Episódio 74
Episódio 74 ── ⋆⋅☆⋅⋆
— Em troca. Não preciso de nada disso. …Se quer que eu desocupe este prédio, eu desocupo. Mas transferir e administrar a Neobel é uma prerrogativa minha.
— Prerrogativa? Que prerrogativa você tem?
Chahyun olhou para Yeonwoo com um olhar de desprezo.
— Esqueceu o que dizia o contrato que você me trouxe e me fez assinar?
— ……
Ele se referia ao contrato em que concordava em abrir as pernas sempre que Chahyun quisesse. O argumento de Chahyun era claro. Desde o início, não éramos iguais, então nem pense em encontrar algum direito para Hong Yeonwoo aqui.
— Mesmo assim, você quer que eu fique em casa criando a criança sem fazer nada? Não diga bobagens.
Yeonwoo cuspiu as palavras seguintes rapidamente, antes que Chahyun pudesse responder.
— Não preciso das luvas. Vou até tirar a loja do prédio. Mas me deixe continuar trabalhando no café. Quando assinamos o contrato, você concordou em não interferir no meu trabalho no café….
— Isso foi antes de eu saber que você estava grávido.
Chahyun cortou as palavras de Yeonwoo e retrucou.
— Chahyun-ah, desculpa por não ter te contado e ter saído sem dizer nada. E por não ter dado notícias. Para ser sincero, saí escondido porque achei que você não ia permitir… Fui precipitado.
— Sabendo disso, você saiu sozinho? O que você ouviu da médica esse tempo todo, Hong Yeonwoo?
— ……
— Já que isso vem me incomodando de qualquer jeito, vamos resolver de uma vez desta vez.
As desculpas não funcionaram. Yeonwoo sentiu um enorme muro entre Chahyun e ele e engoliu um suspiro.
— Eu não quero, não posso fazer isso.
Yeonwoo mal conseguiu dizer, forçando a voz. Então se seguiu um silêncio gelado.
Logo, feromônios de Alfa começaram a se espalhar dentro do carro.
— Ssss.
Como Chahyun vinha controlando seus feromônios perfeitamente, Yeonwoo notou imediatamente até a menor mudança. A expressão dele era gélida, mas ele já estava emocionalmente agitado.
— …Baek Chahyun.
— Porra.
Antes que Yeonwoo pudesse apontar, Chahyun, percebendo o próprio estado, abriu a porta. Saiu do banco do motorista irritado e jogou o cabelo para trás com força.
— O motorista vai te levar para casa no meu lugar. Espere.
Suas palavras soaram abafadas pelo vidro do carro.
— O quê? Espera aí…!
— Não saia.
Chahyun nem esperou a resposta de Yeonwoo e deixou o estacionamento.
De repente deixado sozinho, Yeonwoo ficou atônito. Tinha se surpreendido com os feromônios, mas não esperava que Chahyun fosse embora de vez.
Ele considerou brevemente segui-lo, mas logo mudou de ideia. Estava desconcertado com o comportamento repentino, mas seria estranho correr atrás dele e agarrá-lo. Se ficassem frente a frente de novo, com certeza brigariam de novo, e ser exposto aos feromônios de Chahyun, que fluíam descontrolados, também não seria bom para o seu corpo.
De qualquer forma, com a saída de Chahyun, a conversa foi interrompida abruptamente num ponto ambíguo.
Cerca de dez minutos depois, o motorista chegou, como Chahyun dissera. Cumprimentou Yeonwoo, que estava sentado atordoado no banco, e disse que o levaria para casa.
Sentindo o balanço do carro ao deixar o estacionamento, Yeonwoo fixou o olhar do lado de fora da janela.
— Senhor! Onde é que você estava? Ai, meu Deus, fiquei tão preocupada porque não conseguia falar com você.
Assim que Yeonwoo entrou em casa, a governanta correu até a entrada.
— Desculpe não ter atendido. Fui ao café rapidinho resolver umas coisas.
— Devia ter me dito antes de sair. Achei que tinha ido ao mercado, mas você não voltava por muito tempo….
— Vou para o meu quarto primeiro. Estou cansado.
Yeonwoo passou pela governanta com passos apáticos e foi para o quarto. Não estava com disposição para conversar com ela naquele momento.
Só depois de fechar a porta e ficar completamente sozinho as palavras de Chahyun voltaram à mente com mais clareza.
Ele não queria chorar, e sabia que chorar não ajudaria, mas as lágrimas caíram mesmo assim. Yeonwoo finalmente desabou nas lágrimas que vinha segurando.
— Eu nem me lembro de ter feito essa criança com você, mas vou reconhecê-la.
— Você não quer criá-la como meu filho? Não devo reconhecê-la?
O Chahyun de antes nunca teria dito coisas assim. Nunca teria pesado e depreciado a relação deles tão cruelmente a esse ponto. Se fosse o Chahyun original.
Yeonwoo enxugou com força as bochechas molhadas com as costas da mão e acariciou a barriga. O baixo-ventre, que mal tinha começado a aparecer, estava mais saliente do que antes. A velocidade com que crescia provavelmente aumentaria.
Ele tinha ouvido inúmeras vezes que Ômegas masculinos tinham uma alta taxa de aborto espontâneo no segundo trimestre. Então sabia que precisava ter ainda mais cuidado dali em diante.
Chorar assim também podia sobrecarregar a criança. Yeonwoo repetiu isso para si mesmo e engoliu as lágrimas. Respirou fundo e expirou devagar, e a respiração instável foi se acalmando gradualmente.
E naquele dia, Chahyun só voltou para casa depois da meia-noite.
No dia seguinte. Yeonwoo, que tinha caído num sono leve, abriu os olhos devagar ao ouvir barulhos na sala. Já era de madrugada.
Ele ouviu vagamente Chahyun andando pela sala, tendo voltado para casa de madrugada.
Yeonwoo prendeu a respiração e escutou os sons do lado de fora. Os passos dele agora se dirigiam à cozinha.
A cozinha ficava longe do quarto de Yeonwoo, então ele não conseguiu ouvir mais nenhum som.
…Devo sair? Normalmente, ele tomava café da manhã com Chahyun na sala por volta daquele horário ou tinham uma conversa leve. Mas hesitava em dar um passo à frente por causa do que acontecera no dia anterior.
— Prerrogativa? Que prerrogativa você tem?
A voz fria de Chahyun em sua memória continuava prendendo Yeonwoo.
Não quero vê-lo agora.
— Haa.
Mas Yeonwoo sabia melhor do que ninguém que não estava em posição de ser tão orgulhoso. Prolongar uma guerra fria inútil não seria bom nem para a criança nem para ele. Precisava de algum jeito terminar a conversa interrompida da parte dele. E se Chahyun se desfizesse do café por conta própria caso ele deixasse as coisas como estavam?
Decidido, Yeonwoo finalmente saiu da cama. Pensava em dizer algo a Chahyun antes que ele saísse para o trabalho.
— Ah.
Mas, assim que pisou no chão, seu tornozelo direito latejou. Ele parou surpreso, mas, como isso acontecia de vez em quando, Yeonwoo moveu a perna de novo.
A dor latejante estava estranhamente forte. Diferente do desconforto breve que sentira de vez em quando recentemente, desta vez a dor era nítida.
Fazia muito tempo que não era examinado no hospital, então logo teria que começar de novo a reabilitação ou a fisioterapia. Caso contrário, as sequelas ficariam mais graves.
Mas o que aconteceria se ele contasse isso a Chahyun? Obviamente, ele o pressionaria ainda mais para fechar o café, enquanto o impedia de ir trabalhar.
— Ótimo. Você pode simplesmente ficar em casa e cuidar da criança.
Palavras que Chahyun nem tinha dito fluíram nos ouvidos de Yeonwoo como alucinações auditivas. A testa de Yeonwoo se franziu involuntariamente.
Sentindo que estava em crise, Yeonwoo massageou o tornozelo direito latejante.
No fim, ele se virou e voltou a se sentar na cama. E só depois que Chahyun saiu para o trabalho, ele foi cautelosamente para a sala.
— Acordou? Quer que eu prepare uma refeição?
Quando Yeonwoo saiu, a governanta o recebeu com um sorriso, como se nada tivesse acontecido.
Diante do aceno de Yeonwoo, ela foi imediatamente para a cozinha. A governanta preparou mais acompanhamentos do que o normal, a ponto de ser um exagero. Mas Yeonwoo, sem apetite, não conseguiu comer tudo o que ela serviu e ficou mexendo na comida à mesa por um bom tempo.
— Como você vai ganhar peso comendo assim? Precisa comer bastante.
— Não estou com apetite, talvez porque seja de manhã. Desculpe, a senhora teve todo esse trabalho.
— Não se desculpe. Você não precisa se forçar a comer.
Yeonwoo mexeu a sopa com a colher e abriu a boca.
— Ontem… Baek Chahyun disse alguma coisa à senhora porque eu saí?
— O chefe? Não, ele só estava preocupado.
— Que alívio então.
Se ela tivesse ouvido palavras duras de Chahyun, teria sido óbvio pela personalidade dela. Vendo-a tão normal, parecia que realmente nada tinha acontecido.
— Hoje o chefe comeu separado, por algum motivo, então quando eu disse que ia fazer uma refeição normal para ele, ele insistiu em comer a mesma comida sem graça que a sua.
— ……
— Deve ser bem sem graça comer só aquilo.
Mesmo sem Yeonwoo responder, a governanta não parava de falar.
— Sinceramente, achei que ele só ia comer isso por um ou dois dias. Vendo ele continuar comendo as mesmas refeições que o senhor assim, o chefe é realmente incrível.
— …Acho que sim.
Yeonwoo concordou a contragosto, porque também reconhecia essa parte.
Diante disso, a governanta bateu palmas como se estivesse esperando por aquilo.
— O chefe se preocupa muito com você. Não estou falando por falar, nunca vi um marido comer a mesma coisa desse jeito. E eu faço isso há mais de dez anos!
— ……
— Então, mesmo que haja coisas chatas, tente resolver direitinho. Tá? De que adianta brigar?
— Nós não brigamos.
Por algum motivo, ele não gostava que ela visse Chahyun como uma pessoa excessivamente boa.
— E… hum….
— Sim?
A governanta, que vinha falando sozinha o tempo todo, de repente hesitou.
— O chefe disse que, por enquanto, seria melhor evitar sair por causa da sua saúde.
Não era surpreendente. Não era um pedido para evitar, mas um aviso para não sair.
Era óbvio mesmo sem confirmar. Se ele saísse de novo sem permissão, seria confinado em casa.
Ele já tinha passado por isso uma vez, então estava acostumado. A essa situação absurda.
A governanta tinha arrastado a introdução tanto para dizer isso. Não era de admirar que estivesse elogiando Chahyun excessivamente.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna