Episódio 78
Capítulo 78 ── ⋆⋅☆⋅⋆
— Eu, hã, tropecei no caminho.
Yeonwoo desviou o olhar, parecendo aflito. Ele tinha arregaçado a manga do lado machucado até o cotovelo, mas esqueceu de desenrolá-la.
— Onde?
— Agora há pouco, no estacionamento do prédio, voltando para casa.
Yeonwoo respondeu hesitante, relembrando o que tinha acontecido poucos minutos antes. A notícia de que Chahyun tinha tomado supressores por causa dele, somada aos resultados dos exames mostrando que seus níveis, que mal tinham voltado ao normal, haviam caído de novo na zona de perigo, o deixaram meio fora de si.
Nesse estado atordoado, ele caminhava do estacionamento em direção ao elevador quando seu problemático tornozelo direito cedeu e ele caiu. Felizmente, caiu sobre as palmas das mãos e o cotovelo, então a barriga não sofreu impacto.
No momento da queda, ele ficou tão atônito que não sentiu dor nenhuma. Só depois que o motorista, assustado, o ajudou a levantar e apontou o sangue no cotovelo, ele começou a sentir a dor gradualmente.
Não fazia nem meio dia que tinham lhe dito para tomar cuidado com quedas. Yeonwoo engoliu um suspiro, olhando para a mão que segurava seu braço.
— Você não caiu com muita força, caiu? Como está o resto?
— Estou bem.
— Por que está deixando assim, sem passar remédio? Está sentindo dor na barriga?
— Não, estou bem mesmo.
Yeonwoo assentiu com calma, e Chahyun, percebendo que talvez estivesse segurando o braço dele com força demais, soltou. Depois, jogou para trás com força o cabelo que tinha caído.
Sem dizer uma palavra, Chahyun virou-se abruptamente, pegou a caixa sobre a mesa e foi direto para o quarto.
— Hã…
De repente deixado sozinho na sala, Yeonwoo esfregou sem motivo o braço que Chahyun tinha segurado. Mas, poucos segundos depois, Chahyun voltou com uma caixa de primeiros socorros.
— Passe um remédio.
Ele disse, colocando-a no sofá. Yeonwoo olhou para o ferimento no cotovelo por um momento e depois encarou Chahyun fixamente.
— Passa para mim.
— Passe você mesmo.
Chahyun respondeu como se tivesse ouvido algo estranho. Mas Yeonwoo não recuou.
— É num lugar difícil de eu mesmo passar.
— Mesmo sendo difícil, dá para fazer. Preciso voltar ao escritório.
— Então não vou passar.
A testa de Chahyun se franziu diante das palavras teimosas.
— Peça para a tia passar.
— Ela tinha um compromisso hoje à tarde e saiu mais cedo.
— Você realmente…
Chahyun estava irritado com a atitude de Yeonwoo, sangrando e agindo sem nenhum senso de urgência. Era como se ele estivesse testando deliberadamente sua paciência. Não conseguia entender por que ele estava sendo tão difícil de repente.
Yeonwoo devia saber que nada de bom poderia vir de ele tocá-lo naquele momento. Ou mesmo de ficar perto.
Sabendo que devia simplesmente ir embora, Chahyun não conseguiu ignorar as palavras de Yeonwoo sobre deixar o ferimento sem tratamento. Abriu a caixa de primeiros socorros irritado e tirou o antisséptico.
Arregaçou direito a manga do braço de Yeonwoo, que estava estendido em sua direção, e conferiu sua expressão. Não vendo sinais de desconforto ou aflição, parecia que o contato com a pele não era problema.
Com a intenção de terminar logo, Chahyun aplicou o antisséptico e depois passou o remédio por cima. Então notou as marcas avermelhadas perto do cotovelo.
— Está roxo também.
Ele suspirou. Depois, encarou Yeonwoo.
— Está fazendo protesto? Volta assim depois de só um dia longe.
Diante do resmungo baixo, Yeonwoo pressionou os dentes superiores contra o lábio inferior. E, depois de um momento, abriu a boca.
— Chahyun-ah.
— O quê.
— Não tome os supressores.
A mão de Chahyun congelou diante disso. Seu olhar, que estava fixo no ferimento, passou para o rosto de Yeonwoo.
— Quem te contou?
— Eu menti para você. Na verdade, seus feromônios não me incomodam nem um pouco.
— Perguntei quem te contou. Você ouviu no hospital?
— Eu estava bem até no dia em que você me deixou daquele jeito no estacionamento. E quando você entrou no quarto… Então não tome.
Mesmo depois de ouvir as palavras de Yeonwoo, a expressão de Chahyun não mudou. Como se não importasse se era mentira ou não.
— Tudo bem, eu mesmo cuido disso.
— Estou dizendo que menti. Não havia necessidade de tomar aquilo desde o começo… Você tomou por minha causa.
— Solte isso e fale.
Só então Yeonwoo percebeu que estava agarrado ao braço dele. Tinha apertado com tanta força que havia marcas de mão na pele. Assustado, Yeonwoo afrouxou a mão tardiamente, mas não soltou por completo.
Os efeitos colaterais não eram quaisquer sintomas, mas desequilíbrio de feromônios. Ele estava com raiva por Chahyun ter tomado os supressores sem lhe dizer nada, mesmo depois de ouvir isso. Ele devia saber o quanto era problemático e perigoso, já que era uma doença que tivera na infância.
E Yeonwoo sentia uma culpa ainda mais profunda, sabendo que também era responsável por aquela situação.
— Desculpa por ter mentido. Pode ser perigoso. Eu estou bem, então não tome mais daqui para a frente. Tá?
Antes que percebesse, os olhos de Yeonwoo estavam avermelhados. Sua voz também tremia levemente.
— Hong Yeonwoo, por que…
Os lábios de Chahyun congelaram quando ele ia dizer alguma coisa. Ele encarou fixamente o rosto que parecia prestes a chorar a qualquer momento.
Sempre que Yeonwoo fazia aquela expressão, ele sentia como se o chão desabasse sob seus pés. Não sabia de onde vinham esses sentimentos, porque não tinha memórias, e sentia como se o peito estivesse bloqueado.
— ……
Depois de um breve silêncio, Chahyun abraçou Yeonwoo com força, como se não aguentasse mais. E Yeonwoo o abraçou de volta, como se estivesse esperando por isso.
— Desculpa, Chahyun-ah. Por que você foi tão longe… Eu, você…
— Não peça desculpas. Está tudo bem, então não precisa.
— E não peça desculpas pelos soníferos. Só fiquei tonto no começo, mas melhorei rápido.
As palavras antigas de Chahyun ecoaram em seus ouvidos. Yeonwoo enterrou o rosto no ombro dele e fechou os olhos com força.
Os dois não disseram nada por um tempo. O som dos corações batendo loucamente um contra o outro ressoava.
— Hong Yeonwoo.
Foi Chahyun quem falou primeiro.
— Vamos nos mudar.
Sua voz era firme.
— Hã?
— Para um lugar tranquilo, só até a criança nascer e você se recuperar.
— …De repente?
Surpreso, Yeonwoo abriu os olhos fechados e perguntou.
— Se ficarmos em Seul, haverá coisas demais com que nos preocupar, como agora. Eu pesquisei, e dizia que, quanto pior o enjoo e mais sensível você for aos feromônios, melhor é ficar perto da natureza.
— ……
Chahyun falou sem afrouxar os braços que seguravam Yeonwoo com força.
— Ouvi os resultados dos exames que saíram hoje. Você precisa descansar bem para se recuperar, mas vai ser sufocante continuar no apartamento.
Era uma reviravolta completamente inesperada. Desconcertado, Yeonwoo mordeu o lábio.
— O lugar para onde vamos tem uma casa grande e um jardim grande. Também fica perto do hospital, e vou deixar você sair.
— …E o café?
— Depois, quando você estiver totalmente recuperado, recomece em outro lugar. Lá eu não vou te impedir.
Seria engano dele? A voz de Chahyun, enquanto falava com gentileza, de alguma forma soava desesperada. Era exatamente como o próprio coração, e Yeonwoo sentiu um nó na garganta de novo.
— Está falando sério?
— Estou.
Yeonwoo ficou pensativo. As palavras dele sobre se mudar eram repentinas demais, mas, por outro lado, ele entendia vagamente. Sentia que não podiam continuar vivendo daquele jeito.
Era impossível trabalhar naquelas condições, e ficar no apartamento era entediante e sufocante. Havia gente demais em todo lugar aonde ele ia ali, então ele ficava nervoso.
— …Se a gente se mudar.
Como Chahyun disse, talvez fosse melhor para ele e para a criança viver num lugar pouco povoado por um tempo.
— Para onde vamos?
Mesmo ao fazer a pergunta, Yeonwoo sentia que sabia para onde iria.
— Província de Gangwon.
— ……
E, quando sua previsão se confirmou, as lágrimas realmente vieram desta vez. A casa para onde Chahyun falava em se mudar provavelmente era a casa de campo onde ele e Yeonwoo tinham se conhecido no ensino fundamental.
Será que Chahyun escolheu aquele lugar inconscientemente?
Ele não ia àquela casa de campo desde criança, então não sabia como ela estava agora. Se fossem juntos para lá de novo, será que as memórias de Chahyun voltariam? Nem que fosse um pouquinho…
Depois de muito ponderar, Yeonwoo respirou fundo.
— Tá.
— Hã?
— Eu vou. Vou ficar lá até o bebê nascer.
Sinceramente, se ele podia ou não ir trabalhar já não importava tanto. Tudo isso era para depois que a criança nascesse em segurança. Yeonwoo queria proteger a qualquer custo a criança que tinha nascido entre ele e Chahyun.
— Mas tenho uma condição para me mudar.
— Qual?
Yeonwoo murmurou com a voz embargada pelas lágrimas, mas Chahyun conseguiu entender.
— Não tome mais os supressores. Nem os que você toma por via oral.
— ……
— Hein? Baek Chahyun.
Yeonwoo insistiu, soluçando. Ao mesmo tempo, abraçou-o ainda mais forte.
— Tá bom.
E ele finalmente obteve a resposta que queria.
* * *
— Hyung. Você conhece algum médico que faça acompanhamento obstétrico na província de Gangwon? Descubra, mesmo que não conheça.
No carro, a caminho do escritório, Chahyun, que tinha ligado para Sang-gyun, foi direto ao ponto.
—Gangwon? Por que lá, de repente?
— Hong Yeonwoo vai morar lá por um tempo. Gostaria de ter um médico responsável para que seja fácil ele receber atendimento. E tem que ser discreto.
Agora que Yeonwoo concordara em se mudar, o coração de Chahyun estava impaciente. Havia muito a preparar para mudar a casa o mais rápido possível.
—Tsc. Vou procurar por enquanto. Como está o Yeonwoo? O enjoo melhorou um pouco?
— Não. Ainda não está bom.
—Hmph, isso é um grande problema… Aliás, o que você vai fazer com o casamento? Vai adiar? Ou…
— Foi antecipado. Para este ano.
—O quê? Ei! O Yeonwoo sabe?
Sang-gyun gritou, surpreso. Chahyun ergueu uma sobrancelha diante do grito repentino vindo do alto-falante.
— Não. Então não diga nada desnecessário ao Hong Yeonwoo.
—Não, hã… Você consegue mesmo esconder isso?
— Vou contar a ele depois.
Chahyun tamborilou no volante e respondeu com indiferença.
—Acha que vai sair do jeito que você quer? É por isso que vai para Gangwon?
— Hyung. A saúde do Yeonwoo não está boa agora. A criança tem que nascer saudável.
—Uau, vou ficar louco. Eu realmente não sei de nada.
Sang-gyun traçou uma linha com uma voz extremamente enojada.
—Não venha reclamar comigo depois, perguntando por que eu não te impedi.
— Isso não vai acontecer, então me arrume um médico.
—…Ugh, droga. Vou parar de fumar.
Sang-gyun, que soltou um suspiro profundo, desligou sem se despedir.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna