Episódio 85
Capítulo 85 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Talvez, se as coisas continuassem assim, ele pudesse perder Saebyeok.
Chegando a essa conclusão, o corpo de Yeonwoo gelou. Ao começar a desconfiar de cada palavra e ação de Chahyun, tudo parecia mentira.
Não, na verdade não era mentira? Chahyun já o tinha enganado inúmeras vezes.
Yeonwoo sentiu uma dor surda se espalhando pesadamente a partir do baixo-ventre e respirou fundo. Muitas vezes se sentia assim quando não dormia bem ou não estava em boas condições, mas geralmente melhorava rápido. No entanto, desta vez a dor parecia mais intensa que o normal.
— Desculpe, mas gostaria que a senhora fosse embora agora.
Baek Ha-hyun pareceu dizer mais alguma coisa depois disso, mas Yeonwoo já não tinha condições de ouvir a voz dela. Apoiou-se na parede mais próxima e, interrompendo a tagarelice constante dela, pediu que fosse embora no tom mais calmo possível.
Baek Ha-hyun não demonstrou nenhum descontentamento, mesmo tendo sido interrompida.
— Bom, isso é um problema para vocês dois resolverem. Enfim, agora que mostrei tudo o que tinha aí dentro, acho que meu papel terminou.
Notando a mudança em Yeonwoo, ela aceitou ser dispensada e se virou.
— Estou indo.
Antes de deixar completamente a casa de campo, Baek Ha-hyun olhou de relance para Yeonwoo, que mantinha a boca firmemente fechada, cumprimentou-o brevemente e foi embora sem nenhum apego.
— Haa…
Assim que ficou sozinho, Yeonwoo soltou a respiração pesada que vinha segurando. Envolveu a barriga com as mãos e deu um passo com cuidado, desabando no sofá da sala.
Enquanto relaxava o corpo, fechava os olhos e descansava, a dor abdominal latejante foi desaparecendo gradualmente. O suor frio que se formara nas têmporas secou devagar.
Depois de um tempo, Yeonwoo ergueu as pálpebras e viu as fotos de casamento de Chahyun que Baek Ha-hyun deixara. Ele as vinha apertando inconscientemente, e as fotos e os documentos estavam todos amassados. De repente, os papéis que segurava pareceram excessivamente afiados e pesados.
Quando tentou organizá-los às pressas e colocá-los de volta no envelope, sentiu um breve movimento do bebê dentro da barriga.
— Ah.
Assustado, Yeonwoo deixou cair sem querer as fotos e o envelope.
As fotos de casamento de Chahyun e Oh Yumin, sorrindo felizes, se espalharam pelo chão. As passagens para os Estados Unidos também.
— …….
Ele se abaixou para recolher os restos daquela imoralidade, mas suas mãos tremiam, tornando impossível.
Yeonwoo deixou as fotos como estavam e voltou a se sentar no sofá. Diante de choque após choque avassalador, todo pensamento pareceu parar, como se um interruptor tivesse sido desligado.
Por um tempo, cobriu o rosto e ofegou.
Ele tinha sido ingênuo demais. Só vira o que Chahyun lhe mostrava e acreditara no que ele dizia.
Tinha deixado passar coisas demais por desejar que Saebyeok crescesse num bom ambiente, com um nascimento comum, diferente dele. Olhando para trás, era totalmente tolo.
Certo. Então, o que devia fazer agora? Por onde devia começar a desatar esse nó?
Esperar Chahyun voltar? E então perguntar se tudo o que ouviu hoje era verdade?
E depois?
Se ele dissesse que não era, poderia acreditar? Por outro lado, se admitisse que era verdade… se tudo fosse verdade, o que ele poderia fazer?
Havia algo que ele pudesse fazer?
— Você já passou por isso, Hong Yeonwoo. Você sabe de tudo…
Yeonwoo murmurou, repetindo-se como um louco.
Mesmo que Chahyun dissesse orgulhosamente, com a própria boca, que ia se casar com outra mulher e que o estivera enganando o tempo todo, Yeonwoo não poderia fazer nada. Era uma verdade dolorosa, mas agora não era diferente.
Conversar seria inútil. Ele sabia como a conversa se desenrolaria.
Então, tinha que sair dali imediatamente, antes que ele chegasse.
Quando o pensamento chegou a esse ponto, Yeonwoo se levantou cambaleando. Seu corpo estava fraco e não era fácil andar com a barriga pesada, mas ele não parou e perambulou pelo quarto e pela sala, juntando alguns pertences simples.
Então saiu imediatamente da casa de campo. Foi até o carro estacionado em frente ao prédio, abriu a porta e sentou-se no banco do motorista. Não queria perder nem um momento.
Hesitou por um instante e então digitou o terminal rodoviário no GPS. Planejava trocar para um ônibus no terminal. Não tinha outro destino em mente, mas, desde que pudesse sair dali, não importava para onde fosse.
Se continuasse dirigindo aquele carro, Chahyun poderia segui-lo pelo caminho e, mais do que tudo, ele nunca tinha dirigido por muito tempo grávido, então estava ansioso. Por isso, pegar o ônibus era o adequado.
Assim que o GPS começou a dar as direções, Yeonwoo agarrou o volante. A posição sentada era um tanto desconfortável por causa da barriga saliente, mas não insuportável.
— Coloque o cinto.
Então a voz de Chahyun veio inconscientemente à mente, e ele estremeceu. Atrapalhou-se com o cinto e depois deu a partida.
— Ei, aonde o senhor vai?
Naquele momento, a pessoa que cuidava do jardim bateu na janela do carro. Olhava com expressão intrigada para Yeonwoo, que de repente tentava sair dirigindo sem dizer uma palavra.
— Senhor?
Yeonwoo revirou os olhos e hesitou por um momento. Pensou em ignorá-lo e simplesmente ir embora, mas mudou de ideia.
Se saísse dali sem dizer nada, Chahyun seria avisado imediatamente. Isso só daria um motivo para ser pego mais cedo.
Depois de calcular, Yeonwoo baixou a janela e lançou ao administrador um olhar aflito.
— Tenho um compromisso com um amigo em Seul hoje, mas esqueci e só lembrei agora. Acho que preciso ir rápido.
— Entendi. Mas o senhor vai até Seul assim? Vai ser puxado…
Ele murmurou, olhando para Yeonwoo com preocupação.
— Ah, só vou até o terminal rodoviário e lá pego um ônibus.
— O caminho daqui até o terminal é meio complicado. Não sei se é porque é interior, mas o GPS guia de um jeito estranho.
— …Sério?
Yeonwoo deixou a frase morrer, desconcertado. O que devia fazer? Olhou de relance para as direções no GPS e mordeu o lábio inferior.
Mas a preocupação durou só um instante. Mesmo que se perdesse um pouco, podia simplesmente pedir informações às pessoas.
Justo quando Yeonwoo ia responder que se viraria sozinho, o administrador falou primeiro.
— Que tal eu levar o senhor até o terminal?
Yeonwoo acenou com a mão diante disso.
— Não, o senhor não precisa fazer isso.
— O senhor parece estar com pressa porque está atrasado para o compromisso, mas não seria perigoso dirigir nesse estado?
— Isso aqui não tem problema…
— E o senhor não está numa condição normal agora.
— …….
Yeonwoo hesitou de novo diante da persuasão calma do administrador.
Pensando bem, ele tinha razão. Ele mal tinha dirigido ultimamente por estar grávido e, mesmo quando dirigia, era por no máximo 10 a 15 minutos.
Como Chahyun ainda estaria em Seul de qualquer forma, não saberia que Baek Ha-hyun viera à casa nem o que ela lhe entregara. Mesmo que Baek Chahyun e Baek Ha-hyun tivessem se falado nesse meio-tempo, era impossível que soubessem o que ele estava pensando agora.
O administrador não saberia que ele planejava sair de casa para sempre. Além disso, pelo bem de Saebyeok, o certo era ter cuidado, principalmente estando tão agitado.
— Então vou pedir para o senhor me levar até o terminal.
No fim, Yeonwoo passou o banco do motorista para o administrador.
— Sim, o senhor tomou uma boa decisão. Sente-se confortavelmente atrás, Presidente. Aliás, pegou tudo o que precisa para ir a Seul?
— Peguei.
— Então vou sair agora mesmo.
O administrador, depois de confirmar que Yeonwoo estava no banco de trás, deu a partida.
O carro não andava rápido, mas, à medida que se afastava cada vez mais da casa de campo, ele sentia que finalmente conseguia respirar. Ao mesmo tempo, Yeonwoo foi tomado por uma tristeza insuportável.
As imagens de Chahyun mentindo calmamente para ele vieram vividamente à mente. Ele gostava de enganá-lo? Riu dele por querer algo além de suas possibilidades?
Não sabia que tipo de desculpa ele teria dado mais tarde, quando Yeonwoo ouvisse a notícia do casamento e se desesperasse e sofresse. Todo o comportamento carinhoso que ele demonstrara até então era apenas engano? Estava angustiado porque não conseguia entender nem um pouco os verdadeiros sentimentos de Chahyun.
— Você não caiu com muita força, caiu? Como está o resto?
— Por que está deixando assim, sem passar remédio? Está sentindo dor na barriga?
— Eu te disse antes. Vou garantir que o Saebyeok nasça saudável.
Quanto mais se lembrava de que o comportamento carinhoso demonstrado até então era mentira e engano, mais seu coração doía. O fato de ele ter sido apenas um jogo para Chahyun, tanto antes quanto depois da perda de memória, era o que mais atormentava Yeonwoo.
Ser enganado pela mesma mentira de novo. E pela mesma pessoa. Sentia-se patético e miserável, como se estivesse enlouquecendo.
Yeonwoo não conseguiu impedir que os olhos ardessem e virou a cabeça para a janela. Antes que percebesse, a mão no bolso estava fechada com força.
Quando afrouxou o punho por causa da sensação de dormência da circulação interrompida, o celular se prendeu na ponta dos dedos. Yeonwoo o tirou distraidamente e conferiu as notificações por hábito.
Havia uma mensagem de Chahyun.
[Pretendo sair do trabalho no horário hoje] [Tem alguma coisa que você queira comer? Pense aí, eu levo para viagem]
Era uma mensagem enviada antes da visita de Baek Ha-hyun. Yeonwoo ficou olhando para as letras até a tela escurecer e então desligou o celular. Jurou jogá-lo fora quando chegasse ao terminal.
Colocou o celular de volta no bolso e olhou ao redor. Então percebeu, tardiamente, que a estrada estava deserta demais.
— Com licença, estamos indo na direção do terminal agora?
Yeonwoo perguntou cautelosamente ao administrador. Estivera tão imerso em emoções intensas que não sabia quantos minutos tinham se passado desde que deixara a casa de campo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna