Episódio 56
— Huhu…! E o seu pai? O que a gente faz…
Os soluços da mãe ficaram mais altos conforme ela também percebeu o que havia no envelope.
Yeonwoo tocou as notas velhas desbotadas com a mão, então encarou o pai deitado sob o pano branco.
Por que ele ainda tinha isso?
Mesmo enquanto jogava, cortava contato com a família, era perseguido por agiotas e acumulava inúmeras dívidas, por que ele ainda tinha?
Ele não podia mais perguntar, o que só fazia seu coração ficar mais pesado. Yeonwoo colocou o dinheiro de volta no envelope maltratado.
“Olha, Yeonwoo-ah. Yeon de ‘espalhar’, Woo de ‘ajudar’. É um nome que significa espalhar amplamente ajuda às pessoas.”
“É difícil.”
“O papai vai te dizer todo dia até você memorizar.”
Ele ressentia seu pai. Ele estava com raiva dele por morrer de um jeito tão absurdo.
Por que você é tão egoísta até o momento em que morre? Eu queria que você tivesse só me feito não sentir nada, só uma sensação de libertação. Você faz as pessoas sofrerem até o fim.
— Qual é o procedimento para realizar um funeral?
Só depois de muito tempo Yeonwoo conseguiu limpar a garganta e falar.
— Ah. Antes disso, tem alguns documentos que o senhor precisa preencher. Por favor, venha por aqui.
Yeonwoo seguiu o atendente para fora do necrotério. As coisas que seu pai deixou para trás em sua mão pareciam excessivamente pesadas. Talvez fosse por isso que seus passos pareciam tão pesados.
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“É seu filho.”
“Você e eu não éramos tão casuais.”
A voz, vividamente gravada em sua mente, estimulava os nervos de Chahyun. Mas Chahyun não tinha nenhuma intenção de ser influenciado por tal absurdo. Todas as circunstâncias pendiam para desconfiar de Hong Yeonwoo.
No começo, ele não disse que havia engravidado durante o ciclo de cio? Mas os resultados do exame mostraram que Yeonwoo estava na verdade grávido muito antes disso. Chahyun nem lembrava de isso ter acontecido.
Não só ele encontrou de forma descarada o Alfa que lhe foi dito para não encontrar na empresa, como também espalhou os feromônios daquele desgraçado por todo o corpo.
“Comprimidos para dormir? Será que… o Yeonwoo te contou diretamente? Eu não sei os detalhes, mas parece que ele fez isso num acesso de raiva depois de brigar com você. Mas a dosagem dos comprimidos não era perigosamente alta. O Yeonwoo também estava se culpando muito.”
Foi a resposta que ele obteve de Sang-gyun quando o pressionou sobre a palavra “comprimidos para dormir” que Yeonwoo havia proferido inconscientemente perto do fim do ciclo de cio.
Quem diabos daria em segredo comprimidos para dormir ao próprio namorado? Quanto mais ele reproduzia a situação, mais forte ficava sua convicção de que Hong Yeonwoo não podia estar com seu filho.
Além disso, Chahyun havia feito uma vasectomia cedo. Não era que ele tivesse uma má relação com a família, mas ele estava farto de eles tratarem os filhos como garanhões puro-sangue e presumirem que deveriam ser cruzados com raças parecidas.
Chahyun sabia melhor que ninguém que tipo de fim ele enfrentaria se rejeitasse aqueles valores e tivesse um filho de outra forma. Ele não precisava experimentar a dor que sua tia havia sentido.
Sempre que pensava naquele dia, seu pescoço ainda ficava apertado e ele se sentia sufocado. Chahyun afrouxou por hábito a gravata que estrangulava seu pescoço. Se houvesse até um pouco de pressão em volta do pescoço, o toque da mão de sua tia que o havia feito perder a consciência no passado passava por sua cabeça, deixando-o desconfortável.
As razões de Chahyun para não querer um filho eram claras. Isso continuaria igual mesmo depois de ele se casar com Oh Yumin.
De qualquer forma, era óbvio por que Hong Yeonwoo estava mentindo de forma tão descarada. Se ele dissesse que tinha um filho, teria muito a ganhar.
Era claro que o cara sem um tostão estava tentando se envolver com ele por dinheiro, e esse fato não era novidade. Depois de receber um bilhão de wons de pagamento de uma vez, sua ganância pode ter crescido.
— Diretor. Eu vou entrar um instante.
Chahyun, que folheava com indiferença os documentos em sua mesa, parou e saiu de seus pensamentos diante da voz do secretário.
— Entre.
— O departamento jurídico completou a revisão do contrato relacionado ao projeto que o senhor mencionou semana passada.
O secretário se aproximou de Chahyun e lhe entregou a pasta de documentos. O pensamento de ter que conferir aquilo de novo fez sua cabeça doer.
Ele frequentemente se perguntava sobre sua vida esses dias. Como ele acabou caindo nessa empresa e trabalhando voluntariamente?
Diferente do hyung e da noona competitivos e ocupados, o objetivo original de Chahyun era herdar uma pequena filiada e viver livre pelo resto da vida, administrando-a de forma modesta.
Mas como ele acabou nessa posição? Ele lembrava vagamente de se voluntariar, mas não conseguia recordar a razão ou situação decisiva que o fez decidir entrar na empresa, o que era frustrante. Doía sua cabeça tentar pensar nisso em detalhes.
— Diretor?
Diante do chamado do secretário, Chahyun sacudiu a mão como se enxotasse um convidado indesejado.
— Deixe aí.
Mas o secretário não se moveu, como se tivesse mais a dizer. Chahyun ergueu a cabeça como se perguntasse por quê.
— O senhor tem mais alguma coisa para reportar?
— Há um relato de que o Hong Yeonwoo-ssi não veio trabalhar hoje…
O movimento de Chahyun de bater na mesa com as pontas dos dedos parou.
— Devo descobrir o motivo?
Chahyun, que vinha pensando no comportamento astuto de Yeonwoo até pouco antes, sentiu uma irritação inexplicável quando aquele nome saiu da boca do secretário. O secretário parecia achar que ele prestava bastante atenção a Hong Yeonwoo.
Talvez por causa do passado em que Chahyun estava vendo Yeonwoo antes do acidente, ele tendia a reportar os movimentos de Yeonwoo a um grau excessivo. Ele provavelmente não sabia quão perspicaz Hong Yeonwoo era. Enganado por seu rosto bonito.
— Está tudo bem. Você não precisa me reportar nada relacionado a Hong Yeonwoo separadamente no futuro.
“Eu cheguei até aqui com você, então prove com justiça. Se você realmente não pode ter filhos.”
A imagem do rosto de Yeonwoo, negando o que havia feito e exigindo que ele provasse, tremulou diante de seus olhos. A mão de Chahyun segurando a caneta se apertou.
Há um limite para ser descarado. Como ele ousa lhe dizer para provar? Ele deveria estar se desculpando por estar arrependido.
Se ele tivesse concebido o filho de outro Alfa mas implorado por ajuda porque estava numa situação difícil, ele teria ajudado na direção que Hong Yeonwoo queria. Apesar das evidências esmagadoras de mentiras, Chahyun realmente tinha essa intenção.
E foi ninguém menos que Hong Yeonwoo quem chutou aquela boa vontade com os próprios pés.
— Ha, porra.
Chahyun cuspiu um xingamento no escritório onde ficou sozinho. Uma vez que começou a pensar em Hong Yeonwoo, ele não conseguia se concentrar no trabalho de forma alguma.
“Há um relato de que o Hong Yeonwoo-ssi não veio trabalhar hoje…. Devo descobrir o motivo?”
Ele não veio trabalhar? Quando é que ele saía de manhã cedo e trabalhava com afinco, por que de repente?
Mesmo tendo passado um bom tempo desde que o secretário saiu, Chahyun ficava repetindo suas palavras.
Por fim, Chahyun se levantou do lugar e deixou o escritório. Então, o secretário sentado à mesa diante da porta se levantou.
— Diretor, tem algo que o senhor precisa que eu faça….
— Só vou dar uma volta.
Chahyun sacudiu a mão grosseiramente, indicando que não havia necessidade de segui-lo, e desceu ao primeiro andar. Ele esperava que uma xícara de café acalmasse um pouco essa sensação irritante.
Assim que Chahyun saiu do elevador, ele caminhou com familiaridade em direção ao Neobel.
— Gostaria de pedir?
Diante da pergunta do atendente, Chahyun, que estava de pé diante do balcão, olhou para dentro da cozinha. Mas ele não conseguiu ver o rosto que procurava.
Ele não veio trabalhar ainda? Ou ele entrou naquele depósito apertado e não saiu?
— Cliente?
Quando Chahyun ficou ali parado sem expressão e nem respondeu, o atendente perguntou de novo. Só então Chahyun pediu uma bebida.
— Americano gelado, por favor.
— Sim. Se quiser acumular pontos, por favor digite seu número na frente.
— Acumular?
Chahyun ergueu as sobrancelhas diante das palavras desconhecidas, e o atendente explicou com gentileza.
— Sim. Se você acumular pontos com os últimos dígitos do seu número de telefone, você ganha um americano grátis a cada dez copos que comprar.
Existia isso? Ele parecia ter pedido ali com bastante frequência, mas não sabia que havia esse sistema de pontos. Porque Hong Yeonwoo nunca havia explicado a ele.
Era certo discriminar clientes assim? Que rancoroso. Se ele tomasse café toda vez que viesse ao trabalho, poderia ganhar um cupom grátis duas vezes por mês.
— Se você não estiver cadastrado, gostaria de se cadastrar agora?
— Eu vou.
— Por favor, digite seu número de telefone aqui.
Chahyun hesitou em digitar seu número na máquina de que o atendente falava. Para ser sincero, ele se perguntou se era certo dar seu número de telefone a esse tipo de café só para ganhar alguns copos de café grátis. Era claramente sua informação pessoal.
Mas, diferente de seus pensamentos, sua mão já estava se movendo.
— Ah, você já está cadastrado?
Chahyun franziu o cenho diante das palavras do atendente. Parecia que ele havia se cadastrado antes de perder a memória. Aquela maldita memória.
— Tem… quinze cupons grátis, gostaria de usá-los?
O quê? Não só um, mas quinze?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna