Episódio 82
Capítulo 82 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Ele franziu a testa como se estivesse morrendo de irritação. Tinha dito que havia muito trabalho na empresa, mas, se o secretário vinha procurá-lo naquele lugar remoto num fim de semana, ele devia estar realmente ocupado ultimamente.
— Quando você volta? Não precisa ir para Seul?
— Não. Só vou sair por duas horas.
— …Tá.
Yeonwoo disse, parecendo preocupado. Vendo a expressão de Yeonwoo, Chahyun ergueu um canto da boca e se aproximou dele.
— Abotoe para mim.
Yeonwoo assentiu obedientemente. E abotoou, um a um, os botões da camisa que Chahyun vestia. Cada vez que ele estendia o braço e mexia um pouco o corpo, a barriga saliente tocava e se afastava repetidamente do baixo-ventre de Chahyun.
— Sabia que você anda feito pinguim ultimamente? Você bamboleia.
— Que engraçado. Ainda nem está tão grande.
— Sério. Você não devia estar usando aquelas saias de grávida agora?
— Não está tão ruim assim.
Quando Yeonwoo beliscou levemente a lateral dele, Chahyun choramingou que doía. Depois, envolveu com cuidado a mão sobre a barriga de Yeonwoo.
— Acho que sim. Só queria que o Saebyeok nascesse logo.
— Por quê?
— Ele precisa sair logo para eu poder entrar aí. Esse é o meu lugar, originalmente…
— Ah, Baek Chahyun. Não diga coisas estranhas.
Yeonwoo, totalmente constrangido, cortou as palavras de Chahyun com firmeza. Ficou tão envergonhado que esqueceu rapidamente que estivera perturbado pelo anel até aquele momento.
Além disso, agora que conseguia sentir os movimentos do bebê, ficava mais envergonhado e desconcertado sempre que ouvia esse tipo de conversa. Sentia que estava pecando contra Saebyeok, que não teria como entender as palavras.
— Por quê? É o meu lugar, não é? Não é?
Chahyun inclinou o queixo e estreitou os olhos. Era uma pergunta infantil. Mas, pensando bem, já fazia quase quatro meses que eles não tinham sexo com penetração.
Ele nunca tinha insinuado ou exigido isso, mas, se o desejo dele não tivesse desaparecido por completo, com certeza estava se segurando.
Yeonwoo sentiu de repente uma autocensura por ter sido indiferente demais. Mesmo que não pudessem ter sexo com penetração, havia outras formas de satisfazer o desejo sexual.
— Você, por acaso, quer fazer?
— Fazer o quê?
— …Por que está perguntando se sabe?
— E se eu disser que quero?
Chahyun deu tapinhas na barriga de Yeonwoo e disse baixinho.
— O que você vai fazer? Vai fazer para mim?
— Bom, mesmo que seja de outro jeito…
Yeonwoo deixou as palavras morrerem, desviando o olhar. Justo quando Chahyun, que o olhava de cima, ia abrir a boca, o celular tocou. Era uma ligação para Chahyun.
— Haa. Que momento.
Chahyun engoliu o palavrão e tirou o celular do bolso. Então disse: “Saio em cinco minutos” e desligou imediatamente.
— Ah, não quero ir. Preciso ouvir qual é o outro jeito.
— Você disse que estaria ocupado até o mês que vem. Está acontecendo alguma coisa mesmo na empresa?
Yeonwoo, com o rosto vermelho, tentou mudar de assunto puxando outro tópico. E seguiu Chahyun, que se dirigia à porta da frente.
Chahyun, que caminhava a passos largos, percebeu tardiamente que Yeonwoo o seguia e diminuiu o ritmo.
— É só que o hyung e a noona estão me usando porque estão ocupados.
— Isso é demais.
Ele já se deslocava de Gangwon para Seul todos os dias e, agora que estava ocupado com o trabalho, Yeonwoo sentia pena e compaixão, como quem observa de fora.
Alguns dias antes, ele tinha perguntado, hesitante, se podia voltar para Seul, já que estava se sentindo melhor, mas Chahyun parecia fortemente contrário.
Como a saúde de Yeonwoo tinha melhorado visivelmente desde que viera para lá, ele queria que ficasse na casa de campo até dar à luz.
Yeonwoo também concordava com essa opinião. Ali, ele podia caminhar quando quisesse, e a densidade populacional era baixa, então tudo era tranquilo e sossegado aonde quer que fosse.
Acima de tudo, ele não queria ter pressa em deixar a casa de campo, que guardava memórias que só Yeonwoo estimava. Queria ficar ali o máximo possível.
Mas o preço a pagar por essa paz não era pequeno. Na verdade, esse preço estava sendo pago apenas por Chahyun. O preço terrível de três horas de deslocamento, ida e volta.
— Está com pena de mim?
Chahyun perguntou, calçando os sapatos na porta.
— Estou.
— Então me dê um beijo.
Chahyun se abaixou um pouco para que Yeonwoo não precisasse forçar os calcanhares.
— Assim?
Yeonwoo deu um beijinho na bochecha de Chahyun, que agora estava na altura dos seus olhos. Então um dos olhos de Chahyun se enrugou.
— Isso é sem graça demais.
Diante do resmungo, Yeonwoo beijou também a outra bochecha. E, por fim, os lábios.
— Desculpa, Chahyun-ah.
— Pelo quê?
— Você está se esforçando demais todo dia por minha causa. E Seul é tão longe…
Chahyun inclinou a cabeça como se tivesse ouvido algo estranho.
— Eu te disse antes. Vou garantir que o Saebyeok nasça saudável, não importa o que aconteça.
— ……
— Leve horas ou não para chegar ao trabalho, isso não é nada para mim.
Yeonwoo mordeu o lábio inferior e ergueu os olhos para Chahyun. Seus olhos escuros estavam cheios apenas de Yeonwoo. Sem terem mudado nada em relação a antes.
Talvez o anel não fosse grande coisa. Que importava se tinha iniciais? Ele podia comprar esse tipo de acessório a qualquer hora para mudar o humor.
Que ele estava exagerando — esse tipo de pensamento complacente paralisou o raciocínio afiado de Yeonwoo.
— …Tá. Muito obrigado.
Yeonwoo abraçou Chahyun. Não conseguia colar o corpo inteiro por causa da barriga, mas, se pensasse nele como um abraço da família de três, não era tão ruim.
— Vou ser melhor para você daqui para a frente, Chahyun-ah.
— Quando o Saebyeok nascer, seja bom comigo de uma vez só, à noite.
Chahyun sussurrou algo pegajoso em seu ouvido e mordeu de leve o lóbulo da orelha de Yeonwoo.
— Volto logo.
— Venha rápido.
— Tá. Brinque direitinho com o Saebyeok.
Chahyun, que ficou enrolando com Yeonwoo na porta por um bom tempo, finalmente saiu.
Yeonwoo voltou para a sala depois de ouvir o som do carro dele se afastando da casa de campo. Yeonwoo, que caminhava até a cozinha pensando em fazer doces enquanto esperava Chahyun, logo se lembrou do cartão de visita que tinha esquecido.
É mesmo. Ia ligar para o número do cartão. Tinha se esquecido disso nesse meio-tempo.
Yeonwoo pegou o celular apressado. Agora que tinha o número do funcionário, seria melhor ligar e descobrir com certeza. Assim se sentiria mais tranquilo.
Yeonwoo ligou para o número que salvara pouco antes e entrou no quarto, preocupado que alguém pudesse ouvir.
—Aqui é Lee Joo-heon, da Ethereal Jewels.
A pessoa atendeu antes mesmo de o sinal tocar algumas vezes. Yeonwoo engoliu em seco e quebrou a cabeça.
— Olá. Recebi um anel com personalização de iniciais daí há alguns meses.
Ele tinha feito a ligação, mas ainda não tinha organizado o que devia perguntar e verificar. Arrependeu-se brevemente de ter se precipitado.
—Senhor cliente, posso saber o seu nome?
— …Baek Chahyun.
—Sim, sr. Baek Chahyun. Teve algum inconveniente depois de receber o anel?
A mão de Yeonwoo que segurava o celular se contraiu. Ele tinha que perguntar sobre o anel. O que devia dizer?
— Bom, o design das iniciais… está um pouco diferente do que eu esperava.
No fim, Yeonwoo decidiu seguir o caminho de um cliente chato que reclamava que não tinha gostado do anel meses depois de recebê-lo. Não tinha escolha se quisesse descobrir a informação que queria.
Sentia pena do funcionário que atendia, mas achava que uma marca de luxo teria um manual bem organizado para lidar com clientes chatos.
—Ah, o senhor tem uma dúvida sobre o design. Para confirmar sua identidade, poderia nos informar o número de celular e o endereço cadastrados em suas informações de membro?
Yeonwoo deu o número de Chahyun e o endereço do apartamento dele em Seul.
—Obrigado por confirmar as informações. Consta que o senhor mesmo escolheu o design das iniciais. Posso perguntar de que parte não gostou?
— O design do anel e a fonte não combinam. É verdade que fui eu que escolhi?
—Pelo que entendi, foi sua noiva quem escolheu a fonte.
Yeonwoo ficou momentaneamente sem palavras diante da palavra noiva.
—Senhor cliente?
— ……
—Creio que os senhores visitaram a loja juntos naquela ocasião e tomaram a decisão, mas, se quiser fazer alguma modificação…
— Não, não. Mudei de ideia. Vou usar do jeito que está.
Yeonwoo desligou unilateralmente antes que a outra pessoa terminasse de falar. Desde o momento em que o funcionário mencionou a palavra noiva, sua cabeça ficou em branco. Depois disso, não conseguiu ouvir o que a outra pessoa dizia.
Yeonwoo, olhando para o celular com a tela apagada, repetiu as palavras que acabara de ouvir.
Noiva. E que os dois tinham decidido juntos. E, então, o que eu peguei no carro era uma aliança de noivado que Chahyun tinha encomendado com Oh Yumin há três meses inteiros.
Yeonwoo recuperou a custo a mente atordoada e tentou organizar a situação passo a passo. E percebeu que o momento em que a aliança fora encomendada era estranho.
Foi mais ou menos na época em que eu adoeci por causa da gravidez e decidi ficar na casa de campo. Mas ele encomendou uma aliança de noivado nessa época?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna