Episódio 90
Capítulo 90 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Yeonwoo não conseguiu adormecer facilmente por causa da mente perturbada e ficou se revirando a noite toda.
Para piorar, Saebyeok se mexia ativamente, tornando desconfortável qualquer posição em que ele se deitasse. Fiel ao seu nome de gestação, Saebyeok cutucava a barriga de Yeonwoo implacavelmente noite adentro.
— Que bom que pelo menos você está se divertindo.
Justo quando achava que ele estava batendo no lado direito da barriga, de repente cutucava o lado esquerdo, tornando impossível prever.
Um bom tempo passou nesse estado e, conforme a manhã se aproximava, os movimentos começaram a diminuir gradualmente, como se ele tivesse brincado o bastante. E, quando o sol começou a nascer fracamente, ele ficou completamente quieto.
Yeonwoo achou que finalmente poderia dormir direito e tentou adormecer. Mas, pouco depois, ouviu Chahyun saindo para a sala do outro lado da porta e não teve escolha a não ser abrir os olhos de novo.
Na casa de campo, os dois usavam quartos separados. Às vezes dormiam no mesmo quarto, mas Chahyun insistia em quartos separados, dizendo que poderia haver uma situação em que não conseguisse controlar direito os feromônios.
Até recentemente, essa teimosia era frustrante e irritante, mas hoje ele estava sinceramente grato. Porque não precisava ver o rosto dele.
Ele ouvia os passos de Chahyun indo direto para a porta da frente, como se pretendesse sair sem tomar café da manhã.
Concentrando-se no som dos passos, Yeonwoo se angustiava. Se dependesse dele, fingiria não saber.
— Agora não posso porque você está grávido, então vou te foder depois que o Saebyeok nascer.
— Até o meu gozo encher essa barriga estreita com outro bebê.
Como aquilo tinha acontecido ainda ontem, ele esperava não ter que ver o rosto dele por alguns dias. Não, não só evitar vê-lo: Yeonwoo queria sair daquele lugar terrível o mais rápido possível.
— A fada deu à luz dois filhos. Você só precisa dar à luz um.
As memórias de ontem se agitavam constantemente em sua cabeça, causando-lhe dor.
Mas, quanto mais hostilidade demonstrasse, mais a desconfiança de Chahyun aumentaria. Para encontrar uma brecha e deixar a casa de campo, precisava apaziguá-lo, mesmo que isso significasse ser submisso. Não era como se tivesse soníferos, como antes.
Depois de organizar os pensamentos, Yeonwoo suspirou e saiu da cama. Ao descer com cuidado, segurando a barriga pesada, uma dor sutil e formigante subiu pelo tornozelo direito.
— Vai trabalhar?
Antes que Chahyun saísse da casa de campo, Yeonwoo foi rapidamente para a sala e se dirigiu ao corredor que levava à porta da frente. Seu coração estava impaciente, mas as pernas e o corpo não acompanhavam, resultando num andar engraçado e bamboleante.
Chahyun, que estava prestes a abrir a porta, virou-se, e os olhares dos dois se encontraram por um momento.
A aparência dele de terno parecia particularmente estranha hoje, e Yeonwoo fixou o olhar nele sem querer.
O paletó, feito sob medida para o corpo de Chahyun, envolvia a cintura abaixo da linha estruturada dos ombros, com um caimento perfeito. O tecido que cobria o físico sólido assentava no lugar conforme sua função original, sem uma única ruga. Mesmo sem ter amarrado a gravata ainda, uma aura de autoridade emanava dele, longe de parecer desleixada.
Talvez por causa da sensação de distância de que ele agora era um completo estranho, sem relação com ele, cada aspecto de sua aparência parecia alheio. A aparência que antes ele só achava bonita agora parecia tão sólida que ele não conseguiria quebrá-la, a ponto de dar medo.
— Vou.
Chahyun respondeu com atraso, como se não esperasse que Yeonwoo saísse.
Se fosse o Chahyun de antes, teria corrido naturalmente para ampará-lo enquanto ele mancava. Mas o Chahyun atual apenas franziu levemente a testa, de forma quase imperceptível, e não fez nada.
Ele provavelmente acha que ainda estou fingindo que o tornozelo dói, porque parte das memórias dele voltou.
Pare de comparar. Distinguir entre o Baek Chahyun do passado e o do presente já não serve para nada. Yeonwoo repetiu isso para si mesmo e se aproximou de Chahyun.
— Por que saiu? Devia dormir mais.
— Você está saindo sem tomar café.
— Não tenho tempo. Acordou porque estava com fome?
— Não. Só ouvi você saindo…
Yeonwoo fez uma pausa e continuou.
— Tenha um bom dia. Dirija com cuidado.
— Tá. Volte e durma se estiver com sono.
Chahyun assentiu. Como não houve nenhuma mudança especial na expressão dele, Yeonwoo tentou pensar em algo que agradaria Chahyun ouvir.
— …E volte cedo para casa.
Chahyun, que abria a porta para sair, parou diante das últimas palavras de Yeonwoo. Suspirou brevemente e se virou de novo.
— É bom fazer compressa morna por cima do gesso. Eu falei com a tia, então não esqueça de fazer.
— Tá.
— Me diga se sentir dor ou precisar de alguma coisa.
— Tá.
— Estou indo.
Com essa despedida, Chahyun saiu para o trabalho. Yeonwoo, deixado sozinho na porta, foi tomado pela autoaversão. Fui submisso demais? Nesse ritmo, Chahyun provavelmente vai perceber que estou tentando agradá-lo de propósito.
Pensando nisso, ia voltar para o quarto quando um som pesado e metálico ecoou. Yeonwoo se assustou e encarou a porta da frente, de onde viera o som.
E, depois de alguns segundos, percebeu de repente. O som metálico que acabara de ouvir era Chahyun trancando a porta por fora.
Então ele tranca e destranca tudo aquilo manualmente. Pensando essas coisas inúteis, Yeonwoo ficou olhando atordoado para a porta trancada.
— Filho da puta.
Cuspiu um palavrão em voz baixa e se virou, voltando para o quarto.
Depois de dormir de novo e acordar à tarde, Yeonwoo notou várias mudanças na casa de campo.
Antes de tudo, o número de pessoas trabalhando tinha aumentado. Eram todos Betas, e presumia-se que tinham sido contratados para vigiá-lo ainda mais rigorosamente do que antes.
Exceto por algumas pessoas, eles não entravam muito na casa de campo. E todos pareciam ter chaves próprias para trancar as portas por fora.
Sentado quieto na casa de campo, ele ouvia de vez em quando o som de portas sendo trancadas ou destrancadas em algum lugar. Exatamente como quando Chahyun saíra para o trabalho de manhã.
Ele era realmente um rato numa ratoeira. Todos os administradores pareciam tentar se mover o mais silenciosamente possível para não aborrecer Yeonwoo, mas ele não conseguia evitar a raiva.
Preso lá dentro sem ter para onde ir, não havia quase nada que pudesse fazer. Por causa dessa situação, Yeonwoo repassava repetidamente os acontecimentos do dia anterior.
Como resultado, chegou à conclusão de que poderia haver câmeras de segurança instaladas em algum lugar da casa de campo. Unicamente para vigilância.
Supondo isso, fazia sentido como Chahyun conseguira chegar tão rápido à casa de campo no dia em que Baek Ha-hyun viera.
Desde o início, ele tinha instalado fechaduras especiais em todas as portas da casa de campo com a intenção de confiná-lo, então havia uma boa chance de haver câmeras.
Quanto mais pensava nisso, mais arrepios sentia. Yeonwoo sentia a pressão de sair dali o mais rápido possível, sem demora.
No entanto, diferente de quando estivera preso no apartamento, aquele lugar tinha um aspecto geográfico particular. Mesmo que conseguisse sair de algum jeito, a região era pouco povoada e o transporte era complicado, então, se não conhecesse bem o caminho, logo seria pego de novo.
Além disso, era ainda mais impossível naquela condição física. A barriga estava saliente, ele ficava sem fôlego rápido e o tornozelo doía.
Por isso, precisava conhecer bem o caminho se quisesse ir a qualquer lugar. Para isso, precisava de um celular, mas Chahyun tinha tomado o celular dele.
— Você pegou meu celular. Não consigo achar. Quando vai me devolver?
— Depois do casamento.
Ele disse que devolveria depois do casamento, então seria mais rápido conseguir um novo do que recuperá-lo dele.
A barriga estava bem grande, a perna não estava em boas condições, todas as portas da casa estavam trancadas, o lado de fora era um deserto e ele não tinha celular. Não era diferente de estar de pés e mãos atados, mas Yeonwoo não se desesperou.
Felizmente, havia um fato que Chahyun deixara passar. Yeonwoo tinha morado ali por mais de um mês quando estava no ensino fundamental.
— Yeonwoo-ah. Tente evitar esbarrar no Chahyun o máximo possível de manhã e à noite. Tá? Não fique entrando e saindo toda hora.
— Se precisar sair tarde da noite, avise a mamãe sem falta. Nessa hora, saia quietinho pela porta dos fundos, em vez da porta da frente.
Yeonwoo relembrou as precauções que a mãe lhe dera na época. Como a casa de campo era espaçosa, as portas usadas pelos funcionários, os quartos que eles usavam e os cômodos usados como área de serviço eram todos separados.
E, como o uso de celulares pessoais era proibido dentro da casa de campo, ele se lembrava de que havia um celular de trabalho em algum lugar no quarto usado pelos funcionários.
Ainda deviam existir portas que só os funcionários usavam, mas as pessoas novas que trabalhavam na casa de campo agora não pareciam usar portas separadas para entrar e sair, nem usavam celulares de trabalho.
No fim, Yeonwoo era o único que sabia da porta dos fundos escondida e da existência do celular.
Yeonwoo planejava usar essa brecha para escapar da casa de campo. Sem perder tempo: amanhã de manhã, de madrugada.
E queria deixar isso bem claro para Chahyun. Você não é o único que consegue enganar as pessoas.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna