Episódio 69
Episódio 69 ── ⋆⋅☆⋅⋆
Yeonwoo estava sentado no sofá da sala com uma expressão entediada, trocando de canal com o controle remoto.
Ficar trancado em casa sob o pretexto de recuperação o deixava inquieto. Mesmo assistindo aos dramas ou filmes populares do momento, o tempo parecia se arrastar.
— Por favor, evite sair por pelo menos uma semana. Repouso e estabilidade são as prioridades, e conversaremos de novo depois de analisar os resultados dos exames.
Como a médica tinha afirmado com firmeza, Chahyun proibiu Yeonwoo completamente de sair. Desta vez, a situação era ambígua para ser chamada de confinamento. Era porque ele não estava se sentindo bem e estava seguindo as ordens da médica.
A Neobel continuava funcionando bem sem ele, mas ainda havia coisas que o presidente precisava resolver pessoalmente. Ele não podia ficar longe do posto para sempre.
Sempre que ele mencionava o café, Chahyun apenas dizia que podia encontrar alguém para resolver qualquer problema que surgisse, e não permitia nem que ele fosse trabalhar por um curto período para cuidar das coisas.
Esperar vagamente se recuperar logo era um tormento. Mas ele tinha que aguentar pelo bem da criança….
Como tinha trocado o número do celular a pedido de Chahyun, era difícil se livrar da sensação de isolamento. Claro, ele passou o novo número para as pessoas ligadas ao café, à família e aos amigos, mas perdeu quase completamente o contato com conhecidos com quem tinha relações ambíguas.
No entanto, nem tudo era ruim.
— Se você dormir bem, comer bem e se recuperar, logo vai ficar melhor. A criança vai nascer saudável, não importa o que aconteça. Eu garanto.
— Eu prometo. Então não chore.
Como tinha prometido no hospital, Chahyun priorizava a saúde da criança. Mesmo nos dias em que ia trabalhar, arranjava tempo para ir ao hospital com ele para os exames e seguia rigorosamente as precauções que ouvia da médica.
Depois de ouvir que altas concentrações de feromônio de Alfa eram prejudiciais, ele suprimiu completamente seus feromônios. Estava até usando um quarto separado agora.
Nos últimos dias, era difícil detectar os feromônios dele no apartamento, a menos que se entrasse no quarto de Chahyun.
Ele ainda insistia em comer a mesma comida que Yeonwoo. Nos dias em que Yeonwoo não tinha apetite, ele comia frutas ou salada, e nos dias em que comia bem, comia o que quisesse do cardápio.
Como não havia outros cheiros de comida em casa, os sintomas de enjoo foram melhorando gradualmente.
Yeonwoo sabia que Chahyun ainda estava convencido de que aquela criança não era dele. Deixando de lado a decepção que sentia com isso, ele era grato a Chahyun por ser tão atencioso.
Então Yeonwoo também queria atender aos pedidos de Chahyun o máximo possível. Era desconfortável agora, mas era um problema que se resolveria assim que a criança nascesse, de qualquer forma.
— Senhor. Gostaria de almoçar?
Justo quando Yeonwoo, que estava largado no sofá havia muito tempo, estava prestes a enlouquecer de tédio, a empregada, que trabalhava silenciosamente na cozinha, falou com ele.
— Sim. Vou comer.
Ele respondeu contente, porque estava ficando com fome.
Por causa do enjoo de Yeonwoo, a empregada não cozinhava no apartamento, mas trazia a comida diretamente de sua casa. Na cozinha, ela mais aparava ou organizava ingredientes do que cozinhava.
Como a comida já estava pronta, pôr a mesa era rápido. Em menos de cinco minutos, a empregada chamou Yeonwoo.
— Está pronto. Venha comer.
O cardápio de hoje era salmão grelhado, alga, ovos cozidos no molho, salada de folhas de perilla e arroz multigrãos.
— Vamos comer juntos. A senhora ainda não comeu, não é?
— Ah, não, estou bem.
— Parece comida demais para eu comer sozinho. E estou entediado.
Quando Yeonwoo ofereceu de novo com cautela, a empregada se sentou à mesa, sem conseguir resistir.
— Então vou comer só um pouquinho?
— Sim.
Yeonwoo, por hábito, colocava a comida na boca aos pouquinhos para ver se conseguia comer ou não. Felizmente, hoje toda a comida estava ao seu gosto.
— A que horas o Diretor sai do trabalho?
— Não sei. Não falei com ele.
Yeonwoo inclinou a cabeça e respondeu. Ele nunca tinha entrado em contato com Chahyun separadamente depois que ele ia trabalhar, mas ele parecia sair do trabalho entre 17h e, no máximo, 18h.
— Seria bom jantarem juntos. Ligue para ele mais tarde.
— Ele não estaria ocupado?
— Quanto mais ocupado a pessoa está, mais vezes os dois deveriam se falar.
— Hum. Talvez….
Yeonwoo murmurou e pegou um pedaço grande de acompanhamento sem motivo.
Na verdade, quanto mais cedo Chahyun voltava para casa, mais culpado ele se sentia. Não queria que ele comesse no jantar a mesma comida sem graça preparada para ele de manhã.
Preferia que ele jantasse fora, mas, desde que Yeonwoo veio para aquela casa, Chahyun nunca tinha comido fora.
— Ai, meu Deus. Olha a minha cabeça. Eu vivo esquecendo de te entregar isto!
Então, de repente, a empregada bateu palmas e entrou na área de serviço atrás da cozinha. Alguns segundos depois, saiu com uma pequena sacola de compras.
— O que é isso?
— Abra.
Ela entregou a sacola a Yeonwoo com um sorriso triunfante. Quando ele verificou o conteúdo, havia uma roupinha de bebê, meias de recém-nascido e um conjunto de touca.
— Ah….
Yeonwoo ficou momentaneamente sem palavras ao ver as roupas do tamanho da palma de sua mão.
— Por quê? O modelo não ficou bom? Comprei numa cor clara para vestir a criança independentemente do sexo….
— …….
— Dizem que quanto mais roupinhas de bebê, melhor.
A empregada acrescentou rapidamente, achando que Yeonwoo não tinha gostado. Yeonwoo, que ficou tocando as roupas distraidamente por um tempo, balançou a cabeça com atraso.
— Não, fiquei surpreso porque não esperava. Obrigado.
— Que alívio então. Agora você deveria começar a decorar o quarto do bebê.
— …Acho que sim. Quarto… do bebê.
Ele murmurou como se ouvisse a palavra pela primeira vez. Pensando bem, nunca tinha pensado em comprar coisas para o bebê.
Estava tão focado em saber se Chahyun aceitaria a criança que sentia que as coisas que aconteceriam depois do nascimento estavam longe demais.
Além disso, um quarto de bebê? Naquele apartamento? Mesmo que tentasse pensar nisso agora que o assunto surgia, não foi fácil. Ele morava num quarto pequeno com uma cama, então criar um quarto separado para a criança… Só de pensar, sentia que estava sendo presunçoso.
Não tinha coragem de dizer descaradamente a Chahyun que ia decorar o quarto do bebê. Pelo menos deveria poder falar sobre isso depois que o resultado do teste de paternidade saísse, após o nascimento.
— As roupas são uma graça. Muito obrigado.
Yeonwoo sorriu com amargura e tocou as roupas de novo.
— Mas a criança vai ser mesmo tão pequena assim quando nascer?
— Eles são muito pequenos quando acabam de nascer. É por isso que se chamam recém-nascidos.
Yeonwoo olhou para as meias, que tinham só o comprimento de duas falanges, assentiu e as guardou com cuidado de volta na sacola.
— Ah, falando nisso…
— Sim?
— É uma pergunta meio estranha, mas como você e o Diretor se conheceram?
Diante da pergunta repentina, Yeonwoo, que estava prestes a pegar a colher de novo, piscou.
Diferente da senhora que costumava cuidar do apartamento, a empregada era do tipo simpática e falante. Se a senhora anterior era de boca fechada por ter muita experiência administrando mansões de famílias de empresários, a empregada diante de Yeonwoo agora tinha a tendência oposta. Ela sabia sondar o terreno.
Ela parecia pensar em Chahyun e Yeonwoo como um casal que ainda não tinha se casado, mas teve um filho primeiro por “queimar etapas”. Então era natural que ela presumisse que eles se casariam em breve.
— A gente só … a gente se conheceu trabalhando.
Yeonwoo murmurou a resposta e tomou a sopa. A pergunta dela o fez pensar nos velhos tempos sem motivo. Memórias que agora só ele conhecia.
Chahyun, ao voltar para casa depois do trabalho, notou que a sala estava na penumbra e abafou os passos. Logo seu olhar alcançou Yeonwoo, que estava deitado no sofá.
Ele afrouxou a gravata e foi até o sofá. Yeonwoo estava dormindo com algo na mão.
Ele se perguntou o que era e chegou mais perto para ver: era um pano branco. Puxou-o delicadamente, achando que era um lenço, e uma roupinha de bebê fofa se desdobrou.
— Onde ele comprou isso?
Ele ficou curioso e examinou a roupa por todos os lados. Era menor que sua mão, então parecia mais apropriado chamá-la de roupa de brinquedo ou de boneca. No sofá, também havia meias com um urso desenhado.
Pareciam ser roupas para o bebê usar quando nascesse. Vendo assim, o tamanho era surpreendentemente pequeno.
— …….
Pensar que uma vida tão minúscula nasceria em breve. E da barriga de Hong Yeonwoo.
A barriga dele ainda não tinha crescido muito, então teria que esperar bastante ainda, mas ele se sentia estranho. A rigor, estava mais para o lado bom. Era uma sensação estranha para Chahyun.
Ele nunca tinha pensado profundamente em crianças antes. Apenas pensava nela como uma forma de vida parasitando o corpo de Yeonwoo, com uma semente que ele nem sabia de quem era.
Mas assim que viu as roupas, uma imagem se instalou rapidamente em sua cabeça. E bastante específica.
Ele imaginou um corpinho vestindo a roupinha, se remexendo deitado ao lado de Yeonwoo. Provavelmente estaria chorando por leite.
Pensando bem, Ômegas masculinos também produzem leite? Ele não sabia, porque nunca na vida tivera experiência prestando atenção em crianças ou em partos.
Uma vez que imaginou, sentiu bastante afeição pela criança cujo rosto nem conhecia.
Puramente por ter saído da barriga de Yeonwoo, sentia que poderia estimar a criança sinceramente.
— Quando Yeonwoo dormiu?
Chahyun largou a roupinha que estava olhando por um tempo e perguntou à empregada que estava por perto.
— Não faz muito tempo. Talvez um pouco mais de 30 minutos….
— Almoço?
— Ele comeu. Não muito, mas parecia se sentir bem hoje.
— Hmm.
— Quer que eu prepare o jantar agora?
— Vamos comer um pouco mais tarde.
Ele não queria acordar Yeonwoo, que dormia profundamente. Logo Chahyun pegou Yeonwoo com cuidado e o levou ao quarto pequeno para deitá-lo.
Colocou-o na cama recém-comprada e ia cobri-lo com um cobertor e sair, mas os feromônios de Yeonwoo que impregnavam o quarto pequeno prenderam seus passos. Em vez de sair do quarto imediatamente, ele parou à porta para saborear um pouco mais os feromônios doces.
Então contou os dias mentalmente. Seu casamento estava marcado para depois do nascimento da criança. Mesmo que fosse impossível manter a existência de Yeonwoo completamente em segredo, se o escondesse bem, conseguiria evitar a atenção adequadamente.
Antes de tudo, precisava de um refúgio onde Yeonwoo pudesse se afastar da atenção desnecessária e dar à luz e criar a criança em paz. Um lugar mais isolado e tranquilo. Um lugar fechado onde só ele pudesse entrar.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna