Episódio 77
Capítulo 77 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Assim que ela disse isso, Oh Yumin parou de mexer os hashis.
— De repente…?
— Sim. De que adianta esperar até o ano que vem? Se vamos fazer de qualquer jeito, é melhor terminar logo.
— É verdade. Arrastar isso só gasta energia com os preparativos. Não vejo motivo para isso.
Desta vez, a mãe de Oh Yumin interveio.
Chahyun encarou a noiva à sua frente. Ela olhou de relance para Chahyun, como se não soubesse que esse tipo de conversa surgiria num jantar com os pais dos dois. Como se perguntasse: “Você sabia?”.
Por outro lado, as expressões dos pais dele estavam calmas. Parecia que já tinham discutido o assunto nos bastidores antes de marcar o jantar.
Não era à toa. Tinha sido estranho desde o início quando sugeriram de repente que comessem juntos. Além disso, pensando bem, era estranho que tivessem antecipado às pressas o compromisso, que originalmente estava previsto para o mês seguinte.
O pai de Oh Yumin fez um longo discurso sobre as vantagens de os dois se casarem logo. Falou de forma pomposa e rebuscada, mas, mencionando Fintech Solution e AI-based Data Service, a conclusão era que isso beneficiaria os negócios.
No fim, significava casar logo porque daria dinheiro.
À medida que a conversa dos pais se alongava, os lábios de Oh Yumin foram enrijecendo.
— Então, quando estão pensando em fazer o casamento?
— Acho que seria bom terminar dentro deste ano.
Diante da resposta concisa, Oh Yumin apagou até o leve sorriso que mal conseguia manter.
Segundo relatos, ela tinha planejado em breve umas férias bem longas com seu amante Alfa. Provavelmente para passar tempo suficiente com o amante antes do casamento arranjado.
Mas, se o casamento fosse marcado para este ano, todos os compromissos seriam antecipados, tornando difícil reservar tempo para o amante.
Chahyun apenas ouviu a conversa e não disse nada. Se ele interviesse para se opor ali, com certeza pareceria suspeito aos olhos dos pais. Como se tivesse algo a esconder. Ele não queria mostrar esse tipo de falha.
Além disso, o casamento era algo que ele teria que fazer de qualquer forma. Fazê-lo um pouco mais cedo não mudaria nada.
— Chahyun e Yumin parecem estar se dando bem. O deputado Kim Sang-ho disse que viu vocês dois num encontro.
— Nós nos vemos de vez em quando.
Chahyun concordou descaradamente. Mesmo assim, estava secretamente calculando como esconder perfeitamente essa notícia de Yeonwoo.
Pelo menos, queria contar a ele sobre o casamento depois que a criança nascesse e o corpo dele tivesse se recuperado até certo ponto. Nesse ritmo, acabaria se casando com Oh Yumin antes mesmo de a criança nascer.
Assim que começassem a preparar o casamento de verdade, havia uma grande possibilidade de a notícia chegar aos ouvidos de Yeonwoo por vários meios de comunicação. Além disso, Yeonwoo queria voltar a trabalhar no café assim que o corpo se recuperasse, então com certeza descobriria enquanto o café continuasse funcionando no prédio.
Primeiro, ele teria que fechar o café. Quanto a ouvir informações pela mídia… isso ele não podia controlar. Por mais que alertasse, era impossível bloquear todos os meios de comunicação.
Mas não era como se não houvesse nenhuma saída. Se isolasse Yeonwoo completamente da sociedade por um tempo, seria possível bloquear a notícia do casamento.
Se o fizesse ficar num lugar isolado do mundo exterior, sob o pretexto de recuperação.
— Então, eu gostaria que o casamento fosse realizado discretamente.
Chahyun, que terminou rapidamente seus cálculos, abriu a boca em voz baixa. Então os olhares dos pais se fixaram nele.
— Discretamente, por quê?
— Só não quero complicar as coisas. Se adiantarmos a cerimônia, haverá mais coisas a preparar, e quanto mais exposto ao público, mais teremos com o que nos preocupar.
— Hmm.
— A Yumin também pareceu se sentir sobrecarregada com isso quando conversei com ela.
Oh Yumin o encarou como se perguntasse quando ela tinha dito tal coisa, mas Chahyun a ignorou.
— Já que estamos adiantando a data, espero que possamos gastar menos tempo com questões secundárias além dos preparativos do casamento.
— Isso também é verdade. Vamos pensar a respeito.
A mãe de Oh Yumin respondeu gentilmente, mas ele não tinha certeza se a opinião de Chahyun seria de fato aceita.
— É uma época agitada para os dois. É natural que se sintam sobrecarregados com os preparativos, já que são jovens.
A mãe de Chahyun sorriu elegantemente e olhou do filho para Oh Yumin.
— Isso significa que ambos têm muita coisa para resolver às pressas. Não é?
Foi um comentário significativo. Nem Chahyun nem Oh Yumin responderam.
Depois disso, a conversa sobre o casamento continuou. Chahyun e Oh Yumin, os envolvidos, concentraram-se em silêncio na refeição, e os pais competiam para prolongar a discussão.
Quando a refeição estava terminando, Chahyun pegou o celular, pretendendo inventar uma desculpa sobre assuntos da empresa e ir embora.
Ele o deixara no silencioso, então havia bastantes notificações acumuladas em poucas horas. Provavelmente era um relatório sobre a ida de Yeonwoo ao hospital.
Ao pensar em Yeonwoo de novo, Chahyun sentiu o peito apertar. Por hábito, levou a mão à gravata, mas a baixou ao se lembrar de que estava na presença dos mais velhos.
Ele franziu levemente a testa. Hesitou em abrir as notificações, preocupado que pudesse haver más notícias sobre os resultados dos exames.
Ele não costumava ficar tão nervoso antes, mas ultimamente vinha tomando cuidado com cada ação, até mesmo em casa.
Na última vez em que não conseguira controlar seus feromônios diante de Yeonwoo, na semana anterior, sentiu uma raiva indescritível de si mesmo. Era parecida com o que sentiu ao encontrar Yeonwoo definhado no funeral. Ou talvez fosse ainda mais intensa.
Ele se afastou imediatamente de Yeonwoo e foi ao hospital tomar supressores, mas talvez nem isso fosse suficiente para ele, cujos sentidos tinham ficado mais sensíveis por causa da gravidez. Pensando nisso, Chahyun muitas vezes era dominado pela ansiedade.
Ele tentava viver em casa evitando cruzar com Yeonwoo o máximo possível, mas havia limitações na estrutura do apartamento. Isso também seria melhor se fossem para uma casa maior ou uma casa de campo.
Chahyun estava perdido em pensamentos enquanto conferia as notificações uma a uma. Entre elas, uma chamada perdida e uma mensagem da loja de departamentos chamaram sua atenção.
[Olá, sr. Baek Chahyun. Aqui é a Ethereal Jewels. Visitamos hoje sua residência com o produto a ser entregue, mas, como o senhor não estava em casa, entregamos a uma pessoa na residência. Por favor, verifique e entre em contato caso tenha alguma dúvida. Obrigado.]
Ethereal? Ele tinha ido àquela loja recentemente? Chahyun inclinou a cabeça e vasculhou a memória.
Então percebeu que era a marca onde tinha encomendado a aliança de noivado com Oh Yumin e congelou.
Ele tinha se esquecido completamente da aliança. Se tinha sido entregue a alguém em casa, significava que Yeonwoo a recebeu? Ou uma funcionária? A primeira hipótese fazia seu sangue gelar só de pensar.
Originalmente, a regra era ir pessoalmente à loja para retirá-la, mas ele tinha mandado o secretário cuidar disso porque estava com preguiça de ir de novo à loja de departamentos para receber a aliança de noivado, e essa era a raiz do problema.
Porra. Chahyun engoliu o palavrão e se levantou.
— Vou voltar agora por causa de assuntos da empresa.
A refeição já estava terminando, então a mãe de Oh Yumin assentiu como se não houvesse problema.
Os pais de Chahyun pareceram descontentes, mas não tentaram impedi-lo.
Depois de se curvar diante deles, Chahyun saiu do restaurante. E foi direto para casa.
— Onde está Hong Yeonwoo agora?
Chahyun entrou no carro e ligou para o motorista que designara para Yeonwoo, para saber onde ele estava.
—Está voltando para casa depois de terminar a consulta.
— Por acaso….
—Sim?
— Nada.
Chahyun tentou perguntar mais alguma coisa, mas, no fim, não conseguiu falar e encerrou a ligação.
— Porra.
Será que Yeonwoo tinha visto a aliança? Se tivesse aberto a caixa, havia espaço de sobra para suspeitas. Yeonwoo sabia bem que ele nunca encomendaria um anel com iniciais gravadas sem motivo, dada a personalidade dele.
Chahyun afrouxou com força a gravata que o estrangulava e abriu a janela. Sua boca estava seca e ele se sentia sufocado, como se estivesse obstruído por dentro. Sentia uma falta desesperada dos cigarros que tinha largado completamente.
A maneira mais segura seria ligar diretamente para Yeonwoo e perguntar, mas, diferente do habitual, ele tinha medo de encarar a realidade.
Chahyun chegou ao apartamento, terminou de estacionar e entrou no elevador. Sua respiração acelerava a cada vez que o número do andar subia rapidamente. A nuca estava fria e um latejar desagradável continuava.
Logo o elevador se abriu, e ele entrou direto em casa.
Os sapatos de Yeonwoo estavam visíveis no hall. Significava que ele tinha voltado para casa.
— Hong Yeonwoo.
Ele olhou ao redor da sala, chamando Yeonwoo.
— O que houve, a essa hora?
Então Yeonwoo saiu da cozinha. Parecia surpreso ao ver Chahyun parado, atordoado, no meio da sala.
— …….
Ele moveu os lábios como se fosse dizer algo, mas nenhum som saiu.
Alguns segundos depois, o olhar de Chahyun se fixou na caixa colocada sobre a mesa da sala.
— Ah, aquilo. Chegou uma entrega para você.
— Você abriu?
— Não. Por que eu….
Yeonwoo ia responder por que abriria algo que não era dele, mas teve que parar de falar porque Chahyun agarrou seu braço.
— O que aconteceu aqui?
Chahyun perguntou, olhando para o cotovelo de Yeonwoo. Sangue escorria da pele avermelhada, como se ele tivesse acabado de se machucar.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna