Episódio 97
Capítulo 97 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Depois que as imagens das câmeras confirmaram que Yeonwoo tinha deixado a casa de campo, Chahyun instruiu os administradores a vasculhar os arredores. Nas condições atuais, Yeonwoo não teria conseguido ir longe, de qualquer forma.
Mesmo que tivesse, teria deixado rastros. Diferente de Seul, um Ômega masculino grávido andando por um vilarejo tranquilo de Gangwon, onde não há muita gente, não é algo comum.
Chahyun tinha certeza de que encontrar uma testemunha seria mais rápido do que em Seul.
— Chefe, recebi uma ligação da casa de campo. Devemos cancelar o restante da agenda da tarde?
— Não precisa.
Chahyun respondeu, estendendo a mão para o secretário que tinha entrado no escritório. O secretário, que ia pegar o celular para ajustar a agenda, parou.
— Como?
— Eu disse que não precisa. Você veio me trazer documentos, não veio? Me dê e saia.
A voz de Chahyun estava mais calma que o normal, embora mais baixa. O secretário, que esperava que ele partisse para Gangwon assim que soubesse que o paradeiro de Yeonwoo era desconhecido, ficou momentaneamente surpreso.
— O senhor não precisa ir?
Sabendo o quão sensivelmente Chahyun reagia aos assuntos de Yeonwoo, o secretário perguntou de novo para confirmar. Então, com atraso, entregou a Chahyun as pastas de trabalho que segurava.
— O que vai mudar se eu for agora?
Chahyun as recebeu calmamente, abriu a pasta e pegou uma caneta.
— Ele provavelmente ainda não foi longe, de qualquer forma.
Pensando racionalmente, era isso. Não era como se ele pudesse pegar um barco ou avião para o exterior grávido daquele jeito. No máximo, teria ido para Seul ou outra cidade grande.
A mão de Chahyun que segurava a caneta estava apertada com tanta força que as veias saltavam, mas logo ele leu o conteúdo do documento e concluiu a aprovação.
— Em vez disso, tenho que trazê-lo para casa até amanhã, no máximo. Ele já está pesado.
— Entendido. Então seguirei com a agenda da tarde conforme planejado.
Algumas horas depois, Chahyun, tendo terminado o trabalho agendado, saiu do escritório um pouco mais cedo que o normal e seguiu para Gangwon. Até então, não havia nenhuma informação nova sobre o paradeiro de Yeonwoo.
No entanto, encontraram uma testemunha.
— Parece que ele pegou o primeiro ônibus para a cidade de madrugada. O motorista do ônibus disse que viu um passageiro homem que parecia ter uns 20 e poucos anos. Mas ele não parecia grávido, então ainda não é certo se o passageiro de que o motorista fala é o senhor Hong Yeonwoo.
Uma pessoa presumivelmente Yeonwoo pegou o primeiro ônibus perto da casa de campo, mas não era um homem grávido. Como ele tinha escondido?
— Ele estava usando um colete grande na hora. Pelo que ouvi, era a roupa de trabalho usada pelo jardineiro da casa de campo. Então parece que é definitivamente o patrão….
Chahyun, no carro dirigido pelo assistente, olhava pela janela, repetindo as palavras que ouvira do administrador. Vários pensamentos invadiam sua cabeça de forma caótica.
O administrador disse que não havia sinais de Yeonwoo ter aberto à força e saído da casa de campo. Mas, se Yeonwoo fosse escapar dali, deveria haver pelo menos algum vestígio de ele ter arrombado a porta, quebrado a janela ou tentado destrancá-la.
Isso por si só era uma questão. O fato de não haver nenhum vestígio de Yeonwoo saindo. Como as câmeras não estavam instaladas por todo o prédio, havia um limite para entender a rota de fuga de Yeonwoo por meio delas.
De qualquer forma, escapar da casa de campo atual sem usar a força era quase impossível.
Mas e se alguém tivesse ajudado Yeonwoo a escapar?
Quando o pensamento chegou a esse ponto, os tendões da mandíbula de Chahyun se contraíram. Isso era realisticamente difícil.
Não havia como os administradores que trabalhavam na casa de campo por dinheiro terem ajudado Yeonwoo sem nenhum benefício. Além disso, a probabilidade de fracasso era alta, não era? O administrador não ignoraria isso.
Na verdade, era mais realista que um deles tivesse se aproximado com intenção e levado Yeonwoo deliberadamente.
— Porra.
Chahyun cuspiu um palavrão só de pensar na possibilidade enfurecedora.
Devia ter instalado mais câmeras na casa de campo. Arrependeu-se de tê-las instalado só do lado de fora da porta da frente, na sala e no quarto de Yeonwoo.
Yeonwoo se levantou do sofá onde dormia com Chahyun de madrugada, entrou no quarto e depois saíu para a sala com a bagagem, desaparecendo completamente do campo de visão da câmera.
Chahyun, assistindo à mesma cena repetidamente, parou a tela na imagem de Yeonwoo em pé na sala, encarando-o em silêncio. Sua boca ficou seca.
Claramente, quando ouviu a notícia de que Yeonwoo tinha desaparecido, estava confiante de que poderia trazê-lo de volta. Sua compostura superficial desmoronou rapidamente.
Se alguém se aproximou deliberadamente e o levou, quem está por trás? Com que propósito?
Baek Ha-hyun já tinha feito uma visita enquanto ele estava fora, então a suspeita pendeu brevemente nessa direção. Mas ela gostaria de vê-lo obcecado e protegendo o Ômega, então não estaria em posição de impedi-lo.
O lado da mãe também não se encaixava. Com o casamento próximo, ela não era do tipo que agiria de forma precipitada e extrema.
Ficando impaciente, Chahyun tentou ligar para Yeonwoo por hábito, mas cerrou os dentes ao perceber que estava com o celular dele.
Enquanto todo tipo de pensamento se perseguia e agitava sua cabeça, ele chegou à casa de campo antes que percebesse.
Assim que o assistente estacionou o carro em frente ao prédio, Chahyun entrou correndo na casa de campo.
— Alguma notícia nova?
Ele agarrou imediatamente a administradora e perguntou.
— Ainda não. Estamos perguntando por aí, mas quase não há câmeras nesta região, então vai levar tempo para encontrá-lo. Mas a porta da frente nunca foi aberta, então como ele saiu?
A administradora mostrou o vídeo a Chahyun, que acabava de chegar, e explicou. Excepcionalmente, ela recebeu o direito de ver as câmeras instaladas na entrada e estava revisando as imagens gravadas.
— Mesmo que ele tivesse conseguido a chave de algum jeito, deveria haver sinais de a fechadura ter sido aberta. Não é como se uma pessoa evaporasse de repente…
Se Yeonwoo nunca saíu pela porta da frente e não havia sinais de nenhuma das portas da casa de campo ter sido destrancada, significava que havia outra porta que levava para fora.
Chahyun olhou fixamente para a direção em que Yeonwoo seguia na câmera antes de desaparecer da tela.
Depois de assistir à cena várias vezes, comparou a olho nu a direção que Yeonwoo seguia na câmera com a direção real do interior. Depois foi até a cozinha e abriu a porta ao lado.
Chahyun nunca tinha entrado naquele cômodo, porque era usado como depósito.
Examinando o interior, empoeirado aqui e ali por falta de cuidado, encontrou finalmente uma pequena porta no canto.
— Não pode ser.
Ele murmurou baixinho e girou a maçaneta. A porta se abriu facilmente com um estalo.
Então surgiu um cômodo tão estreito que era difícil uma pessoa se deitar.
O interessante era que havia outra porta ali.
Chahyun entrou às pressas no cômodo estreito, como alguém sendo perseguido, e escancarou a porta do lado de dentro.
— Hã.
Surpreendentemente, a porta dava diretamente para fora.
O ar frio de fora soprou no rosto de Chahyun enquanto ele soltava uma risada vazia.
Pensar que havia outra entrada além da porta da frente. Isso esclarecia a rota misteriosa de Yeonwoo.
— Ai, meu Deus, tinha outra porta aqui.
As pessoas que seguiram Chahyun até o cômodo se surpreenderam e se entreolharam.
— Nossa.
— A Seongmi sabia?
— Eu não sabia. É um cômodo que não usamos. Mas, sério, ninguém sabia que tinha outra porta aqui?
Não só Chahyun, mas também os administradores reagiram como se vissem aquilo pela primeira vez. Chahyun examinou a porta velha e estreita pela qual Yeonwoo escapara tranquilamente de madrugada. E se perguntou.
Como Hong Yeonwoo sabia disso? Da existência de uma porta que nem as pessoas que trabalhavam na casa de campo conheciam.
— Não consegui dormir direito porque você não voltou para casa.
— …Quer que eu faça para você? Estou preocupado porque você disse que estava com fome. Você reclama tanto quando eu passo fome, mas não cuida de si mesmo.
Ele foi tomado por uma sensação de traição ao perceber que Yeonwoo nunca tinha considerado um futuro com ele e esteve procurando uma oportunidade de sair por ali desde o início.
Depois de dizer palavras tão doces ainda ontem.
— Você fica melhor com lapelas que se destacam do que com algo tão simples… Hng.
A voz desesperada e o olhar voltado para ele — pensar que tudo tinha sido mentira fez a raiva ferver das profundezas.
— Chefe, o que devemos fazer?
O assistente, que observava a situação em silêncio ao lado, perguntou. Chahyun abriu a boca, encarando as folhas do grande vaso bem em frente à porta que dava para fora.
— Temos que encontrá-lo. Hong Yeonwoo.
— Por onde devemos começar a procurar?
Ele respirou e disse.
— A pessoa que o motorista do ônibus viu no horário do primeiro ônibus deve ser o Yeonwoo. Pegar um táxi tão cedo chamaria atenção demais, então ele não teria tentado. Como o transporte é limitado, ele deve ter trocado de ônibus pelo menos uma vez, então comecem a procurar nas câmeras daquela região.
Mesmo que ele não tivesse sido captado pelas câmeras, devia haver outra testemunha além do motorista do ônibus. Mesmo que cobrisse a barriga, teria chamado atenção arrastando a perna.
Depois de terminar as instruções ao assistente num tom indiferente, Chahyun fez sinal para a administradora que trabalhava ali havia mais tempo se aproximar.
— Chame alguém e instale câmeras na casa.
— Sim.
— Desta vez, sem exceção, em todos os cômodos.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna