Episódio 91
Capítulo 91 ── ⋆⋅☆⋅⋆
No entanto, ele não conseguia se lembrar exatamente em qual cômodo daquele lugar enorme ficavam os celulares dos funcionários. Podia ter sido no banheiro anexo a um cômodo que parecia um depósito, ou talvez numa gaveta no canto do estacionamento externo. O problema era que sua memória não era precisa.
Além disso, a localização da porta que os antigos funcionários usavam para sair estava nebulosa. Ficava definitivamente no primeiro andar, mas ele estava confuso se era perto da cozinha ou em direção ao jardim interno.
Naquela época, Yeonwoo não era propriamente um funcionário, então usava a entrada principal para entrar e sair da casa de campo. Só muito raramente, quando era cedo ou tarde demais, usava a porta dos fundos para não fazer barulho.
Além disso, a porta dos fundos dos funcionários ficava trancada. Naturalmente, isso significava que era preciso uma chave para sair por ela.
Um celular e uma chave. Ele tinha que conseguir os dois de algum jeito.
O que fazer? Yeonwoo ponderava no sofá da sala, fingindo ler um livro de receitas como sempre. Mesmo que não houvesse câmeras, se de repente começasse a revirar a casa de campo, algum dos administradores com certeza o denunciaria a Chahyun como suspeito. Mas também não podia simplesmente ficar parado sem fazer nada.
— Senhor. Não vai comer?
— …….
— Senhor?
— Ah, sim.
Yeonwoo, que estava olhando distraidamente para o livro aberto sem propósito, ergueu a cabeça ao ouvir a voz que o chamava. A administradora observava cautelosamente a expressão de Yeonwoo.
— Não está com fome? Já faz um tempo desde a hora do almoço.
— Vou comer daqui a 30 minutos.
— Então vou preparar e avisar o senhor de novo daqui a pouco.
Depois que a administradora saiu, Yeonwoo olhava distraidamente ao redor da sala quando, de repente, uma solução lhe passou pela mente.
A mãe dele. Ela tinha trabalhado como cuidadora de Chahyun, então provavelmente se lembraria da casa de campo com mais precisão do que ele, pelo menos.
Chegando a esse pensamento, Yeonwoo se levantou imediatamente. Caminhou a passos largos em direção à cozinha, fazendo a administradora que estava por perto estremecer e se virar para ele.
— Está procurando alguma coisa? Quer que eu prepare o almoço agora?
— Queria saber se posso usar o telefone.
— Para que o senhor precisa do telefone….
— Para ligar para a minha mãe. Não falei com ela, então ela deve estar preocupada.
A desculpa era bem plausível. Chahyun não tinha nenhuma lembrança de que ele morava com ele na casa de campo quando criança, então não haveria motivo para achar suspeito que ele ligasse para a mãe.
— Vou ter que perguntar ao chefe de Diretor-nim….
— Eu mesmo pergunto.
Quando ele estendeu a mão como se apressasse, a administradora ligou para Chahyun e entregou o telefone a Yeonwoo.
—Sim.
— Sou eu. Posso falar com a minha mãe? Faz tempo que não falo com ela.
Será que tinha ido direto ao ponto de forma abrupta demais? E se ele achasse estranho? Yeonwoo sentiu uma pontada de ansiedade só depois de falar.
— Estou só em casa sem nada para fazer…. Posso pelo menos ligar para a minha mãe, né?
—Pode. Mas faça isso na frente da tia.
Yeonwoo mal conseguiu reprimir o palavrão que lhe subiu à garganta.
— Obrigado.
Ele não estava nada grato, só sentia ódio, mas dizer obrigado fez sua boca pinicar como se estivesse cheia de espinhos.
—Tem alguma coisa que você queira comer? Compro na volta.
Não havia como ele querer comer qualquer coisa naquela situação. Yeonwoo ia dizer que não e desligar quando, de repente, uma boa ideia lhe passou pela cabeça.
— Tem!
Estava tão absorto que sua voz saiu alta sem querer. Viu a administradora próxima estremecer.
—O quê?
— …Hum. Tem uma confeitaria chamada Sweet Sweet perto da sua empresa, pode comprar uma pavlova de lá?
—Pavlova?
— É, é o nome de uma sobremesa.
Era a sobremesa mais popular de uma confeitaria famosa que exigia fila desde a abertura, de manhã. Ele sabia que era preciso ficar na fila por pelo menos uma hora para comprá-la.
Sabia que era uma ideia ridiculamente infantil, mas queria sobrecarregar Chahyun com pelo menos uma tarefa trabalhosa, de algum jeito.
—Mais alguma coisa?
— Só isso.
—Tá. Não desligue, deixe-me falar com a tia.
Yeonwoo entregou o telefone à administradora. Ela provavelmente estava recebendo ordens para ouvir e relatar a conversa enquanto ele falava com a mãe. Era óbvio mesmo sem escutar.
Ah. Mas o fato óbvio de que Chahyun não ficaria na fila pessoalmente, por mais preciosa que fosse a sobremesa, só lhe ocorreu agora. Ele mandaria o secretário ou o assistente fazer isso. Sentiu que estava fazendo outra pessoa sofrer sem motivo.
Um momento depois, a administradora, que terminou de falar com Chahyun, entregou o telefone a Yeonwoo. Yeonwoo engoliu em seco e ligou para a mãe na frente dela.
—Alô?
— Mãe, é o Yeonwoo.
—Ah! Filho. Liguei para você ontem, por que não atendeu? Está muito ocupado?
A voz acolhedora da mãe saiu pelo fone. Yeonwoo olhou de relance para a administradora parada sem jeito ao seu lado e quebrou a cabeça.
Precisava descobrir a localização dos celulares e da porta que levava para fora, além da chave.
— Meu celular quebrou, então deixei no conserto.
—Sério? Por isso era um número desconhecido. Mas o que aconteceu?
— Deixei cair e a tela rachou. Ando tão ocupado com o trabalho ultimamente que estou meio desligado.
—Mande consertar logo. Fiquei preocupada que tivesse acontecido alguma coisa.
— Foi por isso que liguei, para a senhora não se preocupar.
—Entendi. É bom ouvir a voz do meu filho.
— Ah. Lembrei de uma coisa enquanto trabalhava…. Mãe, a senhora se lembra do lugar onde fui trabalhar por alguns meses quando eu era pequeno?
Yeonwoo olhou de relance para a administradora, esperando que sua voz soasse natural. Ela não mostrou nenhuma mudança de expressão enquanto ouvia as palavras de Yeonwoo.
A administradora não fez exigências excessivas, como ligar o viva-voz para ouvir a voz da mãe ou gravar a conversa. Talvez a vigilância estivesse frouxa por ser a mãe dele, e não um conhecido.
—Quando foi isso? Ah, está falando daquela casa em Gangwon?
Felizmente, a mãe entendeu imediatamente que Yeonwoo não podia mencionar diretamente “a casa de campo em Gangwon” e estava falando de forma indireta.
A mãe se lembrava da casa de campo com muito mais clareza do que ele imaginava. Diferente do habitual, mesmo quando Yeonwoo arrastava a conversa mais do que o necessário, ela parecia feliz em conversar e respondia em detalhes até perguntas vagas.
Era difícil obter informações sem dizer palavras específicas como porta dos fundos para sair, chave ou celulares, mas ele conseguiu descobrir o que queria.
— Terminou a ligação?
A administradora perguntou hesitante, já que ele continuava parado segurando o telefone mesmo depois de terminar a ligação. Só então Yeonwoo entregou o telefone.
— Ah, sim. Aqui está.
Depois de ouvir a voz da mãe por muito tempo, ele se sentiu abatido. Ela ainda não sabia que ele estava grávido. Arrependeu-se brevemente, pensando se deveria ter contado.
Mas logo afastou os pensamentos dispersos. As coisas ficariam mais complicadas se contasse à mãe. Estava convencido de que entrar em contato com ela esporadicamente assim seria melhor para ela e para ele, por enquanto.
Ainda não havia garantia de que conseguiria sair dali e, no pior cenário, poderia perder a guarda de Saebyeok depois de dar à luz. Sair da casa de campo era a prioridade por ora.
Segundo a explicação da mãe, a porta dos fundos dos funcionários ficava no quartinho conectado ao pequeno depósito atrás da cozinha, no primeiro andar. A chave para abrir aquela porta provavelmente estava em algum lugar do armário do quartinho.
Pensando bem, a porta dos fundos estava atualmente bloqueada por grandes vasos de plantas e cadeiras de jardim do lado de fora da casa de campo. Ele conseguia adivinhar mais ou menos para onde escaparia se abrisse a porta.
Os celulares dos funcionários eram guardados num grande armário na sala de serviço dos funcionários, no fim do corredor do segundo andar.
Ele sabia que o desequilíbrio de feromônios de Chahyun, do qual ele sofrera quando estava no ensino fundamental, tinha sido completamente curado, e que a casa de campo raramente fora usada desde então. A menos que tivessem jogado fora toda a bagagem naquela época, havia uma grande possibilidade de a chave ou o celular ainda estarem lá.
— O senhor deveria comer agora.
— Já vou. Mas o professor de confeitaria não vem mais?
Yeonwoo perguntou, como se tivesse lembrado de repente, à administradora que o chamou dizendo que a comida estava pronta. Naquela situação, Chahyun teria cancelado as aulas de confeitaria e a viagem a Jeju, mas ele estava curioso porque não tinha ouvido nada a respeito.
— Sim, ouvi dizer que o professor não poderá vir por um tempo por causa de algumas circunstâncias.
— …….
Era o esperado, então ele não se surpreendeu. Yeonwoo assentiu, compreendendo, e sentou-se à mesa. Então olhou fixamente para a pequena porta atrás do balcão da cozinha.
Haveria um jeito de entrar ali com naturalidade?
— Depois que eu terminar de comer, a senhora poderia limpar a pia logo para eu fazer massa de pão?
— Claro.
Como Yeonwoo pediu, a administradora limpou a cozinha assim que ele terminou de comer. Como ele costumava fazer pães de vez em quando, mesmo quando estava sozinho, ninguém achou estranho que Yeonwoo estivesse tirando ingredientes e andando pela cozinha.
— Tia, a senhora sabe onde está a farinha de trigo para pão? Tenho certeza de que comprei da última vez.
Yeonwoo tirou uma série de utensílios de confeitaria e perguntou pelo paradeiro de uma farinha que nunca tinha comprado.
— Bom. Se está falando de farinha, não é esta?
— Essa é farinha para bolo. Tudo bem, vou procurar mais.
— O senhor deve estar desconfortável…
— Acho que foi colocada em outro cômodo porque não tinha espaço. Vou lá pegar.
Yeonwoo inventou uma desculpa para andar por ali e revirou os armários da cozinha antes de ir para o depósito ao lado. A administradora não interferiu mais, já que ele costumava fazer isso sozinho.
Relembrando a ligação com a mãe, ele entrou no cômodo ao lado da cozinha e viu a porta que dava para o quartinho.
No entanto, móveis pequenos sem uso bloqueavam a porta para o quartinho, então Yeonwoo teve que movê-los ele mesmo.
Com certeza não instalaram câmeras até aqui, né?
— Ugh.
Yeonwoo olhou ao redor com cuidado e empurrou os móveis devagar para que nenhum som escapasse. Depois abriu a porta lentamente.
Era como a mãe disse. No quartinho, que tinha só cerca de um pyeong, realmente havia uma porta, como uma passagem secreta, que só os funcionários usavam para entrar e sair.
Yeonwoo, que tinha entrado, girou com as mãos trêmulas a maçaneta que dava para fora, mas estava trancada e não abria.
Mas não havia motivo para se decepcionar. A chave estava cuidadosamente colocada bem ao lado, sobre o aparador coberto de poeira.
— Ha.
Antes que percebesse, os cantos da boca de Yeonwoo se ergueram levemente.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna