Episódio 88
Capítulo 88 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Yeonwoo sentiu uma tontura repentina. O coração despencou e ele sentiu náusea.
— N-não. Desta vez é verdade… Espera, você…
A menção repentina do passado por Chahyun o assustou, fazendo-o gaguejar. Ele tinha enganado Chahyun com a desculpa do tornozelo e fugido antes de Chahyun perder a memória.
— Você, você se lembra?
— Responda primeiro.
— O quê…
— Seu tornozelo está doendo de verdade desta vez?
— …….
Chahyun encurralou Yeonwoo friamente, como se toda a gentileza que demonstrara até então tivesse sido mentira. Antes que percebesse, a mão que segurava o tornozelo dele apertou.
Com a dor se espalhando de novo, Yeonwoo franziu a testa e assentiu.
— Dói, é verdade.
— É mesmo?
Chahyun inclinou a cabeça e encarou Yeonwoo, tentando avaliar se a resposta era verdadeira.
— Então você não deve sair.
Chahyun murmurou como se estivesse esperando por essas palavras. Sua voz era firme, quase cegamente.
— …Hã?
— Você não deve nem se mexer.
— Você está louco? Eu não quero, quem decide isso? Vou embora, me deixe sair.
Yeonwoo empurrou o braço de Chahyun e recuou. Chahyun cambaleou por um instante ao ser empurrado, depois pressionou com força a testa latejante e recuperou o equilíbrio. Então apertou o tornozelo de Yeonwoo com ainda mais força.
— Ah!
— Por que você fica tentando ir embora? Você não tem direito de me dizer isso.
Chahyun ameaçou em voz baixa, como se a dor de Yeonwoo fosse irrelevante para ele.
— Baek Chahyun. Dói, então solta isso…
— Eu disse que criaria a criança concebida com o esperma de algum Alfa filho da puta. Como se fosse minha.
Com a dor se intensificando, Yeonwoo mordeu o lábio inferior e socou o ombro de Chahyun, mas ele não se moveu.
— Eu, eu não preciso disso! Me solta, por favor!
— Por quê? Algum outro filho da puta vai assumir a responsabilidade agora?
— Baek Chahyun!
— Você vai para esse filho da puta?
Chahyun agarrou a panturrilha de Yeonwoo, que estava encostado no braço do sofá, e o puxou para si, pressionando-o implacavelmente. Antes que percebesse, um forte feromônio de Alfa emanava do corpo dele.
— Você… você está mesmo louco. Perdeu o juízo.
Tremendo de medo, Yeonwoo envolveu a barriga com os braços, como se a protegesse.
— Mesmo que eu vá para outro Alfa, você não tem direito de me impedir.
— Por que não teria? Nós até temos um contrato.
Chahyun, ajoelhado no chão, olhou impassível para o Yeonwoo aterrorizado. E despertou Yeonwoo para a realidade com uma voz gentil, porém cruel.
— Você concordou em me deixar te foder por seis meses. Por causa da gravidez, só cumpriu um mês do contrato, então ainda faltam cinco. Esqueceu?
— …….
— Agora não pode porque está grávido, então eu faço quando o Saebyeok nascer.
— Você, você…
— Todos os dias, durante cinco meses.
Antes que percebesse, a mão grande que segurava a perna de Yeonwoo passou para a barriga pesada e saliente.
— Até essa barriga estreita ficar cheia do meu gozo de novo.
Chahyun não parou de falar nem mesmo ao ver o rosto de Yeonwoo empalidecer.
— Quando o Saebyeok nascer e você estiver grávido do meu filho, nem vai pensar em ir a lugar nenhum.
Antes que ele terminasse de falar, Yeonwoo deu um soco no rosto dele. Talvez porque a mão tremesse, o soco infelizmente pegou só pela metade.
Aproveitando o impulso do impacto, que virou o rosto e o corpo de Chahyun para o lado oposto, Yeonwoo se levantou. Cambaleou algumas vezes porque não conseguia reunir força, mas não parou e mancou em direção à porta da frente.
No entanto, foi pego por Chahyun antes de dar três passos.
— Me solta, seu filho da puta, me solta!
Apesar do resultado previsível, a raiva subiu até o topo da cabeça. Yeonwoo se debateu descontroladamente, agitando os braços contra ele sem considerar sua condição física.
— Pare de teimosia.
— Sai da minha frente! Quem é você para mandar em mim? Vou embora. Só me deixe ir com o Saebyeok.
Mas Yeonwoo, que perdera as forças rapidamente, não conseguiu sustentar a resistência. Tomado pela impotência e pelo desespero, desabou nos braços de Chahyun e soluçou.
— Só vou levar o Saebyeok comigo. Eu, eu não preciso de nada… Não vou dizer mais nada sobre você se casar, então por favor me deixe ir… Eu…
Ele ia dizer que não passaria mais dos limites, mas não conseguiu tirar as próximas palavras da boca. De repente, Yeonwoo engasgou e desabou no chão, sentindo como se a garganta estivesse obstruída.
— Hong Yeonwoo! Respire.
Só depois de ouvir as palavras de Chahyun Yeonwoo percebeu que não estava respirando. Ele ofegou tardiamente em busca de ar, e a terrível sensação de sufocamento que apertava sua garganta desapareceu.
— Cof, cof! Haa…, ugh.
Então mais algumas tosses curtas irromperam. À medida que a respiração voltava ao normal, o corpo, que estivera tenso, pareceu muito mais relaxado. Não, mais do que relaxado, o corpo inteiro ficou languidamente frouxo.
— …….
Yeonwoo tentou continuar as palavras que ia dizer a Chahyun, mas nenhum pensamento lhe veio à mente.
Suas mãos e pés estavam fora de controle, pendendo como se tivessem pesos presos a eles. Como um balão que perdeu todo o ar, toda a tensão acumulada escoou, deixando-o vazio por dentro.
Chahyun, percebendo a reação anormal de Yeonwoo, estremeceu ao olhar para a pele perto do tornozelo, onde estavam as marcas de suas mãos.
— Yeonwoo?
Chahyun agarrou com urgência o corpo de Yeonwoo, que desabava, e chamou seu nome. Mas, como a visão estava ficando turva, Yeonwoo não conseguiu responder.
— Hong Yeonwoo! Lá fora, lá fora! Chamem o médico. Agora!
A voz de Chahyun, que zumbia em seus ouvidos, foi se apagando gradualmente, e logo Yeonwoo perdeu completamente a consciência.
Quando abriu os olhos de novo, sentiu uma sensação particularmente pesada na barriga. Yeonwoo tateou e tocou a barriga saliente.
Parecia um pouco desconfortável e rígida, mas não doía. Alguns segundos depois, sentiu os movimentos do bebê, então parecia que Saebyeok estava seguro.
— Haa.
Soltando um suspiro de alívio, Yeonwoo olhou ao redor. Estava deitado num lugar familiar. O quarto da casa de campo. Virou a cabeça para a janela e viu que estava escuro lá fora. Por isso, as luzes lá dentro também estavam apagadas.
Por quanto tempo tinha dormido? Não conseguia dizer, porque ainda não tinha se livrado totalmente da sonolência.
À medida que as pupilas se acostumavam à escuridão, viu alguém sentado numa cadeira ao lado da cama. A figura escura dormia com a cabeça baixa.
— …Baek Chahyun?
Quando Yeonwoo abriu a boca, saiu uma voz muito rouca. Ao mesmo tempo, a figura que cochilava ergueu a cabeça de repente.
— O senhor acordou?
A pessoa sentada na cadeira era uma das administradoras responsáveis pelos serviços domésticos da casa de campo.
— Como está se sentindo? O chefe teve um assunto urgente e precisou sair.
— …….
— Ele ia ficar ao seu lado, mas disse que tinha um assunto urgente…
O humor de Yeonwoo despencou enquanto ela desfiava desculpas.
Por que ele tinha presumido automaticamente que a pessoa sentada naquela cadeira era Chahyun? Ele tinha decidido se tornar marido de outra pessoa.
— Quando o Saebyeok nascer e você estiver grávido do meu filho, nem vai pensar em ir a lugar nenhum.
Sentiu-se absolutamente patético por procurar Chahyun assim que abrira os olhos depois de um incidente daqueles. O que o fazia se sentir ainda mais miserável e irritado era que, mesmo nessa situação, sentia-se traído e magoado por ele não estar ali.
Yeonwoo afastou os pensamentos sombrios e se levantou.
— O senhor desmaiou de repente, então fomos ao hospital. Felizmente, não havia nada de errado com seu corpo. Então o trouxemos de volta para cá, mas ele pediu que eu lhe dissesse para avisá-lo imediatamente se sentir qualquer desconforto.
Yeonwoo se surpreendeu por dentro ao ouvir as palavras da administradora. Não tinha acordado nem uma vez, mesmo tendo sido levado ao hospital e examinado. A última lembrança de Yeonwoo era ser agarrado por Chahyun na sala e desmaiar. Não se lembrava de nada depois disso.
Tinha passado por uma série de acontecimentos chocantes, mas, mesmo considerando isso, estava desconcertado.
— O bebê está bem?
— Sim. A médica disse para não exagerar.
Yeonwoo suspirou, envolvendo a barriga com os braços. Ainda assim, estava aliviado por Saebyeok estar seguro.
— Precisa de alguma coisa? Ah, quer um pouco de água?
A administradora ficou rodeando, sem saber o que fazer, quando Yeonwoo tentou sair da cama.
— Tudo bem.
— Mas por que está se levantando? Deveria descansar mais.
— Vou embora daqui.
— Senhor…
— Por favor, saia da frente.
— Bom, a médica disse para evitar sair por enquanto…
Yeonwoo ignorou as palavras dela e passou pela administradora. Ela não teve coragem de impedi-lo e seguiu Yeonwoo, que mancava em direção à porta da frente.
Yeonwoo, dando passos, conferiu a perna. Estava muito mais fácil andar do que antes de desmaiar, então parecia que tinham engessado no hospital.
Logo chegou à porta da frente e tentou abri-la, mas ela não abria nem quando ele girava a maçaneta. Estava trancada por fora, de modo que não podia ser aberta por dentro.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna