Episódio 81
Capítulo 81 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Yeonwoo o pegou devagar. Tentar se mover sem pressionar a barriga tornava seus movimentos naturalmente lentos.
O anel tinha um design simples, mas o acabamento geral e a espessura uniformemente equilibrada tornavam difícil vê-lo como algo completamente comum.
No entanto, ele sabia que Chahyun normalmente usava só um relógio como acessório. Nunca o tinha visto usando anel.
Então por que aquilo tinha saído das roupas dele? Além disso, o tamanho parecia servir perfeitamente no dedo de Chahyun.
— Vamos.
Justo quando os pensamentos de Yeonwoo chegaram a esse ponto, Chahyun voltou. Por um momento, Yeonwoo fechou o punho inconscientemente e escondeu o anel.
— Tá.
Sentado no banco do motorista, ele conferiu Yeonwoo por hábito antes de dar a partida.
— Por que soltou o cinto?
— Ah, estava abafado por um instante…
— Coloque de novo.
— Tá.
Yeonwoo se atrapalhou com o cinto. O anel ainda estava em sua mão.
Estranhamente, seu coração batia rápido.
Devia perguntar agora? Fosse ou não dele, o certo era devolver. Mas ele não conseguia dizer que o anel tinha caído das roupas dele.
Yeonwoo olhou de relance para Chahyun, que segurava o volante, e então colocou o anel no bolso. Ao mesmo tempo, ficou confuso porque não conseguia entender por que estava fazendo aquilo.
— Esse casal vem junto todo fim de semana. Como podem ser tão carinhosos, diferente dos jovens de hoje em dia?
Quando chegaram ao supermercado e entraram na seção de alimentos, uma funcionária que agora já era bem conhecida os cumprimentou. Como ela disse, eles vinham fazer compras juntos todo fim de semana, a menos que houvesse algo especial.
Não havia muitos jovens naquele bairro, e menos ainda casais tão chamativos quanto Chahyun e Yeonwoo, então a maioria dos funcionários do supermercado se lembrava deles.
— Como a senhora tem passado?
Yeonwoo cumprimentou a funcionária e se aproximou.
— Bem. Vocês devem ter vindo comprar ingredientes para fazer pão de novo.
— Sim. Errei o que comprei da última vez… Da próxima vez, quando ficar bom, trago um pouco para a senhora.
— Você deve estar cansado com essa barriga pesada, mas é tão dedicado.
Quando Yeonwoo tentou colocar os ingredientes no carrinho, Chahyun o impediu.
— Me dá isso.
— Isso aqui dá para eu levar.
— Me escute.
Mesmo não sendo pesado, Chahyun sempre odiava que Yeonwoo carregasse ou movesse coisas sozinho.
— Dizem que é difícil para homens engravidar, por isso esse marido é tão dedicado. Que maravilha.
Uma funcionária arrumando produtos na prateleira olhou para os dois com uma expressão satisfeita. Yeonwoo sorriu sem jeito, sem dizer nada.
As pessoas dali conheciam Chahyun e Yeonwoo como um casal recém-casado. Isso porque a barriga de Yeonwoo já estava visivelmente grande, e Chahyun tratava Yeonwoo como se fosse de vidro, então era natural o equívoco de que eram casados.
Por isso, sempre que ouviam que eram um casal, nem Chahyun nem Yeonwoo se adiantavam para negar.
Havia partes ambíguas por várias circunstâncias, mas, assim que Saebyeok nascesse e a paternidade fosse comprovada, era uma relação que seria devidamente estabelecida de qualquer forma. Yeonwoo pensava assim. Por isso, embora o título de recém-casados fosse constrangedor, não era desconfortável.
— O Saebyeok também não precisa de um bebê-conforto?
Chahyun, que empurrava o carrinho acompanhando o passo de Yeonwoo, parou de repente. Ele olhava fixamente para o bebê-conforto exposto na prateleira.
Yeonwoo inclinou a cabeça. Tinha comprado tantos artigos de bebê nos últimos meses que, sinceramente, estava confuso sobre o que tinha comprado e o que não tinha.
— A gente não tem bebê-conforto?
— Não. O Saebyeok tem que vir direto para casa depois de receber alta do hospital, então vamos precisar nessa hora.
— Achei que tínhamos comprado um antes.
— Não compramos.
Chahyun disse com firmeza e colocou o bebê-conforto no carrinho. Quando as opiniões divergiam em assuntos relacionados a Saebyeok desse jeito, Chahyun sempre estava certo, então Yeonwoo não contestou.
— …Mas não está faltando espaço agora? Tem coisa demais empilhada sem abrir.
— O quarto do Saebyeok? É só arrumar. Eu arrumo depois. Ou podemos mudar para um quarto maior.
Apesar das preocupações de Yeonwoo, Chahyun disse que não era nada.
Ele muitas vezes agia como se Saebyeok fosse seu próprio filho. Não, na verdade, ultimamente agia assim quase o tempo todo, não só de vez em quando. Ele mesmo não parecia perceber…
Os dois fizeram um passeio curto de carro depois das compras e voltaram para a casa de campo. Como não havia muita infraestrutura ao redor da casa, a paisagem era bonita, e dar uma volta curta de carro pelo vilarejo aliviava rapidamente a sensação de sufoco.
Chahyun, que estacionou em frente à casa de campo, levou sozinho todas as compras do porta-malas e as guardou na geladeira. Havia pessoas cuidando da casa de campo durante a semana, mas o pessoal era reduzido ao mínimo nos fins de semana. Isso porque Chahyun e Yeonwoo tinham combinado dividir a maior parte das refeições, a louça, a limpeza e outras tarefas.
Quando Yeonwoo sugeriu esse estilo de vida, Chahyun pareceu não entender, mas agora parecia acostumado e fazia sua parte sem reclamar.
Ele estava cumprindo a promessa de deixá-lo fazer o que quisesse se viesse de Seul para a casa de campo.
Quanto mais confortável e tranquila era sua vida com ele, mais feliz ele deveria estar, mas Yeonwoo às vezes desconfiava de que tudo estava indo bem demais. Ao mesmo tempo, surgia um sentimento desconfortável difícil de explicar.
E esse sentimento desconfortável vinha crescendo desde o momento em que viu o anel.
— Posso ajudar em alguma coisa?
— Tudo bem, só descanse.
Yeonwoo, que ia dizer mais alguma coisa a Chahyun, que se movimentava ocupado, virou-se. Sabia bem, por experiências anteriores, que ele recusaria mesmo que oferecesse ajuda.
Yeonwoo foi para o quarto enquanto Chahyun organizava as compras do supermercado.
Só depois de fechar completamente a porta tirou de novo o anel que pegou no carro. O anel, que ele enfiou às pressas no bolso, emitia um brilho sutil, como quando o encontrou.
Seria de Chahyun? Ou de um amigo? Mesmo que fosse, como o anel de um amigo foi parar nas roupas dele?
Yeonwoo, que observava o anel atentamente, descobriu tardiamente letras gravadas na parte interna, que ficava em contato com a pele.
Eram tão pequenas que não dava para ler de imediato. Yeonwoo foi até um lugar com luz mais forte e conferiu as letras girando o anel em vários ângulos.
[BCH]
Eram as iniciais de Chahyun. Então significava que o anel era dele.
Mas Chahyun, justo ele, usando um anel com as iniciais gravadas?
— ……
Um latejar desagradável continuava. Ele estava deixando passar algo muito importante, um pressentimento ruim.
E, de repente, um incidente de alguns meses atrás lhe veio à mente.
— Por favor, entre em contato conosco caso haja algum problema depois de verificar a personalização das iniciais.
O homem que viera ao apartamento, dizendo ser funcionário da loja de departamentos, tinha pedido claramente que ele entrasse em contato caso houvesse algum problema com a personalização das iniciais.
Ele ainda tinha o cartão de visita que recebeu naquela época? Aquele homem parecia saber exatamente para que era o anel e de onde tinha vindo.
Yeonwoo ficou perdido em pensamentos com o anel na mão. Lembrava que tinha dividido as coisas em caixas por finalidade quando se mudou para a casa de campo. Onde estava a caixa com os itens diversos?
Yeonwoo saiu do quarto e caminhou em direção ao depósito da casa de campo. Enquanto isso, Chahyun, que tinha terminado de organizar, encontrou Yeonwoo e se aproximou.
— O que está fazendo?
— Indo ao depósito.
— Depósito? Por quê? É empoeirado.
Só depois de ouvir essas palavras Yeonwoo se convenceu de que seria difícil encontrar o cartão no fim de semana. Se começasse a revirar as coisas no depósito, Chahyun se ofereceria para procurar por ele, porque podia estar empoeirado.
Primeiro, devia procurar o cartão na segunda-feira, depois que Chahyun fosse trabalhar.
— …É mesmo? Achei que podia ficar um pouco frio quando ligo o ar-condicionado ultimamente, então ia procurar um cobertor que eu usava.
— Se falar com o administrador, ele traz um novo. Eu falo com ele.
— Tá. Mas, Chahyun-ah.
Yeonwoo o chamou sem perceber.
— Que foi?
Naquele momento, várias perguntas para Chahyun passaram de forma desordenada pela mente de Yeonwoo.
Achei um anel no carro, é seu? Você não costuma usar essas coisas. Onde conseguiu?
— Você…
— Eu o quê.
— ……
Mas, quanto mais ele tentava tirar da boca as perguntas que rodopiavam em sua cabeça, mais sua garganta se apertava.
— Hong Yeonwoo?
— …No quarto do Saebyeok, você conferiu o bebê-conforto? Se a gente comprou mesmo antes ou não.
Chahyun riu como se tivesse ouvido algo absurdo.
— Não compramos.
— Então que alívio.
Ele estava nervoso com a possibilidade de Chahyun achar algo suspeito em seu tom ou expressão, mas, felizmente, Chahyun pareceu aceitar as palavras convenientemente inventadas sem muita desconfiança.
Yeonwoo desistiu de vez de entrar no depósito enquanto Chahyun estivesse na casa de campo e decidiu encontrar um lugar para esconder o anel. Estava ansioso em mantê-lo no bolso.
Depois de esperar o momento certo, entrou sozinho no quarto por um instante e abriu a gaveta. Estendeu a mão para colocar o anel num lugar adequado lá dentro, mas um cartão de visita familiar chamou sua atenção.
— Hã?
—Ethereal Jewels
Com uma sensação de incredulidade, ele o tirou rapidamente e, surpreendentemente, era o cartão que Yeonwoo estava procurando.
Depois de confirmar de novo que a porta estava fechada, Yeonwoo salvou no celular o número do funcionário escrito ali.
Aliás, por que isso estava aqui? Parecia que a empresa de mudança o considerara um cartão importante e o guardara separadamente. De qualquer forma, foi sorte para ele.
Pensando que devia entrar em contato mais tarde, quando estivesse sozinho na casa de campo, Yeonwoo foi para a sala.
Mas essa oportunidade de ligar chegou mais cedo do que ele imaginava.
— Aonde você vai?
Chahyun, que estava em pé diante do sofá da sala, vestia uma camisa social.
— Meu secretário disse que estava por perto a trabalho da empresa.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna