Episódio 92
Capítulo 92 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Yeonwoo respirou fundo e pegou rapidamente a chave. Apertou-a com força no punho, com medo de deixá-la cair.
O tremor não parou quando ele pegou a chave. Junto com ele, um impulso forte se inflamou como uma chama num instante.
Devo simplesmente sair agora? Já estava escuro o bastante para uma fuga decente.
Yeonwoo, como se estivesse possuído, pegou a chave e a inseriu na fechadura. Clique. O som do metal se encaixando sem muita resistência atravessou seus ouvidos.
Ele estava prestes a girar a chave e abrir a porta quando,
—Patrão, ainda não achou?
A voz da administradora o pegou.
Assustado, ele tirou a chave às pressas e se virou. Saiu correndo do quartinho e fechou a porta no exato momento em que a administradora abriu a porta do depósito e entrou.
— Senhor?
— Ah. Acho que não está aqui. Não consegui achar.
— Né? Provavelmente não tem ingrediente nenhum neste cômodo. É só um lugar para guardar coisas sem uso.
Ela encarou Yeonwoo, parado distraído no meio do depósito, com um olhar intrigado.
— Se não está aí, por que não sai? Por que está parado assim?
— …Só por precaução.
— Ugh, a poeira. Vamos sair logo daqui. Preciso tirar um dia para aspirar este lugar.
— ……
Yeonwoo segurou a chave com força e seguiu a administradora para fora, até a sala. Fazia o possível para parecer indiferente, mas seu coração batia como se fosse explodir.
— Que tipo de farinha o senhor estava procurando mesmo? Vou procurar na cozinha.
A sensação do metal se chocando e vibrando levemente ainda permanecia na ponta dos dedos.
— Patrão?
— Sim?
— Que tipo de farinha o senhor está procurando…
— Ah. Deixa para lá. De repente fiquei cansado, então faço depois.
Yeonwoo deu uma desculpa, passou pela administradora e entrou no quarto. Assim que fechou a porta e ficou sozinho, respirou fundo, pesadamente. Depois conferiu a chave na mão.
Então a colocou rapidamente no bolso, pensando que também poderia haver uma câmera no quarto, e agiu da forma mais natural possível.
Colocou a mão no peito, que ainda batia forte, e respirou devagar.
— Hoo…
Quando encontrou a porta que levava para fora da casa de campo no quartinho, quase a abriu e saiu correndo. Teria feito isso se não tivesse ouvido a voz da administradora.
Se tivesse saído naquela hora, não teria conseguido correr muito antes de ser pego. Era um horário em que a administradora perceberia facilmente sua ausência, e ele estaria mancando por aí sem conhecer direito o caminho.
— Foi a coisa certa a fazer?
Yeonwoo sentou-se na poltrona reclinável e murmurou distraído. Depois endureceu o coração.
Tinha que tomar cuidado, já que só teria uma chance. Se descobrissem que havia outra porta para fugir além da porta da frente, ele não conseguiria sair dali até dar à luz Saebyeok.
Para escapar sem ser pego, precisava conhecer o caminho e, para isso, precisava absolutamente de um celular.
Celular. Yeonwoo repetiu a palavra para si mesmo, como se lembrasse. Agora, só preciso encontrar o celular.
— O chefe disse que talvez não consiga vir hoje, então não espere e vá dormir.
Algumas horas depois, a administradora se aproximou de Yeonwoo, que tinha saído para a sala.
Yeonwoo, que tomou banho e trocou de roupa porque estava coberto de poeira do depósito, jogou para trás o cabelo ainda úmido.
— Por quê?
— Talvez só esteja ocupado com o trabalho?
Assim que Yeonwoo ouviu isso, sua expressão se contorceu.
— Ele não disse mais nada?
— Não. Ah, ele mandou separadamente por alguém a sobremesa que o senhor mencionou, então eu recebi. Está na geladeira; me avise se quiser comer.
— ……
O que está acontecendo? Chahyun, que sempre voltava para a casa de campo sem falta mesmo quando saía tarde do trabalho, ia passar a noite fora. Por algum motivo, aquilo parecia agourento. Especialmente hoje.
O sono que o envolvia preguiçosamente desapareceu num instante, com a sensação de que algo poderia estar errado.
Chahyun percebeu alguma coisa? Mas como? Ele me ouviu falando com a mãe? Ou instalou câmeras até no depósito em que entrei hoje?
Havia vários motivos possíveis, e sua boca ficou seca. Se Chahyun estivesse diante dele, poderia pelo menos olhar seu rosto e adivinhar o que ele pensava, mas a notícia de que ele ia de repente passar a noite fora, algo que nunca fazia, fez todo tipo de pensamento ansioso passar por sua mente.
Devo ligar para ele e sondar? …Não, isso pode parecer suspeito demais.
Yeonwoo mordeu o lábio inferior e quebrou a cabeça, depois balançou a cabeça. Era cedo demais para julgar precipitadamente. Se ele realmente tivesse percebido algo, teria voltado à casa de campo ainda mais cedo.
Yeonwoo organizou os pensamentos com calma e conferiu o horário. Talvez a ausência de Chahyun facilitasse para Yeonwoo encontrar o celular no segundo andar.
Se ficasse mais tarde do que agora, os administradores iriam para casa ou dormir, e seria mais fácil andar pela casa de campo.
Mas havia uma coisa que Yeonwoo deixou passar. Se Chahyun não voltasse para casa, os administradores também não sairiam do trabalho.
Tarde da noite, Yeonwoo saiu do quarto, abafou os passos e subiu para o segundo andar. Só se lembrou desse fato quando ouviu vozes murmurando lá em cima.
— Então Sr. Hong, o patrão, é amante dele?
Os passos de Yeonwoo, que estava na escada, pararam bruscamente diante dos sussurros que ecoavam da sala do segundo andar.
— Isso mesmo. O chefe vai se casar no mês que vem, sabe.
— Mas como ele engravidou do filho dele? Sabendo que ele ia ser um homem casado? O que ele vai fazer?
— Vai viver como amante, com toda a dignidade.
A mão de Yeonwoo, que segurava o corrimão, foi se apertando gradualmente.
— Mihyun-ssi, por que está dizendo essas coisas? Falando francamente, quem é que está trancado aqui?
— É verdade. Não é como se o patrão quisesse estar aqui. Qualquer um vê…
— Ugh, sei lá. Já é ruim o bastante ser um Ômega masculino, mas como pode ter um filho com alguém que está prestes a se casar?
— Ouvi dizer que é filho de outra pessoa.
— Ah, então é por isso que todas as portas estão trancadas, para impedir que ele saia por aí?
— Ai, meu Deus, quanta coisa acontecendo.
Era um padrão de conversa familiar. Não era que ele não esperasse que esse tipo de história surgisse. As pessoas geralmente procuravam alguém para culpar primeiro em situações moralmente erradas.
— Não sei agora, mas a cara dele é de raposa, então deve ser Ômega, né?
— Então ele vai seguir os passos da mãe.
— Olha aquele pirralho já andando de cabeça erguida. É igualzinho ao moleque maluco daquela vadia.
Não ser honrado sempre significara viver com um rótulo vergonhoso. As memórias desagradáveis do passado se sobrepuseram às vozes dos administradores atuais, e ele sentiu náusea.
A ideia de que Saebyeok pudesse ouvir esse tipo de coisa no futuro fazia seu peito arder. Yeonwoo cerrou os dentes, tentando não se deixar abalar pelas palavras deles.
A determinação de Yeonwoo de não deixar Saebyeok ao lado de Chahyun ficou ainda mais forte naquele momento. Yeonwoo fingiu não conhecer as emoções sombrias herdadas da infância e pisou nos degraus.
— Bom, com as condições do chefe, qualquer um seria amante…
— Com licença. Posso pegar seu celular emprestado?
— Ai, meu Deus!
— Vou ligar para o Baek Chahyun.
Os administradores, que estavam reunidos conversando, se dispersaram surpresos quando Yeonwoo de repente subiu ao segundo andar e falou.
— P-Patrão. Quando… o senhor subiu?
— Desde quando vocês estavam fazendo alvoroço sobre se eu era amante ou não.
As expressões das pessoas empalideceram diante da resposta calma de Yeonwoo.
— B-bom, isso…
— Senhor, o que acabamos de dizer foi, bom…
— Rápido, o celular.
— P-para que o senhor vai usar o celular?
— Estou curioso para saber se o Baek Chahyun vai mesmo passar a noite fora. Vocês ouviram alguma coisa?
— Ouvi dizer que ele saiu de Seul há pouco. Disse que chegaria tarde…
— ……
— Hum, patrão. Não quisemos… Só estávamos falando por falar.
A administradora responsável pela cozinha gaguejava horrorizada.
— …Me desculpe mesmo.
— Desculpe, senhor. Não quisemos falar daquele jeito.
Yeonwoo assentiu superficialmente, como se entendesse, e suspirou.
— Não quero ver a cara de vocês agora, então gostaria que fossem embora.
Diante das palavras de Yeonwoo, os funcionários, que se entreolhavam, desceram correndo. Só uma pessoa ficou em algum lugar do primeiro andar, provavelmente por causa da ordem de Chahyun para vigiá-lo, e todos os outros deixaram a casa de campo.
Yeonwoo, confirmando que o segundo andar estava vazio, apressou os passos. Quem diria que uma fofoca tão baixa me seria útil um dia. Graças a eles, talvez eu consiga encontrar o celular agora mesmo. Vivendo e aprendendo.
Yeonwoo entrou no cômodo no fim do corredor do segundo andar, como a mãe dissera. Havia bastantes armários e bagagens lá dentro, o que tornava trabalhoso abrir cada um, mas, de qualquer forma, ele não hesitou em vasculhar o cômodo, pensando que estava sozinho ali.
— Celular. Celular…
Yeonwoo murmurava para si mesmo como um louco e revirava todas as gavetas e armários. O interior estava muito bagunçado, porque os pertences dos administradores que trabalhavam atualmente na casa de campo estavam misturados por todo lado.
Yeonwoo movia as mãos rapidamente, mas hesitou várias vezes pela pressão de que câmeras pudessem estar observando-o de lugares que ele não via.
Mas não podia parar. Mesmo que houvesse câmeras ali, não podia simplesmente ficar parado sem fazer nada.
Quantos minutos se passaram? Por fim, Yeonwoo conseguiu encontrar o celular numa caixa velha no armário que ficava bem embaixo.
— Hoo.
Era um modelo antigo, mas não parecia difícil conectá-lo à internet para buscar informações ou rotas. Além disso, os carregadores estavam cuidadosamente organizados ali perto.
Yeonwoo escolheu um dos celulares mais intactos e o enfiou no bolso. E estava prestes a pegar o carregador quando,
— O que você está fazendo aqui?
A voz grave de Chahyun ecoou atrás dele.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna