Episódio 60
Eu não queria virar estranho com Yeonwoo assim. Eu havia soltado besteiras sobre pagar sua dívida porque gostava do corpo dele, mas, mesmo neste momento em que eu não posso ter Yeonwoo, eu não queria deixá-lo.
Mesmo sabendo que Yeonwoo havia tentado enganá-lo, ele só queria deixá-lo confortável naquele momento.
— Vem cá.
Assim que entrou no velório, Yeonwoo estava colocando novos incensos antes que os antigos se apagassem. Chahyun chamou Yeonwoo, colocando um envelope na mesa.
— Você chegou? Eu não estou com tanta fome agora.
— Tenta pelo menos fingir que come. Você não pode continuar se matando de fome.
Yeonwoo não insistiu mais e fez como Chahyun disse.
O olhar de Chahyun, que vinha observando Yeonwoo se aproximar com um andar um tanto lento, logo se deslocou para seu pé direito. Havia visivelmente menos força naquela perna, e seu andar estava sutilmente desequilibrado.
— O que houve com o seu pé?
— Eu só torci um pouco.
— Quando?
— …Mas por que você comprou tanto? A gente não vai comer tudo de qualquer forma.
Yeonwoo mudou de assunto. Chahyun, notando isso e pretendendo apontá-lo, mudou de ideia e decidiu fingir não notar.
Podia não ser nada, mas, considerando que ele não vinha conseguindo manter o equilíbrio bem durante o sexo antes, e que vinha mancando do pé direito sempre que era puxado, seu estado talvez não estivesse bom.
Pensando que deveria mandar seu secretário descobrir separadamente depois, Chahyun entregou a Yeonwoo um suco de tomate.
— Bebe isto primeiro.
Em seguida, na fila vinham suco de banana, suco de laranja e suco de morango.
Conforme ele abria as tampas uma a uma e as entregava a Yeonwoo, ele parecia perplexo, mas provou cada um em silêncio.
Seu rosto estava pálido e cheio de tensão, tendo sofrido de enjoo matinal o tempo todo.
— Como está?
— ……
— Você não precisa comer se não quiser.
Assim que Chahyun disse aquilo, Yeonwoo largou a bebida. Felizmente, ele conseguiu beber alguns goles do suco de banana seguinte. Ele esvaziou quase metade do suco de laranja, e recusou o suco de morango assim que a tampa foi aberta, dizendo que o cheiro era forte demais.
Ele não conseguiu comer nem uma mordida dos kimbaps e marmitas que ele havia comprado às pressas, mas comeu um pedaço inteiro do bolo de chocolate encorpado.
— Eu realmente terminei agora.
Quando Yeonwoo largou o garfo, Chahyun não o forçou mais e recolheu com aplicação às coisas que haviam sido dispostas. Ele certamente não teria servido a outras pessoas antes, mas, uma vez que começou, seu corpo se moveu por conta própria de novo desta vez.
Por enquanto, ele decidiu se satisfazer por ter visto Yeonwoo colocar algo na boca.
— Chefe. O carro fúnebre vai partir depois da cerimônia de despedida, por favor se prepare.
— Ah, sim.
Naquele momento, o diretor da funerária anunciou que era hora da cerimônia de despedida.
Depois de cremar o corpo e colocar os restos no columbário, já era tarde da noite.
A mãe havia pegado o carro do motorista, que Chahyun havia chamado separadamente, e voltado para casa cedo. Tendo passado noites em claro por vários dias, ela estava tão exausta quanto Yeonwoo.
Chahyun, que havia permanecido com ele até o fim, pegou Yeonwoo e seguiu para Seul.
Conforme todos os procedimentos do funeral foram completados, uma sensação de exaustão se abateu sobre ele. Toda a energia havia drenado do corpo de Yeonwoo, e ele não tinha força para levantar um dedo.
Só então caiu a ficha de que o pai não estava mais no mundo. Ele havia pensado que se sentiria aliviado quando aquele homem morresse. Mas não houve a sensação de alívio ou libertação que ele havia esperado. Sua cabeça estava só enevoada, como se ele estivesse submerso em água.
O carro em que os dois estavam estava silencioso. Yeonwoo, que não havia conseguido dormir como devia nos últimos dias, não venceu o sono que se despejava e fechou os olhos.
Ele deveria agradecer a Chahyun, que dirigia ao seu lado. Mas não era fácil abrir a boca fechada enquanto sua consciência se apagava.
Assim que ele caía num sono profundo, um cheiro acre de repente perfurou a ponta de seu nariz.
— ……
Sobressaltado, Yeonwoo abriu os olhos de uma vez. Então, o cheiro repugnante instantaneamente virou seu estômago de cabeça para baixo. Seu plexo solar se sentiu apertado, e sua cabeça ficou tonta.
De novo. Os sintomas de enjoo matinal que ele havia experimentado a ponto de estar farto deles nos últimos dias.
— Cha, espera, para o carro.
— Por quê?
— Meu estômago… por causa do cheiro de cigarro….
Yeonwoo agarrou com desespero o braço de Chahyun, que segurava o volante, enquanto cobria a boca. Chahyun girou o volante às pressas e parou o carro no acostamento.
— Ugh!
Yeonwoo saiu do carro como se estivesse sendo lançado para fora e vomitou ali mesmo. Chahyun também abriu a porta e seguiu Yeonwoo.
Yeonwoo espremia sons dolorosos conforme seus ombros finos sacudiam. O som de líquido se despejando pesadamente no chão de concreto ecoou de forma crua.
Chahyun ficou de pé ao seu lado, andando ansioso, e então afagou as costas de Yeonwoo.
— Hong Yeonwoo. Você está bem?
E enxugou o vômito dos cantos de sua boca com a mão. Ele havia se esforçado para dar algo a ele para comer, mas o fez vomitar tudo por causa do maldito cigarro. Chahyun ficou furioso com seu próprio comportamento idiota.
— Me desculpe. Eu não vou fumar mais.
Por que ele voltou a fumar? Ele havia parado porque o hyung odiava. Ver Yeonwoo engasgando de novo por causa dele fez seu coração afundar.
Chahyun ficou desnorteado, sem nem perceber o que estava pensando devido a seus pensamentos embaralhados. E, depois de enxugar os sucos gástricos do queixo e da boca de Yeonwoo, que havia ficado exausto, afagou com cuidado suas costas.
Pensar que Yeonwoo vinha engasgando sozinho assim em lugares invisíveis durante todo o funeral fez seu plexo solar se sentir como se estivesse sendo pisado.
Chahyun imediatamente pegou os cigarros em seu bolso e o paletó manchado de vômito e os enfiou numa lixeira próxima.
— Como você está se sentindo?
Depois de mais alguns engasgos secos, Yeonwoo finalmente ergueu o corpo.
— Eu estou bem agora. Desculpa…. Eu ando sensível a cheiros ultimamente.
Chahyun o amparou e o levou ao carro.
— Você consegue entrar?
Ele havia jogado fora os cigarros e o paletó, mas o carro ainda cheiraria a cigarro. Conforme Chahyun perguntou com cuidado, Yeonwoo sacudiu a cabeça.
Era um nível que ele normalmente conseguia ignorar, mas o cheiro de cigarro dentro do carro, que estava particularmente enjoativo e ardendo em seu nariz, parecia repugnante. Yeonwoo não conseguiu se obrigar a voltar ao carro.
— Eu vou abrir todas as portas, então só senta aí por enquanto.
Depois de pensar em algo por um instante, Chahyun abriu bem as quatro portas do carro e sentou Yeonwoo no banco. E fez uma ligação para algum lugar.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Chahyun ligou para o motorista que havia levado a mãe de Yeonwoo para casa e trocou de carro. Assim que entrou no carro novo que não cheirava nada a cigarro, Yeonwoo adormeceu.
Ele não deixou Yeonwoo em seu officetel, mas o levou ao seu próprio apartamento. Ele sentiu que, se o deixasse sozinho em casa naquele estado, seu quadro pioraria.
Yeonwoo não acordou nem uma vez enquanto Chahyun o carregava do estacionamento até o apartamento e o deitava na cama.
Chahyun saiu em silêncio para a sala, tomou banho no banheiro e então ligou para seu secretário.
— Sim, Diretor.
— Sobre o Hong Yeonwoo. Ele já machucou a perna?
— Ah. Eu entendo que ele se machucou enquanto trabalhava meio período no passado e recebeu tratamento por um longo tempo.
Chahyun, que estava vestindo um roupão de banho e sacudindo o cabelo molhado com uma toalha, parou por um instante.
— Machucou? Quando exatamente?
— Eu ouvi que foi antes de vocês dois começarem a morar juntos.
— ……
— Devo descobrir mais detalhes?
— Você trabalha comigo e nem sabe isso em detalhes?
— Sinto muito, Diretor. Eu reporto rapidamente.
Chahyun esticou a mão para os cigarros que havia colocado na mesa, mas então percebeu que Yeonwoo estava dormindo no quarto e retirou a mão.
Depois de encerrar a ligação, ele primeiro conferiu o que havia na geladeira de casa. Mas ele não vinha comendo no local, então não havia nada que pudesse ser chamado de comida.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Um longo tempo passou, e Yeonwoo abriu os olhos. Ele parecia ter vomitado no caminho de volta a Seul e adormecido exausto.
Antes que percebesse, ele estava deitado numa cama familiar. Os feromônios de Chahyun estavam impregnados de forma pesada na coberta com que ele se cobria. Estranhamente, ele não sentiu nenhuma repulsa a isso. Ao contrário, a tensão acumulada em seu corpo foi aliviada.
Yeonwoo esfregou os olhos ainda semifechados e saiu da cama. Não era o officetel em que ele estava ficando, mas o apartamento onde ele vinha morando com Chahyun.
Fosse porque suas roupas, que haviam sido bagunçadas com vômito, foram trocadas enquanto ele dormia, só o aroma tênue de amaciante perfumado subia.
Yeonwoo ajeitou as roupas e saiu para a sala. Então, Chahyun, que estava olhando documentos na sala, imediatamente ergueu a cabeça.
— Você acordou?
— Por que eu estou aqui?
— Como está seu estômago?
— Hm…. Eu estou bem agora.
— Então senta aqui.
Chahyun apontou com o queixo para o sofá de um lugar em frente a ele. Yeonwoo revirou os olhos, olhou em volta do apartamento familiar e se sentou no sofá.
— Deixa eu te perguntar uma coisa.
Chahyun abriu a boca de imediato.
— O que é?
— O que você quer fazer com a criança?
— …Por que você pergunta?
Num instante, ele estava bem acordado. Yeonwoo perguntou de volta numa voz cheia de cautela, caso Chahyun lhe dissesse para abortar a criança.
— Porque a sua opinião é a mais importante.
— ……
Não havia inflexão na voz de Chahyun, tornando difícil captar o que ele estava pensando.
— Você quer ter?
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com fatos reais.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna.