Episódio 75
Episódio 75 ── ⋆⋅☆⋅⋆
— Pode parecer duro se você só ouvir as palavras, mas ele provavelmente está preocupado. Ele vive tão inquieto, imagine como ficou ansioso quando não conseguiu falar com você.
— …Já terminei de comer.
Yeonwoo, sentindo que ela estava prestes a começar uma série interminável de justificativas em nome de Baek Chahyun se deixada falar, se levantou.
— Ai, ai. Olha só eu. Falando todo tipo de besteira na frente de quem está cansado. Quer sobremesa? Temos frutas e bolo.
— Não precisa.
A governanta, sentindo que Yeonwoo não estava de bom humor, não perguntou mais nada.
Em vez de ir direto para o quarto, Yeonwoo abriu a porta do quarto do bebê, que tinha sido decorado recentemente.
Um móbile com muitos bonequinhos fofos pendurados e, ao lado, um berço, uma cômoda e uma cadeira, nessa ordem. A roupinha de bebê e as meias que ele ganhara da governanta também estavam cuidadosamente colocadas no berço.
E, abaixo delas, um par de sapatinhos de bebê amarelos. Chahyun disse que os encontrou numa loja próxima depois de sair para uma reunião no horário de almoço e os comprou.
A imagem do rosto dele, rindo enquanto os colocava na palma da mão e perguntava se não eram fofos, permanecia vívida em sua mente. Tanto quanto a voz baixa que ele usara para ameaçá-lo no dia anterior.
Yeonwoo foi até o berço e pegou os sapatinhos amarelos. Rolou-os com cuidado na mão, imaginando a criança usando-os e andando ao lado de Chahyun depois de nascer.
Seu coração se enchia com a imagem de Chahyun lado a lado com a criança imaginária cujo rosto ele nem conhecia ainda, mas, ao mesmo tempo, sentia vontade de largar tudo e fugir.
Sinceramente, ele sabia que Chahyun nunca tinha desejado ou se importado de verdade com a criança. Não seria melhor criar a criança sozinho? Em vez de ser forçado ao molde que Chahyun exigia, de A a Z, e ser infeliz, não seria melhor ficar sozinho? Podia simplesmente fugir.
Mas e depois? E a criança?
As perguntas difíceis de responder continuavam.
Era certo privar a criança de um ambiente melhor, apagá-lo com as próprias mãos? Sentia-se egoísta só de pensar em chutar a oportunidade de uma criança que nem tinha nascido ainda, puramente porque queria viver livremente.
Yeonwoo sabia o quanto um bom ambiente e uma família eram importantes.
Ainda não conseguia esquecer os sentimentos sombrios da infância, quando estava sempre sozinho numa casa vazia esperando a mãe, e a dificuldade que tivera para se adaptar à escola por causa das mudanças frequentes. Como resultado daquela época, mesmo depois de adulto, ele era sempre um tanto intimidado e tinha dificuldade em chamar a atenção ou manter relacionamentos ativos.
Se criasse a criança sozinho, ela provavelmente também passaria muito tempo sozinha. Se desse azar, seria apontada como filho ilegítimo. Assim como ele fora no passado.
— Haa.
Era algo que ele não conseguia fazer, afinal. Não queria transmitir ao filho a infância que o pequeno Hong Yeonwoo tinha vivido. Além disso, se a criança se manifestasse como Ômega, como ele…
* * *
Por vários dias, Yeonwoo evitou esbarrar em Chahyun o máximo possível. Na verdade, não precisava se esforçar muito. Ele não tinha aonde ir e não tinha nada para fazer em casa, então, quando Chahyun estava em casa, ele simplesmente ficava no quarto.
Era um pouco desconfortável ficar preso no quarto nos fins de semana, mas não era impossível. E ele tomava ainda mais cuidado para evitá-lo porque tinha medo de ser flagrado andando na frente dele com a perna doendo.
Felizmente, Chahyun também não ligou nem o incomodou. Mas ele não podia viver assim para sempre. Precisava de algum jeito terminar a conversa que tinham começado no prédio naquele dia.
No entanto, como vinham se ignorando como se o outro não existisse desde então, não era fácil encontrar o momento certo.
Uma vez, numa tarde, Yeonwoo acidentalmente deu de cara com Chahyun depois de adormecer no sofá da sala e acordar. Yeonwoo, meio dormindo, ficou desconcertado e olhou ao redor.
— Acordou? O chefe também acabou de chegar do trabalho e ia jantar. Junte-se a nós.
A governanta, ouvindo o farfalhar, se aproximou e falou como se fosse uma coisa boa. Yeonwoo evitou o olhar de Chahyun e pulou do lugar.
— Não precisa. Vou voltar para o quarto e dormir mais.
Ele se escondeu no quarto como se estivesse fugindo, e Yeonwoo não saiu do quarto até que Chahyun fosse para o dele.
Como Chahyun também não se dava ao trabalho de falar com ele primeiro, a casa ficava silenciosa como um túmulo nas manhãs e noites em que ele estava em casa.
No meio desse clima desconfortável, ele não tinha vontade de se aproximar primeiro e pedir uma conversa.
Enquanto apenas suas preocupações cresciam, certa noite, pela primeira vez em dias, Chahyun bateu à porta de Yeonwoo.
Yeonwoo, que esperava que ele fosse rapidamente da sala para o quarto depois de voltar do trabalho, se surpreendeu e enrijeceu.
— ……
Como Yeonwoo não respondeu depois de alguns segundos, Chahyun bateu à porta de novo.
—Hong Yeonwoo.
— ……
—Disseram que você não jantou.
Com o silêncio entre os dois, que vinha se mantendo havia um tempo, sendo quebrado, Yeonwoo ficou bastante constrangido.
Ele ainda não tinha descoberto como começar uma conversa com Chahyun. Chahyun queria que ele cedesse submisso, mas ele não conseguia atender a todas as exigências dele, então estava frustrado por não ver um meio-termo.
Pensando que ele iria embora sozinho se não respondesse, Yeonwoo manteve a boca fechada.
—Hong Yeonwoo?
Como se não tivesse ouvido nada, ele puxou o cobertor por cima da cabeça.
—Vou entrar.
Mas uma palavra inesperada veio de fora da porta. Yeonwoo ficou desconcertado e contraiu a mão que segurava o cobertor.
Eu devia ter trancado a porta. Ele se arrependeu tarde demais.
Logo a porta se abriu e Chahyun entrou no quarto. Ele pôde sentir os passos dele pararem diante da cama.
— Sei que você não está dormindo.
— …Saia.
— Jante.
— Não estou com fome agora.
Yeonwoo murmurou, escondido no cobertor.
— Não vou comer com você, então coma sozinho. Se passar fome, o prejuízo é seu.
— ……
Desta vez, como ele não respondeu nada, um silêncio pesado tomou o quarto por um tempo.
Yeonwoo aguentou obstinadamente, pensando que Chahyun desistiria e iria embora. Mas, no mesmo instante em que o cobertor que ele segurava escorregou de suas mãos, a visão escura de repente se iluminou.
— O que você está fazendo!
Chahyun tinha tirado o cobertor que cobria Yeonwoo sem aviso.
— Eu disse que não estou com apetite.
Só então Yeonwoo se sentou, cambaleando. Chahyun, que ainda não tinha trocado de roupa, olhava para Yeonwoo de terno.
— Coma pelo menos um pouco.
Yeonwoo evitou o olhar dele e suspirou. Não podia fazer o que queria, não podia sair e não podia nem pular refeições à vontade, e de repente sentiu raiva.
Mesmo sabendo que aquela situação não era normal, também estava frustrado porque não sabia o que mais deveria fazer ali. Então, só de encarar Chahyun, que o levara àquele ponto, ficava nervoso.
Por que Baek Chahyun nunca conseguia ceder em nada? Por que só tentava tirar tudo dele? Estava com raiva de si mesmo por continuar esperando e desejando coisas, mesmo sabendo que ele não era o Chahyun que conhecera antes.
— Vá embora, por favor.
Chahyun não se moveu.
— Não consigo levantar porque minha cabeça dói por causa dos seus feromônios, então saia!
No fim, a voz de Yeonwoo se elevou.
— Precisa vir até o meu quarto para me atormentar?
Yeonwoo arrancou o cobertor de volta da mão dele com força. Quando se cobriu até a cabeça de novo e se deitou na cama, o som do coração batendo e disparando ecoou por todo o seu corpo. Mesmo tentando esconder o ofego, respirações ásperas escapavam de sua boca.
— ……
— ……
Mesmo nessa situação, ele estava tenso, com medo de que Chahyun tirasse o cobertor à força de novo.
O que faria se ele o forçasse a sentar à mesa? Sentia que seria realmente humilhante.
— Hoo.
Yeonwoo estremeceu com o suspiro de Chahyun. Deveria sair e se sentar à mesa agora? Um conflito um tanto humilhante passou por sua mente por um momento e desapareceu.
Mas, diferente de suas preocupações, Chahyun fechou a porta e saiu sem dizer nada.
E alguns segundos depois, desta vez foi a governanta quem bateu.
—Senhor. Vou entrar um instante.
Junto com o som da porta se abrindo com cuidado, ele ouviu passos.
— O chefe me pediu para arejar o quarto…
Só então Yeonwoo saiu do cobertor e olhou, sem jeito, para a governanta.
— Não fica sufocado se cobrindo desse jeito com o cobertor?
Ela falou como se Yeonwoo fosse estranho. Não era possível que ela não soubesse da guerra fria entre Chahyun e ele nos últimos dias, mas ela não perguntou em detalhes sobre o que acabara de acontecer. Em vez disso, puxou outro assunto e abriu a janela de par em par.
— Inibidor de feromônio pode não ser bom para grávidas, então arejar é o mais seguro. Dá um pouco de trabalho, mas, por favor, deixe aberto um tempo e espere.
— …Eu podia abrir.
Na verdade, os feromônios eram apenas uma desculpa para expulsar Chahyun. Ele nem conseguia sentir feromônio de Alfa vindo dele.
Sentiu-se envergonhado quando a governanta, que acreditava firmemente em suas palavras, fez todo aquele alvoroço e abriu a janela. Ela era Beta, então não saberia de qualquer forma, mas ele tinha vergonha de fazer escândalo e mentir.
— Está se sentindo um pouco melhor?
— Sim. Vou fechar a janela depois.
— Não esqueça de fechar. Pode pegar um resfriado se deixar aberta por muito tempo.
— Não vou esquecer.
— Ah, e você sabe que tem consulta no hospital amanhã à tarde, né?
A governanta, que estava prestes a sair do quarto, parou e perguntou como se tivesse lembrado de repente. Só então Yeonwoo se lembrou da consulta que tinha esquecido.
— O chefe está ocupado, então não pode ir, e o motorista vai te levar.
Deixando essas palavras, a governanta saiu do quarto, dizendo para ele descansar.
E no dia seguinte.
Quando Yeonwoo estava prestes a sair pela porta da frente para ir ao hospital, chegou um pacote enviado pela loja de departamentos.
— O senhor é o Sr. Baek Chahyun?
Um funcionário da loja de departamentos veio até a porta entregá-lo pessoalmente, como se houvesse algo bastante valioso dentro da pequena caixa do tamanho da palma da mão.
Antes de entregar o pacote, ele confirmou o nome do destinatário com Yeonwoo.
— Não sou, mas moro com ele.
— Ah, então posso pedir que assine para confirmar o recebimento? O cliente escolheu receber em casa ao fazer o pedido, mas não está atendendo o telefone agora.
— …Sim. Pode me dar.
Yeonwoo pegou o pacote que viera para Chahyun e assinou no tablet que o funcionário estendeu.
— Por favor, entre em contato conosco por aqui se houver algum problema depois de verificar a personalização das iniciais.
O funcionário, que o cumprimentou educadamente, deixou um cartão de visita e foi embora.
Personalização das iniciais? Yeonwoo murmurou intrigado, tirou os sapatos e entrou na sala.
O motorista que ia levá-lo ao hospital provavelmente estava esperando em frente ao elevador, mas, por algum motivo, aquela caixa pequena e pesada em sua mão chamou sua atenção.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna