Episódio 93
Capítulo 93 ── ⋆⋅☆⋅⋆
A respiração de Yeonwoo travou. Ele tinha considerado que alguém pudesse entrar ali sem dizer nada, mas nunca imaginou que seria Chahyun.
Por que ele já estava aqui? Achava que tinha bastante tempo antes de ele voltar. Será que havia câmeras instaladas até naquele cômodo pequeno do segundo andar?
Não havia como saber o quanto Chahyun sabia, então seus lábios permaneceram selados.
— Hong Yeonwoo. O que você está fazendo?
Enquanto a cobrança de Chahyun continuava, Yeonwoo sentiu as pernas prestes a ceder. Agarrou o armário para se apoiar a custo e depois arremessou com força o que conseguiu pegar na mão.
— Vou tirar daqui todas as coisas dessas pessoas.
— O quê?
Copos, lenços, um calendário de mesa, uma luminária — tudo o que estava em cima do armário foi jogado no chão por Yeonwoo. Então, antes que Chahyun pudesse impedi-lo, ele se virou e o encarou.
— Eles estão me chamando de seu amante. Estão reunidos no segundo andar, dizendo coisas assim.
— Quem?
A expressão de Chahyun se contorceu horrivelmente.
— Por que eu tenho que ouvir esse tipo de coisa?
Yeonwoo explodiu, atacando Chahyun. Por fora, erguia a voz como se não conseguisse controlar a raiva, mas, por dentro, estava ansioso, sem saber o quanto Chahyun cairia naquela encenação.
Ainda assim, achou que era um ataque de birra que valia a pena tentar.
— Já é frustrante o bastante estar preso aqui, mas por que eu deveria deixar pessoas que não sabem nada sobre mim dizerem essas coisas? É tudo culpa sua!
— O que mais eles disseram?
Chahyun se aproximou de Yeonwoo, agarrando os dois braços dele enquanto perguntava.
— Disseram que estou preso aqui por sua causa. Que você me trancou porque o Saebyeok é filho de outro Alfa.
Yeonwoo se livrou de Chahyun e, mais uma vez, arremessou indiscriminadamente tudo o que via. O cômodo virou uma bagunça num instante. E todos os vestígios de Yeonwoo revirando as coisas foram apagados com perfeição.
— Não quero essas pessoas aqui, então mande-as embora. Diga para virem pegar toda essa tralha de merda, rápido!
— Entendi, então pare. Vai machucar as mãos.
Diferente de antes, Chahyun agora agarrou o braço de Yeonwoo com força.
— Por que você demorou tanto? Porque você não volta para casa, o Saebyeok e eu temos que ouvir esse tipo de coisa.
— A culpa é minha. Desculpe, vou voltar cedo para casa daqui para a frente.
Enquanto Yeonwoo tremia, Chahyun o abraçou com força para impedi-lo de se mover mais. Os leves feromônios de Alfa que emanavam do corpo dele acalmaram Yeonwoo.
Sua voz era suave e gentil, como quem acalma uma criança. Enquanto ele continuava dando tapinhas em suas costas, as emoções agitadas pareciam diminuir aos poucos. A essa altura, Yeonwoo duvidava se estava realmente atuando ou se estava genuinamente com raiva.
De qualquer forma, funcionando ou não aquela encenação irracional, Chahyun não perguntou mais por que Yeonwoo estava ali.
Quando ele até pediu desculpas, o corpo rígido foi relaxando gradualmente. Yeonwoo, ainda nos braços dele, enfiou tardiamente e com cuidado no bolso o carregador, que continuava largado de forma estranha sobre o armário.
— Vou mandar embora as pessoas que estão aqui agora e advertir as novas, então vamos descer.
Logo, Chahyun pegou a mão de Yeonwoo e o conduziu para fora do cômodo.
— …Nunca mais deixe o Saebyeok e eu ouvirmos esse tipo de coisa.
— Não vou deixar.
Chahyun envolveu com cuidado a mão de Yeonwoo e beijou o dorso dela. Yeonwoo, relutante, fingiu dar um passo e seguiu Chahyun para fora do cômodo.
— Por que ainda não dormiu?
— Não sei. Acordei no meio da noite.
— O Saebyeok se mexeu de novo?
— Isso também. Não consegui dormir direito porque você não estava em casa. Então é culpa do Baek Chahyun eu não ter conseguido dormir.
— É verdade. Não vou mais passar a noite fora daqui para a frente.
Mesmo com ele sendo tão irracional, seria de esperar que Chahyun ficasse sério, mas ele até acolhia as reclamações de Yeonwoo. Estranhamente, esse aspecto era o mesmo antes e depois da perda de memória, o que era fascinante.
Yeonwoo achava que provavelmente era porque ele não costumava reclamar muito.
— …Mesmo depois de casar?
Yeonwoo, que caminhava atrás de Chahyun, parou de repente e perguntou.
— Você pode prometer que, mesmo depois de casar, não vai passar a noite fora e vai vir para a nossa casa?
— Posso. Com certeza.
Chahyun respondeu sem hesitar. Claro, Yeonwoo não acreditou naquela promessa. Naquele momento, toda a sua atenção estava focada em como diminuir a desconfiança dele e criar uma situação em que fosse mais fácil escapar da mansão.
— Vou mandar limparem aquilo amanhã, então vamos descer agora.
Yeonwoo assentiu obedientemente.
A maioria dos administradores sairia por causa dele, mas ele não se importava com o que acontecesse com eles. Ele não estaria ali amanhã, de qualquer forma.
Além disso, todas aquelas pessoas tinham sido contratadas por Chahyun e relatavam cada movimento dele, então não sentia pena especial. Principalmente depois de relembrar a conversa que ouvira antes.
— Quer colo?
Chahyun perguntou ao ver Yeonwoo mancando e descendo as escadas devagar. Yeonwoo balançou a cabeça violentamente, segurando o corrimão. Se abraçasse Chahyun agora, poderia ser pego com o celular e o carregador no bolso.
Diante da recusa firme, Chahyun observou Yeonwoo descer cada degrau com uma expressão descontente.
— Você também não comeu quase nada da sobremesa que mandei hoje.
— Como amanhã.
— Então entre e durma logo.
— Você… jantou?
— Ainda não.
Desta vez, a testa de Yeonwoo se franziu.
— Que horas são? A empresa não te dá comida?
— Hoje eu estava muito ocupado mesmo. Mas você não parece acreditar em mim nem um pouco.
— Então coma e vá dormir.
Assim que Yeonwoo disse isso, percebeu que tinha acabado de expulsar todos os administradores. Até o número mínimo de pessoas que tinham ficado para vigiá-lo parecia ter ido embora de vez com a chegada de Chahyun.
— …Quer que eu faça para você?
— Não precisa.
Chahyun retrucou como se tivesse ouvido algo estranho. O próprio Yeonwoo sabia que não havia como ele pedir ao Yeonwoo grávido que cozinhasse àquela hora da noite. Tinha adivinhado que ele recusaria, mas ele foi mais sério do que esperava, o que o deixou constrangido sem motivo.
— Estou preocupado porque você não comeu. Você reclama tanto de eu não comer, mas não cuida de si mesmo.
— Está preocupado comigo?
— …Estou.
— Achei que ficaria feliz.
Yeonwoo o encarou antes de suspirar.
— Estou irritado, mas estou preocupado. Então coma na minha frente.
— Como quiser. Vou me lavar primeiro, então me espere olhando aquilo.
Chahyun fez sinal para Yeonwoo conferir a pilha de papéis sobre a mesa da sala antes de entrar no banheiro do quarto.
Só depois de ouvir o som da água no banheiro Yeonwoo soltou uma longa respiração contida e entrou rapidamente em seu quarto.
Uma coisa era certa: Chahyun não tinha instalado câmeras naquele cômodo do segundo andar. Se tivesse, não teria reagido daquele jeito agora há pouco.
Yeonwoo fingiu arrumar os lençóis e tirou às pressas o celular e o carregador do bolso, ligando-os na tomada. Depois os cobriu bem com o cobertor.
Mesmo que houvesse câmeras instaladas no quarto, seria impossível verificar com precisão até esses pequenos movimentos. Mesmo que fosse possível, Chahyun não se daria ao trabalho de assistir às câmeras enquanto estivesse com ele na mansão. Seria só para vigilância quando estivesse ausente.
Vendo as luzes acenderem no carregador e no celular, Yeonwoo engoliu em seco. Agora, só precisava esperar. Quando estivesse carregado até certo ponto, pretendia sair dali sem demora.
Talvez pudesse sair antes do nascer do sol hoje.
Yeonwoo tocou a barriga pesada com a mão cheia de força. Estava aliviado por ter conseguido os itens necessários com mais facilidade do que esperava, mas só de pensar em fugir seu coração disparava como louco. Tendo sido pego antes, não conseguia deixar de ter medo.
Yeonwoo conferiu de novo o lugar onde o celular estava escondido, recompôs a expressão e saiu para a sala. O som da água ainda vinha do banheiro do quarto de Chahyun.
Enquanto o esperava, Yeonwoo conferiu os papéis que Chahyun deixara. Era uma lista de jardins de infância particulares. As instalações, o currículo e os requisitos de admissão de cada um estavam escritos em detalhes.
— Leu?
Chahyun, que já tinha terminado o banho e vestia um roupão, caminhou até o sofá onde Yeonwoo estava sentado.
— Pesquisei jardins de infância para o Saebyeok, e dizem que é preciso reservar com anos de antecedência para mandá-lo a um bom.
— Todos parecem bons. O currículo parece mais de escola do que de jardim de infância.
Yeonwoo respondeu com naturalidade, como se estivesse olhando a lista de jardins de infância ali o tempo todo.
— Você disse. Que queria mandá-lo para um lugar bom.
Chahyun sussurrou, beijando de leve a bochecha de Yeonwoo. Antes que percebesse, a mão grande cobriu a barriga saliente.
— …Disse.
Yeonwoo assentiu e aceitou obedientemente o beijo de Chahyun.
— Mas são todos em Seul.
— Podemos ir para Seul depois que o Saebyeok nascer.
— Que bom.
Só de pensar, seu coração se enchia. Só de imaginar Saebyeok usando um uniforme arrumadinho e carregando uma mochila muito maior que ele para o jardim de infância…
…Claro, isso não aconteceria.
— Posso te beijar?
Chahyun perguntou, acariciando delicadamente o cabelo de Yeonwoo enquanto ele estava perdido em pensamentos.
— Mmph…!
Mas logo agarrou o cabelo dele com força e engoliu arbitrariamente os lábios macios. Como se não precisasse ouvir resposta.
Chahyun tinha certeza de que Yeonwoo não conseguiria afastá-lo. Mesmo que recusasse, ele não pretendia ouvir.
Porque, afinal, tudo agora era posse dele. Da cabeça aos pés, até a criança pequena naquela barriga estreita.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna