Episódio 31
Ao contrário de suas expectativas, no entanto, Yeonwoo sacudiu a cabeça.
— Não venha mais aqui.
— ……
Chahyun não havia previsto essa resposta. Ele cruzou os braços e se inclinou na direção de Yeonwoo.
— Eu não quero.
— Então você pode acabar se deparando com aqueles caras de novo. É perigoso para você também. Você viu, não viu?
— E você não está em perigo?
— É o meu trabalho, então não tem o que fazer. E eu te disse ontem, está acabado entre você e eu de qualquer forma….
— É um bilhão de wons, né?
Chahyun cortou Yeonwoo.
— Eu pago por você. Aqueles moleques loucos pareciam agiotas.
— ……
— Não é realmente perigoso se continuar assim? Para você, e para a sua família também.
Chahyun agarrou o pulso de Yeonwoo para impedi-lo de se virar. Não estava apertado demais, nem fraco demais. Sua atitude era cautelosa, mas ele não conseguia esconder muito bem o fato de que achava a situação divertida.
— Por que de repente?
Chahyun foi quem disse que não daria nem as luvas. Yeonwoo estava curioso quanto ao motivo pelo qual ele havia mudado de ideia.
É porque ele sentiu pena depois de vê-lo levar uma surra? Ou é porque ele acha essa situação nova e interessante?
— Claro, não é de graça. Tem uma condição.
— Que condição?
— Eu te conto depois. Mas não é tão perigoso quanto ser perseguido por agiotas, é?
Yeonwoo não sabia o que dizer, então moveu os lábios em silêncio.
Mesmo que Chahyun estivesse o ajudando por caridade, simplesmente para satisfazer sua curiosidade, a realidade era que ele não podia recusar facilmente.
Depois de ser rejeitado pela mãe de Chahyun ontem, ele se sentiu ainda mais desesperado, pensando que não havia mais para onde recuar. Ele queria pagar essa dívida o quanto antes, custasse o que custasse.
— …Se você me der as luvas antecipadamente, eu dou conta do resto de alguma forma. Eu já coloquei o officetel para venda urgente, então, se aquilo for vendido….
— Te ajudar, ou não? Só me diga isso.
Chahyun sacudiu a cabeça como se estivesse irritado com a explicação longa. Ele não parecia ter o menor interesse nas circunstâncias detalhadas de Yeonwoo.
— …Me ajude.
— Bom.
Como se tivesse esperado por aquela resposta, Chahyun sorriu largo.
Naquele momento, eles ouviram o som de um cliente entrando no café. Yeonwoo virou a cabeça para conferir do lado de fora do balcão.
Ao mesmo tempo, Chahyun se levantou de seu lugar.
— Suba ao meu escritório depois. Você sabe onde é, né?
Ele disse a Yeonwoo num sussurro. Não, era mais próximo de uma ordem.
Yeonwoo assentiu.
— Eu vou depois que a loja fechar.
— Como quiser.
Com uma expressão satisfeita no rosto, Chahyun deixou o café.
Yeonwoo fechou o café e se assegurou de que o atendente havia ido embora antes de pegar o elevador para cima.
Chahyun ainda estaria em seu escritório a essa hora? Ele queria ligar antes, mas eles não havia trocado números, já que o número dele havia mudado depois do acidente.
Quando ele subiu ao andar em que já havia estado, o secretário sentado à mesa se levantou e cumprimentou Yeonwoo.
— Olá, Hong Yeonwoo-nim.
— Olá.
— O senhor veio ver o Diretor. Vou lhe mostrar o caminho.
Ele também sabia que Chahyun não lembrava de Yeonwoo devido às sequelas do acidente. Mas fingiu não conhecer as circunstâncias complicadas e gentilmente abriu a porta do escritório.
Chahyun estava sentado à sua mesa de escritório, lendo documentos com atenção. Ele havia afrouxado completamente a gravata e folheava os papéis com uma expressão que mostrava claramente que estava irritado até a morte.
“Baek Chahyun, Diretor do Departamento de Planejamento Estratégico”.
Yeonwoo conferiu a placa de nome de Chahyun na mesa. Ele havia ouvido que ele trabalharia no Departamento de Planejamento Estratégico para apoiar de verdade o trabalho do hyung mais velho, mas não esperava que fosse promovido a Diretor tão rápido num período tão curto.
Yeonwoo recordou os comentários dos clientes sobre Chahyun que havia ouvido no café. Surpreendentemente, Chahyun era bastante bom no trabalho que lhe era designado. No entanto, muitas pessoas diziam que ele era assustador e desconfortável de trabalhar junto porque era caprichoso e egocêntrico. Mas, como era o maknae amado do presidente, ninguém ousava expressar seu descontentamento com ele.
Mesmo enquanto Yeonwoo estava perdido em pensamentos triviais por alguns minutos, Chahyun continuava concentrado nos documentos.
— Se você ainda não terminou o trabalho, eu devo voltar depois?
Yeonwoo, incapaz de esperar mais, falou primeiro.
— Não. Eu terminei.
Chahyun suspirou e cobriu os documentos como se estivesse de saco cheio deles.
Ele tirou um cigarro do maço em sua mesa e o colocou na boca, então fez um gesto para Yeonwoo se sentar no sofá.
Yeonwoo se sentou, olhando de forma estranha para Chahyun fumando em seu escritório. Ele pensava que ele havia parado de fumar bastante tempo antes. Pensando bem, havia um leve cheiro de cigarro por todo o escritório.
— Eu paguei todo o dinheiro. Então não se preocupe mais com isso.
— Você pagou tudo?
Yeonwoo perguntou de novo, duvidando dos próprios ouvidos. Ele pagou nada menos que um bilhão de wons em poucas horas?
— É.
— Eu pensei que você fosse me dar só as luvas primeiro….
— Você me pediu para te ajudar, não pediu?
Chahyun deu de ombros como se perguntasse qual era o problema.
— Isso é.
— Você ainda tem orgulho para sustentar nessa situação?
Ele ergueu um canto da boca como se achasse aquilo ridículo e exalou fumaça de cigarro. Yeonwoo sacudiu a cabeça com uma expressão sem graça.
— Ah, não.
E acrescentou rapidamente:
— Obrigado.
— Eu te disse antes, não é de graça.
— ……
— De agora em diante, você só tem que fazer o que eu disser. Absolutamente.
A premissa de “absolutamente” o deixou inquieto. Claro, era menos assustador do que ser perseguido por moleques loucos, mas, agora que devia aquela dívida a Chahyun, ele não pôde deixar de se preocupar.
— …O que eu tenho que fazer?
Diante da pergunta de Yeonwoo, Chahyun colocou um cigarro entre os dedos longos. Ele o levou ao cinzeiro para sacudir as cinzas e encarou Yeonwoo com atenção.
— Primeiro, tem um lugar onde a gente tem que ir junto.
* * *
— A essa altura, ele não está só fingindo não lembrar? Nada mudou de antes.
Sang-gyun sussurrou no ouvido de Yeonwoo, como se estivesse pasmo. Ele havia acabado de receber o pedido absurdo de Chahyun, que havia irrompido de repente no hospital, de conferir os ferimentos no corpo de Yeonwoo.
Era exatamente o tipo de comportamento que Chahyun teria tido antes de perder a memória, então no começo ele pensou que sua memória havia voltado. Mas, depois de escutar, também não era o caso.
— Eu também não sei o que está acontecendo.
Yeonwoo suspirou. Ele deixou as pessoas nervosas com palavras significativas de que havia um lugar para ir, mas o lugar a que Chahyun o levou foi um hospital. Ele disse que estava irritado de olhar, então ele deveria receber tratamento adequado.
Enquanto Sang-gyun lhe fazia um exame, Chahyun matava tempo tocando os móveis e os livros ao seu redor. Ele não precisava segui-lo até a sala de exames, mas conferiu diretamente o tratamento de Yeonwoo, como se o estivesse supervisionando.
— Mas como você se machucou desse jeito? Havia hematomas nas suas costas e no seu estômago também.
— Já quase desapareceram. Eu estou bem.
— Você tem vinte e nove anos agora, você está se metendo em brigas de gangue em algum lugar?
— Hyung, para.
— Então talvez… Baek Chahyun?
Sang-gyun olhou com desconfiança para Chahyun, que estava de pé atrás de Yeonwoo, como se estivesse horrorizado.
Chahyun imediatamente se irritou quando ouviu aquilo.
— Você está louco? Eu não tenho nada melhor para fazer além de bater nele?
— Então quem mais faria isso?
— Espera… Eu já bati no Hong Yeonwoo antes?
Chahyun perguntou de volta com uma cara séria, como se tivesse ouvido algo inacreditável. Sang-gyun imediatamente sacudiu a mão.
— Não. Não é isso, é só que não tem razão para o Yeonwoo se meter em problema a esse ponto na vida dele.
— Ou você fala direito, ou eu vou pensar que eu costumava dar surras nele.
Chahyun relaxou a expressão como se estivesse aliviado de ouvir a resposta de Sang-gyun de que ele nunca havia batido nele no passado.
— Ei, Baek Chahyun. O Yeonwoo é mais velho que você.
— Quem se importa.
— Eu só estou dizendo que você deveria ter cuidado com as palavras com os mais velhos.
Diante do sermão de Sang-gyun, o olhar de Chahyun se fixou em Yeonwoo.
— Ele não parece nada mais velho. Ele parece muito mais novo que eu, e é desastrado o bastante para levar surra na rua.
— Então quem o deixou desse jeito?
— Não fui eu. O fato de você ter suspeitado de mim é insultante.
— Quem sabe? Talvez você tenha batido nele porque não lembrava e ele era irritante.
— Então eu o teria trazido aqui? E por que porra eu bateria no Hong Yeonwoo? Se eu batesse em alguém porque não lembro, isso seria humano?
— Pronto! Tudo feito. Na verdade, já está quase curado, então você não precisava vir ao hospital….
Sang-gyun disse deliberadamente, como se para Chahyun ouvir, e arrumou a área. Yeonwoo deu um leve agradecimento.
— Mas eu e o Hong Yeonwoo vínhamos ao hospital com frequência antes?
— Bom, vocês vinham bem frequentemente.
— Constituição frágil?
Chahyun franziu o cenho como se não gostasse da resposta de Sang-gyun. Ele examinou Yeonwoo de cima a baixo com um olhar muito descontente.
Seria bom se ele fosse um pouco mais forte, mas ele parece frágil à primeira vista. Ele parecia alguém que não comeria nas horas certas mesmo se você não perguntasse.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna