Episódio 73
Episódio 73 ── ⋆⋅☆⋅⋆
— Como você tem passado?
Assim que Yeonwoo entrou no café, o funcionário de meio período, que acabara de dar conta da enxurrada de pedidos dos trabalhadores de escritório, o avistou e correu até ele.
— Hum, o funeral… correu bem?
— Correu. Nós nos despedimos dele direitinho.
Os funcionários de meio período acreditavam que Yeonwoo não vinha trabalhando porque estava indisposto pelo choque da morte do pai. Não era totalmente errado, então era fácil disfarçar.
— Aconteceu alguma coisa enquanto eu estive fora?
— Não. O administrador do prédio até nos deu o contato dele, então ele resolveu qualquer problema que apareceu.
— …Sério?
Yeonwoo perguntou, como se ouvisse aquilo pela primeira vez.
— Teve uma vez que acabaram os copos descartáveis e a gente só percebeu depois do horário de pico. Liguei pra ele por precaução, e ele trouxe em 20 minutos!
O funcionário riu, dizendo que quase não conseguiram vender café porque não tinham copos.
— Ah, e anteontem as luzes se apagaram de repente, e ele trocou na hora também. Perguntei quanto custavam as lâmpadas, mas ele disse que não precisava. Ele é amigo do Presidente-nim?
— Nós nos conhecemos.
Yeonwoo murmurou, deixando a frase morrer. Provavelmente era alguém que Chahyun tinha mandado.
De qualquer forma, era bom que a Neobel estivesse funcionando bem sem ele. Yeonwoo decidiu encerrar a conversa ali e foi rapidamente para a cozinha, pretendendo verificar os rascunhos do design e terminar de ajustar o moedor, como planejado.
Eram 9h30 da manhã. Seu objetivo era terminar as tarefas até 11h30 e voltar discretamente para casa antes das 12h.
Antes de começar a trabalhar de verdade, Yeonwoo conferiu o celular. Chahyun não tinha entrado em contato, provavelmente porque ainda não sabia que ele tinha saído. Se conseguisse voltar a tempo, talvez passasse o dia sem problemas.
Como Chahyun trabalhava naquele prédio, as chances de ser pego eram altas, mas ele decidiu pensar nisso depois. Não podia simplesmente abandonar a Neobel e ficar em casa para sempre.
Antes de sair, estava tão preocupado com o que dizer se Chahyun descobrisse, mas, uma vez no trabalho, sentiu uma atitude imprudente, de “o que tiver que acontecer, vai acontecer”.
Yeonwoo verificou rapidamente os designs das embalagens, pediu revisões ao fabricante e revisou cuidadosamente os itens do pedido. Sentia-se bem trabalhando, talvez porque fazia tempo.
Quando os pedidos se acumulavam, ele ia rapidamente à cozinha e preparava as bebidas com o funcionário. Sentia um pouco de enjoo subir sempre que ficava diante de muitas pessoas, mas, graças ao bom descanso recente, passava rápido.
Depois de passar duas horas assim, sem perceber o tempo, as tarefas urgentes estavam concluídas. A rigor, ainda havia coisas que ele precisava fazer como presidente, mas tinha cuidado das principais, deixando de lado os pequenos detalhes.
Depois de terminar o pico da manhã e conferir o horário, eram exatamente 11h30. Felizmente, não tinha esbarrado em Chahyun e não tinha trabalhado a ponto de se esforçar demais.
— Tenho um compromisso à tarde, então preciso voltar agora.
— Tá! Foi muito mais fácil no pico da manhã hoje porque você estava aqui, Presidente-nim. Quando vai voltar a trabalhar regularmente?
— Provavelmente… em breve. Vou passar minha escala quando estiver definida.
Yeonwoo respondeu num tom incerto e foi para a sala dos fundos. Enquanto juntava suas coisas, notou distraidamente seis chamadas perdidas na tela acesa do celular.
Quatro de Chahyun e duas de uma funcionária.
Todas as ligações tinham sido feitas nos últimos 30 minutos. Assim que viu isso, teve a sensação de que Chahyun talvez já soubesse que ele estava ali.
Ele tinha saído considerando essa situação, mas não conseguiu evitar ficar nervoso.
Yeonwoo engoliu em seco e ligou para Chahyun.
—Onde você está? Não atende o celular. E não está em casa.
— Estou na Neobel…
Em vez de mentir, ele confessou honestamente.
—No prédio, você diz.
— É.
Houve um momento de silêncio no alto-falante. Foi breve, mas Yeonwoo sentiu um suor frio se formar nas costas.
—Você veio trabalhar?
— Vim. Tinha umas coisas para verificar que precisavam ser feitas até hoje.
—Então. Você saiu sem dizer nada?
— Eu ia terminar as coisas urgentes e voltar para casa logo. Ia te contar ontem, mas acabei dormindo…
—Certo.
A voz de Chahyun estava mais calma do que ele esperava. Isso a tornava ainda mais agourenta. Antes que Yeonwoo pudesse acrescentar algo, a ligação terminou.
— …….
É, talvez eu devesse ter avisado antes. Ele se arrependeu de ter vindo trabalhar sem dizer nada, mesmo que por um momento.
— Presidente-nim. Se ainda não foi embora, poderia dar uma olhada numa coisa?
— Ah, o que é?
— Troquei minha escala com o novato de terça e quinta desta semana…
Enquanto Yeonwoo estava parado, atordoado, com o celular na mão, o funcionário entrou e falou com ele. Depois de discutir brevemente a escala que ele queria que verificasse, Yeonwoo ergueu os olhos e viu Chahyun parado diante do balcão do café, tendo descido em algum momento.
Yeonwoo pediu ao funcionário que fosse para a sala dos fundos um instante e se aproximou de Chahyun.
— Não vim trabalhar oficialmente, só passei aqui rapidinho.
— …….
— Não faz muito tempo que estou aqui, e eu já ia para casa.
— Terminou?
Chahyun perguntou com a mesma voz monótona que usara ao telefone. Por algum motivo, Yeonwoo se sentiu ainda mais intimidado.
— Terminei.
— Vá se trocar e saia.
— …Tá.
Depois de tirar o avental, pegar suas coisas na sala dos fundos e sair do café, Chahyun começou a caminhar em silêncio em direção aos elevadores. Yeonwoo o seguiu sem jeito.
Ele se sentia estranho. Não se sentia tão constrangido perto dele havia muito tempo. Sentia como se tivesse feito algo terrivelmente errado, e até respirar ficou cauteloso.
— Desculpa mesmo por ter vindo sem dizer nada. Fiquei preocupado que você estivesse preocupado por não conseguir falar comigo… Mas, realisticamente, eu não posso continuar sem vir trabalhar.
Assim que ficaram sozinhos no elevador, Yeonwoo começou a se justificar.
— Estou me sentindo melhor agora, e achei que não teria problema começar a vir trabalhar aos poucos.
Chahyun, que ouvia em silêncio, olhou de relance para os números no painel enquanto desciam ao subsolo e abriu a boca.
— Feche o café.
— Hã?
Por um momento, Yeonwoo achou que tinha ouvido errado.
— Estou dizendo para largar isso.
Ele falou com uma voz desprovida de emoção, como se tivesse organizado os pensamentos em pouco tempo.
— …Por quê?
O coração de Yeonwoo começou a bater acelerado.
— Você ia largar de qualquer forma. O motivo de você ter vindo até mim, para começo de conversa, foram as luvas.
— A situação agora é diferente de antes.
— Vou te dar 500 milhões de wons de luvas em vez de 200 milhões. Vou te dar até um prédio que gera aluguel mensal, então tire as mãos do café.
— O que você está dizendo? Por que, por que eu largaria o café?
Yeonwoo gaguejou diante do anúncio repentino. Chahyun, que tinha saído do elevador, olhou de relance para a barriga de Yeonwoo enquanto caminhava em direção ao lugar onde o carro estava estacionado.
— Você está grávido.
Yeonwoo o seguiu desesperadamente de perto.
— Estou grávido, mas não é como se eu estivesse doente. Estou me sentindo bem melhor agora também…!
— Vai continuar trabalhando assim mesmo quando a barriga crescer?
Chahyun inclinou levemente o rosto inexpressivo. O coração de Yeonwoo afundou, porque não via aquela expressão no rosto dele havia algum tempo.
— E depois? Quando a criança nascer?
— Então… eu contrato mais funcionários de meio período….
— Não.
Chahyun disse com firmeza. Depois, abriu a porta do carro e fez sinal para Yeonwoo entrar.
— Entre.
Yeonwoo parou diante do carro e ergueu os olhos para ele. Por um momento, a troca rápida entre os dois foi interrompida.
Julgando que não era assunto para conversar do lado de fora, Yeonwoo entrou obedientemente no banco do passageiro pela porta que Chahyun abrira para ele. Alguns segundos depois, ele entrou no banco do motorista.
— Por que é você quem decide se eu largo o café ou não?
— Porque também é meu filho.
— …….
— Estou errado?
Yeonwoo ficou momentaneamente sem palavras diante das palavras frias dele, enquanto segurava o volante.
— Você disse que era meu filho. Disse que tinha certeza. Eu nem me lembro de ter feito essa criança com você, mas disse que ia reconhecê-la.
— Isso….
— Você não quer criá-la como meu filho? Não devo reconhecê-la?
Yeonwoo balançou a cabeça apressadamente, como se ele não fosse reconhecer a criança como sua caso continuasse agindo assim. Não podia deixar isso acontecer. Não queria transmitir ao filho as coisas que ele e a mãe tinham vivido em sua infância.
— Por que, por que você está falando desse jeito? Claro que é seu filho….
Em algum momento, o final da voz de Yeonwoo estava tremendo.
— Então largue o café.
— Baek Chahyun.
— O café não foi algo que eu montei para você, afinal? Só estou pegando de volta o que te dei. E te dando outra coisa em troca.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna