Episódio 68
Episódio 68 ── ⋆⋅☆⋅⋆
— Crítico… a senhora diz.
A voz de Chahyun saiu em fragmentos.
— Vocês precisam reduzir situações de estresse e evitar a exposição a altas concentrações de feromônios de Alfa. Se ele ficar agitado ou se os feromônios ficarem excessivamente fortes, ele deve ser isolado imediatamente, ou o Alfa deve controlá-los. Entendeu?
— Sim.
— A partir de agora, evitem esse tipo de situação o máximo possível. É o melhor a fazer.
— Entendido.
Apesar do tom de repreensão da médica, Chahyun respondeu com educação e prontidão.
Por outro lado, Yeonwoo não sabia como reagir aos resultados inesperados e à reação da médica.
— Vamos ouvir os batimentos cardíacos do feto primeiro e, quando os resultados dos exames de hormônio e sangue saírem hoje à tarde, decidimos se vamos interná-lo.
— Vou ter que ser internado?
Yeonwoo, que estava calado até então, perguntou surpreso. O final de sua voz tremeu levemente.
— Não estou só dando um aviso; é uma situação séria. Claro que você deve considerar a internação.
— …Sim.
Yeonwoo assentiu e, conscientemente, voltou os olhos para Chahyun atrás de si. Porém, ficou com medo de ver o rosto dele e baixou o olhar de novo. Não tinha coragem de encará-lo parado ali com a mesma expressão indiferente de antes.
A médica fez uma breve pausa para que o ansioso Yeonwoo pudesse aceitar a situação antes de falar.
— Os batimentos cardíacos…
— Hum, Foutora. Desculpe, mas posso ir ao banheiro um instante?
— Ah, claro. Precisa de alguém para acompanhá-lo?
— Não, consigo ir sozinho.
Embora dissesse isso, Yeonwoo não tinha certeza se estava bem naquele momento. Desde que a médica disse que ia ouvir os batimentos da criança, ele se sentia tonto, como se tudo estivesse girando diante de seus olhos.
Ele não tinha confiança. Já estava convencido de que o estado do feto não era bom. E se houvesse um problema com os batimentos também? O que aconteceria então?
Só de imaginar uma situação tão desesperadora, sentia como se o sangue gelasse.
Yeonwoo, como se estivesse fugindo, entrou no banheiro e relembrou meticulosamente os acontecimentos dos últimos dias.
Ele não vinha dormindo direito e passou cerca de três dias sem comer enquanto cuidava do funeral do pai. Sinceramente, estava meio fora de si na época e quase esqueceu que estava grávido. Isso significava que não tinha prestado atenção à criança em seu ventre.
Talvez fosse uma consequência natural que a criança não tivesse crescido direito. Era praticamente culpa dele.
Mas ele não sabia por que estava com tanto medo. Mesmo que até agora não tivesse pensado na criança com tanto carinho. Não, ele até tinha se bloqueado conscientemente para não pensar na criança. Não conseguia se decidir a apagá-la, mas também não tinha coragem de cuidar dela ativamente.
— Vamos ouvir os batimentos cardíacos do feto primeiro e, quando os resultados dos exames de hormônio e sangue saírem hoje à tarde, decidiremos se vamos interná-lo.
Diferente do ultrassom, em que a tela era escura e difícil de ver direito, o som dos batimentos da criança, que ele ouviria diretamente, parecia um fardo especialmente pesado. E se, ao ouvi-lo, o resultado fosse o pior?
Era tudo culpa dele por ter negligenciado. Ele podia ter feito melhor. Pelo menos melhor do que isso…
— Hong Yeonwoo.
Naquele momento, Chahyun entrou no banheiro. Ele parou ao ver Yeonwoo em pé diante da pia.
Só então Yeonwoo percebeu que estava ali havia tempo demais.
— Ah, eu já estava saindo.
— Você está chorando?
— Não. É só que…
Assustado, Yeonwoo conferiu o rosto no espelho. Seus olhos estavam vermelhos, mas ele não estava chorando. No entanto, sua expressão estava contorcida como se fosse desabar a qualquer momento.
Yeonwoo não conseguiu continuar falando. Assim que ouviu a voz de Chahyun, foi tomado pela emoção. Mesmo com a visão embaçada, sem conseguir ver o rosto dele, tentou desesperadamente encontrar Chahyun através da névoa.
— O que foi? Não está se sentindo bem?
— É só que…
— Não tenho como saber se você não me disser direito. Vamos voltar logo para o consultório.
Chahyun se aproximou de Yeonwoo e colocou a mão na testa dele. Sentiu uma leve febre. Teria que levá-lo de volta à médica para verificar.
Ele tinha dito que ia ao banheiro e não saiu por muito tempo, então Chahyun achou que algo tinha acontecido. Ficou aliviado ao vê-lo em pé diante da pia, mas quando viu Yeonwoo parado ali, atordoado, com o rosto choroso, sentiu como se o coração afundasse.
Inexplicavelmente, Chahyun sentia uma dor parecida com sede sempre que via o rosto de Yeonwoo assim. Uma secura que começava nos pulmões se espalhava pelo esôfago e chegava à boca.
Ele queria apressá-lo para que dissesse o que havia de errado, mas, diferente de seu coração aflito, esperava pacientemente que Yeonwoo abrisse a boca por conta própria.
— Acho que não prestei atenção suficiente. Agora que o estado da criança não está bom, estou com medo… de perdê-la…
Ele gaguejou. Sua respiração estava instável.
— Para você, talvez fosse melhor se ela desaparecesse… mas, não importa o que aconteça, eu… e se acontecer alguma coisa com ela…
— Isso não vai acontecer. A criança vai nascer saudável.
A boca de Chahyun se moveu sozinha quando Yeonwoo começou a soluçar de novo no fim. Uma voz cheia de convicção, que surpreendeu até ele mesmo, irrompeu.
— Mas disseram que não está bom. Disseram que pode ser perigoso. Por minha causa, porque eu não prestei nenhuma atenção…
— Não, é por minha causa. Esqueceu que eu não consegui controlar meus feromônios na sua frente hoje de madrugada?
Chahyun segurou o rosto de Yeonwoo entre as mãos e disse baixinho.
— A culpa é minha. Sei com certeza que isso faz mal para você e para a criança, então vou garantir que nunca mais aconteça.
— Isso…
— Se você dormir bem, comer bem e se recuperar, logo vai ficar melhor. A criança com certeza vai nascer saudável. Eu garanto.
Sua mão grande enxugou com cuidado as lágrimas que escorriam pelas bochechas de Yeonwoo. À medida que as lágrimas que turvavam sua visão eram limpas pelo toque dele, o rosto de Chahyun apareceu nitidamente.
Ele encarava Yeonwoo diretamente, com um olhar firme e resoluto. Enquanto isso, o coração que batia ansioso foi se acalmando aos poucos.
— …Baek Chahyun.
Assim que ele abriu a boca, Chahyun abriu os braços e abraçou Yeonwoo. Fechou os olhos e respirou fundo, como se saboreasse as palavras que Yeonwoo acabara de dizer. Conseguia sentir o leve cheiro e os feromônios de Yeonwoo.
— Eu prometo.
— ……
— Então não chore.
Ele gostava quando Yeonwoo chamava seu nome. Queria apagar a ansiedade dele quando estava nervoso e queria eliminar o objeto de seu medo quando estava com medo. Então, no fim das contas, precisava manter Yeonwoo ao seu lado.
Mesmo que não fosse seu filho, estava disposto a protegê-lo se tivesse saído do ventre de Yeonwoo. Se se parecesse muito com Yeonwoo, talvez até o estimasse mais.
Embora não pudesse ocupar a posição legal de pai biológico, bastaria assumir a responsabilidade por Yeonwoo e pela criança além disso. Ele podia dar a Yeonwoo mais do que ele queria.
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— Chefe.
— ……
— Chefe?
Chahyun, que fingia olhar documentos, virou a cabeça ao ouvir alguém chamá-lo. O secretário, que já tinha entrado no escritório, estava de pé diante da mesa com uma pasta.
— O que foi? Você já me entregou todos os documentos para aprovação mais cedo, não?
Ele tamborilou na mesa, sem se dar ao trabalho de esconder o tom cansado.
— Não é relacionado ao trabalho, mas há algo adicional que precisa da sua confirmação.
Enquanto aceitava mecanicamente a pasta que o secretário lhe entregava, a mente de Chahyun estava cheia de pensamentos sobre Yeonwoo.
Yeonwoo acabou não sendo internado no dia anterior, mas isso não era inteiramente bom. Ele teria que voltar ao hospital amanhã para outro exame. Provavelmente teria que ir com frequência por um tempo, até que os níveis se normalizassem.
Ver Yeonwoo apático o dia inteiro deixava Chahyun abatido também. O estado do feto não estar bom, já não era legal, mas o problema era que Yeonwoo podia correr perigo por causa disso.
Não devo deixá-lo sair de casa por enquanto. Há muitas ruas e barulho em volta do apartamento onde moramos agora, então seria melhor ir para um lugar mais tranquilo e com mais verde.
— Esta é a lista de locais para o casamento e os modelos de vestido de noiva enviados pela senhorita Oh Yumin.
Como Chahyun não disse nada por muito tempo mesmo depois de olhar a pasta, o secretário falou primeiro. Ele, que estava profundamente perdido em pensamentos, finalmente leu as letras diante de si.
Anexados estavam os locais candidatos para o casamento do ano seguinte e fotos de vestidos, com breves explicações.
— Não tínhamos decidido que ela escolheria o local sozinha? Por que está me pedindo para decidir coisas assim?
— Parece que o lado da senhorita Oh Yumin achou que seria melhor consultá-lo com antecedência do que decidir sozinha…
— Diga a ela que não importa onde vamos fazer. E por que ela mandou até os modelos de vestido?
— Acho que ela os enviou para que o senhor possa usá-los como referência ao mandar fazer o smoking.
Chahyun estreitou os olhos como se ficasse irritado só de pensar nisso.
— Há alguma necessidade de mandar fazer um novo? Podemos só preparar algo que sirva no tamanho adequado. Os modelos de smoking são todos iguais mesmo. Nós temos um cerimonialista, não temos?
— Entendido. Então seguiremos com as recomendações do cerimonialista.
— Ah, e sobre o Alfa com quem Oh Yumin está saindo atualmente. Descubra mais detalhes sobre que tipo de desgraçado ele é.
— Está falando do histórico pessoal dele também?
— Sim. E, se possível, faça uma lista o mais detalhada possível dos Alfas com quem Oh Yumin já saiu no passado e me traga.
— Entendido.
Seria problemático se Oh Yumin trouxesse à tona a existência de Yeonwoo mais tarde, então era melhor se preparar minuciosamente deste lado primeiro. Oh Yumin tinha um Alfa com quem estava saindo, de qualquer forma, então não havia necessidade de se preocupar demais, mas não fazia mal se preparar com antecedência.
— Pode ir agora.
Ele achou que a conversa relacionada a Oh Yumin terminaria ali. Até receber uma mensagem separada dela.
[Como você está? Faz tempo.] [Precisamos pegar nossas alianças de noivado. Por favor, arrume um tempo para irmos escolher juntos :)]
— Ha, que mulher chata.
Chahyun pensou em dizer para ela resolver sozinha, mas logo mudou de ideia. Eles iam se casar de qualquer forma, então não podia evitar ver o rosto dela completamente.
Era melhor aproveitar a oportunidade para discutir em detalhes até que ponto fechariam os olhos um para o outro na vida de casados.
[Quinta-feira, 19h]
Chahyun enviou a resposta sem pensar muito.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna