Episódio 57
Com que frequência ele vinha aqui? Mais de cento e cinquenta vezes. Chahyun sentiu pena de seu eu do passado. Era ridículo que ele não tivesse usado os cupons e tivesse se dado ao trabalho de acumulá-los.
Que capacho. É por isso que ele o subestimou e contou mentiras tão ridículas sobre estar grávido de seu filho. Chahyun estalou a língua.
— Eu vou só pagar.
Mesmo assim, ele simplesmente entregou o cartão. Não era como se ele estivesse espremendo fígado de pulga. Pensando em como Yeonwoo vinha se movimentando na cozinha, ele não quis ganhar um café grátis.
— Está bem. Eu faço agora mesmo.
Chahyun observou o atendente entrar na cozinha, então se inclinou um pouco mais para olhar dentro. Mas Yeonwoo não apareceu até o café sair.
— Um americano gelado está pronto.
Chahyun imediatamente pegou o café do balcão de retirada.
— …Hm, senhor cliente. Precisa de mais alguma coisa?
O atendente perguntou com cautela a Chahyun, que segurava o copo de viagem e não se movia.
Alguns segundos depois, Chahyun se afastou rápido sem responder.
No fim, ele teve que voltar ao escritório sem nenhum ganho, apenas com uma xícara de café.
Chahyun suprimiu a irritação que subia e tirou o celular. Havia apenas ligações e mensagens inúteis, e nem uma única mensagem de Yeonwoo.
— Droga, quanto mais eu penso, mais ressentido eu fico.
O que ele fez de tão certo para não me contatar e sumir? Como se eu fosse ligar para ele e mandar tirar a roupa? Claro, eu não tenho nenhuma intenção de tocar numa pessoa grávida, mas contrato ainda é contrato.
Eu ouvi o relato de que ele foi ao hospital ontem e foi trabalhar no carro do motorista. Ele vai protestar?
Chahyun abriu a tampa do copo de viagem e bebeu de um gole o café com gelo chacoalhando. Mas a irritação não diminuiu.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
No dia seguinte, Chahyun deliberadamente foi trabalhar mais cedo que o normal e usou o elevador localizado perto do café. Passando por ali, ele viu o atendente se preparando para abrir sozinho dentro do café.
Chahyun subiu ao andar onde ficava o escritório sem uma palavra.
— Olá, Diretor.
O secretário, que havia saído com antecedência, o cumprimentou. Assentindo, Chahyun pausou e o encarou.
— O senhor tem alguma instrução?
Era abaixo de sua dignidade perguntar sobre Hong Yeonwoo primeiro, já que havia lhe dito para não falar dele.
— Faça uma reserva para eu ir ao hospital. Com o doutor Min.
Chahyun trouxe à tona de forma impulsiva um assunto completamente diferente do que originalmente pretendia perguntar.
“Você também não tem nenhuma prova. Não minta de forma covarde, prove que o que você está dizendo é verdade!”
“Baek Chahyun, você é quem está sendo teimoso. Não pense em se esquivar como uma criança.”
Eu não posso deixar de me sentir inquieto. As palavras de Hong Yeonwoo, gritando sem vergonha sem conhecer vergonha, ficavam insistindo em sua mente. Seria melhor conferir direito do meu lado desta vez.
— Para quando devo fazer a reserva?
— Vamos fazer no fim de semana, para que a história não vaze.
— Entendido.
Se ele fosse ao hospital durante a semana, havia alta possibilidade de seus pais descobrirem. É melhor tirar um dia de folga ou ir no fim de semana. É por isso que, quando ele levou Hong Yeonwoo ao hospital, ele tirou um dia de folga e foi a um lugar remoto para tratamento.
Chahyun entrou no escritório e se sentou numa posição semirreclinada no sofá de visitas. Ele encarou o relógio na parede com olhos indiferentes.
Hong Yeonwoo não foi visto nem quando ele pediu café à tarde. Parecia que ele não havia vindo trabalhar de forma alguma.
E o mesmo aconteceu no dia seguinte.
No terceiro dia, Chahyun teve dificuldade em controlar o temperamento. Todo tipo de pensamento flutuava em sua cabeça.
Eu me pergunto se ele foi a outro moleque Alfa louco e disse para ele assumir a responsabilidade pela criança já que não funcionou comigo. Nada havia sido confirmado como fato, mas seu estômago se revirava.
— Ah, o chefe não apareceu hoje também.
— Eu sei. Será que o que houve?
— Faz dias que eu não vejo o rosto dele, então eu não estou com vontade de trabalhar.
A conversa dos clientes que havia terminado de pedir no Neobel fluiu aos ouvidos de Chahyun. Era verdade que ele não vinha aparecendo, não só quando ele vinha.
O jeito mais fácil é ligar diretamente e perguntar. Mas toda vez que ele tenta ligar para Hong Yeonwoo, ele hesita. Eu não sei por quê.
Hong Yeonwoo foi quem mentiu em primeiro lugar, então por que eu deveria sentir essa sensação desagradável?
Chahyun suprimiu seu descontentamento, olhando para dentro do balcão de novo hoje sem sentido.
— Que tipo de bebida você gostaria?
Conforme Chahyun, que estava na fila, se aproximava de sua vez, ele olhou para baixo, para o atendente cujo rosto ele havia memorizado nos últimos dias.
— Americano gelado.
— Está bem. Pontos…?
— Quando o chefe daqui vem trabalhar?
— Sim? Ah.
Ele de repente soltou as palavras que vinha engolindo havia dias.
O atendente, que sabia que Chahyun era o proprietário do Neobel, hesitou por um instante, então baixou a voz e respondeu.
— O chefe provavelmente não vai conseguir vir até amanhã.
— Por quê?
— ……
— Por quê.
— …Bom, devido a circunstâncias pessoais do chefe…
— Que tipo de circunstâncias pessoais.
— Eu não sei se eu deveria te contar…
— Me diga porque eu mandei. Não me faça dizer duas vezes.
O atendente se sobressaltou como se fosse apanhar se não dissesse. Chahyun, com os olhos levemente puxados e feições afiadas, tinha uma linha geral feroz e audaz que facilmente dominava a outra pessoa.
O atendente nervoso respondeu rápido em vez de tomar mais tempo.
— Eu ouvi que é por causa do… do falecimento do pai dele.
Logo, uma rachadura apareceu no rosto sem expressão de Chahyun.
— Falecimento do pai?
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Chahyun entrou no funeral xexelento e conferiu o nome do falecido escrito na entrada.
Hong Jae-hoon.
Ele não achava, mas o pai de Yeonwoo realmente havia morrido.
Ele ignorou a pressão da gravata que estrangulava seu pescoço com força e encarou a coroa de flores colocada sozinha no corredor. Ele se sentiu muito mal. Não era a primeira vez que ia a um funeral.
Conferindo o aviso na parede, hoje já era o dia do cortejo fúnebre. Significava o último dia do velório.
Chahyun sentiu um descontentamento inexplicável. Ele não sabia por que havia dirigido até ali desde Seul. Yeonwoo nem lhe havia contado sobre o obituário, e não o havia contatado de forma alguma.
Ele ligou para Yeonwoo no caminho para o funeral, mas ele não atendeu. Olhando dentro da casa funerária, não era como se não houvesse ninguém ali. Significava que ele havia contatado as pessoas ao seu redor sobre o obituário. Exceto Baek Chahyun, ele mesmo.
Não receber notícias mesmo com seu pai tendo falecido. Chahyun sentiu uma sensação de alienação, como se fosse uma personalidade completamente separada da pessoa chamada Hong Yeonwoo.
Mas ele não estava só com raiva por ser excluído. Então por quê? Chahyun perguntou a si mesmo, olhando a coroa de flores rudimentar preparada pelo serviço funerário.
Porque seu filho mal pagou uma dívida de um bilhão, mas seu pai morreu em vão? Porque Hong Yeonwoo ignorou suas ligações? Eu não sei.
No fim, Chahyun entrou na casa funerária sem organizar seus pensamentos. Ele imediatamente viu Yeonwoo usando roupas de luto.
Assim que o encontrou, o corpo de Chahyun, que vinha hesitando até então, se moveu por conta própria.
— Hong Yeonwoo.
Yeonwoo, que estava de pé sem ânimo, se virou com um rosto surpreso.
— Você, por que você está aqui, Baek Chahyun…
— Ah, Chahyun-ah!
Antes que Yeonwoo pudesse terminar de falar, a mãe de Yeonwoo, que estava agachada no canto, se levantou e se aproximou dele. Ela reconheceu Chahyun de imediato, a quem não via havia muitíssimo tempo.
Mas Chahyun, que havia esquecido completamente todas as memórias de Yeonwoo, não a conhecia.
— Você veio, mesmo devendo estar ocupado… Obrigada, obrigada.
Yeonwoo observou ansioso sua mãe e Chahyun. Em vez de perguntar a ela quem era, Chahyun apertou sua mão.
— Sinto muito pelo atraso.
Ele ficou surpreso depois de dizer as palavras. Ele nunca havia pensado que deveria dar essa resposta, mas sua boca se moveu por conta própria.
— Não há nada pelo que sentir. Eu estou só grata que você veio.
Sua mãe agarrou Chahyun e perguntou como ele estava. Ela não havia dormido como devia por três dias, recebendo o corpo da polícia e realizando o funeral, então sua fala estava de certa forma arrastada pela fadiga acumulada.
Chahyun escutou a história em silêncio sem apontar isso. Então, foi até o retrato e queimou incenso antes de se curvar.
— Yeonwoo-yah. Bom, então… eu tenho trabalho a fazer, então me desculpe, eu tenho que ir.
Naquele momento, alguém se aproximou por trás. Era Yoon-geon, o amigo de Yeonwoo que havia se casado recentemente.
— Ah, está bem. Obrigado por vir até aqui de Seul.
Yeonwoo colocou a mão no ombro dele.
— Não. Me desculpe por não poder ficar até o fim.
— Não diga isso.
Yoon-geon, que havia chegado no dia anterior, ficou com Yeonwoo na casa funerária o dia inteiro. No começo, ele planejava passar rapidamente, mas, porque havia tão poucos enlutados, ele não conseguiu sair até agora.
Quando Chahyun visitou, Yoon-geon finalmente pôde se levantar do lugar com tranquilidade.
Quando Yeonwoo acompanhou Yoon-geon até a entrada e voltou, sua mãe havia sumido e Chahyun estava de pé sozinho na casa funerária.
⛧°. ⋆༺♱༻⋆. °⛧
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna