Episódio 34
— É o “Real Place”. Eu já vi vídeos daquela conta também. Perguntaram onde o chefe estava, e eu disse que você chegaria logo. Acho que estão tirando fotos das bebidas nos assentos da entrada agora…
Exatamente como ele disse, uma pessoa que se dizia influenciadora de comida se aproximou e perguntou se podiam filmar na loja. Ela queria capturar a atmosfera geral, o interior da cozinha e a paisagem além das grandes janelas de vidro características do Neobel.
Yeonwoo, depois de uma breve conversa, ofereceu algumas bebidas e sobremesas como cortesia. Ele havia aprendido pela experiência que ter mais comida e bebidas na mesa rendia fotos melhores.
Às vezes, as pessoas tiravam fotos e vídeos e depois exigiam dinheiro sob o pretexto de taxas de publicidade, mas a influenciadora que visitou hoje tirou fotos e vídeos em silêncio e desapareceu.
Yeonwoo contemplou a paisagem do outro lado da janela, na qual a influenciadora havia se concentrado mais. Folhas verdes brotando da árvore grande cobriam a janela de forma bonita. A luz do sol atravessava em centenas de raios, criando uma vista impressionante. À primeira vista, parecia uma obra de arte pendurada numa moldura.
Seu coração vinha estando tão pesado que ele não havia notado essas pequenas coisas do dia a dia. O fato de aquilo ressoar tanto com ele hoje significava que seu coração de fato havia se aliviado. Devia ser graças a Chahyun ter pagado sua dívida.
Yeonwoo encarou a luz do sol que atravessava a janela.
Enquanto Yeonwoo trabalhava, observando com cuidado o interior do café que ele havia cultivado, sentiu o celular vibrar no bolso. Era o dono da imobiliária.
[Eu não tive notícias da pessoa que viu a casa ontem…] [A gente deveria baixar o preço ainda mais? O mercado imobiliário está congelado esses dias, e as transações de officetel estão especialmente lentas.] [Você sabe que o valor de officetel cai mais rápido, né?]
A mensagem sugere baixar o preço ainda mais, mesmo já estando anunciado a preço de venda rápida. Yeonwoo leu a mensagem, mas não respondeu, colocando o celular de volta no bolso. Quer a casa vendesse ou não, não era tão urgente agora.
De fato. Não era fácil arrumar um bilhão de wons de uma noite para a outra.
Conforme Yeonwoo ponderava sobre o paradeiro de seu pai, que havia causado um acidente enorme e desaparecido, ele recordou que hoje era o prazo para responder à proposta de Chahyun.
* * *
Yeonwoo encarou o escritório fechado de Chahyun. A porta alta e grossa exalava uma sensação de pressão, como um muro sólido.
O secretário abriu a porta, dizendo que ele podia entrar agora. Logo, voltou ao seu lugar, e Yeonwoo ficou sozinho no escritório.
Chahyun estava sentado à sua mesa com uma expressão lânguida, brincando com um aviãozinho de papel dobrado com documentos. Quando Yeonwoo entrou, ele apenas moveu os olhos para reconhecê-lo.
— Então, qual é a sua resposta?
Um tom sem ânimo, desprovido de qualquer tensão. Era como se ele já soubesse a resposta que Yeonwoo daria.
— Eu vou fazer.
Yeonwoo forçou as palavras que estavam entaladas em sua garganta como espinhos. A Baek Chahyun, que não era mais seu namorado e se tornaria marido de alguém.
E ele repetiu para si mesmo várias vezes. Ele era diferente de sua mãe. Chahyun ainda não era casado. Já que eles terminariam em seis meses de qualquer forma, ele era diferente, ele se justificou de forma covarde.
Chahyun, ainda usando o curativo que Yeonwoo havia colocado em seu queixo ontem, jogou o aviãozinho de papel que segurava. O aviãozinho vacilante logo caiu aos pés de Yeonwoo.
— Boa escolha.
— Mas… eu gostaria que você garantisse meus horários de trabalho no café.
Yeonwoo hesitou antes de fazer o pedido.
— Eu não posso simplesmente parar de trabalhar de vez.
Chahyun ouviu suas palavras com atenção, então disse com uma expressão intrigada:
— Eu claramente odeio quando as pessoas falam comigo de forma informal sem permissão, né?
— …….
— E quando eu tenho que me repetir.
Yeonwoo sentiu uma pontada de culpa.
Ele estava dizendo para ele não abandonar o tratamento formal? Chahyun havia mencionado isso antes, mas era difícil mudar um hábito que havia se enraizado.
— Mas, estranhamente, eu consigo tolerar quando você faz. Eu me pergunto por quê.
…Não, ele estava dizendo que era tudo bem falar de forma informal? De qualquer forma, Chahyun era mais novo que ele, e ele não sentia vontade de usar tratamento formal com seu ex-namorado de muitos anos.
— Bom, de qualquer forma, você está dizendo que vai vir e abrir as pernas para mim a qualquer hora, desde que não seja durante o horário de funcionamento do café?
Chahyun se recostou completamente na cadeira, erguendo o queixo. Seu rosto frio e arrogante encontrou o olhar tenso de Yeonwoo.
— Sim.
— Sem dividir com nenhum outro desgraçado, só para o meu uso exclusivo?
Ele perguntou de novo, incluindo deliberadamente conteúdo vergonhoso.
— …Sim.
— Bom.
Os olhos de Chahyun se curvaram de leve, como se satisfeitos com a resposta dócil de Yeonwoo.
— Então tire agora.
— Hein?
— Eu estava justamente a ponto de tirar para fora.
Chahyun respondeu com indiferença à pergunta perplexa de Yeonwoo. Yeonwoo olhou rapidamente ao redor.
— A-Aqui?
— Sim. Eu paguei um bilhão de wons por seis meses, então você tem que ganhar o seu sustento.
O escritório espaçoso, localizado em algum lugar num andar alto do Edifício Heesung. Mesmo que fosse um espaço que Chahyun usava sozinho, ainda era uma empresa. Não era lugar para fazer tal coisa.
— Você pensou que a gente só faria em camas macias de hotel?
— É uma empresa. E ainda tem pessoas lá fora…
— O isolamento acústico não é tão ruim para que eles ouçam a gente transando.
Chahyun apoiou o braço na cadeira, batendo no braço dela com os dedos.
— Ah, se você fizer muito barulho, eles talvez ouçam.
— …….
— Você vai ter que tentar segurar.
Chahyun disse com um sorriso, como se achasse a ideia divertida.
Yeonwoo congelou por um instante, então rapidamente recuperou os sentidos.
— Eu ainda não quero fazer aqui. Vamos para casa.
— Você não tem o direito de dizer isso.
A expressão de Chahyun se rachou diante da recusa firme. Ele saboreou lentamente a reação de Yeonwoo, que estava sem palavras com uma expressão desnorteada.
— A julgar pela sua cara de choque, eu imagino que nunca te comi aqui antes.
— …….
— Por quê? A gente se deparava um com o outro todo dia quando trabalhava no mesmo prédio.
Chahyun perguntou a si mesmo, soando um tanto intrigado. E, como Chahyun disse, eles nunca haviam sido íntimos num lugar como aquele.
Como estavam escondendo a relação, Yeonwoo evitava entrar no escritório, e Chahyun evitava fazer fora, já que podia forçar os tornozelos de Yeonwoo.
Por causa disso, ele nunca havia imaginado ser colocado nessa situação. Especialmente por Chahyun.
Foi por isso que, naquele momento, Yeonwoo sentiu de forma mais aguda quão diferente o Baek Chahyun que ele conhecia era do Baek Chahyun atual.
Ele tinha que admitir que o homem diante dele era agora um completo estranho. Aquela percepção ardia.
Yeonwoo permaneceu em silêncio por um longo tempo, e Chahyun, presumindo que ele finalmente havia recusado, esfregou as têmporas com uma expressão entediada.
— Se você não quer, saia. Eu envio a nota promissória por meio de um advogado, então cuide disso…
— E-Eu vou fazer. Eu vou tirar.
Yeonwoo respondeu rápido.
— Mas as pessoas lá fora… diga a elas para irem para casa.
E ele baixou a voz, olhando de relance para Chahyun.
— Por favor.
Chahyun encarou Yeonwoo por um instante, então conectou o telefone de sua mesa ao escritório do secretário.
— Sim, Diretor.
— Todos, vão para casa cedo. Eu cuido de qualquer coisa que não estiver terminada amanhã.
— Entendido.
Yeonwoo soltou um suspiro de alívio diante da resposta do secretário, que ecoou pelo alto-falante.
— Feliz agora? Tire.
Depois de confirmar que a conexão telefônica com o escritório do secretário havia sido cortada, Yeonwoo desabotoou a camisa azul-clara que usava. Seu coração batia como louco, mas não havia outro jeito. Já que havia concordado em ter uma relação física, ele tinha que abandonar o orgulho desnecessário, não importava o local. Yeonwoo objetificou sua situação daquela forma.
Sapatos, calça e roupa de baixo caíram aos pés de Yeonwoo num ritmo que não era rápido nem lento.
Hematomas tênues ainda restavam em várias partes de seu corpo branco. Mas havia desbotado o bastante para serem quase imperceptíveis, a menos que se olhasse de perto, então não eram incômodos.
Chahyun afrouxou a gravata, observando o corpo de Yeonwoo com atenção. Seu corpo era fino, mas suas linhas eram firmes. Ele havia pensado que não valeria a pena admirar porque ele não tinha músculos nem volume, mas a linha de suas costas e de sua cintura era reta e nítida. A gordura em suas coxas e nádegas era bastante tentadora.
Ele havia esperado que o corpo nu de Yeonwoo fosse parecido, já que seu rosto era claro, mas era melhor do que ele havia previsto. Considerando que eles moraram juntos, ele deve ter rolado por aí com aquele corpo mais de uma ou duas vezes, mas ele lamentava não conseguir lembrar nada.
Quantas vezes ele havia tocado seus mamilos rosados fofos e empinados ? Quantas vezes seu buraco, escondido embaixo, havia provado seu pau, Chahyun se perguntou.
Era como olhar um campo de neve coberto de neve que havia se acumulado depois da primeira nevasca, intocado por ninguém. Era um corpo que fazia ele querer tocá-lo pela primeira vez.
— Sobe aqui.
Chahyun, ainda sentado na cadeira, deu um tapinha no próprio colo.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna