou com raiva.
— Por que eu tenho que ouvir esse tipo de coisa? Não quero essas pessoas aqui, então mande-as embora. Diga para virem pegar toda essa tralha de merda, rápido!
Chahyun ficara ansioso com a possibilidade de Yeonwoo se machucar, porque ele estava arremessando coisas descontroladamente. Não tivera tempo de pensar por que ele estava ali, e o assunto foi esquecido.
Porque as palavras que vieram em seguida eram doces demais.
— Por que você demorou tanto? Porque você não volta para casa, o Saebyeok e eu estamos ouvindo esse tipo de coisa.
— Você pode prometer que, mesmo depois de casar, não vai passar a noite fora e vai vir para a nossa casa?
As palavras de que ele estivera esperando que voltasse tarde para casa, e a voz que queria confirmar que ele sempre voltaria para ali, cegaram seus olhos e ouvidos.
Chahyun tivera, naquela hora, o pensamento extremamente despreocupado de querer lamber os longos cílios trêmulos de Yeonwoo. Sem perceber que a reação era diferente ou estranha em relação ao habitual.
Provavelmente Yeonwoo tinha conseguido o celular como queria naquela hora. Porque seria impossível escapar naquela região sem conhecer os transportes e as estradas.
Então, as palavras e ações de Yeonwoo eram só atuação para mostrar a Chahyun o que ele queria.
Ele tinha sido completamente enganado, a ponto de ser constrangedor que tivesse jurado nunca mais ser enganado.
Sem conseguir superar a raiva e a traição, Chahyun destruiu todos os celulares encontrados no segundo andar e os jogou fora.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna