Episódio 59
— A que horas começa o cortejo fúnebre?
— Às seis da tarde.
Ele queria lhe dizer para se deitar e descansar se pudesse, mas, como principal enlutado, ele provavelmente não poderia deixar seu posto por muito tempo.
— Eu vou jogar isso fora se você não comer.
Chahyun começou a tirar a comida diante de Yeonwoo. Ele sabia que deixá-la ali só faria Yeonwoo se sentir pior.
— Não, eu faço.
— Está tudo bem, você senta.
Ele sentou Yeonwoo numa cadeira e limpou a mesa rapidamente. Mas Yeonwoo parecia desconfortável com as ações de Chahyun.
— Você deve estar ocupado, você pode voltar agora.
No fim, Yeonwoo nem conseguiu se sentar e descansar um minuto antes de se levantar e se aproximar dele. Ele jogou fora o lixo no chão e entregou a Chahyun o paletó que ele havia tirado. Era praticamente um aviso de despejo.
Você está nesse estado, e está me mandando ir embora?
Yeonwoo provavelmente disse aquilo por consideração, mas Chahyun ficou furioso. Ao mesmo tempo, ele ficou muito abalado por seus próprios pensamentos e ações incompreensíveis. Ele sentiu um abafamento como se o interior de sua garganta estivesse bloqueado.
Quando ele olhava para Yeonwoo, ele ficava sendo tomado por impulsos desconhecidos. Mas ele não sabia de onde vinham. Quando caía em si, seu corpo já estava se movendo por conta própria.
A mão de Chahyun, que pegou o paletó que lhe foi entregue, se apertou.
— Eu vou sair e comprar alguma coisa. Você disse que não comeu nada.
— Hein? Você não precisa fazer isso.
— Não fique de pé aí, senta e espera. Está bem?
— …Chahyun.
— Tem alguma coisa que você quer comer? Alguma coisa que você está com vontade?
— Não, nada assim. E você não precisa fazer isso.
Yeonwoo sacudiu a cabeça como se estivesse realmente bem. Ao contrário, ele parecia ansioso, como se as ações de Chahyun fossem pesadas.
Chahyun hesitou por um instante antes de abrir a boca.
— Não foi você quem disse que eu sou o pai da criança? Você disse isso.
— ……
— Então eu tenho que fazer pelo menos isso.
Quando ele negou que não era o pai biológico? Agora ele usava de forma descarada o fato de ser o pai para persuadir Yeonwoo.
— Né?
Yeonwoo por fim assentiu de leve. Não porque concordasse com as palavras de Chahyun, mas porque estava exausto demais para discutir.
Chahyun fingiu não notar e vestiu o paletó antes de deixar o salão funerário. Ele entrou no carro e dirigiu até uma loja de conveniência próxima, ligando para Sang-gyun.
Mas o tom de chamada se prolongou sem resposta.
— Porra, é como se até merda de cachorro fosse difícil de achar quando você precisa.
Chahyun cerrou os dentes e desligou. Ele imediatamente contatou o Centro VIP do Hospital Universitário Juseok. Quando disse à atendente que precisava falar com Oh Sang-gyun imediatamente, Sang-gyun ligou de volta em menos de três minutos.
— Por que, seu moleque louco. Por que você está ligando para o hospital?
A voz de Sang-gyun estava cansada.
— O que você estava fazendo que não atendeu o telefone?
— Eu estava ocupado! Você acha que eu fico brincando no hospital?
— Hyung. Você não disse que a sua esposa teve enjoo matinal severo quando estava grávida da última vez?
Chahyun pisou no acelerador e acelerou, indo direto ao ponto. Sang-gyun soltou uma risada pasma diante do tema inesperado saindo de sua boca.
— Hein, do nada? Bom, foi bem ruim. Por quê?
— O que a sua esposa comia naquela época?
— Por que você está perguntando isso? Tem alguém grávido perto de você?
Chahyun bateu na superfície do volante com o dedo. Se ele fosse perguntar a Sang-gyun sobre isso e aquilo, seria difícil manter a gravidez de Yeonwoo em segredo. Ele tinha uma personalidade tranquila e era próximo de Chahyun, então havia pouca chance de ele contar aos outros.
Depois de tomar uma decisão rápida, Chahyun abriu a boca.
— O Hong Yeonwoo está com enjoo matinal severo.
— O quê? Você, você… seu moleque louco, o Yeonwoo e, você….
Sang-gyun ficou tão surpreso que não conseguiu terminar a frase. Chahyun o cortou como se estivesse cansado.
— Só guarde isso para você, hyung. De qualquer forma, o que eu devo comprar para ele? Quanto tempo leva para tratar enjoo matinal?
— Hmpf…. Você acha que tem algum remédio que dá para tomar para melhorar tudo?
— É por isso que eu estou te perguntando.
Chahyun, que já havia chegado à loja de conveniência, estacionou o carro e foi direto à seção refrigerada. Ele frequentemente vinha ali comprar cigarros, mas raramente havia comprado comida ali, então não sabia o que pegar.
— Antes de tudo, presuma que ele não pode comer nada com cheiro forte.
— Então o que ele deve comer?
Chahyun pegou uma cesta de compras e varreu os kimbaps, massas, marmitas e frango agridoce expostos.
— Fruta? Mas até a fruta cheira a algum tipo de planta. Suco é melhor. A minha esposa vivia de suco de fruta fresca.
— Ele não pode comer arroz?
Chahyun, que estava a ponto de colocar uma marmita cheia de carne na cesta, parou. Ele deveria estar alimentando-o com comida nutritiva, mas ele estava falando de suco de fruta.
— Ei. Se você tem enjoo matinal severo, você não consegue nem olhar para comida cozida. Se tiver carne ou tempero, você vomita na hora.
— Ah, porra.
Chahyun encarou com dureza a comida na cesta de compras com um toque de irritação. Ele não pode comer nada disso? Então e o Hong Yeonwoo?
— Oh Sang-gyun. Você é médico, hyung. Você não pode acabar com isso com remédio?
— Eu não sou deus. Sintomas de enjoo matinal variam de pessoa para pessoa, então você tem que descobrir o que ele consegue comer um por um.
— Ele não consegue comer yukgaejang. Ele fica vomitando e não conseguiu comer uma única refeição por três dias. Sinceramente, ele deveria ser levado ao hospital agora mesmo.
— Ai meu Deus. Deve ser realmente sério…. Então ele só consegue comer um pouco de fruta ou salada.
— Fruta. Salada. Suco. O que mais?
— Iogurte?
— Mais.
Chahyun colocou fielmente o que Sang-gyun recomendava na cesta de compras. Como era uma loja de conveniência numa área remota, não havia saladas e poucos tipos de bebidas. Ele colocou com aplicação o que conseguia ver, mas parecia lamentavelmente insuficiente para Chahyun.
— Rápido, o que um Ômega grávido consegue comer sem enjoo matinal e sem vomitar?
— Hmm. Eu não sei muito mais.
— É isso que um médico deve dizer? Para onde foram todas as doações que a nossa família fez?
— Olha o jeito que esse moleque louco fala.
Sang-gyun suspirou como se estivesse muito de saco cheio.
— Ah, verdade, o Yeonwoo não está no funeral agora por causa do falecimento do pai dele?
Sang-gyun acrescentou como se tivesse lembrado de repente. Ao mesmo tempo, Chahyun parou de caminhar.
— Você sabia também, hyung?
— Eu soube porque me contataram. Eu não pude ir por causa do trabalho no hospital, então eu só mandei condolências.
— ……
— Diga a ele que eu sinto muito por não poder ir.
Isso confirmou que Yeonwoo deliberadamente não lhe havia contado sobre o obituário. Chahyun sentiu uma renovada sensação de amargor diante do fato de que ele não era uma presença necessária para Yeonwoo.
— Então… você recuperou suas memórias, né?
— Não, então pare de perguntar.
— Não, mas o Hong Yeonwoo está grávido? Isso é uma situação louca.
— Eu vou desligar.
Chahyun encerrou a ligação de forma unilateral e foi ao caixa com os itens que havia escolhido. Depois de pagar e colocá-los numa sacola, ele saiu e quis um cigarro. Mas ele estava ansioso demais para ficar parado fumando.
Chahyun entrou no carro e começou a dirigir de volta ao salão funerário, colocando um cigarro na boca. Ele abriu a janela e inalou profundamente o filtro aceso.
“Eu soube porque me contataram. Eu não pude ir por causa do trabalho no hospital, então eu só mandei condolências.”
“Diga a ele que eu sinto muito por não poder ir.”
— Porra.
Por que eu me sinto tão sujo? Em primeiro lugar, fui eu quem evitou ao extremo Hong Yeonwoo tentando se aproveitar de mim.
Hong Yeonwoo estava só fazendo o que eu queria. Talvez ele nem tenha pensado no nome Baek Chahyun quando ouviu sobre o falecimento do pai. Eu conseguia perceber só pela expressão que Hong Yeonwoo tinha quando eu entrei no salão funerário antes.
Chahyun não conseguia fazer nada com a sensação retorcida por dentro, mesmo sendo uma situação que ele mesmo havia criado. Ele abriu a janela por completo e fumou um cigarro rapidamente, sentindo um abafamento sufocante. Mesmo com o vento entrando no carro, ele não sentiu nenhum alívio.
Antes que percebesse, a imagem da aparência emaciada de Yeonwoo flutuava na cabeça de Chahyun.
As pessoas normalmente ganham peso quando estão grávidas, não é? Tem algo errado se ele está ficando tão magro.
Chahyun voltou ao dia em que foi ao hospital com Yeonwoo. Na época, ele estava tão tomado pelo pensamento de que Yeonwoo estava tentando enganá-lo que era difícil para ele ficar parado. Quanto mais o observava carregando o filho de outro Alfa e se preocupando com ele, mais ele era tomado pelo impulso de encontrar aquele Alfa e se livrar dele.
É o Han Jeongho, afinal? Depois de investigar, parecia que ele vinha contatando e encontrando Yeonwoo sob o pretexto de trabalhar no café. A julgar pelas circunstâncias, era claro que aquele moleque louco tinha sentimentos por Yeonwoo. Ou talvez haja outro Alfa que eu não conheço.
Como eu não tenho minhas memórias anteriores, eu estou me apoiando no meu instinto mais do que o necessário.
— Hoo.
Chahyun sentiu uma pressão apertando seu pescoço e estava a ponto de afrouxar a gravata, mas baixou a mão, lembrando que tinha que se vestir como devia para entrar no salão funerário.
Ele chegou diante do salão funerário antes que percebesse. Ele entrou e decidiu reconhecer seus sentimentos por Yeonwoo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna