Episódio 61
Qual era a intenção dele ao perguntar? Ele esperava que ele quisesse abortar a criança?
Yeonwoo encarou Chahyun com medo nos olhos. Ao contrário das expectativas, sua expressão, que ele pensava que seria fria e cortante, estava calma. Podia ser um pensamento louco, mas era como se ele estivesse esperando que ele dissesse que ia dar à luz.
Depois de um momento de silêncio, Yeonwoo assentiu com cuidado alguns segundos depois.
— Sim.
— Está bem.
Chahyun concordou com calma. Ele não parecia estar ignorando suas palavras por completo como da última vez.
— E você? Você fez o exame?
Yeonwoo perguntou sobre o exame de esperma.
— Eu vou fazer. Logo.
— ……
— Você ainda tem certeza de que eu sou o pai dessa criança?
Mesmo depois de ouvir a pergunta que já havia sido discutida uma vez, Yeonwoo não ficou desnorteado. Talvez porque ele tivesse experimentado situações ainda mais miseráveis, ele não sentiu nenhuma agitação.
— Eu tenho certeza.
Chahyun encarou Yeonwoo em silêncio por um instante. Seus lábios se abriram devagar.
— Está bem. A gente vai descobrir depois com um teste de paternidade.
Yeonwoo engoliu em seco e olhou para Chahyun. Então perguntou o que mais o deixava curioso.
— …E se acabar sendo seu filho?
— Eu vou ter que assumir a responsabilidade então.
A expressão de Yeonwoo se iluminou visivelmente diante da resposta inesperada.
— Que tipo de responsabilidade…
— Antes disso. Cuide da sua saúde primeiro.
Chahyun cortou as palavras de Yeonwoo com firmeza.
— Nessa condição, tanto você quanto a criança estão em perigo. Vamos pensar em outras coisas depois.
— ……
O que ele disse não estava errado. Ele já vinha se forçando demais, e então teve que lidar com o funeral do pai, então seu estado físico estava terrível. O fato de que ele conseguia aguentar até esse ponto e falar talvez fosse graças ao suco de fruta e ao bolo que Chahyun havia comprado.
Yeonwoo ainda tinha mais a dizer, mas assentiu por enquanto. Na verdade, ele estava até preparado para o pior cenário, em que ele negaria responsabilidade até o fim. Mas, pouco antes, Chahyun havia claramente deixado a possibilidade aberta para ele aceitar a existência da criança.
Por enquanto, ele decidiu ser grato por isso.
— O funeral acabou. Tem mais algum procedimento para resolver?
Yeonwoo sacudiu a cabeça.
— Não.
Agora tinha realmente acabado com seu pai. Ele havia desejado inúmeras vezes que ele nunca aparecesse diante dele, mas, agora que havia acontecido, ele só se sentia vazio.
Definitivamente não era um bom sentimento. Ele ressentia e sentia amargura pelo pai por partir daquele jeito até o fim.
Ainda assim, ele sentia um leve alívio por o funeral finalmente ter terminado sem incidentes.
— Me diga se tiver alguma coisa. Eu te ajudo. Como os pertences, ou talvez tenha mais dívida restando.
A previsão de Chahyun estava correta. No primeiro dia do funeral, os conhecidos de jogo de seu pai vieram e exigiram o dinheiro que ele havia pegado emprestado em vida.
Felizmente, não era um valor grande, então Yeonwoo pagou. Ele estava preocupado que eles causassem tumulto se ele recusasse, e não queria criar uma bagunça daquelas até o fim.
Yeonwoo decidiu não contar a Chahyun sobre isso.
— Não. Realmente não sobrou nada agora.
— Então isso é um alívio.
Antes que Chahyun pudesse terminar de falar, alguém tocou a campainha. Antes que Yeonwoo pudesse perguntar quem era, ele se levantou e seguiu para a porta da frente.
— Você está esperando alguém?
Chahyun assentiu enquanto conferia o interfone.
— Eu chamei alguém porque não tem nada para você comer em casa.
— Ah.
— Se você estiver desconfortável, vá se sentar.
Quando Chahyun abriu a porta da frente, uma mulher de meia-idade e um homem que ele nunca havia visto entraram. Diferente da mulher, que usava um cardigã e uma saia longa que chegava aos tornozelos, o homem estava vestido num terno impecável.
— Olá, Diretor. Eu comprei principalmente legumes e frutas às pressas, mas eu achei que a gente devia ter alguma carne também, então eu peguei um pouco de cada tipo.
A mulher sorriu com suavidade e cumprimentou Chahyun. Então, ela e o homem que veio com ela começaram a levar todo tipo de ingrediente para dentro do apartamento.
— O que é tudo isso?
Uma variedade de ingredientes que encheria a gaveta de legumes e a geladeira até a borda estava empilhada na cozinha. Quando Yeonwoo se aproximou, Chahyun deu de ombros.
— O que mais seria? É tudo para você comer.
— Bom, eu não preciso de tudo isso.
Yeonwoo disse enquanto observava as pessoas encherem rapidamente a geladeira.
— E eu tenho que voltar para o officetel de qualquer forma…
— Você vai voltar para aquele lugar apertado e passar fome sozinho de novo?
Chahyun interrompeu as palavras de Yeonwoo.
— Mas como eu vou comer tudo isso aqui? Eu acho que eu não consigo comer tudo nem depois de um mês.
— É por isso que você vai ficar aqui por enquanto.
Ele colocou a mão no ombro de Yeonwoo e fez contato visual. Yeonwoo ficou desnorteado com as palavras repentinas e ergueu o olhar para Chahyun.
— Hein?
— Fique aqui até você dar à luz.
Yeonwoo não sabia o que dizer, então não conseguiu encontrar uma resposta de imediato.
— Não tem necessidade de ir tão longe…
— Claro que a gente tem que ir tão longe.Não foi você quem disse que eu sou o pai?
— ……
Não estava errado, mas ele não sabia por que se sentia tão estranho.
Ao mesmo tempo, todo tipo de pensamento se precipitou de uma vez. Ele estava dizendo aquelas palavras para ser sarcástico? Ou estava tentando testá-lo? Ou era pena?
Não importava o que fosse, era um tanto do nada dizer que eles deveriam morar juntos até a criança nascer.
Quando ele negava com firmeza que pudesse ser o pai, e por que ele de repente está admitindo com tanta facilidade?
Era uma situação com a qual ele deveria ficar feliz, mas Yeonwoo ficou ansioso em vez disso. Porque ele não conseguia entender os verdadeiros sentimentos de Chahyun.
— Me diga, Hong Yeonwoo. Não é meu filho?
— …É.
— Então fique aqui.
Isso não era pedir sua opinião. Ele já havia tomado uma decisão, e ele tinha que segui-la. Instintivamente, Yeonwoo aceitou o fato de que não tinha escolha.
Yeonwoo hesitou e abriu a boca.
— Eu vou buscar minhas coisas no officetel.
Mas Chahyun não permitiu.
— Nesse estado? Eu mando alguém fazer, então me diga se você precisar de alguma coisa.
— Eu só preciso de roupas, mas…
— Só compre novas. Sua barriga vai crescer logo de qualquer forma.
O que diabos estava acontecendo? Yeonwoo estava confuso porque a atitude de Chahyun, com quem ele havia se encontrado depois de alguns dias, era tão diferente de antes.
Mesmo quando eles foram ao hospital juntos, ele não agiu como se fosse algo que não tinha nada a ver com ele, nem durante o exame de ultrassom.
— Você… por que você está de repente fazendo isso?
Yeonwoo disse como se lhe pedisse para explicar essa situação invertida. Em resposta, Chahyun abriu a boca com naturalidade, como se tivesse esperado tal pergunta.
— Eu não quero te deixar sozinho até você dar à luz. E, se o que está na sua barriga é realmente meu filho, então isso é a coisa certa a fazer.
— ……
— Não pense muito fundo, Hong Yeonwoo. Eu também fiquei desnorteado no hospital.
Ele deveria acreditar nisso? Mas o que mais ele poderia fazer se não acreditasse? Não havia razão para Chahyun ter segundas intenções em relação a ele.
— Você disse que a gente tinha que esperar os resultados do teste de paternidade…
— Então, até o teste, ninguém sabe de quem é o filho, né? Então ainda há a possibilidade de eu ser o pai.
— ……
Ainda era difícil aceitar o Chahyun mudado, mas era melhor do que ele ficar enojado e nem olhar para a criança.
Como Chahyun disse, ele também era humano, então ele podia ter ficado desnorteado. E ele não conseguia imaginar dar à luz a criança sozinho. Era definitivamente melhor ter Chahyun ao seu lado. Se ele recordasse o alívio que sentiu assim que o viu no salão funerário.
— Aquele moleque louco do Han Jeongho sabe que você está grávido?
— …Não.
— Não conte a ele. E nem pense em contatá-lo no futuro.
Chahyun advertiu. Yeonwoo se sentia sufocado toda vez que essa história surgia. Em primeiro lugar, ele não tinha nenhuma relação com Jeongho. Mas Chahyun continuava não acreditando nele.
— Eu te disse que o Han Jeongho-ssi não tem nada a ver com isso. Eu sei que você está desconfiado, mas…
— Diretor. Desculpe interromper a conversa. Eu terminei de organizar tudo. Precisa de mais alguma coisa?
A conversa foi cortada pelo homem que havia trazido muita bagagem antes. Chahyun fez sinal para Yeonwoo esperar um instante, e então seguiu em direção à cozinha.
No fim, Yeonwoo não conseguiu se livrar do desconforto e remoeu a conversa de antes. Ele se sentiria mais confortável se ele pelo menos se lembrasse de alguma coisa. Do jeito que estava, ele não conseguia entender suas intenções de forma alguma, então só ficava desconfiado.
Ele estava sentindo pena dele, afinal? Porque ele disse que estava passando fome estando grávido.
Yeonwoo observou seu rosto no espelho na parede. Ele definitivamente havia ficado muito mais abatido, mas ele não sabia se era o suficiente para mudar a cabeça de Chahyun.
— Vem comer.
Naquele momento, Chahyun, que havia ido à cozinha, voltou e chamou Yeonwoo.
— Você não comeu nada porque estava dormindo o tempo todo.
— Ah, está bem.
Conforme ele o seguia de forma desajeitada para a sala, a mulher que se movia atarefada na pia viu Yeonwoo e sorriu.
— Venha rápido. Eu me atrasei um pouco com os cumprimentos porque eu estava organizando as coisas. O Diretor me pediu para preparar uma refeição porque você está com enjoo matinal severo. Prazer em conhecê-lo.
— …Olá.
— Nossa, como é que um homem pode ser tão bonito? Mas você está magro demais. Eu ouvi que você não estava se sentindo bem, então você deve ter sofrido muito. Você tem que se cuidar bem.
— ……
A funcionária, que trabalharia ali por enquanto, tagarelava por conta própria mesmo Yeonwoo não respondendo. O homem de terno não era mais visto, então ele devia ter ido embora.
— Eu trouxe chá de limão, chá de gengibre e chá de ervas de todos os tipos, então beba o que te atrai, com constância. É melhor que água pura.
— Sim.
— Eu fiz sopa de batata e macarrão gelado em casa, você gostaria de experimentar? Venha e sente-se.
A funcionária explicou que a comida fria tinha menos aroma, facilitando comer o macarrão, e puxou uma cadeira de jantar para Yeonwoo. Yeonwoo, que estava de pé sem jeito, baixou a cabeça e se sentou.
Logo depois, Chahyun tomou um lugar de frente para Yeonwoo.
— Me dê a mesma coisa também.
Ele disse à funcionária, que estava tirando pratos da cozinha e servindo a comida.
— Por que você?
— Eu tenho que comer também. Você está me mandando passar fome?
Chahyun perguntou de volta num tom absurdo diante da pergunta de Yeonwoo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna