Episódio 5
— Quando foi decidido? O casamento do Baek Chahyun.
— Não seria melhor ouvir isso direto do Chahyun? Se ele não disse nada, é difícil para mim dizer qualquer coisa.
Foi o momento em que a esperança à qual ele se agarrava por um fio se estilhaçou em pedaços.
Então todos sabiam, menos eu. Eu era o único que não sabia.
— Se ele tivesse me contado de bom grado, eu não teria vindo até o hyung. O hyung também sabe que não tem ninguém por perto que me contaria esse tipo de coisa….
Sang-gyun coçou a cabeça como se estivesse incomodado, depois olhou de relance para o rosto de Yeonwoo.
Depois de alguns segundos de silêncio pesado, ele finalmente abriu a boca.
— O assunto do casamento já vem sendo tratado há um tempo.
— Desde quando?
— Provavelmente… acho que foi por volta da época em que ele estava na faculdade.
— …….
— Era só conversa entre os adultos, então as partes envolvidas provavelmente não pensaram muito nisso.
Antes que Yeonwoo pudesse dizer qualquer coisa, Sang-gyun acrescentou rapidamente.
— Você sabe que isso é comum aqui. Eles não fazem por vontade própria, mas porque todo mundo se casa desse jeito.
Quanto mais ele ouvia, mais sentia uma mistura de vazio e traição.
No fim, tudo o que a mãe de Chahyun havia dito no dia anterior era verdade. Não era uma invenção para se livrar dele, e não havia mal-entendido nenhum.
Provavelmente foi por isso que ela olhou para mim com pena no final.
— Desde a faculdade… O assunto do casamento vem sendo tratado há tanto tempo, como é que eu não sabia?
Quanto mais pensava nisso, mais absurdo parecia, e sua mente ficava em branco.
Como isso pode acontecer?
Esse pensamento tomava sua cabeça.
Ele se sentiu patético por ter se dito que talvez houvesse um mal-entendido, que era cedo demais para julgar, e por ter vindo até aqui.
— Aliás, de quem você ouviu isso? Não foi do Baek Chahyun, né? Não é de estranhar que ele não tenha ido à reabilitação ontem.
— Hyung.
— Sim.
— …Hyung.
— Por que está me chamando desse jeito, seu desgraçado? É assustador….
Yeonwoo chamou Sang-gyun de forma vazia, depois sacudiu a cabeça como se não fosse nada.
— Eu… eu vou embora agora. Obrigado por ter arrumado tempo mesmo eu tendo vindo assim de repente.
E, com atraso, ele gaguejou e se virou. Sang-gyun agarrou Yeonwoo.
— Ei, Hong Yeonwoo! Espera um minuto. Não é algo que eu deveria me meter, mas.
— …….
Sang-gyun olhou para Yeonwoo, que estava meio fora de si, e fechou a boca. Mas, depois de alguns segundos, pareceu ter tomado uma decisão e continuou.
— Não… não pense muito mal disso. Não é como se o Chahyun quisesse terminar por causa do casamento.
Yeonwoo encarou Sang-gyun, que falava como se estivesse consolando uma criança.
— O café que ele montou para você vai bem, e o officetel? Você também ganhou a casa em que morava antes. Acima de tudo, o Chahyun não é do tipo que dá muito significado a casamento.
— Como é que alguém não dá significado nenhum ao próprio casamento?
— Pode parecer estranho da sua perspectiva. Mas neste mundo é comum casar e ter um amante.
— …….
— O casamento não é o fim de tudo, não é como se vocês tivessem que terminar. Entenda que é algo que eles fazem por obrigação, por causa da riqueza. O hyung e a noona do Chahyun todos casaram desse jeito. Então, se possível….
— Acho que o hyung também não está do meu lado.
— O quê?
— Eu vou embora de verdade agora.
Sentindo que não havia mais sentido em continuar ouvindo, Yeonwoo cortou Sang-gyun e saiu rapidamente do hospital.
* * *
O que recebeu Yeonwoo quando ele voltou ao café foi o secretário de Chahyun. Diferente de Chahyun, que tinha uma postura de arruaceiro desde o jeito de se posicionar, ele estava de pé em silêncio num canto do café e reconheceu Yeonwoo com os olhos.
— Hong Yeonwoo-nim.
— O que está acontecendo?
O secretário se inclinou de leve, depois se aproximou e transmitiu a mensagem rapidamente.
— O Diretor quer que o senhor venha comigo.
— Estou ocupado com o trabalho agora. Diga a ele que eu falo com ele depois.
Yeonwoo passou pelo secretário com uma expressão cansada. Mas o secretário insistiu de novo.
— Ele disse que era urgente. Se o senhor não estiver muito ocupado, espero que possa vir comigo agora.
O secretário mantinha uma atitude polida, mas havia um leve traço de ansiedade em sua voz que ele não conseguia disfarçar de todo.
Yeonwoo suspirou profundamente.
Os atendentes, o Sang-gyun, até o secretário. Por que todo mundo fica tão ansioso quando se trata de Baek Chahyun? Mesmo ele sendo o filho mais novo de uma família de conglomerado e tendo uma personalidade arrogante, não é a ponto de ficarem tão aterrorizados.
Ele pensou que deveria simplesmente ignorar, mas se sentiu mal pensando no secretário se metendo em problemas com Chahyun por não tê-lo levado.
Ele queria clarear a cabeça um pouco e conversar com Chahyun, mas a situação não estava colaborando, o que o deixava irritado.
— Está bem. Eu posso subir agora mesmo?
— Vou guiá-lo.
O secretário respondeu de imediato e tomou a frente.
Enquanto era guiado até o andar dos escritórios, um funcionário na recepção se levantou e cumprimentou Yeonwoo. Yeonwoo inclinou a cabeça de forma desajeitada e olhou em volta.
Fazia um tempo que ele não subia ao andar dos escritórios. Como mantinham um relacionamento secreto, Yeonwoo evitava ao máximo visitar Chahyun ou encontrá-lo separadamente no prédio.
Pensando bem, Chahyun havia dito que começaria como funcionário de baixo escalão quando entrou na empresa. Ele nem havia aprendido o trabalho por alguns anos, e já tinha um escritório pessoal.
— O senhor pode entrar.
O secretário abriu a porta e deu um sorriso pequeno. Yeonwoo só inclinou a cabeça em agradecimento e entrou.
— Por que você me chamou?
Depois de confirmar que Chahyun era o único no escritório, Yeonwoo foi direto ao ponto.
— Você nunca parece estar de fato no café. Você quer administrar um negócio ou não?
Chahyun zombou assim que viu Yeonwoo. Ele estava reclinado numa cadeira de couro, com as pernas cruzadas e apoiadas na mesa do escritório.
Em vez de responder, Yeonwoo ficou de pé junto à porta e encarou Chahyun.
— Por que você continua não atendendo minhas ligações? Decidiu ignorar todas as minhas ligações agora?
Não era de estranhar que seu celular não parava de tocar no carro no caminho de volta para o café. Devia ser a ligação de Chahyun.
— Eu estava ocupado.
Só então Chahyun tirou as pernas da mesa e fechou a pasta que estava lendo.
— O que está errado com você desde ontem?
— Como assim?
— Você está agindo estranho. É irritante.
— …….
Yeonwoo encontrou os olhos de Chahyun em silêncio. Seus lábios não paravam de tremer sozinhos, então ele teve que pressionar com força o lábio inferior com os dentes de cima.
Chahyun franziu o cenho ao ver aquilo.
— É frustrante, então diga o que você quer dizer.
— Não aqui. Vamos falar sobre isso quando chegarmos em casa mais tarde.
— Então tem alguma coisa.
— …….
— Diga agora.
— Eu disse depois. Em casa!
— Então podemos ir para casa agora mesmo. Vem comigo.
Chahyun se levantou de um salto e pegou o paletó. Ele foi irracional do começo ao fim. Quando Chahyun não gostava de algo, seu comportamento grosseiro ficava mais evidente. Ele agarrou o braço de Yeonwoo com força, como se fosse arrastá-lo para casa naquele instante.
Normalmente eles não se atritavam muito, e ele sabia que Chahyun era assim de origem, então conseguia levar de alguma forma, mas não mais.
— Você vai se casar?
Yeonwoo o empurrou e disparou.
— É verdade que você tem alguém com quem vai se casar?
Chahyun, que estava de pé diante de Yeonwoo com o rosto cheio de irritação, parou. Ele revirou os olhos para o lado e endureceu os lábios, como se estivesse diante de uma situação incômoda.
— Quem te contou?
— Isso importa?
— Sim.
— Me responda. Você vai se casar?
Um breve silêncio se estendeu. O peito de Yeonwoo estava apertado. Todos os seus nervos estavam em alerta, concentrados nas próximas palavras que Baek Chahyun proferiria.
Para ser sincero, ainda não parecia real. Ele nunca havia imaginado que chegaria o dia em que faria essa pergunta a Baek Chahyun.
Eles não eram um casal que sempre dizia que gostava e amava um ao outro, mas ele acreditava que havia pelo menos um respeito e uma dedicação mínimos.
Tinha certeza de que a relação deles não era uma que seria jogada ao chão de uma noite para outra assim.
— Ah, isso é irritante.
Chahyun franziu o cenho e jogou o cabelo para trás. Seu cabelo arrumado ficou instantaneamente desalinhado.
Pela atitude dele, Yeonwoo obteve sua resposta. Foi o momento em que ele se sentiu um tolo por ter querido acreditar em Chahyun até o fim.
Naquele instante, uma batida soou de fora do escritório.
— Diretor. A reunião da tarde começa em dez minutos.
Yeonwoo, que estava concentrado apenas na reação de Chahyun, voltou a si com aquelas palavras.
Yeonwoo passou por Chahyun, que bloqueava seu caminho, sem nem se despedir.
— Onde você vai, Hong Yeonwoo.
— Saia da minha frente. Eu não tenho nada para falar com você.
— Diretor. Posso entrar?
Quando não houve resposta, o secretário bateu de novo. Os olhos afiados de Chahyun se voltaram para a porta.
No breve momento em que ele se distraiu, Yeonwoo abriu a porta do escritório e saiu correndo.
Ele ouviu Chahyun chamando por trás, mas ignorou.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna