Episódio 30
Ao mesmo tempo, alguém no andar de baixo girava a maçaneta da escada de emergência. Provavelmente era alguém que havia terminado de estacionar no estacionamento subterrâneo e tentava subir pela escada. Mas apenas um som de chacoalhar foi ouvido, e a porta não abriu.
Chahyun havia dito ao secretário para trancar as portas da escada de emergência em todos os andares. Para que ninguém além dele e daqueles desgraçados pudesse usá-la.
— Rá, esse cara realmente deve ser um Jovem Mestre de família rica.
Nesse meio-tempo, o Beta, que havia confirmado que o dinheiro tinha realmente sido depositado em sua conta, explodiu numa risada vazia, como se estivesse impressionado. Isso porque era a primeira vez que ele recebia dinheiro tão facilmente num período tão curto trabalhando nesse ramo. Normalmente, levava de seis meses a vários anos.
— Mas parece que entrou um pouco mais de dinheiro. Isso é para despesas de viagem?
O Alfa perguntou depois de conferir os números na mensagem um por um.
— Ah, isso.
Chahyun jogou o cigarro encurtado no chão e lentamente apagou as brasas com o sapato. Ele agia de forma flippant demais para ser um Jovem Mestre de família rica que podia depositar bilhões de wons casualmente em questão de minutos.
— O que é? Quiz. Adivinhem.
— Rá, é porque ele foi criado tão bem? Esse desgraçado novinho é precoce demais.
— Por quê, vocês não sabem?
— De que osso de cachorro você está falando?
— Osso de cachorro? Errado.
Chahyun sacudiu a cabeça como se sentisse pena. A essa altura, os dois agiotas concluíram que ele era um desgraçado louco.
— A resposta é? Dinheiro de sangue.
Chahyun, que murmurou em voz baixa, chutou o Alfa diante dele sem aviso. Com um pesado pluc!, o Alfa caiu direto no chão.
— Ugh!
— O quê, que porra é essa, seu moleque louco!
— Seus desgraçados bandidos, vocês não conseguem nem reconhecer dinheiro de sangue?
— Aaaargh!
E ele chutou o Alfa caído de novo, mandando-o rolando escada abaixo.
O Alfa, que rolou escada abaixo sem conseguir se levantar, gritou.
Chahyun, que havia dado conta de um deles em menos de dez segundos, agora se aproximou do Beta. O Beta surpreso não conseguiu reagir de imediato e deu um passo atrás, gritando:
— Seu desgraçado de merda, o que você está fazendo! Seu covarde desgraçado, você está louco e quer morrer?
— Isso mesmo, eu gosto muito de ser covarde.
Chahyun agarrou o Beta pelo colarinho e o ergueu, então lhe deu um soco no rosto. O som de ossos se chocando ecoou pela escada de emergência junto com o gemido do Beta.
O Beta também tentou revidar de alguma forma, mas, mesmo quando ele batia e chutava Chahyun, ele não se movia e segurou o Beta até o fim.
— Seu fi-lho da puta, de repente, ugh! Por que você está fazendo isso…
— Ei. Vocês querem fazer hematomas no rosto de alguém tão bonito?
Pluc! Chahyun murmurou como se mastigasse, batendo no rosto do Beta.
— Ugh! Es-Espera um instante…!
— Desde que eu vi aquilo, porra, eu não consegui dormir porque era um desperdício. Hein?
Pluc! Pluc!
— Cof! Ugh! Aaaargh!
— Quanto é para deixar um garoto daquele jeito por uns trocados.
Pluc!
— Sal-Salva a minha… Ugh, me salva….
— Se você tocar no Hong Yeonwoo mais uma vez, eu realmente vou te matar então.
Chahyun agarrou o Beta, que estava semiconsciente, pelo colarinho e o advertiu no ouvido antes que ele perdesse a consciência.
Então, o jogou no chão como um pedaço de bagagem e o chutou escada abaixo com toda a força, exatamente como o Alfa.
O corpo mole rolou para baixo com um tum, tum.
Antes que percebesse, a escada estava salpicada de sangue dos agiotas batendo nos cantos enquanto caíam.
Mais uma vez, o som de alguém tentando abrir a porta da escada de emergência do subsolo foi ouvido, mas a porta trancada não se moveu.
Chahyun desceu lentamente a escada manchada de sangue e chutou o Alfa no estômago. Mesmo em seu estado inconsciente, o Alfa parecia sentir a dor, e seu corpo mole rolou no chão, arfando.
Só depois de repetir a explosão de raiva, Chahyun recuperou o ar. Ele ajeitou as roupas desalinhadas e arrumou com esmero o cabelo que havia caído para frente, jogando-o para trás com a mão.
Então, tirou um cartão de visita do bolso interno do paletó e o jogou como se o espalhasse aos dois homens deitados lado a lado no chão.
— Processem-me aqui.
* * *
Chahyun limpou grosseiramente o sangue que havia salpicado em seu rosto com o dorso da mão e destrancou a senha da porta que dava para o saguão. Por razões de segurança, o prédio tinha fechaduras instaladas em cada andar, que normalmente ficavam abertas, mas podiam ser trancadas numa emergência como agora.
— Tem duas pessoas desmaiadas na escada do primeiro subsolo, então cuide delas. Cadáveres? Eu sou bandido? Porque eu mataria pessoas. Estão todos bem, então destranque as portas depois que cuidarem deles.
Ele ligou para o secretário e disse abruptamente o que precisava dizer e desligou. Os passos de Chahyun em direção ao café estavam leves.
Funcionários que começavam a chegar para o trabalho apareciam no saguão um por um. Nenhum deles imaginaria que dois homens estavam deitados numa poça de sangue na escada do prédio.
— Baek Chahyun!
Conforme Chahyun se aproximou do café, Yeonwoo correu rapidamente até ele. Yeonwoo, que havia voltado com o segurança, vinha procurando por ele sozinho por um longo tempo. No entanto, ele não conseguiu encontrá-lo mesmo depois de vagar pelo estacionamento subterrâneo e pela rua, então não teve escolha a não ser voltar ao café.
— Onde você foi? Eu chamei o segurança, mas se você desaparece sem dizer nada…, você! Ei, o que houve com o seu rosto?
Yeonwoo ficou horrorizado ao descobrir com atraso o rosto manchado de sangue de Chahyun. Pensando bem, não só seu rosto, mas também sua camisa estava salpicada de sangue.
Tão surpreso, Yeonwoo não percebeu nem que estava tratando Chahyun com a mesma naturalidade de antes.
Chahyun tentou limpar de alguma forma o que havia em seu rosto, mas logo estalou a língua como se aquilo fosse irritante.
— Você tem lenços umedecidos?
— Ah, sim. Dentro da loja.
Yeonwoo agarrou o braço de Chahyun e o levou às pressas para o quartinho dos fundos, dentro da cozinha. Era uma estrutura que não era facilmente visível de fora.
Depois de fazer Chahyun se sentar sobre uma pilha de caixas, Yeonwoo rapidamente trouxe lenços umedecidos.
— Não me diga que você brigou com aqueles caras? Você está machucado? De quem é todo esse sangue, afinal? Hein? Deixa eu ver o seu rosto.
Ele ralhou com Chahyun enquanto limpava seu rosto.
— Você não deveria ir ao hospital? Eu fiquei tão surpreso quando você desapareceu de repente…!
— ……
— Eu te disse para só esperar, por que você seguiu aqueles desgraçados? O que aconteceu? Quão machucado você está. Diga alguma coisa, Baek Chahyun.
Yeonwoo não sabia o que fazer, mas limpou com aplicação o sangue de seu rosto e de suas mãos, e aplicou com cuidado pomada na ponta do queixo, que estava levemente arranhada por um golpe de raspão no punho.
Então, como se estivesse incômodo com a máscara que usava, ele inconscientemente tirou a máscara e colocou com cuidado um curativo.
Chahyun encarou a aparência de Yeonwoo sem perder um único momento. Com tenacidade, como se a mastigasse minuciosamente e a gravasse na retina.
Yeonwoo encarou o rosto de Chahyun com dureza, com uma expressão em que era difícil dizer se ele estava com raiva, com medo ou até triste. Antes que percebesse, os olhos de Yeonwoo estavam vermelhos.
— Pff.
Com isso, uma risada que não combinava com a situação atual explodiu da boca de Chahyun.
Yeonwoo se surpreendeu e arregalou os olhos. Até aquela expressão era engraçada para Chahyun.
— Por que você está rindo?
Ah, estou ficando louco. Por que é tão fofo que ele gagueja quando está desnorteado? Chahyun murmurou por dentro e deu de ombros.
Também era ridículo pensar que ele levaria uma surra de desgraçados tão xexelentos, e era bem fofo que ele estivesse tão preocupado e chateado que estava a ponto de chorar.
Mesmo que ele mesmo não tivesse derramado uma única gota de sangue.
Chahyun se sentou obediente sobre a caixa e esperou até Yeonwoo terminar de colocar os curativos em seu rosto.
A essa altura, Chahyun tinha que admitir. Seu eu do passado não era cego. Ao contrário, seus padrões eram tão altos que ele deu a Hong Yeonwoo o lugar mais próximo de si e o amarrou.
Conforme ele veio a entender por que Yeonwoo acabou administrando um café ali, e por que ele não vinha recebendo aluguel como devia antes do acidente, a sensação que estava desajustada desde ontem melhorou bastante.
— Mas como você se envolveu com aqueles desgraçados ruins?
Chahyun perguntou como se não tivesse ouvido nada, mesmo tendo ouvido o relatório do secretário e sabendo a história toda.
Yeonwoo mordeu o lábio inferior, mas no fim não disse nada.
— É por isso que você pediu as luvas antecipadamente, por causa daqueles desgraçados?
— ……
— Devo dar a você?
Yeonwoo suspirou e guardou a pomada e os curativos que havia trazido.
— Eu posso pagar todas as suas dívidas.
Chahyun, que inclinou a cabeça, fez contato visual com Yeonwoo. Ele não se deu ao trabalho de mencionar que já havia pagado todo o montante.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna