Episódio 8
Ele colocou um cigarro na boca e ficou acendendo e apagando o isqueiro repetidamente.
— Eu pensei que você viria direto para cá.
— ……
— Você deu mais voltas do que eu imaginei.
Yeonwoo ficou surpreso por um instante, mas descartou com a mão as palavras sem sentido.
— Você pode ir embora? Achei que a gente tinha terminado de conversar.
— Eu não terminei de jeito nenhum. Por que você tenta me expulsar assim que me vê?
— Esta é a minha casa. Sai.
— É isso mesmo, esta é a casa do Hong Yeonwoo.
— E guarda esse cigarro.
Yeonwoo, com passos irritados, arrancou o cigarro da boca de Chahyun.
— Eu não fumei. Estava me contendo porque você não gosta que eu fume em casa.
— ……
— Eu fui bem, não fui? Você deveria me elogiar.
Chahyun reclamou, aparentemente magoado, de um jeito que não combinava com a situação.
— Você está brincando comigo agora? O que você está tentando fazer?
— Você não me elogia mais.
— Sai enquanto eu estou sendo gentil. Não estou com clima para um jogo de palavras com você.
Olhando Chahyun com atenção, ele estava usando as mesmas roupas que vestia quando saiu do trabalho ontem. O sobretudo longo, o terno, tudo igual.
Eu pensei que ele tinha passado aqui antes de ir trabalhar. Ele não dormiu nada? Há quanto tempo está esperando aqui?
Enquanto Yeonwoo estava perdido em pensamentos, a voz contida de Chahyun ecoou suavemente.
— Sabe, eu pensava que sabia tudo sobre o Hong Yeonwoo. Eu conseguia perceber o que você estava pensando só de olhar o seu rosto.
Fosse porque o álcool finalmente começava a agir, ou porque ele não havia pregado o olho a noite toda, Yeonwoo franziu o cenho com a dor de cabeça pulsante.
— Então, como o seu orgulho estava ferido por causa do casamento, eu ia compensar você. Eu pensei que, se te consolasse, mesmo que levasse tempo, você entenderia.
Isso estava errado. Não era uma questão de orgulho. Era uma questão de confiança, de lealdade e de decência.
Chahyun havia abandonado tudo isso.
— Mas você simplesmente saiu da nossa casa. Como se não fosse grande coisa.
Clique. Clique. Chahyun continuava brincando com o isqueiro enquanto falava.
— Sem nem olhar para trás uma vez.
— O que você está tentando dizer, desde o começo?
— Eu até tentei entender isso. Você estava com tanta raiva que talvez tivesse perdido a cabeça por um instante. Mas, ainda assim, eu pensei que você pelo menos viria direto para o officetel.
— ……
— Mas você estava pensando em vender este lugar de uma vez.
Yeonwoo, que só vinha escutando, ergueu a cabeça de repente. Ao mesmo tempo, um arrepio percorreu sua espinha.
— Você, como você soube disso…?
Chahyun sabia exatamente o que ele havia conversado com o dono da imobiliária poucas dezenas de minutos antes.
— Eu pensava que sabia tudo sobre o Hong Yeonwoo, mas parece que não. Você está agindo ao contrário de todas as minhas previsões.
Brincando com o isqueiro, Chahyun inclinou a cabeça. As palavras que ele dizia soavam mais como um monólogo do que como uma conversa.
— Então, e daí?
Chahyun tirou um cigarro novo do bolso, acendeu e deu uma tragada profunda, as bochechas se encovando. Então sorriu e disse:
— Eu vou descobrir tudo de novo, desde o começo. Até as partes que eu não conheço.
Era um sorriso que, à primeira vista, parecia tão amigável como se nada tivesse acontecido.
— Que absurdo você está falando, Baek Chahyun? A gente nem está mais junto. A gente terminou, lembra? E como você soube que eu liguei para a imobiliária?
Conforme a fumaça de cigarro que Chahyun exalava entrava em seus pulmões, a paciência de Yeonwoo chegou ao limite.
— Apaga isso agora! Vai fumar lá fora! Vai fumar na sua casa, se você quiser!
Yeonwoo ficou furioso e gritou. Ele cerrou os dentes e esticou a mão, empurrando com força o peito de Chahyun.
— A gente é estranho agora. Então nunca mais entre nesta casa sem a minha permissão. Entendeu?
Os músculos da mandíbula de Chahyun se contraíram enquanto ele era empurrado até a porta.
Depois de um instante, ele se recompôs e abriu a boca com calma.
— A gente ainda não terminou. Eu nunca permiti isso. E.
— O quê…
— Não me ligue dizendo que está com saudade primeiro.
As palavras provocadoras, inapropriadas para a situação, fizeram a raiva de Yeonwoo explodir.
Ele estava a ponto de esbravejar, dizendo que não havia a menor chance de ele ligar dizendo que sentia falta de alguém como ele, mas Chahyun, que vinha resistindo mesmo mandado embora, se virou e saiu do officetel por conta própria.
— Desgraçado louco. Moleque louco… Ele está fora de si, esse cara.
Ele sentiu como se tivesse ficado sóbrio por completo.
Yeonwoo estremeceu e trocou a senha da fechadura da porta e trancou bem o ferrolho, por precaução, caso Chahyun voltasse.
Ele não havia pregado o olho, e vinha gritando desde a manhã, então sua garganta estava raspando. Ele tomou água fria de um só trago para matar a sede, e talvez porque a tensão tivesse afrouxado, o sono se abateu sobre ele.
Yeonwoo arrastou o corpo exausto até o chuveiro, se lavou rapidamente e trocou por roupas limpas. Conseguiu achar facilmente as coisas de que precisava, porque seus pertences antigos ainda estavam no officetel.
Deitado na cama com os olhos fechados, Yeonwoo foi tirando suas preocupações uma a uma.
O que fazer com o café de agora em diante, quando tirar seus pertences do apartamento. O que fazer para expulsar Chahyun se ele viesse de novo como hoje… Havia coisas demais para se preocupar.
— Filho da puta…
Certamente ele não continuaria agindo assim, não é?
Mesmo em seu estado semiadormecido e nebuloso, a voz e a expressão extremamente calmas de Chahyun o incomodavam.
* * *
Yeonwoo abriu os olhos com o som do despertador. Ao conferir a hora, eram duas da tarde. Ele ainda estava cansado, porque havia dormido apenas três horas desde que entrou naquela manhã.
Mas tinha que se levantar. Precisava ir trabalhar no café à tarde.
Ele se encontraria com Chahyun de novo se fosse trabalhar, mas não podia simplesmente não trabalhar. Foi uma sorte não estar encarregado da abertura hoje.
Yeonwoo lavou o rosto e conferiu mentalmente o que tinha que fazer no café. Era o dia em que os grãos de café encomendados e os insumos descartáveis chegavam, então tinha que organizá-los primeiro, e depois descartar quaisquer ingredientes vencidos.
Uma vez terminadas as tarefas urgentes, ele planejava entrar em contato com o administrador do prédio. Para vender o café.
Seria difícil fechar o café de imediato, mas ele não podia continuar vendo Chahyun no mesmo prédio todos os dias assim.
— Eu tenho que acertar as coisas.
Yeonwoo murmurou para si mesmo enquanto se vestia.
Ele terminou de se arrumar rápido e calçou os sapatos. Pensou que teria que descer e chamar um táxi, já que não tinha carro para dirigir, e abriu a porta da frente.
— Quem são vocês?
Mas havia dois homens que ele nunca havia visto de pé diante da porta.
Os homens, que eram bem grandes, estavam postados de forma ameaçadora exatamente diante da porta do officetel de Yeonwoo, bloqueando seu caminho.
— O senhor não está autorizado a sair.
— Como é?
Sem entender o que eles diziam, Yeonwoo os encarou de baixo, sem expressão.
— …Esta é a minha casa, por que eu não posso sair? Está acontecendo alguma coisa lá fora?
— O Diretor restringiu as suas saídas por enquanto.
A expressão de Yeonwoo endureceu com a palavra “Diretor”.
Baek Chahyun, ele está louco de verdade?
Yeonwoo abriu a porta por completo e encarou os dois homens com dureza.
— Então, eu estou saindo da minha casa, que direito vocês têm de restringir as minhas saídas?
— Sinto muito. Vamos escoltá-lo para dentro.
Os homens não responderam à sua pergunta; em vez disso, ergueram Yeonwoo e o arrastaram para dentro do officetel. Yeonwoo se debateu no ar.
— Quem, quem são vocês! O que estão fazendo, não me toquem!
Não importava quanto empurrasse com braços e pernas, eles não se moviam.
— Vocês não vão me soltar?
Apesar do tumulto, Yeonwoo aterrissou em segurança na entrada.
Ele tentou sair mais algumas vezes, mas era impossível enfrentar sozinho pessoas que pareciam guarda-costas.
E assim, de repente ele estava numa situação em que não podia dar um único passo fora do seu officetel.
— Ha… Ha, sério. Uau, isso é enlouquecedor.
Ele pensou se deveria tentar sair por outra porta, mas aquele era o nono andar. Não havia jeito de sair a não ser pela porta da frente.
Ele havia denunciado à polícia, mas só recebeu a resposta desinteressada de que não podiam prender pessoas que estavam apenas de pé no corredor, que era um espaço público.
Ele já havia ligado para Chahyun dezenas de vezes. E nunca recebeu resposta.
— Eu estou realmente preso?
Baek Chahyun, seu desgraçado louco. Você está fora de si. Por que está fazendo isso?
É errado eu sair do caminho para você casar com outra pessoa e viver felizinho?
O tumulto que havia estourado desde a manhã era tão chocante que estava causando uma confusão em seus valores.
Yeonwoo, que havia esgotado toda a sua energia depois de se debater por várias horas, finalmente se lembrou do café e entrou em contato com o atendente.
— Ah, chefe! Eu soube que você não vem hoje. Recebi a mensagem. Se não estiver se sentindo bem, por favor, descanse.
E essa foi a resposta que ele recebeu. Como o café poderia funcionar tão bem sem o dono nem entrar em contato?
Mas, diante das palavras animadas de que os outros atendentes cuidariam do café, então ele deveria descansar, ele não conseguiu dizer: “Eu estou preso, me tirem daqui.”
— Hoje é o dia em que os grãos de café chegam…
— Sim! Eu recebi, conferi a quantidade e organizei.
— ……
— E também descartei os alimentos refrigerados e o xarope vencidos.
Ele ficou tão pasmo que não conseguiu falar. Desligou o telefone rapidamente e se sentou no sofá do officetel, segurando a cabeça pulsante.
De repente, sentiu-se tão patético. As pessoas acreditariam nele se ele contasse? Como deveria resolver isso?
“Não me ligue dizendo que está com saudade primeiro.”
Foi por isso que Chahyun disse aquilo naquela manhã?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna