Episódio 6
Yeonwoo desceu até o primeiro andar, voltou ao café e vestiu o avental. O atendente, que estava preparando uma bebida, o cumprimentou.
— Você chegou cedo.
— ……
— Chefe?
— Hein?
— Aconteceu alguma coisa? A sua expressão…
Vendo Yeonwoo estranhamente tenso, o atendente que estava de pé diante do caixa se aproximou dele.
— Não. Estou bem, então faça o seu trabalho.
— A bebida acabou de sair de qualquer forma, então não tem clientes agora. Mas, sério, não aconteceu nada?
— ……
Ele precisava inventar alguma coisa, mas nenhuma palavra lhe vinha à cabeça. Tudo o que estava vivendo parecia irreal, como um sonho. Ele até teve o pensamento tolo de desejar que fosse realmente um sonho.
O atendente, confuso com a reação incomum de Yeonwoo, olhou em volta com cautela. Yeonwoo, percebendo isso com atraso, disse várias vezes para ele não se preocupar, mas o reflexo no vidro mostrava que ele parecia completamente fora de si, até para si mesmo.
— Haa.
Ele fechou os olhos devagar, abriu-os e respirou fundo. Não podia simplesmente ficar naquele estado atordoado. Precisava se recompor e se concentrar no trabalho.
Yeonwoo começou a limpar as mesas sem objetivo com um pano seco, só para movimentar o corpo.
* * *
Clique. Bam.
O som da porta da frente abrindo e fechando fez Yeonwoo, que estava sentado no quarto escurecido havia um tempo, se levantar. Ele foi e se plantou diante de Chahyun, que acabava de chegar do trabalho.
— Cancele, agora mesmo. O casamento.
Antes que Chahyun pudesse abrir a boca, Yeonwoo falou primeiro.
Ele vinha se atormentando sem parar desde que fechou o café e voltou para casa. Não importava quanto quebrasse a cabeça, essa era a única conclusão a que conseguia chegar.
Baek Chahyun é seu namorado. Eles já namoram há quatro anos.
Seus sentimentos não esfriaram, então casar com outra pessoa não faz sentido. Portanto, dizer a ele para não se casar é uma exigência perfeitamente natural da perspectiva de Yeonwoo.
— Você conhece a minha família.
Chahyun acendeu as luzes da sala escura e respondeu com calma.
— O que tem a sua família? Só porque você é de uma família rica, tem que fazer um casamento arranjado?
— Foi decidido há muito tempo.
— Então, soa como se você estivesse dizendo que absolutamente tem que casar com outra pessoa.
Vendo a reação de Chahyun mais cara de pau e indiferente do que ele esperava, o corpo de Yeonwoo tremeu de leve.
— Yeonwoo-ah.
— Até quando você ia esconder isso de mim? Até a data do casamento ser marcada? Ou até o dia anterior ao casamento?
— Eu ia explicar.
— Explicar? O que você ia dizer? “Vou me casar agora, então vamos terminar”?
A voz de Yeonwoo se elevou. Chahyun, que o escutava, apertou as sobrancelhas como se algo o incomodasse.
— O quê? Eu não tenho a menor intenção de terminar com você.
— Você vai se casar.
Yeonwoo, incapaz de compreender o que acabara de ouvir, perguntou de novo.
— É por isso que você está com raiva? Casar não significa terminar com você.
A expressão de Chahyun se abrandou, como se o mal-entendido finalmente tivesse sido resolvido. Ao mesmo tempo, Yeonwoo ficou sem palavras.
— O que é isso…
— Pode ficar corrido por um tempo, mas nada vai mudar. Esta casa vai continuar igual, e eu vou continuar morando aqui.
— O que você está dizendo? Você vai casar com outra pessoa mas ainda vai me ver? Essa pessoa também entende isso?
— Ela tem um amante que vê separadamente também. Então, se você estava preocupado em terminar, não precisa se preocupar…
— Não, não é disso que eu estou falando.
Yeonwoo cortou Chahyun, incapaz de ouvir mais absurdos.
— Independentemente de a outra pessoa entender ou não, eu não posso namorar um desgraçado casado, entendeu?
Ele nem sabia por que estava explicando algo tão óbvio.
Sentia que algo estava seriamente errado. Essa lógica básica de que não se deve namorar outras pessoas depois de casado legalmente não parecia se aplicar a Chahyun.
— Por quê? Casar não muda nada entre nós.
— Você agora está…!
Yeonwoo estava a ponto de gritar num acesso de raiva, mas em vez disso ficou sem palavras. Estava desnorteado e frustrado porque não conseguia se comunicar de jeito nenhum.
Ao mesmo tempo, uma confusão sem precedentes se abateu sobre Yeonwoo.
Quem é o Baek Chahyun que ele conheceu até agora? Ele vai casar com outra pessoa mesmo tendo um namorado? E diz que não há nada de errado nisso. E ainda assim vinha escondendo a verdade de propósito.
…Como é que ele não percebeu até agora que Baek Chahyun era esse tipo de desgraçado? Ele e Chahyun vivem no mesmo espaço todos os dias e compartilham a mesma cama.
Ele sabia que era mais egoísta que os outros, mas não sabia que era tanto lixo assim.
Sentindo que continuar a conversa era inútil, Yeonwoo lançou um olhar duro a Chahyun antes de se virar sem hesitar.
— Ótimo, case.
Yeonwoo entrou direto no quarto com o armário e tirou uma mochila.
— Hong Yeonwoo.
Chahyun o seguiu um instante depois. Ele olhou para baixo, para Yeonwoo, que tirava seus pertences e os enfiava na mochila.
— Eu não acho que tenho mais nenhum motivo para ficar nesta casa.
— O que está errado com você? O que você está fazendo?
— Vamos terminar, Baek Chahyun.
— O quê?
Yeonwoo, tendo empacotado às pressas apenas os itens necessários, abriu as gavetas do quarto para ver se havia mais alguma coisa para levar.
— Nós ainda não terminamos de conversar.
— Eu terminei.
— Quem disse que nós vamos terminar?
— Se você vai se casar, vamos terminar. Isso é tão difícil de entender?
Chahyun arrancou a mochila de Yeonwoo.
— Devolve.
Ele estendeu a mão para pegá-la de volta, mas Chahyun era visivelmente maior que a média, mesmo entre Alfas. Como Omega, Yeonwoo não podia se comparar em força de pegada. Não importava quanto puxasse, a mochila na mão de Chahyun não se movia.
— Está bem, eu sei que é humilhante, mesmo sendo só um casamento formal. Mas eu te prometo que nada vai mudar a partir de agora.
— Por que nada vai mudar? Meu coração está mudando. Devolve a minha mochila!
— Eu vou compensar você na medida da sua humilhação. Eu vou te indenizar.
Yeonwoo não conseguiu deixar de rir com escárnio dessas palavras.
— Eu acabei de descobrir que meu namorado vai ser o noivo de outra pessoa de uma hora para outra. Como você vai me indenizar? Estou realmente curioso.
— Do que você precisa?
Chahyun respondeu com seriedade, mesmo sabendo que ele não estava perguntando por curiosidade genuína.
Ele pareceu pensar por um instante antes de abrir a boca.
— Ah, devo transferir este apartamento para o seu nome? Aquele officetel é pequeno demais, no entanto.
O officetel de que Chahyun falava era onde Yeonwoo havia morado sozinho antes de começar a morar com Chahyun. Chahyun, que descobriu que ele estava se preparando para se mudar para um apartamento tipo estúdio menor porque estava tendo dificuldade em pagar o aluguel mensal, havia transferido a propriedade para Yeonwoo.
— Ha.
Yeonwoo riu de novo desta vez.
A mãe de Chahyun também. Por que todos os membros daquela família estão tão empenhados em lhe dar um apartamento? Isso também é hereditário? Ele nunca pediu isso primeiro.
Ele já havia recebido um officetel, um café e um carro de Chahyun enquanto namoravam, então talvez fosse natural que ele tentasse apaziguá-lo com dinheiro.
— Eu não preciso, então devolve a minha mochila. Não quero mais ficar lutando.
— Eu não posso te dar. Você acha que eu estou brincando?
Chahyun rosnou, apertando a mochila ainda mais forte. Vendo as veias saltando no dorso de sua mão, Yeonwoo desistiu de tentar pegá-la à força. Ele zombou como se tivesse entendido.
— Ah. É sua porque você comprou com o seu dinheiro, né? Então eu vou sair de mãos vazias, como quando me mudei para cá.
— Hong Yeonwoo!
Chahyun jogou a mochila no chão de imediato e agarrou o braço de Yeonwoo. Sua pegada era tão forte que ele sentiu uma dor pulsante. A essa altura, as emoções de Yeonwoo estavam tão exaltadas que ele não se importava com aquela dor. Yeonwoo empurrou Chahyun com toda a força.
No entanto, a mão de Chahyun que segurava seu braço não se moveu. Em vez disso, ele a envolveu ainda mais forte e o puxou para perto.
— Solta!
— Eu não vou te soltar.
— Você acha que eu vou ficar parado se você disser que não vai me soltar?
— Não, você provavelmente vai ir de qualquer forma.
— Então solta!
— Eu já te disse, eu não vou te soltar.
O olhar fixo em Yeonwoo, que gritava, era frio. Sua voz estava calma, ao contrário de suas emoções agitadas. De um jeito arrepiante.
— ……
— ……
Um momento de silêncio passou entre eles. Conforme Yeonwoo, que ofegava e lutava por ar, gradualmente relaxava o corpo, Chahyun finalmente soltou seu braço.
— Eu não vou te soltar.
Chahyun encontrou os olhos de Yeonwoo e falou com clareza. Suas emoções estavam completamente removidas, o que fazia aquilo soar frio.
— Não diga essas tolices…
Yeonwoo, que estava a ponto de dizer para ele parar de dizer tolices, se sobressaltou. Foi porque os feromônios de Chahyun tinham se tornado excessivamente fortes.
Yeonwoo sentiu como se seu corpo estivesse congelando. Feromônios são usados para seduzir a outra pessoa, mas também são eficazes para subjugá-la. O segundo caso ocorre com frequência quando há uma disputa de poder entre os mesmos traços.
Especialmente no caso de Chahyun, que é esmagadoramente mais robusto fisicamente e tem feromônios mais fortes que a média dos Alfas, ele naturalmente leva vantagem em qualquer relação. Despejar feromônios sem consideração assim só pode deixar a outra pessoa com medo.
— Desgraçado louco.
Ele não sabia que ele faria isso até com o próprio namorado.
Yeonwoo conseguiu, com dificuldade, fechar o punho. A pressão fazia sua espinha formigar.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna