Episódio 7
Eu preciso sair daqui o mais rápido possível. Se as coisas derem errado aqui e eu me excitar, vou acabar me agarrando ao Chahyun, movido só pelo instinto, sem nenhum sentimento.
Yeonwoo desistiu completamente da mochila e correu em direção à entrada.
— Solta, seu desgraçado louco!
Não, ele tentou correr.
Mas Chahyun agarrou seu ombro num instante e não o soltou. Conforme seus corpos, que estavam separados, se tocaram de novo, os feromônios penetraram ainda mais fundo em seu corpo.
Os feromônios Alfa que se despejavam tornavam difícil respirar. Os feromônios, emitidos de forma tão massiva e crua, definitivamente tinham a intenção de excitá-lo. Uma sensação familiar estimulava sua sensualidade a partir da base das costas.
— Não. Por que você está fazendo isso? Baek Chahyun.
— Hong Yeonwoo, você é quem precisa se acalmar.
— Me solta para eu poder falar! Solta!
De onde tirou tanta força, Yeonwoo empurrou Chahyun e se libertou de seu abraço.
Ele viu vagamente Chahyun, que havia sido atingido pelo debater selvagem de seus braços e pernas, caindo no chão. Ele tentou fugir rapidamente do quarto nessa brecha, mas, mesmo caindo, Chahyun esticou seu braço longo e agarrou sua panturrilha.
Yeonwoo, que avançava com força, tropeçou e caiu de cara no chão.
— Aargh!
Ao mesmo tempo, sua visão girou. Uma dor inesperada se seguiu.
Ele havia torcido o tornozelo ao cair. E, de todos os tornozelos, tinha que ser o direito, que já não estava em boas condições para começo de conversa.
Enquanto Yeonwoo agarrava o tornozelo, contorcendo-se de dor no chão, Chahyun correu até ele, aflito.
— Hyung! Você está bem?
Chahyun, que estava sem expressão como se estivesse com raiva, agarrou o tornozelo de Yeonwoo com um olhar assustado.
— Ah….
— Deixa eu ver. Dói muito?
Yeonwoo franziu o cenho, agarrando o tornozelo, e não disse nada. Chahyun, ansioso, perguntou de novo.
— Devemos ir ao hospital?
— Não.
— Deixa eu dar uma olhada.
— Baek Chahyun.
— Como é a dor?
— Ei. Sai da frente.
Yeonwoo empurrou Chahyun com irritação e se levantou. Enquanto vacilava, tentando não colocar peso no tornozelo torcido, Chahyun só pôde olhar para ele de baixo, sem conseguir se aproximar de novo.
— Yeonwoo hyung.
— Sai da frente. Eu estou indo.
Chahyun encarou Yeonwoo, sentado no chão com uma expressão um tanto atordoada.
— Mesmo agora, ao hospital….
— Eu vou por conta própria, então não finja se preocupar comigo.
Mesmo sabendo que não era fingimento, Yeonwoo disse de propósito. Ele queria que Chahyun se machucasse tanto quanto ele havia se machucado.
Chahyun, que até um instante antes tentava impedir Yeonwoo de forma imprudente, apenas encarou o tornozelo manco de Yeonwoo e não o impediu mais.
Yeonwoo saiu de casa às pressas, com medo de que ele mudasse de ideia e o agarrasse de novo.
* * *
No fim, ele não conseguiu pegar sua mochila, mas felizmente tinha o celular, o cartão de crédito e a chave do carro, que sempre carregava no bolso.
Ele havia saído correndo de casa como se fugisse, mas pensou que seria difícil dirigir com o tornozelo torcido. Yeonwoo foi até a avenida principal e pegou às cegas o primeiro táxi que viu.
— Para onde você vai?
Yeonwoo, que havia aberto a porta e entrado como se precisasse sair daquele lugar imediatamente, ficou sem palavras com a pergunta do motorista de táxi.
— ……
Para onde deveria ir?
Normalmente, nesse caso, ele iria para a família, mas sua mãe estava no interior. Ele havia perdido o contato com o pai, obcecado por jogo, muito tempo atrás.
Seus poucos amigos… ele havia se distanciado deles porque estava morando com Chahyun. Os outros eram conhecidos que ele havia encontrado através de Chahyun. O Neobel que ele administrava, sua casa e os conhecidos com quem se comunicava eram todos relacionados a Baek Chahyun.
O que eu tenho feito da minha vida? Yeonwoo zombou de si mesmo por dentro.
— Por favor, vá para o Parque do Rio Han.
Yeonwoo, que finalmente conseguiu responder depois de hesitar, encarou pela janela a paisagem que escurecia.
Ele queria tomar um ar fresco num espaço aberto, por enquanto. Queria esvaziar a cabeça, embaraçada de emoções negativas.
Uma vez decidido o destino, sentiu como se tivesse resolvido um problema difícil.
Enquanto observava sem expressão a paisagem passando rápido pela janela do carro, Yeonwoo de repente se lembrou de uma mensagem que havia recebido de um amigo alguns dias antes.
Lembrando disso, ele imediatamente tirou o celular e entrou na caixa de mensagens para procurar o nome do amigo.
[Fala, Hong Yeonwoo kkkk Como você está? Eu vou casar kkkk Vou te dar um convite, então me chama quando tiver tempo~ Estou te mandando o convite digital também]
É verdade. Park Yoon-geon havia dito que ia se casar em breve. Ele parecia ter visto o convite digital e transferido o dinheiro da congratulação antecipadamente, mas havia esquecido de enviar uma resposta separada.
Yeonwoo encarou a tela por um tempo, depois logo moveu os dedos.
* * *
— Ei. Por que você me chama assim de repente para nos encontrarmos? E se eu tivesse que fazer hora extra hoje?
— Obrigado por vir.
Yoon-geon, que não tinha notícias de Yeonwoo havia muito tempo, não reclamou e respondeu de bom grado que estava a caminho de casa. E veio direto ao Parque do Rio Han, onde Yeonwoo estava.
Yeonwoo, que estava bebendo cerveja em lata comprada numa loja de conveniência próxima, pegou uma lata nova e entregou a Yoon-geon.
— Mas por que aqui? Se é para beber, você devia beber num lugar decente.
— Não sei. Foi o único lugar que me veio à cabeça. Também queria ver a vista noturna.
— Por quê. Esse desgraçado, tem alguma coisa aí.
Yoon-geon abriu sua cerveja e gesticulou como se soubesse mais ou menos o que estava acontecendo.
— Desembucha logo. Vou ouvir tudo em troca do generoso dinheiro de congratulação que você me deu.
— Haha.
— Você não disse que estava morando com seu namorado? Vocês brigaram?
Yeonwoo foi acertado em cheio pelas palavras casuais de Yoon-geon.
— Foi mais ou menos isso. Eu me senti sufocado, mas não tinha para onde ir.
— Sobre o que vocês poderiam ter brigado? Seu namorado tem algum dinheiro, né? Ele é de berço de ouro, não é? Pensando bem, ele montou o café que você administra agora, e te ajudou a comprar uma casa antes, né?
Quanto mais pensava nisso, mais esse era o problema. A vida dele toda estava conectada de forma profunda demais a Baek Chahyun.
Foi por isso que Baek Chahyun pensou com tanta confiança em casar com outra pessoa? Ele estava tão certo de que ele não diria nada por causa dos benefícios que perderia diante dele, mesmo que o notificasse de forma tão arbitrária?
Yeonwoo foi submergido na humilhação enquanto olhava as luzes da cidade cintilando como grãos de areia além do rio Han.
Quanto mais confortável a vida que ele lhe havia dado, maior o choque da traição.
— Bom, o suficiente sobre a minha situação. Como você está, Park Yoon-geon? Os preparativos do casamento estão indo bem?
— É verdade! Eu tenho que te dar o convite. Espera um minuto. Trouxe alguns que eu tinha na empresa, mas esse design….
Yoon-geon parecia qualquer noivo comum, animado com os preparativos do casamento. A noiva era do mesmo traço Beta, e se podia sentir que os dois eram loucos um pelo outro só de ouvi-lo falar.
Era uma situação que contrastava de forma cruel com a situação atual de Yeonwoo.
Yeonwoo escutou em silêncio o gabar-se de Yoon-geon por muito tempo, olhando os nomes do noivo e da noiva escritos no papel branco e grosso. E bebeu a cerveja que restava.
Havia inúmeras luzes se espalhando sobre o rio, mas era amargo que não houvesse, entre aquelas luzes, um lugar para onde ele pudesse voltar.
— Quem pediu para casar primeiro?
Yeonwoo, que só vinha escutando a história, ficou de repente curioso. Yoon-geon coçou a bochecha como se estivesse com vergonha, abrindo uma cerveja nova.
— Bom, fui eu que pedi primeiro. Mas, quando você está namorando, vocês dois naturalmente começam a pensar em casamento.
— Imagino.
— Antes de pedir em casamento, você janta com os dois lados dos pais, e discute onde comprar uma casa…. Esse tipo de coisa surge naturalmente, né?
— ……
— Você mora junto, então sabe.
Ele não sabia. Olhando para trás, parecia que tudo havia fluído da forma que Baek Chahyun queria. Com a desculpa de que seu tornozelo era um problema, com a desculpa de que seria mais fácil se eles se vissem com frequência. Desse jeito, ele gradualmente perdeu sua autonomia na relação.
Foi por isso que Chahyun não sentiu a necessidade de lhe explicar o casamento. Foi por isso que todos ao redor sabiam, e ele era o único que não sabia.
Yeonwoo tocou seu tornozelo direito enquanto ouvia o gabar-se sem parar de Yoon-geon. Seu tornozelo, que estava rígido quando ele saiu correndo de casa, agora estava bem. Felizmente, não parecia haver problema.
A brisa do rio era bem fria, mas ainda assim não era suficiente para esfriar seu peito, que parecia estar em brasa.
* * *
No fim, ele se demorou com Yoon-geon no parque e só se despediram quando amanhecia. Depois de colocar o vacilante Yoon-geon num táxi, Yeonwoo foi para um bar e bebeu até o sol ter nascido por completo. Alguns Alfas se aproximaram e flertaram com ele, mas, quando ele não reagiu de forma alguma, não o incomodaram mais.
Estranhamente, ele não se sentia bêbado, não importava quanto bebesse.
Yeonwoo saiu do bar com a mente apenas ficando mais e mais clara, e tomou o café da manhã num restaurante coreano ali perto.
Assim que deu nove da manhã, ele ligou para uma imobiliária e disse que queria colocar seu officetel à venda. Agora que havia decidido terminar, sentia que deveria organizar gradualmente qualquer coisa relacionada a Chahyun.
Depois de uma breve ligação com o corretor, Yeonwoo acabou seguindo para o officetel que acabara de colocar à venda, porque não tinha para onde mais ir.
Era onde Yeonwoo havia morado sozinho antes de morarem juntos, mas, como Chahyun o havia comprado e transferido a propriedade para Yeonwoo, também era território de Chahyun, se ele pensasse bem.
Mas, por enquanto, não havia mais nenhum lugar para ficar. Ele não queria voltar ao apartamento.
O officetel, no qual ele entrava depois de muito tempo, tinha um leve cheiro de poeira e de papel de parede.
Ele acendeu a luz e entrou, onde um par grande de sapatos estava colocado na sapateira que deveria estar vazia.
Yeonwoo ergueu a cabeça às pressas e varreu a sala com os olhos.
— Por que você está aqui.
Chahyun, de terno, estava de pé com seu corpo grande apoiado numa das paredes da sala.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna