Episódio 86
Capítulo 86 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Quanto mais se aproximassem do terminal rodoviário, mais congestionado o trânsito deveria estar, mas não havia nada à vista ao redor deles.
Yeonwoo observava ansioso o administrador, que segurava o volante, e ele sorriu sem jeito.
— O caminho para o terminal fica bloqueado nesse horário, então estou pegando um desvio… Já estamos quase lá.
— ……
Como nunca tinha dirigido até o terminal, ele não teve escolha a não ser acreditar nas palavras do administrador.
Devia ter insistido em ir sozinho. Por que pediu carona? Sentiu-se desconfortável de várias formas durante o trajeto. Mas era tarde demais para voltar atrás. Yeonwoo tentou manter a calma e olhou pela janela.
— Se o senhor for por ali, vai encontrar um templo famoso chamado Cheongho. É bem grande, devia visitar algum dia.
O administrador disse, como se tivesse lembrado de repente, olhando na direção que levava ao acostamento. Yeonwoo, ainda não totalmente livre das suspeitas, respondeu apenas brevemente: “Sim”.
Cerca de um minuto depois, carros e pessoas começaram a aparecer lentamente à beira da estrada. Só então Yeonwoo se sentiu aliviado. Talvez seus nervos estivessem sensíveis demais, fazendo-o reagir de forma exagerada.
Com a tensão aliviada um pouco, a conversa que tivera com Baek Ha-hyun antes se repetiu em sua mente.
— Se eu fosse o Yeonwoo-ssi, simplesmente criaria a criança sozinho. Você recebeu bastante coisa recentemente. Foi um prédio e um apartamento em Gangnam?
É verdade. Baek Ha-hyun tinha dito isso a ele quando estava exausto e esgotado. Na hora, estava fora de si demais para entender exatamente o que ela queria dizer, mas agora entendia direito.
Mas era a primeira vez que Yeonwoo ouvia falar daquilo. Ela devia estar enganada sobre alguma coisa. Ou estaria falando do officetel que ele recebeu muito tempo atrás?
Mas aquilo tinha sido muito tempo atrás. Ela disse claramente: “Você recebeu bastante coisa recentemente”.
Chahyun nunca tinha mencionado ter lhe dado algo separadamente. Além disso, coisas importantes como transferir a propriedade de imóveis não podiam ser feitas a menos que o envolvido assinasse.
Mesmo achando que Baek Ha-hyun estava enganada, Yeonwoo repassou cuidadosamente se tinha assinado algum documento recentemente.
— É um contrato de gestão terceirizada do café. É só assinar aqui.
Ah. Pensando bem, ele tinha assinado um documento que Chahyun lhe dera sobre a questão do café, pouco antes de se mudar para a casa de campo. Tentou examiná-lo minuciosamente até o fim, mas sua condição física não estava boa, então pode ter deixado passar algo.
O conteúdo principal do documento era que um representante administraria o café enquanto Yeonwoo estivesse fora. Será que o documento de transferência de propriedade estava misturado ali?
Uma dúvida persistente surgiu tardiamente. Eram documentos demais para assinar num contrato de contratação de representante para um café particular.
E se as palavras de Baek Ha-hyun fossem verdade? Não é como se ele quisesse receber aquilo.
Yeonwoo sentiu uma dor de cabeça chegando e mordeu o lábio inferior. E então conferiu de novo, conscientemente, o lado de fora da janela.
Tinha passado bastante tempo desde que falara com o administrador, mas o terminal ainda não aparecera. Justo quando achava que só estradas desconhecidas continuariam, uma estrada familiar começou a aparecer em algum momento.
Só então Yeonwoo percebeu que algo estava errado.
— Ahjussi.
Yeonwoo chamou o administrador. Nenhuma resposta veio do administrador ao volante. Ao mesmo tempo, a nuca de Yeonwoo se arrepiou.
— Ahjussi?
— ……
O silêncio continuou mesmo quando ele o chamou de novo.
— O que o senhor está fazendo? Pare o carro agora mesmo!
— Pa-patrão. Me desculpe.
Yeonwoo se inclinou e sacudiu levemente o ombro do administrador, e só então ele olhou de relance pelo retrovisor, sem conseguir esconder a expressão perturbada. Revirou os olhos sem jeito antes de olhar para a frente de novo.
— Desculpar pelo quê? Pare, o carro! Agora!
— Me desculpe. Eu também não tive escolha…
Antes que percebesse, o carro tinha chegado perto da casa de campo. Yeonwoo tentou rapidamente abrir a porta do carro, mas estava trancada.
— O Baek Chahyun mandou o senhor fazer isso, não foi? Me deixe sair.
— ……
— Pare, ahjussi!
Ele tinha voltado de novo. Yeonwoo gritou, batendo na janela como um louco.
Apesar dos gritos de Yeonwoo, o carro acabou entrando no caminho que levava à casa de campo.
O pesado portão da casa de campo, em tons de madeira, encheu seu campo de visão. E, diante dele, Chahyun estava em pé. O rosto de Yeonwoo empalideceu ao avistá-lo num terno que se ajustava perfeitamente ao corpo.
— Ahjussi, por que está fazendo isso comigo! Me deixe sair, por favor!
Mesmo implorando e gritando daquele jeito, o carro acabou parando bem em frente ao portão. Chahyun, que se aproximou do carro, abriu a porta do lado onde Yeonwoo estava sentado. Logo em seguida, seu barítono grave ecoou lá dentro.
— Obrigado pelo trabalho. Pode entrar.
— S-sim, sim, chefe de departamento…
O administrador nem olhou para Yeonwoo e desapareceu rapidamente, como se fugisse. Quando ficaram só os dois, Chahyun olhou para Yeonwoo e disse.
— Saia.
— Você…, quando você…
O coração de Yeonwoo batia como se fosse explodir.
— Aonde você estava tentando ir sozinho? Sem dizer uma palavra.
Chahyun falou com uma voz gentil, muito distante da situação.
— Se queria tomar um ar, devia ter dito.
— Como você fez isso? Por quê, por que você está aqui agora?
Yeonwoo gaguejou ao perguntar. Baek Ha-hyun lhe contara nesse meio-tempo? Ou o administrador?
Mas Baek Ha-hyun era alguém que não entrara em contato com Chahyun nem mesmo ao vir até ali. Não era que os irmãos tivessem uma relação ruim, mas significava que não eram próximos o bastante para se falarem sobre cada coisinha.
Fazia ainda menos sentido o administrador ter entrado em contato com Chahyun. Era impossível Chahyun ter vindo de Seul até ali naquele pouco tempo depois de ouvir as palavras dele.
Então, como diabos Chahyun estava naquele lugar, naquele momento? Como se estivesse observando toda a situação…
— Desça com cuidado.
— Me solta, seu desgraçado!
Yeonwoo se livrou de Chahyun quando ele agarrou seu braço e tentou puxá-lo para fora. O movimento foi tão violento que o corpo de Yeonwoo cambaleou.
No entanto, Chahyun não se importou e puxou o braço de Yeonwoo de novo. Ele tentou resistir até o fim, mas Yeonwoo não conseguia vencê-lo na força.
Mesmo com Chahyun não usando muita força, as pernas de Yeonwoo cederam e ele foi arrastado para fora do carro como se estivesse caindo. Assim que pisou no chão, quase perdeu o equilíbrio e caiu, mas Chahyun endireitou rapidamente o corpo dele.
— Baek Chahyun!
Yeonwoo continuava empurrando-o, e Chahyun segurou o corpo que tentava se afastar dele e o ergueu.
— Me põe no chão. O que você está fazendo! Eu disse que não quero!
Por mais que se debatesse, Chahyun não se movia. Seu abraço era firme e frio. Ele se sentia sufocado, como se esmagado por uma rocha.
Chahyun entrou na casa de campo sem ouvir os gritos de Yeonwoo. E, na sala, as fotos de casamento de Chahyun, que Yeonwoo ainda não recolhera, estavam espalhadas desordenadamente.
Ele passou por elas com indiferença, como se não as tivesse visto, e sentou Yeonwoo com cuidado no sofá.
— Seu desgraçado. Você não tem nada para me dizer?
Yeonwoo encarou Chahyun ferozmente.
— Tenho muita coisa. Foi por isso que vim para cá.
— Você não tinha nenhuma intenção de assumir a responsabilidade pelo Saebyeok desde o começo, não é?
Yeonwoo, que se levantou de um salto, agarrou Chahyun pela gola.
— Me diga. Então o que foi aquela promessa? E isto. Que merda é toda essa no chão!
Meio fora de si, ele apontou para as fotos e o repreendeu. O olhar de Chahyun se moveu lentamente para onde Yeonwoo apontava.
— É divertido deixar uma pessoa tão fodida assim? Você estava se divertindo? Eu, sem saber disso… você.
— ……
— Sério, você ia esconder isso de mim até o fim?
A voz agitada de Yeonwoo foi diminuindo gradualmente, como se estivesse exausto. A força da mão que agarrava a gola de Chahyun também afrouxou.
Chahyun, que ficara parado o tempo todo, retirou delicadamente a mão de Yeonwoo de sua gola e abriu a boca.
— Como eu poderia fazer isso? Não é um problema que eu consiga esconder até o fim.
— Então quando você ia me contar? Você disse no ano que vem. Você disse claramente que o casamento seria no ano que vem…
— Foi antecipado.
Chahyun respondeu com a voz monótona. Então colocou as mãos sob as axilas de Yeonwoo e o sentou de novo com cuidado no sofá. Diferente de Yeonwoo, que estava agitado, com raiva e, por fim, desesperado, Chahyun mantinha uma atitude consistentemente calma.
Yeonwoo, que perdera a força no corpo, cobriu a barriga, exausto. Não conseguia entender Chahyun, que olhava aquele problema como se fosse assunto de outra pessoa. Não conseguia entender como ele podia ser tão frio.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna