Episódio 70
Episódio 70 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Só de imaginar criar uma criança num lugar isolado onde nenhum outro Alfa ousaria entrar, com Yeonwoo esperando por ele o dia todo, Chahyun se enchia de uma profunda sensação de plenitude.
Um lugar com um grande jardim seria melhor. Havia olhos curiosos demais num apartamento como aquele, o que restringia as atividades.
A cena de Yeonwoo segurando e ninando uma criança no jardim, recebendo-o quando ele abrisse o portão firmemente fechado e entrasse, passou diante de seus olhos. Deixar a criança com uma babá e arrastar Yeonwoo imediatamente para dentro de casa para uma farra no interior também não soava nada mal.
Chahyun sentiu os feromônios vazando lentamente de seu corpo contra sua vontade e saiu do quarto de Yeonwoo. Achava que tinha superado esse controle fraco na adolescência.
Estar perto de Yeonwoo o fazia sentir como se tivesse voltado ao ensino fundamental. Provavelmente ele também reprimia a excitação e suprimia os feromônios à força naquela época.
Quando exatamente tinha sido? Chahyun, que saíra para a sala, franziu a testa e vasculhou as memórias.
O momento em que suprimir os feromônios era tão exaustivo que drenava sua energia permanecia bastante vívido em sua mente, mas, estranhamente, quando e onde tinha acontecido estava ausente de sua memória.
— Ai, ai. Ele parece estar dormindo profundamente.
A funcionária se movia com cuidado, preocupada em acordar Yeonwoo, e se aproximou de Chahyun para falar.
— Yeonwoo não saiu hoje, saiu?
— Não. Ele ficou em casa o dia todo.
— Se ele disser que vai sair, me avise. Mesmo que seja perto.
— Claro.
— Não diga nada a Yeonwoo sobre isso.
— Entendido.
A funcionária sorriu, achando que Chahyun era realmente dedicado. Embora sua impressão e personalidade fossem um tanto frias, ele não parecia tão ruim, considerando como tratava Yeonwoo. Bastava ser gentil só com o seu amorzinho.
Por isso, ela descartou a instrução de vigiar Yeonwoo como um afeto nascido da preocupação.
* * *
Quinta-feira.
Yeonwoo chegou ao hospital num carro dirigido por um motorista. Ao entrar no prédio, viu Chahyun, que estava esperando, se levantar de uma cadeira na sala de espera.
Diferente de Yeonwoo, que saíu do apartamento para o exame, Chahyun tinha vindo direto do trabalho.
— Você chegou cedo. Esperou muito?
— Acabei de chegar há pouco.
Yeonwoo, que estava nervoso com a possibilidade de os resultados virem ruins de novo, sentiu alívio assim que viu o rosto de Chahyun na sala de espera. Os nervos tensos que estiveram à flor da pele durante toda a viagem de carro foram relaxando devagar.
— Vamos entrar.
— Tá.
— Não fique nervoso.
— ……
— Vai ficar tudo bem.
Chahyun sussurrou, ajeitando o cabelo desalinhado de Yeonwoo. Como se quisesse tranquilizá-lo.
E, como Chahyun disse, os resultados foram positivos.
— Os níveis de hormônio e feromônio estão todos dentro da faixa normal. Está um pouco no limite, mas… se você mantiver bem daqui em diante, não haverá problemas. Está tomando suas vitaminas, certo?
— Sim.
— Só tome cuidado para não perder mais peso. Ainda assim, é uma fase em que é preciso ter cuidado, então atividades ao ar livre por várias horas estão fora de cogitação, mas caminhadas leves já estão liberadas.
— Doutora, e a criança…?
— O feto também está crescendo bem. Ainda está menor que a média, mas se você aumentar a alimentação gradualmente, ele vai crescer rápido.
A médica, que tinha sido severa e exigente com Chahyun e Yeonwoo até o último exame, já tinha voltado a uma expressão benevolente. Mais do que os vários números no prontuário, Yeonwoo percebeu que seu estado tinha melhorado pela atitude dela.
— Ainda assim, cuidado com a exposição a feromônios. Níveis do dia a dia não têm problema, mas mais do que isso não é bom nem para o gestante nem para o crescimento do feto.
— Entendido.
Yeonwoo, com o semblante mais iluminado, respondeu e, inconscientemente, segurou a mão de Chahyun, que estava em seu ombro. Chahyun olhou em silêncio para a mão que logo envolvia seu dedo mindinho.
Embora tivessem vindo separados ao hospital, os dois voltaram juntos num carro dirigido por Chahyun.
— Está tão feliz assim?
Chahyun perguntou, ao ver os lábios de Yeonwoo, raramente, curvados para cima.
— Aham.
A resposta veio imediatamente. Yeonwoo se sentia lânguido, graças ao alívio.
— Eu pesquisei e dizia que, se houver problemas de crescimento nessa fase, há uma alta probabilidade de parto prematuro… Estava preocupado que algo pudesse acontecer com a criança. Mesmo que a fase perigosa tenha passado, preciso continuar tomando cuidado.
Yeonwoo, que tagarelava sobre o que andara pensando sozinho, olhou de relance para Chahyun como se algo tivesse lhe ocorrido de repente.
— Mas você…. Por acaso, foi ao hospital desde aquela vez?
— Hospital?
Chahyun, que segurava o volante tranquilamente, perguntou de volta.
— Para fazer o espermograma.
Ah. Era disso que ele estava falando.
— Fui.
— E o que disseram?
Nesse momento, o carro parou num semáforo. Ele apoiou um cotovelo na janela e refletiu brevemente.
Originalmente, não tinha intenção de dizer honestamente que seus canais deferentes tinham se desatado. Como era óbvio que não era seu filho, não queria lhe dar tal esperança.
No entanto, olhando para o rosto de Yeonwoo, não conseguia mentir facilmente. A expressão que parecera tão mais relaxada ao sair do hospital agora estava tingida de rigidez.
Se ele dissesse ali que os canais deferentes não tinham se desatado, Yeonwoo ficaria deprimido de novo. Seu abatimento poderia durar dias. Ele tinha acabado de começar a sorrir.
Chahyun queria tranquilizar Yeonwoo. Queria remover todos os fatores de ansiedade. Pelo menos até ele dar à luz, precisava estar confortável para se recuperar logo.
Acima de tudo, contar a verdade, que os canais deferentes tinham se desatado, não era algo difícil de fazer.
— Você estava certo. Desatou.
— Sério?
— Sério.
Surpreso, Yeonwoo arregalou os olhos e encarou Chahyun. Não demonstrava abertamente, mas seu rosto claramente se iluminava.
— Então agora você reconhece, né? Que pode ser seu filho…
— Claro, estou considerando essa possibilidade.
Chahyun ergueu os cantos dos lábios, acompanhando Yeonwoo.
— Senão, eu não estaria tão preocupado.
Como veio uma resposta bem mais gentil, Yeonwoo decidiu considerar aquilo suficiente. Sentia-se aliviado só pelo fato de Chahyun ter percebido que ele não estava inventando mentiras do nada.
— Vamos dar uma volta já que estamos fora?
Chahyun olhou para a parte de trás da cabeça redonda de Yeonwoo, que olhava atentamente pela janela, e abriu a boca sem perceber.
— Você tem que ir trabalhar.
— Posso chegar mais tarde. A médica disse que você já pode se movimentar aos poucos.
— É verdade… Aonde vamos?
A expectativa se infiltrava na voz de Yeonwoo. Ele devia estar mesmo sufocado, depois de passar dias em casa.
— Que tal a loja de departamentos? Podemos comprar coisas para o bebê também.
Chahyun sorriu levemente para si mesmo, lembrando de Yeonwoo adormecido com as roupinhas de bebê nas mãos.
— Coisas para o bebê…
— Não quer?
Em vez de responder imediatamente que queria, Yeonwoo hesitou.
— Não é isso, mas não é um pouco cedo?
— Quando sua barriga começar a aparecer, vai ser desconfortável se locomover. É melhor ir escolhendo uma coisa de cada vez.
— Se comprarmos agora, não tem onde guardar em casa.
— Podemos fazer um espaço separado. É claro que vamos dar um quarto para a criança. Pode ser meu filho.
Chahyun falou como se ele estivesse se preocupando à toa. Então, de repente, lembrou-se do jantar marcado para hoje. Ele ia encontrar Oh Yumin na loja de departamentos e, coincidentemente, a loja para onde estava indo com Yeonwoo era a mesma filial.
Ele considerou brevemente ir a outra filial, mas logo desistiu. Os horários não coincidiam de qualquer forma, e as lojas que visitariam eram diferentes.
Para evitar a atenção dos outros ao máximo, ele já levava Yeonwoo a um hospital longe do apartamento. Se voltasse daqui para outra filial, o tempo de deslocamento aumentaria, e ele não queria que Yeonwoo passasse por esse incômodo.
No fim, Chahyun, que estacionou na loja de departamentos que tinham planejado inicialmente, entrou no prédio com Yeonwoo. Havia uma seção separada de artigos para bebês.
Diferente dos outros andares, lotados de gente, ali era relativamente tranquilo. Yeonwoo olhava sem jeito ao redor do lugar cheio de móveis e acessórios que não combinavam nem um pouco com ele. Era a primeira vez que vinha a um espaço tão fofo, então era estranho.
— Hum, não sei o que escolher primeiro.
De roupinhas de bebê a berços, brinquedos, cadeiras e móbiles pendurados no teto, estava cheio de itens pequenos e delicados. Além disso, mamadeiras, pratinhos de bebê, chupetas e bonecos estavam expostos de forma fofa.
Enquanto Yeonwoo não sabia por onde começar a olhar, um homem de terno se aproximou rapidamente deles.
— Olá, Chefe. Sou Kim Kyung-jun, gerente do Lounge VIP. Soube que o senhor viria à noite, mas lamento dizer que não recebi notificação de mudança na agenda.
O homem, que se apresentou como gerente, se curvou educadamente assim que viu Chahyun. Chahyun abriu a boca sem nem olhar para o homem.
— Não houve mudança na agenda.
— Ah, então o senhor veio ver as alianças de noivado…
— Shh.
Chahyun fez um gesto como se mandasse ele ficar quieto. E olhou de relance para Yeonwoo, que olhava roupinhas de bebê alguns passos à frente.
— Falamos disso depois. Quero olhar tranquilamente agora.
Só então o gerente entendeu a situação e se curvou respeitosamente, recuando.
— Com licença. Por favor, me chame a qualquer momento se precisar de algo.
Quando o gerente desapareceu, Yeonwoo se aproximou de Chahyun com atraso.
— Aconteceu alguma coisa?
— Nada.
— Aquele homem continua parado atrás da gente, não foi embora.
— Quer que eu mande ele ir?
— Não. Não precisa.
Yeonwoo, que achou que ele estava ali apenas para atender clientes VIP, balançou a cabeça.
Antes que o olhar de Yeonwoo voltasse para o gerente, Chahyun pegou naturalmente a roupa que ele estava olhando.
— Esta parece um traje espacial.
— Ah, é por isso que chamam de macacão astronauta mesmo.
— Uma criança ficaria bem usando uma touca de urso assim.
Yeonwoo lançou um olhar a Chahyun, que mexia numa touca grossa, como se estivesse perplexo.
— Como você sabe se vai ficar bem nele se ainda nem sabe como ele é?
— Se ele se parecer com você, vai ficar bem. Porque você é fofo.
Chahyun largou a touca de urso com uma cara de quem perguntava por que ele questionava o óbvio. E puxou delicadamente a bochecha de Yeonwoo.
— Você… Eu sou seu hyung…
— Vem cá. Vamos parar de olhar roupas e escolher um berço primeiro.
Ele passou o braço pelos ombros de Yeonwoo e conferiu o relógio de pulso. 17h20. Ainda havia tempo até as 19h, quando ia encontrar Oh Yumin.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna